Brinca Brincando
Untitled Document Prevista para ir ao ar com a designação de Um Gato no Caixote do Lixo, a série teve o seu título abreviado para simplesmente Zé Gato.


Foi produzida para a RTP pelo Centro Português de Cinema, extinta cooperativa cinematográfica, com a assinatura de Rogério Ceitil.


Zé Gato começou por ser exibida às quintas-feiras à noite, na RTP 2, a partir de 13/12/1979.


No decorrer das filmagens, Orlando Costa sofreu um acidente e partiu uma perna, o que o impediu de prosseguir com o ritmo normal das gravações. Assim, a exibição da série foi interrompida após o 6.º episódio (exibido em 17/01/1980), retornando à RTP 2 exatos cinco meses depois, agora às terças-feiras. É de notar que, nos episódios 5 e 6, Zé Gato teve uma participação pouco ativa, pois encontrava-se numa cama de hospital.


Esta quebra levou a que, muitas vezes, a imprensa se referisse aos episódios 7 a 13 como uma segunda série. A este respeito, Rogério Ceitil esclareceu: “Não gostaria de dividir a série em duas partes, pois considero ser uma divisão fictícia, provocada por um acidente de percurso que foi o Orlando Costa partir uma perna”.


Devido às datas em que foi exibida, a série teve a sua primeira parte exibida a preto e branco, ao passo que quando voltou ao ar em junho de 1980, as emissões já eram feitas a cores.


Para além de assinar a letra do tema da série, Jorge Palma apareceu no episódio Olho por olho, como um cantor de rua. Nesta cena, interpretou trechos das músicas You Are My Flower, da dupla Flatt & Scruggs, e Enquanto o Pau Vai e Vem, da sua autoria.


O episódio Uma pessoa importante, cujo tema era a pirataria discográfica, contou com a participação de Paulo de Carvalho, Carlos Vidal e Tozé Brito, no papel de cantores cujas atuações num bar eram gravadas e vendidas em cassetes piratas. Curiosamente, Tozé Brito foi um dos principais ativistas na luta contra a pirataria em Portugal.

Paulo de Carvalho
Carlos Vidal
Tozé Brito

Também Manuela Moura Guedes marcou presença, como cançonetista de um bar.


É ainda de assinalar a participação de Manuel Luís Goucha, que na época se dedicava à representação.


Uma das histórias foi gravada em Macau, preenchendo a segunda metade do episódio Liberdade condicional.


Zé Gato regressou numa pequena participação na série Uma Cidade Como a Nossa, em 1981 – uma homenagem de Luís Filipe Costa a Rogério Ceitil. O polícia aparece em cena contando que está de partida precisamente para Macau.


O genérico da série foi imortalizado com o tema interpretado por Pedro Brito, e que foi lançado em single.


Mais recentemente, foi incluído na coletânea O melhor dos anos 80 – as músicas dos filmes.


O famoso refrão (“Quem és tu, Zé Gato, e o que te faz correr pelos cantos mais sujos desta terra…”) foi adaptado para o genérico do programa Zé Carlos, dos Gato Fedorento, que estreou na SIC em outubro de 2008. A letra foi transformada em: “Quem és tu, Zé Carlos, e o que te faz ir prò ar aos domingos…”.


Zé Gato marcou um ponto de viragem na produção televisiva portuguesa. À semelhança de Retalhos da Vida de um Médico, que foi ao ar na mesma época, foi considerada uma das primeiras séries de ficção nacional a obter um êxito assinalável junto do público.


Um outro facto inédito trazido por Zé Gato foi a produção de um episódio piloto para avaliação por parte da RTP.


O último episódio de Zé Gato (onde, inusitadamente, Zé Gato não aparece!) foi, na sua conceção, bastante diferente dos outros. Rogério Ceitil quis apresentar uma proposta para uma série policial com um cariz diferente, imprimindo-lhe toques de comédia. Aqui desabrochava a ideia para uma das séries de maior sucesso da RTP: Duarte & C.ª

António Assunção e Rui Mendes no episódio O agente americano

Luís Lello, o intérprete do caricato Matrículas, faleceu em dezembro de 1980, pouco tempo após o término da série.


A série foi reposta na RTP 1 em 1984, nas férias da Páscoa, e em 1986, no verão. A reposição de 1984 foi comentada pela revista TV Top: