A Morgadinha dos Canaviais

Exibição:
13/01/1990 – 10/02/1990 (RTP 1)

Número de episódios:
05

Baseado no romance de:
Júlio Dinis

Adaptação e realização:
Ferrão Katzenstein

Cenografia:
Maria João S. Ramos

Música original:
José Moz Carrapa
Ricardo Fuentes

Produção:
Ana Martins Varela

Elenco principal:
São José Lapa – Madalena
Virgílio Castelo – Henrique de Souselas
Eunice Muñoz – D. Doroteia
Natália Luiza – Cristina
Antonino Solmer – Augusto
Cecília Guimarães – D. Vitória
Luís Pinhão – Tio Vicente
Suzana Prado – Maria de Jesus
Dina Lopes – Ermelinda
Cremilda Gil – D. Catarina
Carlos Gonçalves – Bento Pertunhas
Orlando Costa – Zé P’reira
Cândido Ferreira – João Cancela
João d’Ávila – Eusébio Seabra
F. Pedro Oliveira – Ângelo
António Assunção – Joãozinho das Perdizes
Curado Ribeiro – Conselheiro Manuel Bernardo

Elenco adicional:
Joana Veloso – Mariana
Fernando Simão – Eduardo
José Braz – Torcato
José Carlos Garcez – Padre-Cura
Carlos César – Damião Canada
Rolando Alves – Tapadas
Luís Mascarenhas – Cosme
Alexandre Melo – Frei José Missionário
Rui Mendes – viajante
José Dantas Pereira – almocreve
Tomás Valdez – Manel
Maria Simões – Luísa Escolástica
João Victor – Carrasqueiro
Maria Salomé – Joana Pedrosa
Pedro Loureiro – rapaz
Maria Clementina – Ana
Henrique Santos – lavrador Luís
António Évora – lavrador Manuel
Luís Zagalo – lavrador Bernardo
Natalina José – cozinheira
Maria Palmira – criada
Helena Dias – criada
José Neto – engenheiro
Rui Luís – carcereiro
Jorge Miranda – fazendeiro
Fernando Guerreiro – fazendeiro
Mário Sargedas – abade
Gil António – criado
Adelaide João – Brízida
João Azevedo – merceeiro
Asdrúbal Teles – lavrador
Francisco Bráulio – lavrador
Carlos Costa – lavrador
Andrade e Silva – Sr. Luís
Fernando Soares – escrutinador
Guta Santos – Eleutério Marques
João Paulo – Domingues
Isabel Ganilho – criada
Hernâni Paquete – criado com farda
Isabel Bahia – narradora

1867. Henrique de Souselas (Virgílio Castelo), órfão e rico, levava em Lisboa uma vida ociosa de mundano espirituoso. Um dia, porém, começou a sentir as consequências da saciedade e do tédio. Doente de cisma, vai repousar numa aldeia minhota, na Quinta de Alvapenha, casa de sua tia Doroteia (Eunice Muñoz), senhora solícita e devota.

A Quinta de Alvapenha

A pureza salutar dos ares campestres, o sedativo conforto do lar minhoto, e sobretudo as relações amistosas com a simpática família da Quinta do Mosteiro, propriedade do influente e cético Conselheiro Manuel Bernardo (Curado Ribeiro), são os fatores decisivos que contribuem para fazer esquecer a Henrique os seus males imaginários e as seduções pecaminosas da capital.

Enamora-se de Madalena (São José Lapa), filha do Conselheiro, a elegante, enérgica e inteligente Morgadinha, que, insensível aos galanteios de Henrique, pretende, como educadora ironicamente amigável, corrigir as atitudes afetadas daquele rapaz brilhante, mas leviano. Cristina (Natália Luiza), tímida prima da Morgadinha, simpatiza com Henrique, que a trata com polida mas desapaixonada deferência.

Cristina, Henrique e Madalena

Henrique, despeitado, comete imprudências quando percebe que Augusto (Antonino Solmer), honesto professor primário, órfão, pobre e autodidata inteligente, ama discretamente Madalena, que lhe retribui esse afeto com testemunhos de amizade e de admiração. Incidentes e palavras acrimoniosas criam entre os dois rivais uma forte antipatia.

Entretanto, duas medidas progressistas mas impopulares (construção de uma estrada e proibição de enterramentos nas igrejas), promovidas pelo Conselheiro, desencadeiam a cólera do povo, exacerbada pela pregação intolerante dos “missionários”, e habilmente explorada, no período das eleições para deputados, pelos adversários do Conselheiro: o pretensioso “brasileiro” Seabra (João d’Ávila), o arruaceiro e decadente Morgado das Perdizes (António Assunção) e Bento Pertunhas (Carlos Gonçalves), “diretor do correio” e da filarmónica.

Henrique e Augusto serão vítimas desta efervescência política e religiosa. Henrique, traiçoeiramente agredido, é conduzido, em estado grave, ao Mosteiro, onde consegue restabelecer-se, graças aos cuidados de Cristina, “fada do lar”. Henrique, apaixonado por Cristina, desposá-la-á.

O Mosteiro

Augusto, por seu turno, acusado injustamente de cumplicidade com os inimigos do Conselheiro e acabrunhado pela notícia, infundada, do casamento de Henrique com Madalena, pensa em emigrar para o Brasil. A Morgadinha intervém, desfaz o equívoco e manifesta-lhe o seu amor. Vencidos os preconceitos do orgulhoso Conselheiro, que se opunha ao casamento de sua filha, rica herdeira, com um modesto professor primário, Augusto, reconciliado com Henrique e ilibado da acusação caluniosa, desposará Madalena.

Henrique, “regenerado”, será doravante um laborioso proprietário rural, enquanto Augusto se propõe fomentar o desenvolvimento racional da instrução e das atividades industriais.

Madalena (São José Lapa)
Filha do Conselheiro Manuel Bernardo de Mesquita, vulgarmente conhecida por “Morgadinha dos Canaviais”. Dona da Quinta dos Canaviais – donde o epíteto –, que passou a pertencer-lhe por morte da Morgada dos Canaviais, sua madrinha. Inteligente, elegante, enérgica, é como que a “protetora” de toda a aldeia, para além da mão firme e também suave com que resolve os problema de família.

Conselheiro Manuel Bernardo de Mesquita (Curado Ribeiro)
Pai de Madalena e de Ângelo. Ama a família e é junto dela que retempera as forças. “De boa e excelente alma”, mas já corrompido pela política, que o afasta da aldeia, onde só vai durante as festas e as eleições, para preparar a reeleição.

Ângelo (F. Pedro Oliveira)
Filho do Conselheiro, irmão de Madalena. Para os seus 13 anos, tem já uma inclinação muito profunda por Ermelinda.

Henrique de Souselas (Virgílio Castelo)
Sobrinho de D. Doroteia, da Quinta de Alvapenha. Órfão e rico, vem para aquela quinta, numa aldeia “nos extremos do Minho”, curar-se de uma pseudo-doença, fruto da vida ociosa, sem objetivos, que levava em Lisboa. Centrado em si, só pensa nos seus “males”. No campo, começa a descobrir uma vida diferente e a interessar-se por aquilo que o rodeia, interferindo assim na vida da aldeia e tornando-se um ótimo administrador rural.

D. Doroteia (Eunice Muñoz)
Tia de Henrique de Souselas. Profundamente religiosa, irradia serena tranquilidade, refletida na vida que leva, alterada apenas pela chegada do sobrinho “doente duma doença que, na sua bondade e candura, classifica de “mania”.

Maria de Jesus (Suzana Prado)
Velha e fiel criada de D. Doroteia, partilhando com ela todos os acontecimentos das suas vidas serenas e tranquilas.

D. Vitória (Cecília Guimarães)
Irmã do Conselheiro – tia, portanto, de Madalena e Ângelo. Mãe de Cristina, viúva, passa a vida a ralhar com os criados. De alma bondosa, pronta a dar tudo a quem a sabe levar, seguindo as pisadas de D. Doroteia, a quem a ligam laços de profunda amizade.

Cristina (Natália Luiza)
Filha de D. Vitória. Prima de Madalena, no entanto muito diferente desta, sem a sua determinação e energia. Tímida e débil, é necessária a revelação do amor para emergir da “penumbra” em que vivia: o acidente de Henrique é a oportunidade que o destino lhe proporciona para se revelar a mulher-mãe, capaz de sacrifício. Dotada de adorável ingenuidade.

Augusto Gabriel (Antonino Solmer)
Órfão, filho de um advogado que morreu muito novo, também afilhado da Morgada dos Canaviais, que lhe deixou um legado com a condição de se fazer padre. “Adotado” pelo Tio Vicente, o velho ervanário, desiste do legado por motivos do coração e, mercê do seu desejo de aprender e da sua força de vontade, torna-se professor na aldeia, dando também lições a Ângelo, irmão da Morgadinha, e aos primos dele. Para além da luta que trava consigo próprio, relativamente ao seu caso amoroso, Augusto tem ainda de se defender de uma calúnia que lhe levantam.

Tio Vicente (Luís Pinhão)
Ervanário, companheiro de infância do Conselheiro, na aldeia é “para uns um sábio, para outros um louco, para todos um homem honrado”. Passa grande parto do tempo na procura de plantas para as suas mezinhas, com as quais granjeia fama de mais sabedor que muitos médicos. Protetor de Augusto e amigo de Madalena. Indefetível na amizade para com o Conselheiro, mesmo quando este, em nome de interesses pessoais e políticos, não hesita em expropriá-lo da casa onde vive.

João Cancela (Cândido Ferreira)
O recoveiro da aldeia – elo de ligação entre a cidade e a aldeia –, tem dentro de si a alma dos que sabem olhar o mundo à sua volta. Viúvo, tem paixão pela filha Ermelinda, que é a sua alegria e o objeto da sua ternura.

Ermelinda (Dina Lopes)
Filha do Cancela, companheira de brinquedos de Ângelo, com 12 anos. Dotada de uma beleza serena, vai ser a vítima do fanatismo religioso. Sendo de constituição débil, não resiste às provações a que se submete para fugir da condenação eterna que a madrinha lhe apontava como certa.

Zé P’reira (Orlando Costa)
De seu nome José do Enxerto, desabafa o seu desencanto conjugal no instrumental que lhe dá o nome e na taberna, onde afoga as mágoas em vinho.

Sr.ª Catarina do Nascimento de São João Baptista (Cremilda Gil)
Mulher de Zé P’reira, madrinha de Ermelinda. Beata fanática, mas sabendo distinguir a verdadeira fé da apregoada pelos falsos profetas, descura a casa e o marido. Vai ser, de certo modo, responsável pela morte de Ermelinda.

Eusébio Seabra (João d’Ávila)
Muito novo abalou para o Brasil – por isso lhe chamam “o brasileiro”. Lá enriqueceu e, de regresso à aldeia, faz construir uma casa à imagem da sua fortuna. Procura a todo o custo o prestígio na política. Ansiando pelo poder, ataca nas tabernas e reuniões as ideias e ações do Conselheiro, esperando vir a substituí-lo como deputado.

Bento Pertunhas (Carlos Gonçalves)
“Diretor do correio” em interinidade e “professor de Latinidades” (o que detesta). A sua paixão é a música – tocar trompa é a sua realização. De caráter dúbio – não hesita em desviar uma carta, comprometendo Augusto –, oscila entre o Conselheiro e o “brasileiro”, procurando neste equilíbrio de favores alcançar o lugar que pretende de “recebedor de comarca”.

Joãozinho das Perdizes (António Assunção)
O Morgado, sempre acompanhado dos seus cães. Arruaceiro, nada mais sabe fazer que delapidar o património que lhe coube. A sua imagem desmazelada é o reflexo dos seus bens em decadência. No entanto, goza de avultado prestígio na sua freguesia, Pinchões. Por isso, nas eleições, ambos os candidatos o querem do seu lado, pois a sua influência é decisiva para a vitória. Ainda não embotado de todo, apesar da vida que leva por tabernas e feiras, de varapau na mão, tem dentro de si uma réstia de sensibilidade.

Cosme (Luís Mascarenhas)
Factótum do Sr. Joãozinho das Perdizes, é a sua “alma negra”.

Damião Canada (Carlos César)
Dono da venda da aldeia, lugar de reuniões e onde se fazem e desfazem reputações. Sabe ouvir e servir-se do que ouve para proveito próprio.

Tapadas (Rolando Alves)
Partidário do Conselheiro, seu mandatário, procura com a sua influência colmatar as brechas abertas pelos detratores. Sempre atento aos movimentos da oposição, sabe aproveitar o voto favorável do ervanário para dar a volta à eleição.

Missionário (Alexandre Melo)
Representa o fanatismo religioso, que não dignifica a Igreja nem os seus servidores.

Padre-Cura (José Carlos Garcez)
O inverso do Missionário. Padre consciente da verdadeira doutrina da Igreja, certo na ajuda que deve dar ao povo de Deus.

Torcato (José Braz)
Velho criado do Mosteiro.

Brízida (Adelaide João)
Criada da falecida Morgada dos Canaviais.

1. (13/01/1990)
Depois de uma longa viagem, Henrique de Souselas regressa a Alvapenha, quinta perdida nos confins do Alto Minho, onde mora a sua devota tia Doroteia (que ele não vê desde os cinco anos), na companhia da fiel criada Maria de Jesus. Na sua primeira visita ao Mosteiro, Henrique conhece Madalena, a Morgadinha, por quem sente imediata simpatia, assim como Augusto, o mestre-escola, da casa de quem desaparece uma carta do Conselheiro Manuel Bernardo, pai da Morgadinha. A carta foi desviada por Bento Pertunhas. Entretanto, e por sugestão de Vitória, irmã do Conselheiro, é organizado um passeio à ermida da Senhora da Saúde, durante o qual Augusto salva o tio Vicente de morrer afogado no riacho.


2. (20/01/1990)
O Conselheiro e Ângelo, seu filho mais novo, chegam à aldeia três dias antes do Natal. As eleições estão à porta e, na venda do Damião Canada, encontram-se duas figuras de grande peso eleitoral: o Morgado Joãozinho das Perdizes e Eugénio Seabra, o “brasileiro”, além de muito povo. Discute-se a construção da estrada e do novo cemitério. O Conselheiro passa na venda, antes de ir para o Mosteiro. Mal sabem da chegada do Conselheiro, Henrique e D. Doroteia dirigem-se ao Mosteiro acompanhados de Tapadas, adjunto político do Conselheiro. De manhã cedo, Ângelo vai visitar Ermelinda, a quem promete obter versos melhores do que os do Auto dos Reis, que ela vai decorar. No dia de Natal, toda a família se reúne no Mosteiro, mas uma conversa sobre a demolição da casa do tio Vicente vem perturbar o espírito natalício. Madalena vai visitar o tio Vicente, de noite, e, ao voltar, encontra Henrique à sua espera.


3. (27/01/1990)
Na manhã do dia de Natal, Henrique repara finalmente em Cristina. Enquanto todos vão à missa, o Conselheiro dirige-se a casa de Vicente para o acalmar. É decidida a demolição da casa do ervanário e anunciado o começo das obras da estrada, que será construída, em troca de um despacho a nomear mestre-escola oficial um protegido de Joãozinho das Perdizes. Ermelinda é entusiasticamente aplaudida ao recitar os versos no Auto dos Reis. Durante a ausência do pai, Ermelinda deixa-se impressionar pela beata D. Catarina e pelos sermões do missionário, que a apavoram. Quando Cancela volta à aldeia e a encontra muito mudada, agride o missionário e é preso. Chegam os construtores da estrada. A casa de Vicente é demolida e o ervanário vai viver para casa de Augusto. O Conselheiro faltou à palavra dada ao velho Vicente. O brasileiro Seabra tenta obter informações sobre o Conselheiro através de Augusto, mas este expulsa-o da sua casa, para satisfação do seu velho amigo Vicente.


4. (03/02/1990)
Madalena e Henrique conversam, quando chega de Lisboa uma carta do Conselheiro, em que este diz ter sido traído por alguém da casa. A suspeita cai, acidentalmente, sobre Augusto, que é despedido e proibido de voltar a lecionar as crianças do Mosteiro. Augusto visita Henrique em Alvapenha, para explicar a sua situação, e os dois tornam-se amigos. Cancela é solto por influência do Conselheiro. Henrique visita a venda do Canada. Identificado com a “gente do Mosteiro”, é atacado a varapau por Cosme, chefe do grupo do Morgado das Perdizes, e cai do cavalo, inanimado. Ermelinda morre, mas um movimento liderado pelo Joãozinho das Perdizes opõe-se a que ela seja sepultada no cemitério, que foi mandado construir pelo Conselheiro. Cancela chega inesperadamente e impede que a filha seja enterrada na igreja, como querem os populares. Depois de tratado no Mosteiro, Henrique volta a Alvapenha. Apesar de ter ido com Madalena à Quinta dos Canaviais, Henrique acaba por pedir Cristina em casamento.


5. (10/02/1990)
D. Doroteia vai ao Mosteiro pedir a mão de Cristina para o seu sobrinho Henrique. O Conselheiro mal disfarça a desilusão. Dá-se início à campanha eleitoral e Henrique acompanha o Conselheiro e o Tapadas. O Conselheiro consegue ganhar as eleições com a ajuda do voto do tio Vicente. Depois de votar, o ervanário morre. Augusto decide deixar a aldeia e escreve a Ângelo, participando a sua decisão. Madalena toma conhecimento desta carta e acompanha Ângelo a casa de Augusto, com o pretexto de se despedir, e aproveita a oportunidade para o informar do casamento de Henrique com Cristina. Madalena oferece o seu afeto a Augusto e ele aceita. No Mosteiro esclarece-se o mistério da carta desaparecida e logo Henrique revela o afeto existente entre Madalena e Augusto. Ao ser nomeado Ministro do Reino, o Conselheiro aceita o casamento da filha com Augusto. A capela da Casa dos Canaviais é testemunha de duas uniões: a de Cristina com Henrique e a da Morgadinha com Augusto, o mestre-escola.

Minissérie inspirada no lírico e bucólico romance de Júlio Dinis, publicado em 1868.

Foi exibida aos sábados, às 21:30, na RTP 1.

Num artigo publicado pela TV Guia aquando da estreia, a série foi fortemente elogiada pelo elenco. São José Lapa afirmou que se tratara de um dos melhores momentos da sua vida profissional, embora considerasse que as condições técnicas dos estúdios do Lumiar não tivessem sido as ideais. Também Curado Ribeiro se revelou muito satisfeito, lamentando apenas que fosse baixa a recorrência de trabalhos como este.

Adaptador e realizador, Ferrão Katzenstein procurou manter-se o mais fiel possível ao livro de Júlio Dinis, embora tenha tomado a decisão de cortar determinadas passagens em que “o tipo de escrita, de tão romântico, podia afastar os telespectadores”.

Ainda assim, o resultado final apresentou-se num registo bastante arrastado e com interpretações excessivamente teatrais.

Por outro lado, alguns atores estavam visivelmente desajustados à idade dos seus personagens, como foi o caso de São José Lapa, que, com 38 anos, interpretou uma jovem de 23.

Também os intérpretes de Ângelo e Ermelinda – que, no livro, tinham 13 e 12 anos, respetivamente – aparentavam ter muito mais do que essa idade.

No livro, o pai da Morgadinha chama-se Manuel Berardo. Já na série – não se sabe se de forma intencional ou por lapso –, o Conselheiro tinha o nome de Manuel Bernardo.

Mariana, uma das filhas de Vitória (Cecília Guimarães), foi vivida pela filha de Rui Veloso, Joana Veloso, com sete anos.

O desenlace foi narrado pela locutora Isabel Bahia.

Para além de uma representação teatral televisiva, feita nos primórdios da RTP, A Morgadinha dos Canaviais fora também adaptada para o cinema, num filme de 1949, com Eunice Muñoz no papel principal. Este filme foi, aliás, usado por Ferrão Katzenstein como elemento de trabalho.

Aproveitando a estreia da série na RTP Memória, Helena Ramos convidou o realizador para uma entrevista no seu programa Cartaz de Memórias.

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A Morgadinha dos Canaviais