A Senhora Ministra (2000)

Exibição:
24/01/2000 – 24/07/2000 (RTP 1)

Número de episódios:
26

Autoria e textos:
Ana Bola

Pesquisa:
António Reis

Direção de atores:
Ana Bola

Direção de produção:
Teresa Guilherme

Realização:
José Eduardo Abreu

Coordenação técnica:
Duvideo

Elenco:
Ana Bola – Lola
Vítor de Sousa – Rocha
Rita Loureiro – Fuca
Heitor Lourenço – Lourenço
Paulo Pinto – Noé
Maria Vieira – Maria da Ajuda

Depois de uma nada brilhante carreira política, Rocha (Vítor de Sousa) é demitido do Governo. Surpreendentemente, é a sua mulher, Lola (Ana Bola), quem ascende ao poder como Ministra da Equivalência.

Rocha e Lola

Do marido, Lola herda não só o cargo como o assessor, Lourenço Marques (Heitor Lourenço), que ambiciona tomar o seu lugar, e a secretária, Fuca (Rita Loureiro), cuja lealdade é sempre uma incógnita.

Lola com Lourenço e Fuca

Agora com menos tempo para dedicar à casa e aflita por não ter empregada, Lola pede a Maria da Ajuda (Maria Vieira), prima de Rocha, que venha de Vale de Burra para Lisboa. Com ela vem o filho Noé (Paulo Pinto), uma autêntica abécula, que se torna motorista da ministra.

Noé e Maria da Ajuda

Lola (Ana Bola)
Após a destituição do seu marido, Rocha, assume a pasta do Ministério da Equivalência. Sem grande competência para o cargo e apesar das constantes conspirações que enfrenta nos bastidores, vai conseguindo “atirar areia para os olhos” do Primeiro-Ministro. Safa-se inventando iniciativas mirabolantes que lhe vão permitindo assegurar o seu lugar no Governo.

Rocha (Vítor de Sousa)
O ex-ministro da pasta. Depois de ser destituído, vai saltitando por cargos de administração em diversas empresas públicas, embora não aqueça a cadeira em nenhuma delas. Acaba por passar a maior parte do tempo em casa, a combater o tédio e a ocupar as horas com as maiores trivialidades.

Lourenço Marques (Heitor Lourenço)
O calculista assessor de Lola. Movido por uma enorme sede de poder, o seu grande objetivo de vida é ascender a ministro. Para isso, conspira constantemente nas costas da sua superior, a quem se refere depreciativamente como “a coisa”.

Mafalda Mayer – Fuca (Rita Loureiro)
A secretária de Lola. Com um estilo e postura assumidamente masculinos, pratica karaté e não esconde a sua atração por mulheres. Revela um carácter dúbio e imprevisível: se, por um lado, parece alinhar nas maledicências e intrigas de Lourenço, por outro, critica a sua postura e vai “tomando nota” de todos os passos em falso do assessor.

Maria da Ajuda (Maria Vieira)
Prima de Rocha. Vem de Vale da Burra para ocupar a vaga deixada pela anterior criada, Rosa Maria. Torna-se a nova governanta da casa, sempre acompanhada pela sua costumada vivacidade e pela forte devoção a São Cristóvão.

Noé (Paulo Pinto)
Filho de Maria da Ajuda. Não herdou da mãe nem a estatura nem a inteligência, sendo completamente acéfalo. Paira no ar a forte suspeita de que terá saído ao pai, cuja identidade é um mistério – embora se saiba que Rocha e a prima tiveram um breve envolvimento na juventude… Demorou cinco anos a tirar a carta de condução e, para conseguir ter alguma utilidade, acaba por ser contratado como motorista da ministra.

1. (24/01/2000)
Chegou o dia que Rocha tanto temia: o Engenheiro deu-lhe guia de marcha do Ministério e nomeou-o para administrar uma empresa pública. Lola está desolada por já não ser “a mulher do senhor ministro”, mas uma notícia irá surpreendê-la: ela própria será a nova ministra.

Ator convidado:
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


2. (31/01/2000)
Lola fica indignada ao tomar conhecimento, pelo primeiro-ministro em pessoa, da existência de um lobby contra si. Lourenço Marques aproveita a situação para tentar prejudicar a ministra. Enquanto isso, Maria da Ajuda apanha uma gripe e contagia toda a gente, tanto em casa como no Ministério.

Atores convidados:
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro
Joel Branco – Cravinha


3. (07/02/2000)
Rocha arranja uma tremenda confusão quando leva acidentalmente com uma colher-de-pau na cabeça e uma porta na cara. Lola, então, é acusada de violência doméstica, e o caso chega aos ouvidos da Ministra da Desigualdade, gerando uma grande celeuma.

Atores convidados:
Maria Henrique – Maria de Vaivém
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


4. (14/02/2000)
Santinho Lopes promete a Lola que, se ela o apoiar na campanha para a sua eleição, ele ajudá-la-á numa candidatura à Presidência da República. Mesmo correndo riscos, uma vez que ele é da oposição, Lola resolve colaborar.

Ator convidado:
Joaquim Monchique – Santinho Lopes

Colaboração:
Interfaces – Agência de Sósias


5. (21/02/2000)
Rocha perde o seu cargo milionário na Portugalp e não sabe como dar a notícia a Lola. Esta, por sua vez, recebe a visita do presidente da junta de Vale da Burra, um homem de tendências fascistas…

Atores convidados:
António Capelo – Adolfo
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


6. (28/02/2000)
Rocha é demitido do emprego, mas logo arranja outro. Começam a sair notícias na imprensa sobre o assunto. Lola é convidada a ir ao programa Este Mês, apresentado por Margarida Margarante, e as complicações sucedem-se.

Atriz convidada:
Teresa Roby – Margarida Margarante


7. (06/03/2000)
Lola tem a ideia de organizar um corso de Carnaval subordinado ao tema “Uniões de Facto”. Como arranjar um carro alegórico custa uma pequena fortuna, a ministra aproveita o facto de Rocha ter sido nomeado presidente da Entral para requisitar a participação dos taxistas.

Ator convidado:
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


8. (13/03/2000)
Noé arranja uma namorada que se faz de estúpida, mas, afinal, foi infiltrada pelo “X” com a finalidade de tirar o lugar a Fuca. Por seu lado, o ex-ministro resolve fazer uma greve de fome, mas nem tudo corre pelo melhor.

Atriz convidada:
Alexandra Rosa – Eva Pandora


9. (20/03/2000)
Ainda que tardiamente, Lola não quer deixar de assinalar o Dia Internacional da Mulher. Já Rocha, depois de ter passado por todas as empresas públicas, vira-se agora para o negócio do sexo na Internet.

Atores convidados:
Paula Fonseca – Odete
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


10. (27/03/2000)
Lola entra em pânico ao ser notificada, pelas Finanças, de que vai ser alvo de uma inspeção. A ministra tenta, a todo o custo, “fugir com o rabo à seringa”, depois de ver negada a ajuda do seu colega Pina Moura.

Ator convidado:
Fernando Gomes – Joaquim Inspetor


11. (03/04/2000)
Rocha continua desempregado e, acompanhado por Noé, faz uma série de estripulias em casa. Enquanto isso, Lola é sujeita ao escrutínio de um dos seus colegas mais poderosos, o superministro J. Coelho, que faz uma visita-surpresa ao gabinete.

Ator convidado:
José Manuel Rosado – J. Coelho


12. (10/04/2000)
Na tentativa de sobreviver à vaga de despedimentos no governo, Lola organiza um sarau cultural para impressionar o primeiro-ministro. Só não contava com a chegada da irmã, Tilinha, vinda diretamente de Vale da Burra.

Atores convidados:
Paula Fonseca – Tilinha
João Cabral – Carrilhão (Ministro da Cultura)


13. (17/04/2000)
Afinal, o ex-ministro Rocha ainda é homem para surpreender toda a gente, pois, afinal, descobre-se que teve “um deslize” e que Noé é filho dele. Lola, que quer sair bem da situação, resolve aconselhar-se e fala com um padre.

Ator convidado:
Adriano Luz – Padre Melícias


14. (24/04/2000)
Lola ainda não perdeu as esperanças de que Noé não seja filho de Rocha e manda-o fazer um teste de ADN. Enquanto isso, começa a ser seguida por um homem misterioso, que acredita ser o seu ministro-sombra.

Ator convidado:
Miguel Melo – Alfredo


15. (01/05/2000)
Embora seja Dia do Trabalhador, Lola não deixa de ir para o gabinete e inventa uma história para que Lourenço e Fuca a acompanhem. Enquanto isso, a ministra recebe a visita inesperada da sua mãe e da sua irmã, e resolve tirar partido disso.

Atores convidados:
Anita Guerreiro – Ausenda
Paula Fonseca – Tilinha
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro


16. (08/05/2000)
A dúvida sobre a paternidade de Noé vai finalmente ser esclarecida: o resultado do exame de paternidade a que ele e Rocha se submeteram está prestes a ser revelado. Lola, por sua vez, resolve dinamizar o Ministério da Equivalência, organizando uma semana em homenagem ao “achamento” do Brasil.

Atriz convidada:
Ana Saragoça – Telma Penteado


17. (15/05/2000)
O exame de paternidade revelou, inequivocamente, que o pai de Noé é… Julio Iglesias. Maria da Ajuda rejubila, convicta de que o filho tem o futuro garantido, e Noé desata a treinar para cantar como o “paizinho”. No entanto, vem-se a saber que o Júlio Iglésias, afinal, não era o cantor…

Atores convidados:
Paula Fonseca – Tilinha
Joel Branco – Júlio Iglésias


18. (22/05/2000)
Lola toma a decisão de fazer uma lipoaspiração. Rocha opõe-se veementemente à ideia, desencadeando uma crise conjugal. A Ministra da Equivalência vai ainda mais além e decide lançar, em estreita colaboração com o Ministério da Saúde, a campanha “Tornar Portugal Mais Bonito”, que se consubstancia na realização de cirurgias plásticas em toda a população.

Atriz convidada:
Marina Albuquerque – Arcanja


19. (05/06/2000)
Lola interessa-se por Nuno Portugal, apresentador do programa Bué da Radical, e resolve atribuir subsídios estatais para incentivar a prática de desportos radicais. No entanto, a ministra não contém o seu entusiasmo pelo jovem e acaba por se envolver num grande escândalo.

Ator convidado:
Nuno Lopes – Nuno Portugal


20. (12/06/2000)
Com o Dia de Santo António à porta, Lola idealiza uma ação inovadora do Ministério da Equivalência: promover casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Se, por um lado, arranja facilmente o par feminino – Fuca e a sua nova namorada, Vera –, por outro, a escolha de homens revela-se mais difícil… e as únicas opções em cima da mesa são Lourenço e Noé.

Atriz convidada:
Sofia Aparício – Vera


21. (19/06/2000)
Lola deixa-se adormecer e falta ao trabalho. Rocha decide que é a oportunidade perfeita para mostrar que ainda tem valor e vai trabalhar no lugar da mulher, como ministro-substituto. Entretanto, Noé revela ter algum jeito para a bola, e Lola, convencida de que o jovem pode vir a ocupar o lugar de João Pinto, decide negociar o seu passe com Vale Tudo e Azevedo.

Atores convidados:
Joaquim Monchique – Aurélio Inácio
Paula Fonseca – Tilinha


22. (26/06/2000)
Há muito que Lola ansiava mudar-se para o Palácio de Belém. Agora, vê a sua esperança renascer quando Rocha toma a decisão de se candidatar à Presidência da República. Contudo, os planos saem furados: o mandatário, indicado por Fuca, decide jogar sujo e passa a perna ao candidato…

Ator convidado:
Rui Luís Brás – Zé Maria Serzedelo


23. (03/07/2000)
Maria da Ajuda enlouquece, e Fuca sugere a Lola chamar uma vidente, Belinha, para ajudar a resolver o problema. Aquando das visitas, tanto à residência da ministra como ao seu gabinete, a vidente deixa ficar uma beata no cinzeiro. O cigarro começa a passar de mão em mão, deixando todos completamente alterados…

Atriz convidada:
Márcia Breia – Belinha


24. (10/07/2000)
Tita, a antiga secretária de Rocha, faz uma visita inesperada, deixando todos ansiosos pelas novidades do Palácio de Buckingham, onde diz trabalhar. Contudo, a maior surpresa surge quando a “tia” vai ao gabinete de Lola e se descobre que ela e Fuca são amigas de infância.

Atriz convidada:
Maria de Lima – Tita


25. (17/07/2000)
Lola descobre que Rocha teve um tio que era conde e, por isso, autoproclama-se “condensa”. Consegue, inclusivamente, ser entrevistada para o programa Jet Ski, onde aproveita para ostentar o seu novo título.

Atrizes convidadas:
Paula Fonseca – Tilinha
Ana Brito e Cunha – Sofia


26. (24/07/2000)
Lola é “despedida” juntamente com toda a “família” que a acompanhou no mandato. Mas a situação não é aflitiva, já que receberam um convite de La Féria para entrarem numa revista.

Atores convidados:
Paula Fonseca – Tilinha
Marina Albuquerque – Sónia
Joaquim Monchique – La Féria
João Canto e Castro – Primeiro-Ministro

Esta série é uma sequela de A Mulher do Sr. Ministro, exibida com grande sucesso entre 1994 e 1997.

Aquando do final de A Mulher do Sr. Ministro, Ana Bola tomara a decisão de “matar a Lola”, chegando a anunciá-lo em entrevistas. No entanto, ao receber uma proposta de João Grego Esteves para ressuscitar a personagem, concluiu que não havia razão para não o fazer. Aceitou o desafio, não sem antes falar com José Eduardo Moniz – que nesta altura já se encontrava na TVI –, que era o autor da ideia e poderia não gostar de a ver retomada pela RTP.

Tal como na série anterior, as gravações decorreram no Teatro Vasco Santana.

Ana Bola foi, uma vez mais, responsável pelos guiões e pela direção de atores. Embora se tenha mantido o espírito da série original, o argumento de A Sr.ª Ministra não primou pela excelência, sendo grande parte dos episódios preenchida com cenas de pouca substância.

Do elenco original, apenas Ana Bola e Vítor de Sousa integraram o elenco fixo. Maria Rueff, nesta altura, encontrava-se a fazer o Herman SIC. No primeiro episódio, Lola faz uma alusão a esse facto, comentando que ela foi trabalhar para uma casa em Carnaxide. No entanto, a atriz foi homenageada com uma fotografia que fez parte do cenário ao longo de toda a série.

Ana Bola explicou à TV Mais os motivos para a escolha para a sua substituição ter recaído sobre Maria Vieira: “Ela [Maria Rueff] foi trabalhar para uma casa em Carnaxide e como eu tinha uma ótima contracena com ela, tive de escolher uma pessoa com quem tivesse o mesmo tipo de cumplicidade. Precisava de uma pessoa que se distanciasse bastante da Rueff, quer no aspeto, quer na idade, e, como estava com muita vontade de voltar a trabalhar com a Maria, achei que era a pessoa certa para este papel”.

Maria Vieira e Ana Bola

À mesma publicação, Maria Vieira retribuiu os elogios: “A Ana está uma autora cada vez mais extraordinária”, disse.

Miguel Melo e Maria de Lima entraram, cada um deles, num episódio, revivendo as personagens Alfredo e Tita da série original.

Alfredo
Lola e Tita

O ator e imitador João Canto e Castro surgiu diversas vezes – apenas de costas – no papel de primeiro-ministro, imitando a voz de António Guterres (algo que já fazia no Contra-Informação).

À semelhança do que acontecera em A Mulher do Sr. Ministro, também aqui houve atores a interpretar mais do que uma personagem. Foi o caso de Paula Fonseca, Joel Branco, Marina Albuquerque e Joaquim Monchique.

No início do 9.º episódio, Lola anuncia que o mesmo terá “POT” e, efetivamente, surge o desenho de um pote no canto superior direito, durante todo o episódio. Tratou-se de uma sátira ao célebre “DOT”, sistema interativo que a SIC implementou por esta altura.

A cultura pop da época serviu ainda para outra paródia, desta vez com o senhor que se tornou viral no anúncio da linha TeleAmizade ao dizer que estava “maravilhado”. Inserido no enredo, o próprio apaixona-se por Maria da Ajuda (Maria Vieira) e é uma fala sua que encerra o episódio: “Desde que te conheci, fiquei maravilhado!”.

A trilogia de Lola Rocha encerrou-se em 2013, com a série A Mãe do Sr. Ministro.

A Sr.ª Ministra encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.

A Senhora Ministra (2000)