Ana dos Cabelos Ruivos

Título original:
赤毛のアン
Akage no An (Japão)
Anne mit den roten Haaren (Alemanha)

Inspirada em Anne of Green Gables, de Lucy Maud Montgomery

Exibição:
02/04/1990 – 11/03/1991 (RTP 2)

Número de episódios:
50

Produção:
1979 (Nippon Animation)

Versão portuguesa:

Tradução:
Carolina Ferreira

Som:
Sérgio Figueiredo

Vozes:
Ana Maria Vicente – D. Natália / Joana Andreia
Emília Silvestre – Ana
Glória Férias
Isabel Alves – Raquel
João Cardoso – Pastor David
Jorge Mota – Matias / Gilberto
Jorge Paupério – narrador
Margarida Machado – Sr.ª Francisca / Josefa Pinto / Tia Josefina / Sr.ª Salomé
Paula Seabra – Diana
Rosa Quiroga – Marília
Rui Oliveira – Sr. Filipe
Zélia Santos – Ana Barros / Rita Gomes

Direção (interpretação):
Jorge Mota
Jorge Paupério

Canção de genérico (interpretação):
Maria Luís França

Direção (canções):
José Prata

Produtor:
Mário Rui Ferreira

Esta história passa-se na Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, nos finais no séc. XIX. Matias e Marília Vicente, dois irmãos já com alguma idade, vivem numa quinta chamada Frontão Verde e, quando a história começa, visto que decidiram adotar um rapaz órfão para ajudar Matias no trabalho do campo, preparam-se para a sua chegada. Matias vai à estação de comboios mais próxima buscá-lo, enquanto Marília fica a tratar de tudo para o receber.

No entanto, quando Matias chega à estação, não é um rapaz que o espera, mas sim uma menina, Ana Silvestre. Sendo assim, ele nem percebe que é ela que está à sua espera lá fora. Dentro do edifício da estação, informam-no de que a Senhora Francisca, que tinha ido ao orfanato buscar uma criança para si e a quem os irmãos Vicente haviam pedido para trazer também um rapaz para eles, deixara aquela rapariguinha à espera que ele a viesse buscar. Matias é tímido e não fala do engano a Ana, decidindo deixar esse assunto para Marília tratar. Na viagem para casa, Ana, de onze anos, feliz por ir ter um lar e entusiasmada com as bonitas paisagens, fala imenso com Matias, que começa a gostar da menina e a ter pena da sua situação.

Logo que chega a casa, Marília insurge-se com o facto de Ana não ser o rapaz desejado e, apesar das súplicas da menina, decide ir com esta, no dia seguinte, a casa da Senhora Francisca, saber como ocorreu o engano e qual a forma de a poderem mandar de volta para o orfanato. Por isso, apesar de Matias desejar ficar com Ana, Marília parte com esta na tarde seguinte até Areias Brancas, onde mora a Senhora Francisca. Pelo caminho, pede que Ana lhe conte a sua vida até aí e comove-se com a vida difícil e sem amor que a menina teve. Em parte por esta razão, apesar de esclarecer as coisas com a Senhora Francisca, recusa a solução desta de Ana ficar a viver com uma outra senhora que mora ali perto e que deseja ficar com a menina apenas para que a última a possa ajudar com a sua grande família, como uma criada a quem não teria de pagar. Decide falar novamente com o irmão Matias.

De volta ao Frontão Verde, sozinha com Matias, Marília conta toda a história e diz-lhe que está disposta a ficar com Ana, o que faz com que o irmão fique feliz e aliviado. Quando Ana recebe a notícia, o seu sonho de ali viver torna-se realidade e começa desde logo a explorar a quinta e as redondezas, ao mesmo tempo que se ambienta muito bem à sua nova vida e à educação que Marília lhe começa a dar. A única coisa que não agrada a Marília é a imaginação desmedida de Ana, que faz com que por vezes se esqueça do que está a fazer, e a sua tendência para falar, falar e falar sem se cansar.

O primeiro incidente que acontece é quando Raquel Lima, velha amiga de Marília, a vem visitar e quer conhecer Ana. Raquel é muito frontal e chega a ser dura com Ana, pois, logo que ela lhe aparece à frente, critica imenso o seu aspeto, nomeadamente a sua magreza e os cabelos ruivos. Ana é especialmente sensível em relação a esse ponto (aliás, ela detesta ser ruiva) e reage temperamentalmente aos comentários da Senhora Raquel. Esta última fica tão zangada que diz que não volta a pôr os pés no Frontão Verde.

Apesar de Marília não concordar com a forma como Raquel falou sobre Ana, diz-lhe que não se devia ter comportado assim com a sua amiga e que ficará fechada no quarto até ir pedir desculpa. Ana recusa-se inicialmente, mas, persuadida por Matias, acaba por não só pedir desculpa, como fazê-lo de uma forma que faz com que Raquel Lima passe a ser sua amiga.

Entretanto, Ana começa a ir à catequese (não logo à escola, pois as férias do Verão estão a começar) e torna-se grande amiga de Diana Barros, uma das filhas da família da quinta vizinha. As duas juram ser as melhores amigas para o resto das suas vidas.

Ana adora viver ali e fazer parte da família Vicente, mas vários pequenos incidentes lhe vão acontecendo e ela vai-se metendo em pequenas confusões, que no fundo são muito cómicas. Alguns acontecimentos serão relatados de seguida.

Marília não encontra o seu alfinete de ametistas e pensa que Ana, por o admirar muito, o levou para brincar e o perdeu. Apesar de a menina o negar, Marília não consegue arranjar outra explicação para o desaparecimento do alfinete e diz a Ana que ficará de castigo no quarto até contar a verdade. Dado que o piquenique da catequese está prestes a realizar-se e Ana quer muito ir, acaba por, recorrendo à sua grande imaginação, inventar uma história, confessando ter feito uma coisa que não fez. Quando Marília descobre o alfinete perdido e confronta Ana, pede-lhe desculpa e diz que errou ao forçá-la a sentir que tinha de inventar alguma coisa. Ana ainda vai a tempo de ir ao piquenique e Marília não consegue deixar de achar toda aquela história muito cómica.

Quando começa a escola, Ana vai muito contente para as aulas, faz amigas e gosta da escola (embora não goste muito do professor, tal como todos os seus colegas), mas outro acontecimento vem perturbar a sua vida. Um dia, Gilberto Brás, um seu colega que, por ter estado a viajar, começa a ir às aulas mais tarde, tenta chamar a atenção de Ana, aquela nova menina sonhadora, durante uns momentos em que o professor não está atento. Como esta está perdida no seu mundo de sonhos e nem o ouve, ele acaba por lhe puxar pela trança ruiva e lhe chamar “Cenourinha”, o que a faz ficar tão zangada (mais uma vez, por causa do seu cabelo ruivo!) que se levanta e bate com a lousa na cabeça de Gilberto.

O professor põe-na de castigo de uma forma que acha humilhante. Ana decide nunca mais falar com Gilberto. No dia seguinte, ao episódio da lousa partida junta-se mais um acontecimento envolvendo o seu colega, que acaba por fazer com que Ana não queira voltar à escola, e ninguém a consegue demover.

Ana passa a estudar em casa, a ajudar Marília e a brincar com Diana nos tempos livres. E eis que outra situação ao mesmo tempo cómica e dramática se dá. Um dia, Marília, que vai estar fora toda a tarde, diz a Ana que esta pode convidar Diana para vir tomar chá com ela, o que põe a menina extremamente entusiasmada. No entanto, durante o lanche, Ana confunde a garrafa de sumo de framboesa com a de vinho e oferece a última a Diana, que fica embriagada. A mãe desta, ao perceber o que aconteceu, acha que Ana o fez de propósito, mesmo depois de Marília interceder por Ana, e proíbe a filha de voltar a confraternizar com Ana. A tristeza da menina é enorme e, para poder ao menos ver Diana, volta a ir à escola. Passa-se algum tempo, durante o qual Ana se torna cada vez mais boa aluna e aplicada, até que algo novo acontece.

Numa noite em que, devido a um acontecimento político na cidade mais próxima, quase todas as pessoas estão fora da Vila das Flores, incluindo Marília, a Senhora Raquel e os pais de Diana, esta última aparece no Frontão Verde muito aflita, pois a sua irmã mais nova está doente e o médico também está fora. Matias vai à procura de um médico mais longe, mas é Ana que, em casa de Diana, salva a sua irmã. Isto deve-se ao facto de ter tratado de muitas crianças antes de ser adotada e saber o que fazer naquele caso. Por esta razão, a mãe de Diana perdoa a Ana e as duas amigas passam a poder estar juntas como dantes.

Há mais episódios cómicos que acontecem, como quando Ana quer agradar especialmente à Senhora Salomé, a esposa do novo pastor (assim se chamam os padres no Canadá), e pede a Marília para ser ela mesma a fazer um bolo especialmente para a sua nova amiga, enganando-se, no entanto, e pondo xarope para a tosse no bolo em vez de baunilha, o que faz com que fique incomestível.

O tempo passa entre outros episódios divertidos e Ana torna-se a coisa mais importante da vida de Marília e Matias. Cresce e decide que quer estudar para se tornar professora. A Dona Natália, uma professora que vem substituir o professor de que Ana nada gostava e que se torna muito popular entre os alunos, decide abrir uma turma de preparação para os exames de entrada no Colégio Real, onde Ana poderia vir a realizar o seu sonho. Ana e alguns dos seus colegas, incluindo Gilberto, começam a frequentar essa turma de preparação. Ana estuda muito, tal como Gilberto (ambos se tornam rivais na escola). Quando chega a altura de fazer os exames para a entrada nesse colégio na maior cidade da Ilha do Príncipe Eduardo, toda a turma está preparada, mas especialmente Ana e Gilberto, cujos resultados dos exames acabam por fazer com que sejam os primeiros da lista de admissão no Colégio Real, primeiro Ana e logo em seguida Gilberto.

Ana, Gilberto e os restantes colegas, que também passaram na admissão ao colégio, vão estudar para lá e aí Ana, com 15 anos, fica a saber que, se for a melhor em Inglês e Literatura Inglesa, disciplinas em que se sente como peixe na água, pode vir a ganhar uma bolsa de estudos para a faculdade, o que aumenta a sua ambição e a faz esforçar-se ainda mais nos estudos. Quando chega o dia de saber quem passou no curso do colégio e também quem ganhou a bolsa de estudos, a alegria não podia ser maior, pois Ana ganha efetivamente a bolsa e todos os outros passam no curso. Isto faz com que todos os amigos de Ana, novos e velhos, da Vila das Flores (e, claro, Matias e Marília) fiquem imensamente orgulhosos de Ana.

No entanto, a tragédia abate-se durante as férias, antes da ida para a faculdade. Matias morre subitamente, o que causa um desgosto difícil de ultrapassar a Ana, que é, no entanto, apoiada pelas suas amigas e pela Senhora Salomé.

No fim, e devido também a um problema de saúde de Marília, que a faria ter de vender a sua casa no Frontão Verde e ir viver com a Senhora Raquel, Ana decide abdicar da bolsa de estudos e concorrer a um lugar de professora numa escola de província da região (o curso do colégio permite-lhe isso), para poder ficar com Marília e ajudá-la. Ana fica feliz com este plano e sente-se bem consigo própria. Gilberto Brás, que concorrera à escola onde ambos tinham andado na própria Vila das Flores e fora aceite como professor lá, ao saber do que se passa com Ana e perceber que, quanto mais perto de casa e de Marília esta ficar, melhor, decide retirar a sua candidatura e sugerir o nome de Ana, concorrendo de seguida a outra escola mais longe. Ao ficar a saber deste gesto de Gilberto, Ana pede-lhe que a perdoe por ter sido tão teimosa e ter rejeitado a sua amizade no passado. Ambos tornam-se excelentes amigos, decidindo até fazer um curso universitário por correspondência e ajudarem-se nisso mutuamente.

A série acaba com Ana muito feliz por ficar no seu querido Frontão Verde, com todas as pessoas de que gosta à sua volta e satisfeita com os seus planos para o futuro, que, embora sejam diferentes do que pensara, a fazem sentir-se muito satisfeita.

Ana Silvestre (Anne Shirley)
Pequena órfã com 11 anos. É adotada pelos irmãos Matias e Marília Vicente, que a criam na sua quinta, o Frontão Verde. Ana é uma menina sonhadora, com uma imaginação muito fértil. Embora se esforce por ver sempre a vida pelo lado positivo, sente um grande desgosto por ter cabelos ruivos.

Marília Vicente (Marilla Cuthbert)
Mulher de meia-idade, solteira, vive no Frontão Verde com o seu irmão, Matias. Marília aparenta ser uma pessoa severa e pouco dada a emoções. Contudo, aos poucos, começa a revelar um grande sentido de humor e um coração terno. Embora crie Ana com alguma rigidez, adora a sua filha adotiva.

Matias Vicente (Matthew Cuthbert)
Homem simples, sexagenário, irmão de Marília. Embora seja extremamente tímido e temeroso em relação às mulheres, Matias afeiçoa-se imediatamente a Ana e tenta convencer Marília a adotá-la. Ana reconhece em Matias um grande amigo e recorre a ele sempre que precisa de alguém com quem desabafar.

Sr.ª Raquel Lima (Mrs. Rachel Lynde)
Vizinha de Marília e Matias. É a mexeriqueira da vila, mas, apesar disso, bastante respeitada por todos. Exerce total domínio sobre o seu marido, Tomás. Inicialmente, terá um forte atrito com Ana.

Diana Barros (Diana Barry)
A melhor amiga de Ana. É uma menina graciosa, que vive na quinta vizinha ao Frontão Verde. Diana e Ana tornam-se amigas íntimas logo no seu primeiro encontro. Embora não tenha a imaginação e a independência de Ana, ambas partilham a mesma visão romântica sobre o amor e a amizade.

D. Ana Barros (Mrs. Barry)
Mãe de Diana. É excessivamente rigorosa com o comportamento da filha, o que a leva a questionar a má influência que a amizade dela com Ana pode representar.

Sr. Barros (Mr. Barry)
Pai de Diana.

Tia Josefina (Aunt Josephine)
Tia septuagenária de Diana. É muito rica e vive numa mansão na Cidade Antiga. Embora tenha fama de severa, deixa-se conquistar pela vivacidade e pelo charme de Ana, que passa a receber frequentemente em sua casa.

Minnie Maia (Minnie May)
Irmã mais nova de Diana. Terá um papel preponderante na aceitação de Ana pela Sr.ª Barros.

Sr. Filipe (Mr. Phillips)
Professor de Ana durante o seu primeiro ano na escola da Vila das Flores. É um professor mesquinho e desatento para com os seus alunos, exceto com a mais velha, Patrícia Andreia.

Gilberto Brás (Gilbert Blythe)
Rapaz bem-parecido e esperto. Torna-se um inimigo para Ana após cometer a asneira de gozar com os seus cabelos ruivos: Ana jura nunca mais lhe dirigir a palavra. A rivalidade entre ambos vai-se acentuando ao longo do percurso académico.

Rita Gomes (Ruby Gillis)
Amiga de Ana. É sentimental e reage de forma emotiva sempre que se defronta com algum problema. A sua maior ambição é casar-se.

Joana Andreia (Jane Andrews)
Juntamente com Diana e Rita, é uma das amigas mais próximas de Ana.

Josefa Pinto (Josie Pye)
Oriunda de uma família com má fama, granjeia a antipatia de todos os seus colegas pela forma rude e superior com que trata todos eles, especialmente Ana.

D. Natália Ribeiro (Miss Muriel Stacy)
Professora da escola da Vila das Flores, sucessora do Professor Filipe e indubitavelmente mais popular do que este. Usa métodos de ensino liberais e pouco ortodoxos. É adorada por todos os seus alunos, em especial por Ana, que a considera uma referência.

Sr.ª Salomé (Mrs. Allan)
Esposa do novo pastor da Vila das Flores, muito admirada por Ana pela sua beleza e elegância singelas. É também responsável pela motivação de Ana para a catequese, quando assume a função de catequista. As duas tornar-se-ão grandes amigas.

Pastor David (Mr. Allan)
O novo pastor da Vila das Flores.

Sr.ª Francisca (Mrs. Spencer)
É a senhora que traz Ana até Matias e Marília, no lugar do rapaz por quem eles ansiavam.

Sr.ª Beatriz (Mrs. Peter Blewett)
Mulher que se oferece para ficar com Ana como ama, quando toma conhecimento de que Marília pretende trocá-la por um rapaz. Marília decide manter Ana consigo porque a Sr.ª Beatriz é uma pessoa desagradável e mal-encarada, incapaz de tomar conta de uma criança.

Carlos Santos (Charlie Sloane)
Colega de escola de Ana, por quem sente um fraquinho.

Manuel Silveira (Moody Spurgeon MacPherson)
Outro colega da escola. Deseja tornar-se pastor da igreja.

Estela Matos (Stella Maynard)
Uma das amigas que Ana faz no Colégio Real.

Jorge Bastos (Jerry Buote)
Rapaz que vai trabalhar no Frontão Verde.

Martinho (Martin)
Vem substituir Jorge Bastos como jornaleiro no Frontão Verde.

1. A grande surpresa
Ana, uma menina órfã, está muito ansiosa por conhecer a sua nova família adotiva, os irmãos Matias e Marília Vicente. Mas quando Matias a vai buscar à estação de comboios de Rio Claro, fica muito surpreendido: na verdade, ele esperava encontrar um rapaz. Apesar de tudo, Matias leva Ana consigo, mesmo antevendo uma má reação por parte da sua irmã…


2. Um encontro decisivo
Ana ainda não conseguiu alcançar a sorte por que tanto esperara, já que os pais adotivos, sobretudo Marília, não conseguem habituar-se à ideia do orfanato lhes ter mandado uma rapariga. Eles pretendiam um rapaz que os ajudasse nos trabalhos da quinta. Ana, ainda assim, demonstra grande vontade de permanecer no Frontão Verde. Será que consegue cair nas boas graças dos irmãos Vicente?


3. Despedida do Frontão Verde
É o primeiro dia de Ana no Frontão Verde e, quando acorda, fica maravilhada com tudo o que vê, em particular a árvore toda florida mesmo à frente da sua janela, à qual dá o nome de “Rainha da Neve”. Mas a sorte de Ana ainda não está definida. Marília decide ir ao encontro da Sr.ª Francisca e providenciar a volta de Ana para o orfanato, o que entristece Matias.


4. Ana conta a sua vida
Ana acompanha Marília até Areias Brancas, onde vão visitar a Sr.ª Francisca, para esclarecer de uma vez por todas por que razão receberam do orfanato uma rapariga em vez do rapaz que tinham pedido. Pelo caminho, Ana conta a Marília a triste história da sua infância. Marília fica sensibilizada e começa a afeiçoar-se à menina, embora tente resistir a esse sentimento.


5. A decisão de Marília
Ana e Marília chegam finalmente ao seu destino. Marília confronta a Sr.ª Francisca com o engano. A Sr.ª Francisca, então, propõe que Ana fique com a Sr.ª Beatriz, uma mulher austera que pretende acolher uma criança. A ideia não agrada particularmente a Marília e esta decide levar Ana de volta consigo para o Frontão Verde. Terá agora de decidir, de uma vez por todas, o destino de Ana…


6. O sonho torna-se realidade
Marília comunica a Ana que decidiram ficar com ela no Frontão Verde. Ana não cabe em si de tanta alegria e sai para contar a novidade aos quatro ventos. Ana sente que realizou o seu grande sonho. No entanto, apercebe-se subitamente de que está muito só, já que não tem amigos na sua nova cidade. Mas Ana não se deixa abater e está firmemente decidida a resolver mais este problema.


7. É difícil pedir desculpa
Ainda recém-instalada no Frontão Verde, Ana cria um problema que fragiliza a sua situação: entra em conflito com a Sr.ª Raquel Lima, quando esta lhe diz que ela é magra e pouco atraente. Ana não se contém e responde à letra, ofendendo-a profundamente. Mesmo reconhecendo alguma razão em Ana, Marília repreende o seu comportamento e exige-lhe um pedido de desculpas.


8. Ana na catequese
Ana tem uma grande desilusão, já que os vestidos novos que Marília costurou para ela têm um aspeto simplório. Ana tem medo de que as outras crianças gozem com ela no seu primeiro dia de catequese e, para não passar vergonha, enfeita o seu novo chapéu com flores do campo. O efeito, no entanto, é o inverso: o seu novo adereço faz com que se torne motivo de chacota.


9. Uma amiga a sério
Ana está muito ansiosa pois vai conhecer Diana Barros, a filha dos vizinhos, de quem já tinha ouvido falar muito. E agora, depois de tanto desejar ter uma amiga íntima, Ana parece ter concretizado mais um sonho. As duas meninas simpatizam uma com a outra logo no primeiro contacto. Ana e Diana querem jogar pelo seguro e decidem fazer um juramento de fidelidade.


10. Uma grande amizade
Ana e a sua nova amiga Diana Barros encontram-se pela primeira vez para passarem uma tarde inteira juntas. No bosque ali perto, constroem uma casa de sonho e convidam-se mutuamente para tomar chá. Ana aproveita a ocasião e divide com ela os bombons que Matias lhe oferecera.


11. O alfinete desaparecido
Marília dá pela falta de um valioso alfinete com uma ametista e pensa que Ana o perdeu. Mas, apesar de ter entrado no quarto de Marília e de se ter aproximado do alfinete, Ana rejeita qualquer responsabilidade no desaparecimento da jóia e recusa-se a admitir uma coisa que não fez. A relação entre Ana e Marília é assim submetida a uma grande prova…


12. A confissão
Marília continua a culpar Ana pelo desaparecimento do seu valioso alfinete de ametista. E porque Ana continua a recusar-se a admitir o seu alegado erro, como castigo Marília, proíbe-a de participar num piquenique. É nessa altura que Ana decide fazer uma falsa confissão. Mas, mesmo assim, vai demorar muito até que a história fique esquecida…


13. O primeiro dia de aulas
Finalmente, chega o dia de Ana ir pela primeira vez à escola. Tudo parece correr às mil maravilhas, pois Ana entende-se lindamente com os colegas. Mas a sua alegria não dura muito, já que o professor, o Sr. Filipe, não é de todo tão simpático como Ana tinha pensado. E, assim, no primeiro dia de escola, acaba por acontecer algo inesperado…


14. Problemas na escola
Ana gosta de ir à escola mas, desde que Gilberto Brás está na sua turma, as aulas começaram a tornar-se incómodas, não só porque o arrogante Gilberto é alvo da paixão de todas as raparigas, mas também porque Ana sente que ele faz troça dela. Depois de sofrer uma humilhação por parte do professor Filipe, Ana decide que não voltará à escola…


15. Um rato no pudim
Ana continua a recusar-se a ir à escola. Em vez disso, estuda em casa e ajuda Marília nas tarefas da casa. Mas um dia tem um grande azar: esquece-se de pôr uma tampa no jarro do molho de baunilha porque continua a pensar e a irritar-se com Gilberto, e eis que um rato cai na panela durante a noite. Pela manhã cedo, quando Ana vai ver o molho e encontra o rato, decide deitá-lo fora sem contar nada a Marília, mas esquece-se de deitar fora o resto do molho. À tarde, quando Marília recebe uma visita e serve o molho de baunilha como sobremesa, Ana fica praticamente paralisada de susto e não tem outra saída senão confessar a terrível verdade em plena mesa, quando estavam a servir a sobremesa. Marília começa por não dizer nada e substitui o molho por compota de morango, mas Ana sabe que a espera uma terrível descompostura mal a visita se vá embora…


16. Um convite para tomar chá
Marília quer fazer um agrado a Ana e deixa que esta convide Diana para tomar chá. Ana esforça-se muito por ser a anfitriã perfeita, já que não quer passar vergonha perante a amiga e a sua nova família. Assim, não convida Diana apenas para tomar chá, mas também para um saboroso sumo de cereja. Porém, de repente, depois de ter bebido três grandes copos de sumo, Diana tem um comportamento muito estranho…


17. Uma carta importante
Ana recebe a última visita da sua melhor amiga, Diana, para se despedirem definitivamente. A mãe de Diana decidiu que as duas meninas nunca mais podem brincar juntas, mas elas fazem uma jura de amizade eterna. De repente, Ana tem uma ideia para poder continuar a estar perto da sua amiga. Mas, para isso, tem de voltar à escola, algo que não desejava de todo.


18. Há sorte na infelicidade
A cidade onde Ana vive foi integrada na federação canadiana. Para festejar este importante acontecimento político, os habitantes viajam da Vila das Flores para a Cidade Antiga. De repente, Minnie Maia, a irmã mais nova da amiga de Ana, Diana, fica com uma febre muito alta. Tem anginas, está com falta de ar e Ana é chamada para ajudar. Mas o que pode ela fazer?


19. O aniversário
Diana convida a melhor amiga, Ana, para o seu aniversário. As duas meninas assistem juntas a uma peça de teatro da escola e Ana pode mesmo ficar a dormir em casa de Diana. Mas, de repente, aparece D. Josefina, a tia de Diana. Como ainda não conhece Ana, ocorrem alguns mal-entendidos turbulentos.


20. Aconteceu há um ano
Já passou um ano desde que Ana, a menina órfã, foi adotada por Marília Vicente e o seu irmão Matias e que veio viver para Frontão Verde. Apesar das dificuldades iniciais, estes agora estão contentes por terem ficado com Ana. E, para festejar essa data, não só Ana pode faltar à escola, como também os seus pais adotivos lhe prepararam uma surpresa muito especial.


21. Lágrimas de despedida
Ana vive novamente grandes mudanças com a despedida do austero professor Filipe, e, ao mesmo tempo, a chegada à Vila das Flores do pastor David e sua mulher, a Sr.ª Salomé. Ana está encantada com o casal, mas será que por isso passará a gostar de ir à catequese?


22. Azar a toda a prova
Ana e Marília convidam o novo pastor e a sua mulher para tomar chá. Para impressionar os convidados, Ana quis fazer uma tarte sem a ajuda de Marília. Mas, como está constipada, não sente nenhum sabor nem consegue cheirar, pelo que comete um terrível erro.


23. Convite para a casa do pastor
Ana não cabe em si de entusiasmo: recebeu da Sr.ª Salomé um convite por escrito para tomar chá. Fica tão contente que decide ir ao bosque apanhar framboesas para oferecer aos seus anfitriões e mostra-se nervosa com o comportamento que deverá ter em tão importante evento.


24. A prova de coragem
Diana convida as amigas para um lanche em sua casa. Numa prova de coragem para a qual Josefa Pinto a desafia, Ana cai do telhado e parte uma perna. Agora, não só tem de passar muitas semanas na cama, como também vai perder o começo do novo ano na escola. Logo agora, que estava tão ansiosa por conhecer a nova professora, D. Natália Ribeiro…


25. Preocupada com Diana
Diana, a melhor amiga de Ana, viajou até à longínqua Cidade Antiga e parece ter ficado muito doente durante a sua estadia. É claro que Ana fica muito preocupada com a sua melhor amiga, mas não tem qualquer possibilidade de a visitar e saber o que realmente se passou. Mas tem, entretanto, uma ideia para poder fazer alguma coisa pela sua amiga.


26. Grandes planos
Ana está finalmente boa e pode voltar à escola. A nova professora, D. Natália, deixa-a muito entusiasmada, porque leva os alunos muitas vezes em excursões e usa métodos de ensino nada convencionais. Mas não é tudo: a professora surge com uma ideia que supera tudo o que Ana pudesse ter imaginado.


27. O presente de Matias
O que Ana mais deseja no mundo é vestir-se tão bem como as outras raparigas da Vila das Flores. Mas, para isso, precisa de um vestido com mangas de balão. Ana não tem obviamente dinheiro e Marília e Matias não são ricos. De forma discreta, Matias está atento à situação e tem uma ideia para resolver o problema de Ana.


28. Muitas surpresas
Ana recebeu um vestido novo, lindíssimo, oferecido por Matias, e não cabe em si de alegria. Mas será que a roupa nova vai ajudá-la a ter êxito na peça da escola? Vila das Flores inteira vai estar a olhar para ela e, se alguma coisa correr mal, vai ter vergonha para sempre! Mas Ana sobe corajosamente para o palco.


29. O Clube dos Poetas
Apesar de já ter feito 13 anos de idade, Ana ainda não perdeu a sua fantasia. Está sempre a inventar novas histórias sobre princesas e heróis. Diana, a sua melhor amiga, fica sempre muito impressionada com a imaginação de Ana e é assim que decidem fundar o Clube dos Poetas, para assim dar o devido valor ao talento de Ana.


30. Uma experiência dolorosa
Ana não gosta de dar sempre nas vistas com os seus cabelos ruivos. Aproveitando a visita de um vendedor ambulante ao Frontão Verde, decide comprar um produto para pintar o cabelo de preto. Mas o efeito do produto é aterrador…


31. O salva-vidas
Ana vai para o lago pescar com as amigas. Junto ao lago, as meninas decidem representar a história de Camelot e do Rei Artur, que estudaram na escola. Ana fica com o papel da Rainha Ginevra e, fiel à história, toma um barco e deixa-se levar para o lago. Mas, de repente, alguma coisa começa a acontecer: o barco está a afundar-se…


32. Uma viagem empolgante
A Tia Josefina convida Ana e Diana para irem à grande Cidade Antiga. Quando lá chegam, ficam logo entusiasmadas com aquela cidade moderna, com muito mais para oferecer do que a vida simples na Vila das Flores. Ainda por cima, a tia Josefina faz tudo para que a sua estadia seja o mais luxuosa possível…


33. A maçã envenenada
A D. Natália, a professora de Ana, quer fazer com a turma um curso de preparação para a admissão ao Colégio Real. É claro que Ana fica muito feliz quando sabe que irá participar nesse curso. No entanto, não tarda a acontecer uma coisa terrível: Ana pensa ter comido uma maçã envenenada.


34. Os caminhos separam-se
Ana começa uma nova etapa da sua vida, já que vai para o Colégio Real. Gostaria de continuar com a sua melhor amiga Diana, mas esta decidiu não ir para o colégio. Ana não compreende a decisão de Diana. Significa isto o fim da sua amizade?


35. Receios secretos
Ana passou o Inverno a preparar-se para o exame de admissão ao colégio e está esgotada de tanto estudar. Está, por isso, ansiosa por que cheguem as férias de Verão. Mas ouve um boato de que a D. Natália, a professora, vai abandonar a Vila das flores, pelo que o curso de preparação para o colégio vai ser cancelado. Será que foi tudo em vão?


36. As últimas férias de Verão
As crianças da Vila das Flores passam o seu último Verão juntas antes de cada um seguir o seu caminho. Ana e as amigas estão tão ocupadas com o exame de admissão ao colégio que se esquecem do Clube dos Poetas. Diana, a sua melhor amiga, sendo a única do grupo que não se está a preparar para o exame, sente-se excluída…


37. Um grande dia para Rio Claro
O dia do exame de admissão ao Colégio Real está cada vez mais perto e Ana e os amigos estão cada vez mais ansiosos. Mas uma má notícia vem novamente assombrar os preparativos de Ana para esse dia tão importante: Marília e Matias não conhecem ninguém na Cidade Antiga, onde fica o colégio, e não podem enviar Ana para lá sem um sítio onde ficar…


38. Porquê logo o n.º 13?
Ana está horrorizada porque, no exame de admissão para o Colégio Real, o número que lhe calhou foi o 13. Receia que o número do azar seja um sinal certo de que não irá passar no exame. Matias tenta encorajá-la e, na verdade, o exame corre inesperadamente bem. Mas qual será o resultado?


39. Uma espera sem fim
A lista com os resultados do exame de admissão ao Colégio Real demora uma eternidade a sair. Ana não aguenta mais de ansiedade: quase não dorme nem come. Por isso, Marília vai tentando distraí-la. E chega finalmente o grande dia em que é conhecida a lista.


40. Um grande êxito
Ana participa num evento de beneficência e quer recitar para o público um poema muito longo e difícil. Preparou-se muito bem para a atuação mas, de repente, fica paralisada com os nervos. Parece certo que vai passar uma grande vergonha.


41. Uma oferta surpreendente
Ana tem novamente uma grande surpresa à sua espera em casa, já que recebe a visita da Sr.ª Francisca, que, em nome de um americano rico, pretende negociar com os irmãos Vicente a adoção de Ana. Para Ana, isto significa que passaria a viver desafogadamente e, além disso, seria herdeira de uma enorme fortuna…


42. Vida de estudante
A nova etapa de Ana como estudante do Colégio Real não começa como tinha esperado. Não fez ainda novos amigos e sente-se muito só. Para se distrair, dedica-se afincadamente ao estudo. Quando ouve falar da possibilidade de obter uma bolsa para ir para o Colégio da Fundação, sente que encontrou um novo objetivo.


43. O sonho de ter uma bolsa
A primeira semana no colégio já lá vai e, no fim-de-semana, Ana regressa a casa. Ajuda Matias e Marília nos trabalhos da quinta e recebe de prenda um vitelinho. Ana sente-se muito bem na Vila das Flores e começa a ter dúvidas sobre se foi correta a sua decisão de ir embora.


44. Saudades e medo dos exames
Começou o Inverno e tudo está coberto de neve. Mas Ana não tem tempo para as alegrias do Inverno, já que se prepara febrilmente para o exame de graduação do colégio. Por isso, não consegue visitar Marília e Matias na Vila das Flores durante o fim-de-semana, mas vem depois a saber que Matias está muito doente…


45. Gilberto e a medalha de ouro
O trabalho árduo no colégio compensou, e Ana alcançou o seu objetivo de obter a bolsa para estudar na universidade. Está tão feliz que não inveja o êxito do seu rival, Gilberto – pelo extraordinário desempenho na conclusão dos seus estudos, este recebeu uma medalha de ouro. A verdade é que o maior desejo de Ana é que Marília e Matias possam assistir à cerimónia de graduação do colégio, mas o caminho da Vila das Flores para a Cidade Antiga é longo e difícil.


46. Dúvidas e receios
Ana tem saudades de Marília e Matias, que não vê há muito tempo. Quando finalmente os reencontra, apercebe-se de que envelheceram muito. Fica, por isso, muito preocupada com eles. O pior é que Ana tem de decidir se vai para o Colégio da Fundação, o que implica ficar longe do Frontão Verde durante quatro anos…


47. Uma grande perda
Um grave infortúnio afeta os irmãos Vicente: o Banco Insular, onde tinham depositado todas as suas poupanças, abre falência, pelo que ficam sem dinheiro nenhum e vêem assim ameaçada toda a sua existência. É especialmente Matias, quem sofre com a situação…


48. Despedida de Matias
Depois de Matias ter partido para sempre, Ana e Marília ficam ainda mais próximas. Querem resolver esta situação tão difícil e propõem-se manter a todo custo a quinta. É então que, subitamente, Marília partilha com Ana um grande segredo, que a faz repensar a atitude que tem tido com Gilberto Brás.


49. Planos para o futuro
Marília está desesperada porque está demasiado velha para gerir a quinta, para além de que tem muitas dificuldades com dinheiro. É por isso, com muito custo, decide vender o Frontão Verde. Quando Ana sabe da notícia, fica horrorizada, porque desse modo perderá o seu lar…


50. A despedida de Ana
Ana fica surpreendida quando ouve dizer que o seu arquirrival, Gilberto Brás, desistiu do posto de professor na Vila das Flores para lhe dar lugar precisamente a ela. Ana quer agradecer-lhe e aguarda uma boa oportunidade para o fazer. Quando finalmente fala com Gilberto, acaba por fazer uma descoberta extremamente agradável…

Esta série da Nippon Animation é baseada em Anne of Green Gables, romance da escritora canadiana Lucy Maud Montgomery, publicado pela primeira vez em 1908.

Lucy Maud Montgomery
1.ª edição do livro

Foram 8 os livros que Montgomery escreveu contando a trajetória de Ana até à meia-idade.

1. Anne of Green Gables
2. Anne of Avonlea
3. Anne of the Island
4. Anne of Windy Poplars
5. Anne’s House of Dreams

6. Anne of Ingleside
7. Rainbow Valley
8. Rilla of Ingleside

O primeiro volume, que deu origem à série, retrata a vida da personagem entre os 11 e os 16 anos.

Ana esteve presente em mais dois livros da autora – Chronicles of Avonlea Further Chronicles of Avonlea. Em cada um deles, tem um papel ativo apenas numa história, sendo contudo citada em outras.

Em 2008, foi publicada uma prequela, autorizada pelos herdeiros de L. M. Montgomery, com o título de Before Green Gables.

Escrita por Budge Wilson, teve por base a história da sua infância que Ana conta a Marília no capítulo V de Anne of Green Gables:

– Ana, filha de Gualter e Berta Silvestre, ficou órfã de pai e mãe com apenas 2 meses.

– Como não havia outros familiares, Ana foi recolhida por uma vizinha, a Sr.ª Tomásio, cujo marido bebia muito. O casal tinha adotado mais 4 crianças, de quem Ana tomava conta.

– O marido da Sr.ª Tomásio morreu atropelado por um comboio.

– A Sr.ª Hermínia ofereceu-se para ficar com Ana, porque ela tomava bem conta de crianças. Esta senhora, que vivia num lugar desprovido de qualquer beleza, tinha já 6 filhos e teve ainda mais 2 (no total, 4 pares de gémeos).

– Entretanto, a Sr.ª Hermínia ficou viúva, distribuiu as crianças pela vizinhança e foi-se embora.

– Ana foi encaminhada para o orfanato, onde permaneceu durante meio ano, até à chegada da Sr.ª Francisca.

Esta obra foi adaptada pela Nippon Animation para uma nova série de animação, em 2009, em comemoração aos 30 anos da série no Japão e ao centenário da primeira publicação do romance.

Também em 2009, foi pela primeira vez publicado The Blythes Are Quoted, última obra concluída por L. M. Montgomery. O livro conta histórias de residentes em Glen St. Mary, na Ilha do Príncipe Eduardo, intercaladas com poesia da autoria de Ana, que mais uma vez assume apenas pequenas participações nos enredos.

Em Portugal, Anne of Green Gables foi, durante muitos anos, uma obra relativamente pouco divulgada, havendo apenas registo de uma tradução feita em 1972, pela editora Civilização, com o título de Anne e a sua aldeia. Só em 2014 a mesma editora publicou uma nova edição, desta feita com o título decalcado da série animada: Anne dos Cabelos Ruivos.

Em 2017, foi a vez de a editora Relógio d’Água publicar uma outra tradução, com o título de Anne das Empenas Verdes.

A série animada é muito fiel ao livro, existindo, contudo, pequenas diferenças a assinalar:

– No livro, Anne pede recorrentemente que o seu nome seja pronunciado com “E”: “please call me Anne spelled with an E”. Sendo obviamente impossível fazer esta tradução no nosso caso, Ana pedia simplesmente que o seu nome fosse pronunciado “sempre alegremente”.

– No livro, a cena em que Ana admira o quadro “Cristo abençoando as criancinhas” passa-se no Frontão Verde, pouco depois da sua chegada. Na série, acontece mais tarde, na casa da Sr.ª Salomé.

– Na série, a situação do rato no molho tem direito a um episódio independente. No livro, Ana conta essa história a Diana quando a recebe para tomar chá.

– Não existe, no livro, a cena de Ana a receber a visita de D. Natália, enquanto está magoada e impedida de ir à escola.

– No livro, Mrs. Spencer (Sr.ª Francisca) aparece apenas no início, aquando da confusão que leva à chegada de Ana ao Frontão Verde. Na série, ressurge mais tarde, propondo a Ana ser adotada por um milionário americano.

– Também a sequência em que Ana pensa ter sido envenenada por uma maçã é inédita na série.

No primeiro episódio, o narrador refere que a ação se inicia no ano de 1870. Contudo, esta informação é contradita no episódio 38, com uma imagem a indicar que Ana teria nascido em 1886.

A ação decorria na Ilha do Príncipe Eduardo, território pertencente ao Canadá. Contudo, Avonlea (Vila das Flores) é uma localidade fictícia.

A quinta Green Gables (Frontão Verde) existe, de facto, e pertenceu à família MacNeill, de quem Lucy Maud Montgomery era parente. Fica localizada em Cavendish e, hoje em dia, encontra-se aberta ao público, estando integrada no Parque Nacional da Ilha do Príncipe Eduardo.

O Frontão Verde na realidade...
... e na ficção

A série foi exibida na RTP 2, nas tardes de segunda-feira, entre 1990 e 1991. Pouco tempo depois, regressou no Agora Escolha.

Em ambas as exibições, Ana dos Cabelos Ruivos registou um notável sucesso, sendo das séries mais recordadas pela geração nascida no início dos anos 80.

A versão adquirida pela RTP foi a alemã, cujos genéricos foram adaptados para português. Não só estas canções mas também outras, tocadas no decorrer dos episódios, foram interpretadas pela cantora lírica Maria Luís França.

Maria Luís França

Na tradução portuguesa, os nomes dos personagens aproximavam-se bastante dos da obra original. Nos casos em que não foi encontrada uma tradução direta, procurou-se preservar pelo menos a primeira letra do nome. Talvez a tradução menos feliz tenha sido a das meninas de apelido Andrews, que se tornaram Joana Andreia (Jane Andrews), Patrícia Andreia (Prissy Andrews) e Minnie Andreia (Minnie Andrews).

No verão de 1988, a RTP exibira As Aventuras de Ana, uma minissérie filmada de 4 episódios, baseada em Anne of Green Gables, produzida pela Sullivan Entertainment e com Megan Follows como protagonista.

Já nos anos 2000, a RTP exibiu outra série animada da Ana dos Cabelos Ruivos, também com a chancela da Sullivan Entertainment. Emília Silvestre deu novamente voz a Ana.

A Planeta DeAgostini lançou a série em DVD em 2007. Visto a RTP já não dispor da sua dobragem, a mesma foi recuperada a partir de gravações em VHS. Apenas o primeiro episódio não estava disponível, tendo sido feita uma nova dobragem nos estúdios Somnorte.

Novamente dirigida por Jorge Paupério, esta dobragem, realizada no dia 11/07/2007, reuniu Emília Silvestre (Ana) e Rosa Quiroga (Marília) nos seus papéis originais. Paula Seabra também foi recrutada, não para a voz de Diana – que nem sequer aparece no primeiro episódio –, mas para a de Raquel Lima, visto não ter sido possível contactar a atriz Isabel Alves, que a fizera na versão original. Rui Oliveira deu novamente voz ao chefe da estação, e Jorge Vasques substituiu Jorge Mota nas poucas falas de Matias.

Os bastidores da nova dobragem do 1.º episódio

Numa emissão especial do programa Boa Tarde sobre desenhos animados, transmitido na SIC em 22/12/2010, foi exibida uma reportagem sobre a dobragem de Ana dos Cabelos Ruivos, que contou com depoimentos de Jorge Paupério (narrador e diretor de dobragem), Emília Silvestre (voz de Ana) e Paula Seabra (voz de Diana).

Jorge Paupério
Emília Silvestre
Paula Seabra

Foi mostrada uma recriação com os três atores a dobrar trechos da série.

A série fez sucesso em muitos outros países, como por exemplo em Itália.

Com o seu estilo inconfundível, Yumiko Igarashi, criadora de mangas de referência como Candy Candy e Georgie!, fez também uma adaptação de Anne of Green Gables em 3 volumes, lançada em 1997.

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Ana dos Cabelos Ruivos