Arroz Doce

Exibição:
08/04/1985 – 05/08/1985 (RTP 1)

Número de programas:
18

Autoria e apresentação:
Júlio Isidro

Colaboração:
Artur Couto e Santos
José António Pinheiro
Rui Lemus
Norberto Barroca
Carlos Gil
António Barra
Maria Helena d’Eça Leal

Produção:
José Poiares
Vítor Pedro

Realização:
Luís Filipe Costa

Num cenário que representa a sua casa, com vista para o Castelo de São Jorge, Júlio Isidro recebe os convidados, que, um a um, se sentam confortavelmente no sofá.

O mote da conversa é dado pela notícia de capa do jornal Pau de Canela, o “órgão oficial” do programa, girando em torno de um determinado comportamento com o qual as pessoas se identificam.

Sempre presentes e prontos a armar a confusão estão a gata Rufina (Ana Bola) e o cão Baltazar (Maria Vieira), que participam ativamente na conversa.

Quem também não deixa de dar o ar de sua graça é a porteira do prédio, D. Rosa (Eunice Muñoz), que adentra sem cerimónias a sala do “menino Julinho”, metendo o bedelho e não escondendo o deslumbramento que sente com a presença dos convidados.

A interatividade com o telespectador, via telefone, é promovida por concursos que dão direito a prémios, e também pela resposta a um questionário publicado no jornal, que avalia o comportamento abordado no programa.

Mas, para além do diálogo, o serão é feito também de momentos musicais.

Cada emissão conta obrigatoriamente com a participação de um ou mais cantores líricos, que interpretam uma ária.

As Aventuras de Godofredo Leitefresco constituem outro dos atrativos do programa. Trata-se de uma história de banda desenhada cujo protagonista é um sábio louco, com aspeto visual exótico, muito distraído, que adora inventar naves espaciais e a quem acontecem as situações mais estranhas. Semanalmente, um desenhador é convidado a dar sequência à história, desenhando uma página e deixando uma situação melindrosa em aberto no final.

O programa é também preenchido com passatempos, destacando-se “Modelo Fotográfico” e “Hula Lois”.

Modelo Fotográfico
Hula Lois

Por fim, a diversão é garantida com Há Gente pra Tudo!, uma rubrica de apanhados.

1. A fama e o proveito (08/04/1985)

Convidados:
Maria de Lourdes Modesto
Serge Clemens
Joaquim Letria
Eduardo Luís Cortesão
Cyril Trotts
Odisseia Latina

Ópera:
Elsa Saque

Participação especial:
Florbela Queiroz

Entrevista:
Elba Ramalho

Banda desenhada:
Carlos Barradas


2. Os direitos do preguiçoso (15/04/1985)

Convidados:
Vítor Pavão dos Santos
Eduardo Prado Coelho
Brigada Victor Jara
Luís Laureano Santos
Mário Gomes
Jorge Fernando

Ópera:
Helena Vieira
José Fardilha

Participação especial:
Carlos Cunha – Burlão
Rita Ribeiro
António Feio

Banda desenhada:
Jorge Colombo


3. Sonhos e sonhadores (22/04/1985)

Convidados:
Filipa Vacondeus
Paco Bandeira
Dinis Machado
Jorge Palma
Jorge Soriac
Luís Laureano Santos
Da Vinci

Ópera:
Carlos Guilherme

Participação especial:
Manuel Castro e Silva

Banda desenhada:
Nuno Amorim


4. Memórias (29/04/1985)

Convidados:
Luís Filipe
Luís Laureano Santos
Lia Gama
Roby Amorim
Gilberto Gil Umbelina

Ópera:
Ana Paula Russo

Participação especial:
Artur Mendes da Silva
Manuela Queiroz

Banda desenhada:
José Maria Pimentel


5. Criancices (06/05/1985)

Convidados:
Carlos Mendes
Pi de la Serra
Clara Pinto Correia
Margarida Bon de Souza
Táxi

Ópera:
Manuela Castani

Participação especial:
Manuela Queiroz

Banda desenhada:
Fernando Relvas


6. A moda (13/05/1985)

Convidados:
Caetano Veloso
José Cid
Luís Laureano Santos
Jorge Silva Melo
Ana Salazar
Paulo Gonzo
Madalena Braz Teixeira
Delfins

Ópera:
José de Freitas

Participação especial:
Manuel Castro e Silva – Burlão
Álvaro Faria – José Rolo Preto e Branco
Florbela Queiroz – Cabeleireira
Manuela Queiroz

Banda desenhada:
Maria João Lopes


7. O stress (20/05/1985)

Convidados:
Tó Neto
Fernando de Pádua
António Gouveia
Pekka Puska
Pedro Barroso
Nara Leão

Ópera:
Manuela Castani
Ana Paula Russo
Mario Rodrigo
Jorge Vaz de Carvalho

Participação especial:
Amélia Videira

Entrevista:
John Helliwell

Banda desenhada:
Artur Henriques


8. O destino (27/05/1985)

Convidados:
Ana Maria Martins Guerra
Carlos Bastos
Marlene (cigana)
Ivon Curi
Maria José da Costa Félix
Banda Trigo Limpo

Ópera:
Jorge Vaz de Carvalho

Participação especial:
Adelaide João – Adelina

Banda desenhada:
Carlos Zíngaro


9. Solidariedade (03/06/1985)

Convidados:
Luís Pinto de Freitas
Pamela Murphy
Manuela Bruxelas
Celina Pereira
Victor
Dyango
Marina Mota
Ronda dos Quatro Caminhos

Ópera:
Elvira Ferreira

Participação especial:
Henrique Viana – Ferreira

Banda desenhada:
Pedro Massano


10. O deve e o haver (10/06/1985)

Convidados:
Paulo de Carvalho
João Vale de Almeida
Kiki Lima
Midus
Elizabete Francisco
José Carlos
João Oliveira
The Sound

Ópera:
Helena Vieira
Manuela Castani
José Fardilha

Participação especial:
Henrique Viana – Jorge Bisnaga Ferreira

Banda desenhada:
Joaquim Oliveira


11. Amor e ciúme (17/06/1985)

Convidados:
Telectu
Alunos de Apolo
Lídia Ribeiro
Tony de Matos
Shegundo Galarza
Jim Diamond

Ópera:
José Araújo
Jorge Vaz de Carvalho
José Fardilha
Carlos Guilherme
Manuela Castani
Elvira Ferreira

Participação especial:
Amélia Videira – Becas
António Feio – Ramón / Santo António
Rita Ribeiro – Marionela
Luís Mascarenhas – Manolo

Banda desenhada:
José Abrantes


12. Há gostos para tudo (24/06/1985)

Convidados:
Camisa Amarela
Jacha Uru
José Costa Reis
Serafim Saudade (Herman José)
Ivan

Ópera:
Mario Rodrigo

Participação especial:
João d’Ávila – Silva
António Feio – São João do Porto

Banda desenhada:
José Luís Duarte


13. Férias (01/07/1985)

Convidados:
Ana
Vitorino
Maria Helena d’Eça Leal
José Manuel Castanheira
João d’Ávila
Norberto Barroca
Isabel Ruth
Quim (Suzy Sweet)
Alexandra
Jorginho Portugal

Ópera:
José Fardilha

Participação especial:
Francisco Nicholson – Comandante Nepomuceno
António Feio – São Pedro

Banda desenhada:
Eugénio Silva


14. Férias no barco do amor (08/07/1985)

Convidados:
Art Themen e seu quarteto
Mass Movements
Alberto Coronel
Clemente
Carlos Paião
Cantaril

Participação especial:
António Feio

Banda desenhada:
Pedro Morais


15. A atividade física nas férias (15/07/1985)

Convidados:
Stick
Luc Belar Sisters e seus Chimpanzés
Victor Espadinha
Blandina Cruz
Grupo de Tiro ao Alvo do Benfica
Janita Salomé
Rádio Macau
João Oliveira Duarte
Classe Especial de Saltos em Mesa Alemã do Ginásio Clube Português
Márcio Ivens

Ópera:
Helena Vieira

Participação especial:
Luís Mascarenhas

Banda desenhada:
Carlos Aguiar


16. Passatempos de férias (22/07/1985)

Convidados:
Lars Fenger
Fancy One
Águias do Benfica
Teresinha Reis
Ana Paula Reis
GNR
Ramiro Miranda
Raul Ouro Negro

Ópera:
Carlos Guilherme

Participação especial:
Rosa Villa – Ardina
Mário Garcia – Ardina
António Feio – Sacadura Cabral
João d’Ávila – Gago Coutinho
Luís Mascarenhas – Columbo

Banda desenhada:
Ana Duarte de Almeida


17. O verão e as férias (29/07/1985)

Convidados:
Voz de Cabo Verde
Dino Meira
UHF
Peter Petersen
Grupo 1.º de Maio

Ópera:
Ana Paula Russo

Participação especial:
Rosa Villa – Ardina
Mário Garcia – Ardina
Luís Mascarenhas – Columbo

Banda desenhada:
Vítor Sá Machado


18. Despedida (05/08/1985)

Convidados:
Banda Tribo
José Cid
Alberto Coronel
Opus Ensemble
Disto & Daquilo
Mucavele
Tonicha
Tam Tam 2000
Paulo Forte
Heróis do Mar
Neel Govern
Chefe Silva
Michel, Mónica e Mizé

Ópera:
Elvira Archer

Participação especial:
Rosa Villa – Ardina
Mário Garcia – Ardina
Júlio César – Fernando Pessoa
Fernando Mendes – Godofredo Leitefresco
Luís Mascarenhas – Columbo
Óscar Acúrcio – Graxa

Banda desenhada:
Onofre Varela

Depois de, entre 1981 e 1984, ter apresentado programas que preenchiam as tardes de fim-de-semana – O Passeio dos Alegres (1981/1982), Festa é Festa (1982/1983) e A Festa Continua (1983/1984) –, Júlio Isidro estreava-se num horário completamente distinto: o serão de segunda-feira.

O curioso título foi justificado pelo autor e apresentador do programa: “Escolhi Arroz Doce porque andamos todo um bocado amargos, e é preciso encontrar uma visão otimista do futuro”.

Júlio Isidro tinha como objetivo oferecer momentos não só de entretenimento, mas sobretudo de convívio. Propunha um formato com um tempo diferente, onde a palavra pudesse ser mais “digerida” e o convívio pudesse ter mais sabor. Por esse motivo, pediu ao cenógrafo José Costa Reis que decorasse o cenário como se da sua própria casa se tratasse. Pretendia-se transmitir um tom mais intimista, simbolizado pelo ambiente confortável de uma sala de estar.

Houve quem pensasse que se tratava, de facto, da residência de Júlio Isidro, pelo que, no 4.º programa, o apresentador sentiu-se na “obrigação” de esclarecer que a transmissão era feita a partir de um décor montado no Estúdio 1 do Lumiar.

Nesta fase, a assistência, composta sobretudo por estudantes – e que poucas vezes era mostrada – era bastante restrita em número de pessoas, devido ao exíguo espaço em estúdio.

Arroz Doce teve direito a um “órgão oficial” que servia de complemento ao programa: o jornal humorístico Pau de Canela, publicado às sextas-feiras. A capa de cada edição expunha o tema da emissão seguinte, através de uma notícia através da qual se pretendia evidenciar um determinado comportamento.

Foi lançado um número zero, com o tema do primeiro programa, apenas para colaboradores e amigos.

Nos últimos programas, a atriz Rosa Villa apareceu no papel de ardina, distribuindo o jornal entre a plateia.

Com a participação recorrente de cantores líricos, Júlio Isidro pretendeu demonstrar que havia espaço para a música erudita num programa de entretenimento. Foram 12 os intérpretes que, individualmente ou em grupo, atuaram ao longo das várias emissões.

Ana Paula Russo
Carlos Guilherme
Elsa Saque
Elvira Archer
Elvira Ferreira
Helena Vieira
Jorge Vaz de Carvalho
José Araújo
José de Freitas
José Fardilha
Manuela Castani
Mario Rodrigo

Outra inovação foi a presença, em cada programa, de um autor de banda desenhada, para dar continuidade às Fantásticas Aventuras de Godofredo Leitefresco, que eram semanalmente publicadas na contracapa do Pau de Canela. No total, 18 artistas aceitaram este desafio.

Carlos Barradas
Jorge Colombo
Nuno Amorim
José Maria Pimentel
Fernando Relvas
Maria João Lopes
Artur Henriques
Carlos Zíngaro
Pedro Massano
Joaquim Oliveira
José Abrantes
José Luís Duarte
Eugénio Silva
Pedro Morais
Carlos Aguiar
Ana Duarte de Almeida
Vítor Sá Machado
Onofre Varela

Júlio Isidro manifestou a intenção de compilar as 18 pranchas num livro, o que acabou por não se concretizar.

No último programa, o “herói” desta banda desenhada foi personificado por Fernando Mendes.

Foram realizados vários passatempos, destacando-se dois que se prolongaram por várias semanas.

O primeiro, “Modelo Fotográfico”, foi patrocinado pela marca de jeans Old Chap. O objetivo era, claro está, descobrir novos talentos para a atividade de manequim.

No primeiro programa, o passatempo foi exemplificado com a presença de quatro manequins profissionais, entre eles a atriz Alexandra Leite, que fazia trabalhos de manequim como freelancer, enquanto terminava o curso de Biologia.

O júri era composto pelo fotógrafo Carlos Gil, pela estilista Ana Salazar e pela artista plástica (e também manequim) Ana Silva e Sousa.

Porém, o passatempo com maior notoriedade foi o “Hula Lois” (mistura de Hula Hoop com Lois Jeans), onde os concorrentes eram desafiados a demonstrar as capacidades no uso do arco.

Para orientar os participantes nos movimentos que deveriam executar, foi publicado um livro com o Método Hula Lois.

Foi igualmente editado um maxi-single com o tema Ask My Body, interpretado pelos Hulala Kids, a música que era executada durante as exibições. Juntamente com o disco, era distribuído um cartaz com a exemplificação de vários movimentos.

O júri deste passatempo era formado por João Oliveira Duarte (professor de ginástica), Ana Lorena (bailarina) e um representante da Lois.

No 9.º programa, foi levado a cabo um leilão solidário de três discos com o tema We Are The World, que fora lançado no início de 1985. Um telespectador, não conseguindo ligar para a linha telefónica anunciada, foi pessoalmente ao estúdio fazer a sua oferta: 75 contos.

Eunice Muñoz brilhou como a porteira D. Rosa, deliciando a todos com as suas interações com o “menino Julinho”.

Ana Bola e Maria Vieira repetiram a dupla (hoje em dia impensável) que haviam tido nos programas Festa é Festa e A Festa Continua. Em Arroz Doce, os seus papéis eram o cão Baltazar (Maria Vieira) e a gata Rufina (Ana Bola).

Rufina (Ana Bola)
Baltazar (Maria Vieira)

No 9.º programa, os personagens despedem-se e viajam para fora do país: Baltazar vai para Londres, e Rufina para Paris. Nos programas seguintes, as atrizes assumiram papéis diversos, mas Baltazar e Rufina regressaram para a despedida no derradeiro programa.

Outros atores surgiram episodicamente nas rábulas que eram representadas no programa.

Destaca-se a interpretação de Luís Mascarenhas como o detetive Columbo, com uma caracterização irrepreensível do personagem imortalizado por Peter Falk.

Outra participação curiosa foi a de António Feio, que, entre outros papéis, interpretou os três santos populares.

Santo António
São João do Porto
São Pedro

Óscar Acúrcio reviveu o “graxa” Aníbal, papel que defendera na telenovela Chuva na Areia, terminada há poucos meses.

Em alguns programas, tivemos a presença de Luís Laureano Santos, “vizinho” de Júlio Isidro que já conhecíamos, nomeadamente, da colaboração no programa A Festa Continua, onde era o responsável pela rubrica Os Juízes entre Nós. Desta feita, o causídico aparecia para, num registo informal, explicar o enquadramento jurídico de algumas situações quotidianas e alertar para o perigo dos “contos do vigário”.

Maria de Lourdes Modesto foi convidada, no primeiro programa, a fazer arroz doce – segundo Júlio Isidro, “o melhor que alguma vez provou na vida”.

A Filipa Vacondeus foi dirigida proposta idêntica, a de confecionar sonhos no programa cujo tema era “Sonhos e sonhadores”.

No 13.º programa, ainda a partir do Estúdio 1, Arroz Doce foi de “férias” a bordo do “Barco do Jamor”. Apesar de estar em “período de descanso”, Júlio Isidro foi desafiado pelo Comandante Nepomuceno (Francisco Nicholson) a apresentar as variedades do cruzeiro.

Nos últimos cinco programas, a transmissão ocorreu em direto do Cinema Europa, tendo como cenário a “Ilha dos Amores”. Passou a haver mais interação com a plateia, que cresceu consideravelmente.

Nesta fase, assistimos ao regresso do papagaio Baixinho, “boneco” celebrizado no programa O Passeio dos Alegres.

Maria Vieira teve uma nova personagem fixa: a espampanante Margarida Cereja.

No último programa, fez-se uma ligação ao exterior, mais concretamente ao Largo da Igreja do Santo Condestável, onde se encontrava Manuela de Sousa Rama, orientando os espectadores presentes na montagem de um gigante puzzle em madeira, com 200 peças e 10 metros de diâmetro.

O programa encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.

Arroz Doce