Badarosíssimo

Exibição:
16/09/1985 – 14/12/1985 (RTP 1)

Número de programas:
13

Autoria:
Badaró
Fernando Assis Pacheco
Francisco Nicholson
Gonsalves Preto

Coreografia:
Ruben Marques

Direção musical:
Carlos Alberto Moniz

Cenografia:
Jorge Rocha

Produção:
António Andrade

Realização:
Cecília Netto

Elenco:
Badaró
Henriqueta Maya
Fernanda Borsatti
Luís Mascarenhas
Manuel Coelho
Manuela Queiroz
Fernando Mendes
Argentina Rocha
Maria Eduarda
Rosa Vieira
Luísa Salgueiro
João Nuno

Badarosíssimo é um programa de humor cuja figura principal é o ator Badaró, na criação de vários personagens, falando do país que temos em forma divertida.

Pretende-se proporcionar um serão divertido, ao ritmo do bom humor e de canções.

Compõem o elenco do programa:

Badaró
Manuel Coelho
Maria Eduarda
Henriqueta Maya
Manuela Queiroz
Rosa Vieira
Fernanda Borsatti
Fernando Mendes
Luísa Salgueiro
Luís Mascarenhas
Argentina Rocha
João Nuno

O humor desenvolve-se a partir de rábulas várias, umas ocasionais e outras fixas, das quais se destacam:

Os Novos e os Velhos
Dois velhinhos (Badaró e Fernanda Borsatti) comentam factos históricos, que confundem com assuntos da atualidade, o que leva o senhor a taxar a conversa de “uma estupidagem”.

Dom Queixote e Sancho Dança
Dom Queixote (Manuel Coelho) é um tipo com os olhos postos no passado; o seu servo, Sancho Dança (Badaró), caracteriza-se pela proposta do otimismo que resolve todos os assuntos em função da expressão corporal. Ambos têm pouco a ver com os sonhadores poéticos de Cervantes.

A Linguareira
Uma mulher brejeira (Henriqueta Maya) passa a vida na varanda, comentando os acontecimentos da vizinhança. Enquanto isso, enfrasca o seu “xarope para a garganta”, mesmo não compreendendo “como é que há homens que gostam daquilo”.

Ninoni
Ninoni (Badaró) é o chefe da banda dos bombeiros voluntários de uma vila da província. A banda tem um hino que se cola ao ouvido:

O Maestro da Charanga
Tem razão p’ra estar feliz
Ai que riso, ai que riso
Com as coisas do país

“Ó jóia, não ligues bóia!”

Marionetas
Canção de teor político, com a participação de Zé Povinho (Badaró) e dos seus companheiros manipulados.

Borato de Sódio
Borato de Sódio (Badaró) é um senhor hospitalizado e quase moribundo, que tem picos de vitalidade quando recebe a visita de Gertrudes (Maria Eduarda), uma voluntária que o faz “despertar”, mas que depois lhe dá um “balde de água fria”, fazendo-o regressar ao estado de enfermidade.

Teatro de Bolso
Rábula especial com a participação de vários atores do elenco

Chico Fatelas e Zé Fasquiado
Uma dupla de breakers da pesada: Chico Fatelas (Luís Mascarenhas) e Zé Fasquiado (Badaró).

Não há pai para o meu pai
Um miúdo de tenra idade (João Nuno) faz perguntas difíceis ao seu pai (Badaró), que lhe transmite o seu “saber” de forma muito própria, refutando tudo o que o petiz aprendeu na escola.

O Abreu
Número musical que encerra o programa, satirizando a desonestidade e a corrupção, práticas que se vulgarizaram no país.

Para intercalar com o humor, cada emissão conta com uma atuação musical.

1. (16/09/1985)

Atuação:
José Cid e a Banda Tribo


2. (23/09/1985)

Atuação:
Paco Bandeira


3. (30/09/1985)

Atuação:
Grupo de dança dirigido por Ruben Marques


4. (07/10/1985)

Atuação:
Carlos Mendes


5. (14/10/1985)

Atuação:
Manuela Bravo


6. (21/10/1985)

Atuação:
Rodrigo


7. (28/10/1985)

Atuação:
Belle Dominique


8. (04/11/1985)

Atuação:
Serafim Saudade (Herman José)


9. (11/11/1985)

Atuação:
Cândida Branca Flor


10. (24/11/1985)

Atuação:
Paulo de Carvalho


11. (01/12/1985)

Atuação:
Adelaide Ferreira


12. (08/12/1985)

Atuação:
António Mourão


13. (14/12/1985)

Atuação:
Bailarinos: Dulce, Elsa, Fernando, Guida, Zé Manuel, Pakika, Uxa

Aguardado com alguma expectativa, Badarosíssimo agradou a alguns e desiludiu a outros. O programa foi alvo de opiniões contraditórias, tendo a maioria da crítica especializada adotado um tom duro, nalguns casos implacável, contra o seu conteúdo e conceção.

Uma coisa é certa: o programa não passou despercebido, o que se conseguia medir através do impacto de certos “bonecos” junto do público. Destaca-se fortemente o “Abreu”, cujo refrão (“Ó Abreu, dá cá o meu!”) se tornou inesquecível.

A gravação de Badarosíssimo decorreu em duas fases. Finda a primeira, de seis programas, os autores reuniram-se para analisarem o que tinha sido feito e deitarem mãos à obra com vista ao segundo fôlego. Posto isto, na 7.ª emissão, Badaró anunciou que o programa iria sofrer uma mudança de figurino, dando-se a substituição de algumas rábulas. Do elenco, saíram Fernanda Borsatti e Argentina Rocha; entraram Luísa Salgueiro e o pequeno João Nuno.

No ano anterior, João Nuno fora o vencedor da Gala dos Pequenos Cantores, realizada na Figueira da Foz, interpretando a canção Atchim!.

Com a mesma música, logrou alcançar o segundo lugar na 27.ª edição do Sequim de Ouro.

O chinesinho Limpopó, talvez a mais conhecida figura de Badaró, deu a cara apenas num sketch do primeiro programa. O ator queria, de certo modo, libertar-se do estigma em que ele se tornara: “Foi a personagem mais importante da minha carreira, aquela que resgatou uma certa imagem degradada que eu tinha do tempo da revista. A partir de uma determinada altura, o Chinês começou a funcionar em sentido contrário, pois identificou-me exclusivamente como um ator para crianças, num país onde não existe um mercado para espetáculos infantis, o que veio limitar bastante a minha atuação”.

Sem a muleta do chinesinho, Badaró deu provas da sua versatilidade, interpretando um amplo leque de figuras.

Como consequência do sucesso do programa, Badaró levou a cabo a montagem de um espetáculo, Badarosíssimo ao Vivo, que reuniu parte do elenco original e manteve também algumas das rábulas do mesmo.

Em entrevista à TV Guia, Badaró afirmou ter cumprido o seu objetivo de conceber um programa popular e concluiu que, se tivesse de iniciar novamente o Badarosíssimo, faria o seu trabalho da mesma forma. Apenas mudaria o esquema de gravação “em série” utilizado – os vários episódios de cada sketch foram gravados de seguida: “É uma experiência dramática para um ator, e não voltaria a trabalhar assim. É certo que fica bastante barato para a RTP, mas dá cabo dos nervos e da memória do ator”.

Badaró no papel de Ninoni

Ainda a respeito das ferozes críticas aos textos do programa, Badaró declarou à mesma publicação, em 1988 (aquando da estreia do seu programa O Grande Pagode):

A crítica só é favorável em Portugal a um determinado quadrante político, ou número de amigos. Não me faz diferença nenhuma dizerem-me que ela foi adversa ao Badarosíssimo, porque eu divido tudo aquilo que fiz de mal no programa com o Fernando Assis Pacheco, o Francisco Nicholson e o Gonsalves Preto, que comigo colaboraram nos textos. O problema é esse: se o programa é um êxito, é-o de toda a equipa; se é um falhanço, a culpa é do Badaró. Todos eles são altamente conceituados, e quando se disse que os meus textos eram maus, nenhum se levantou a dizer “Eu também escrevi”.

Até à 9.ª emissão, Badarosíssimo foi exibido às segundas-feiras. Os derradeiros programas passaram ao domingo, com exceção do último, exibido num sábado. No dia seguinte, o serão foi preenchido com a emissão especial das Eleições Autárquicas de 1985.

Partilhar:

Badarosíssimo