Bárbara

Exibição:
30/09/1982 (RTP 2)

Argumento:
Alfredo Tropa

Textos:
Fernando Assis Pacheco

Música:
Manuel Freire
Luís Cília
José Afonso
Chico Buarque
Stockhausen
Alexandre Gonçalves
Alfredo Tropa

Direção de produção:
Jaime Campos

Realização:
Alfredo Tropa

Elenco:
Artur Semedo – Joe Valente
Orlando Costa – Filipe Silva
Ellen Matt – Linda
Celso Sacavém
Mário Sancho
António Silva
Estrela Novais
Josefina Ungaro
Manuela Melo
João Enes
João Serradas
Júlio Cardoso – Tio Ferrão
José Silva – Tio Marques
José Pinto
Afonso Praça – Padre
Fernando Assis Pacheco – Chefe de Redação
Fernando Amaro
Couceiro Netto
António Feio – Moliceiro
Jaime Campos – Alberto Pinho
Elvira Cruz
Pimentel de Sousa
Luís Guedes
Helena Ramos
Luís Pereira de Sousa
Família Rito
Conjunto Humberto Oliveira
População da Torreira / Murtosa

José ‘Joe’ Valente (Artur Semedo), um luso-americano regressado à terra-natal, tem o sonho de transformar a apanha do moliço na Ria de Aveiro em verdadeira indústria. Para isso, compra uma draga, batizada de Bárbara, cuja utilização divide a população local.

Joe Valente
A draga Bárbara

Em paralelo, desenvolve-se o romance entre Linda (Ellen Matt), filha de Joe Valente, e Filipe Silva (Orlando Costa), um jovem repórter lisboeta, destacado para cobrir os acontecimentos.

Filipe e Linda

Entretanto, a dragagem intensiva da ria e a consequente oferta, à lavoura, de moliço a mais baixo preço causarão a miséria dos que labutam através de métodos tradicionais, provocando o descontentamento e a agitação populares.

A conduta de Joe Valente leva as pessoas, que o aceitam de início, a verificarem que mais tarde ele lhes causará enormes prejuízos. A situação torna-se insustentável; cada um fala a sua linguagem e ninguém se entende. E é nas águas da ria que se vai jogar um final de fábula cruel, à medida da impotência transformada em raiva.

Bárbara foi a primeira longa-metragem totalmente produzida pela RTP (com uma equipa da casa), em película de 35 mm e a cores. Tratava-se de uma história de ficção inserida dentro de um grande documentário sobre a Ria de Aveiro, levantando o problema do seu desaparecimento gradual.

Fernando Assis Pacheco teve a seu cargo o desenvolvimento da ideia que Alfredo Tropa tinha para o argumento, assim como se encarregou do diálogo e das letras de três canções originais, cantadas e musicadas por Manuel Freire. Fez também uma pequena participação nas cenas iniciais, como chefe de Filipe (Orlando Costa).

Bárbara era o nome da draga que Joe Valente (Artur Semedo) trouxera dos EUA. Ele dera-lhe este nome em homenagem à atriz americana Barbara Stanwyck, de quem era admirador, passando muito do seu tempo na draga a ver os seus filmes.

Ellen Matt, a intérprete de Linda, era descendente de luso-americanos – curiosamente, natural da região de Aveiro – e fora “descoberta” pelo realizador numa ida a Nova Iorque.

Ellen Matt

O filme tinha algumas partes faladas em inglês – o inglês do emigrante. Fernando Assis Pacheco chegou mesmo a fazer um dicionário dos termos que eles usavam.

Alfredo Tropa tinha no seu currículo algumas curtas-metragens e a longa-metragem Pedro Só (1972).

Nascido na zona da Ria de Aveiro, mais concretamente na Murtosa, sempre se interessara por esta região e pelos seus problemas específicos, afirmando conhecer melhor a zona do que algumas das pessoas que lá viviam permanentemente.

Foi esta preocupação de chamar a atenção para os problemas ecológicos e ambientais com que a região se debatia que o levaram a dedicar alguns dos seus filmes a este tema, entre eles Uma Maré de Moliço, exibido em 1978 e que, nesse ano, ganhou o “Tridente de Neptuno”, atribuído ao melhor filme apresentado no Festival “O Homem e o Mar”. O certame decorreu em Jūrmala, nos arredores de Riga (na ex-URSS, atual Letónia), e em competição estiveram produções de mais 35 países.

O desejo de uma longa-metragem que se debruçasse sobre este assunto germinava desde há algum tempo, existindo até uma proposta apresentada pelo realizador à RTP, dois anos antes de ter sido dada luz verde a Bárbara.

A rodagem foi relativamente complicada, pelo facto de o filme ser em décors naturais e com muitas cenas passadas em barcos, na água, o que tornava o plano dependente das marés.

O filme contou com a participação de atores da companhia Seiva Trupe e do Teatro Experimental do Porto, cujo profissionalismo foi muito elogiado pelo realizador. Destacam-se, entre outros, os nomes de José Pinto, Júlio Cardoso, Josefina Ungaro e Estrela Novais.

José Pinto
Júlio Cardoso
Josefina Ungaro
Estrela Novais

O papel de padre foi desempenhado pelo jornalista Afonso Praça.

O realizador Jaime Campos surgiu no papel de um ecologista.

O próprio Alfredo Tropa apareceu em cena, ao lado de um operador de câmara.

De assinalar, igualmente, a presença de Manuela de Melo, jornalista da RTP Porto.

O filme foi pensado para exibição no cinema, tendo estreado a 26/09/1980, em três salas: em Lisboa, no Porto e em Aveiro. O facto de existirem três cópias no circuito comercial era caso raro no panorama exibicional português e permitia que o filme pudesse percorrer o país inteiro.

A transmissão na televisão estava programada para cerca de meio ano depois, em cinco episódios de 25 minutos, algo que não se chegou a concretizar. Bárbara apenas foi exibido em 1982, em formato de longa-metragem, no Ciclo de Cinema Português: de Manoel de Oliveira a Paulo Rocha, da RTP 2.

O investimento feito pela RTP foi integralmente coberto com a venda do filme para o Brasil, Estados Unidos e Canadá.

No verão de 1980, a RTP exibiu, com apresentação de Helena Ramos, o programa Viva! Seja Benvindo [sic], dedicado às festas e romarias realizadas nessa época do ano.

Na emissão sobre as Festas da Ria de Aveiro, foi abordada a rodagem do filme. Foram entrevistados o realizador Alfredo Tropa e o cantor Manuel Freire.

Alfredo Tropa
Manuel Freire

Bárbara