Caça ao Tesouro (SIC)

Exibição:
30/04/1994 – 23/10/1994 (SIC)

Número de sessões:
26

Apresentação:
Catarina Furtado
Henrique Mendes
Rita Blanco

Guião e texto:
Paulo Narciso
Graça Castanheira

Operador de câmara (exteriores):
Miguel Queiroga

Assistente de câmara (exteriores):
Pedro Santos

Responsável de comunicações:
Joaquim Herrera

Produção:
Alexandre Barradas

Realização:
Manuel Amaro da Costa

Aventura e emoção são as palavras de ordem neste passatempo, em que uma equipa constituída por dois participantes em estúdio, sem quaisquer possibilidades de participar fisicamente no jogo, tenta encontrar um tesouro – um baú cheio de moedas de ouro – que pode estar escondido numa qualquer região do país.

O baú do tesouro

O concurso tem a particularidade de envolver os seus apresentadores nas provas que os dois concorrentes têm de efetuar.

Rita Blanco, a única a conhecer a localização do tesouro, anuncia, uma a uma, as cinco pistas que a equipa terá de decifrar no tempo máximo de 60 minutos.

Rita Blanco lê uma pista

Guiando-se por um mapa e por outras fontes de pesquisa, os participantes tentam solucionar os enigmas e orientar Catarina Furtado, que, algures no exterior, deslocando-se de helicóptero, vai ultrapassando vários obstáculos até chegar ao tão ambicionado baú.

Catarina Furtado

A cada pista corresponde uma moeda; para as encontrar, Catarina terá de correr, escalar montanhas, andar de bicicleta ou montar a cavalo, entre outros desafios inimagináveis.

Porém, não está sozinha: para além do Comandante Souto, que pilota o helicóptero, acompanham-na o operador de câmara Miguel Queiroga e o assistente Pedro Santos, que acabam por também se sujeitar aos mesmos riscos e desafios.

Comandante Souto
Pedro Santos e Miguel Queiroga

Henrique Mendes, por sua vez, apoia os concorrentes na resolução dos diversos enigmas.

Henrique Mendes auxilia os concorrentes

Cada programa é, também, uma visita guiada à região onde se desenrola a aventura, revelando paisagens e locais menos conhecidos, bem como um pouco da sua história e das suas gentes.

Catarina Furtado em Torredeita (Viseu)

Caça ao Tesouro teve por base o formato francês La Chasse au Trésor, de 1981, da autoria de Jacques Antoine (também criador do célebre Fort Boyard, de 1990).

Em Portugal, a receita para o sucesso residiu fortemente na união entre o carisma de Catarina Furtado, a serenidade de Henrique Mendes e a irreverência quase desvairada de Rita Blanco.

Catarina Furtado
Henrique Mendes
Rita Blanco

Depois de ter apresentado a primeira temporada de Chuva de Estrelas, Catarina Furtado recebeu esta missão ainda mais desafiante por parte da direção da SIC. Deixou de lado os vestidos glamourosos do anterior trabalho e envergou um traje desportivo; andou de helicóptero e submeteu-se às mais duras tarefas físicas. O desafio tornou-se ainda maior pelo facto de Catarina ter medo de voar, sofrer de vertigens e sentir enjoos.

A jovem apresentadora desempenhou a sua função sem guião, em total improviso, desconhecendo os desafios que tinha pela frente em cada emissão.

Os concorrentes, acompanhados por Henrique Mendes e Rita Blanco, sofriam bem longe do acontecimento, nos estúdios da Lisboa Filmes, em Barroca d’Alva, perto de Alcochete.

Para além do helicóptero em que se deslocavam Catarina Furtado, Miguel Queiroga (operador de câmara) e Pedro Santos (assistente de câmara), havia um segundo, de apoio, que transportava outro operador de câmara e o responsável de comunicações, Joaquim Herrera.

O helicóptero principal

Como o cronómetro não podia parar desde que Catarina ouvia a pista enigmática que a levava à pista seguinte, qualquer falha de som deitaria tudo a perder. Para se precaver, a produtora D&D concebeu um sistema triplo de comunicação áudio. Se o principal falhasse, havia dois de reserva.

As gravações prolongavam-se durante quase um dia inteiro. Embora, de pista para pista, o tempo fosse real (sem cortes), Catarina Furtado tinha um tempo de descanso após a descoberta de cada moeda.

As populações locais aderiram de forma surpreendente ao evento em que se transformava cada gravação. Não raras vezes, as escolas ficavam “às moscas”, com as crianças a acorrerem em peso aos locais onde pousava o helicóptero.

Catarina Furtado, que fez este programa entre a primeira e segunda temporadas do Chuva de Estrelas, declarou à TV Guia: “O Caça ao Tesouro foi um programa com o qual eu aprendi muitíssimo. Aprendi, por exemplo, a contactar de perto com a população e aprendi a improvisar em televisão, o que nunca tinha feito. Estava desde as dez da manhã até às oito da noite sem uma única linha de guião”.

A apresentadora contou também ter demorado algum tempo a encontrar o tom ideal para a sua prestação: “Passei por várias fases. No primeiro e segundo programas, por exemplo, achei que não me tinha portado como devia, estava muito presa devido à rigidez do Chuva de Estrelas, mas, depois, aconteceu o inverso e soltei-me demais. Finalmente, parece que cheguei ao ponto certo”.

Henrique Mendes regressava à televisão após um longo período de afastamento – o seu último programa fora TV Show, em 1980. Em Caça ao Tesouro, assumiu o papel de “anjo da guarda” dos concorrentes.

O mesmo não se pode dizer de Rita Blanco, que, com humor, encarnava a “má da fita”. Embora se divertisse com as dificuldades dos concorrentes em decifrar as pistas – de cujas soluções era a única detentora –, quando percebia que estavam em apuros, revelava laivos de generosidade e dava-lhes uma preciosa “mãozinha”.

Em entrevista à TV Guia, com a ironia que lhe é peculiar, a atriz comentou desta forma a sua participação: “Faço o que me pediram para fazer. Até considero que trato os concorrentes bem demais. Se não fosse a minha intervenção, eles ficavam na primeira pista. Dou-lhes imensas deixas e digo-lhes «não é nada disso». Até os ajudo, coitadinhos!”.

Caça ao Tesouro teve diversos horários: começou por ser exibido aos sábados à noite, passando para as quartas-feiras depois de algumas semanas. Com a entrada da nova programação, em setembro, as últimas emissões foram exibidas aos domingos, ao final da tarde.

Na última emissão, que teve Lisboa como pano de fundo, Catarina Furtado desceu a um dos pilares da Ponte 25 de Abril e percorreu túneis do metro, num troço ainda em construção.

Catarina na Ponte 25 de Abril...
... e nos túneis do metro

A última pista levou-a até à Maternidade Alfredo da Costa, onde presenciou um parto que ficaria gravado como um dos momentos mais emocionantes do programa.

O tema musical foi incluído no CD The Best of SIC, lançado em 1995.

Em 2024, a equipa do programa reuniu-se para comemorar o seu trigésimo aniversário. De coração cheio, Catarina Furtado partilhou algumas fotos do evento nas suas redes sociais. Alguns dias depois, revelou também que chegou a ser abordada na rua pela menina que viu nascer no último programa.

Caça ao Tesouro (SIC)