Cadichon

Título original:
Cadichon ou Les Mémoires d’un Âne (I)
Les Tribulations de Cadichon (II)

Exibição:
14/10/1989 – 10/03/1990 (RTP 1)

Número de episódios:
20

Adaptação e realização:
Marcel Seren

Música:
Gérard Gustin

Produção:
Juana Production (1986/1989)

Versão portuguesa

Tradução:
Luísa Rodrigues

Som:
Paula Margarida

Vozes:
António Montez – Cadichon
Carlos Freixo – Antoine
Fernanda Figueiredo – Georget / Condessa / Marie
Jorge Sequerra
José Raposo – Lavrador / Moleiro / Jean
Luísa Salgueiro – Mulher do Lavrador / Caroline / Avó de Georget / Jacques / Isabelle
Margarida Rosa Rodrigues – Charles / Camille

Direção (interpretação):
António Montez

Produtor:
João Mota

Estamos em meados do século XIX, em Laigle, na Normandia. Aqui vive Cadichon, um burro dotado de uma inteligência fora do comum. Mais do que um animal de carga, ele possui inúmeras habilidades, sendo capaz de compreender o que os humanos dizem e pensam.

No conforto do seu estábulo no Castelo de La Herpinière, Cadichon recorda a jornada que o levou até ali, folheando um álbum de memórias ilustrado pelo seu querido dono, Jacques.

Cadichon no Castelo de La Herpinière

A narrativa inicia-se com a difícil vida de Cadichon junto dos primeiros donos, uns lavradores que o tratam com crueldade e pouca comida. Recusando a submissão, o burro usa a sua astúcia para se vingar das injustiças com partidas audazes, acabando por fugir para a floresta em busca de liberdade.

Cadichon no estábulo dos lavradores

Durante as suas andanças, Cadichon passa por vários lares. Experimenta a bondade de Georget, um rapaz pobre, e também a vida num castelo, com Charles e Caroline. No entanto, o seu orgulho e temperamento difícil metem-no frequentemente em sarilhos, alternando entre momentos de heroísmo e de malícia.

Cadichon e Georget

O ponto de viragem ocorre quando Cadichon conhece Jacques, um menino que o trata com verdadeiro amor e respeito. No Castelo de La Herpinière, sob a tutela da Condessa, Cadichon aprende que a sua inteligência deve ser usada para o bem e não para a vingança. Após uma fase de castigo num moinho, onde recebe uma lição de humildade, ele regressa ao castelo como um herói regenerado.

Cadichon e Jacques

Na segunda metade da série, Cadichon deixa o castelo, determinado a reencontrar Jacques, que foi viver para a cidade. Na companhia de Isabelle, filha adotiva de um casal de artistas itinerantes, Cadichon percorre a Europa, cruzando diversas fronteiras.

Cadichon e Isabelle

Cadichon
Burro simpático e muito inteligente. Folheando um álbum, recorda os momentos marcantes da sua vida – uns tristes, outros divertidos.

As Memórias de um Burro

Médor
Cão adorável que encontra Cadichon à beira da morte, junto a uma carroça acidentada. Torna-se o seu protetor e primeiro amigo.

Lavrador
Dono de Médor. Leva Cadichon para a sua quinta, mas é mal-encarado e rabugento.

Mulher do Lavrador
É ainda mais antipática do que o marido. Somítica na alimentação dos animais, reclama constantemente com a produção das galinhas. Vende os seus produtos no mercado.

Georget
Filho de um soldado que se encontra longe de casa, vive com a avó. Encanta-se com o burro e é ele quem o batiza de Cadichon.

Avó de Georget
Dona de uma modesta casa no campo, acolhe Cadichon após garantir que este não tem dono. Para equilibrar as finanças, aluga-o a um castelo vizinho, aos domingos.

Charles
Rapaz que vive no castelo onde Cadichon vai aos domingos. É amigo do burro e gosta de passear com ele.

Caroline
Irmã de Charles. É igualmente dócil com Cadichon.

Antoine
Filho do Presidente da Câmara de Laigle. Frequentador assíduo do castelo de Charles e Caroline. Orgulhoso e pretensioso, trata Cadichon com escárnio.

Vendedor de sidra
Homem rude a quem a avó de Georget vende Cadichon, quando a família se muda para a cidade.

Gustave
Empregado do vendedor de sidra.

Finot / Passe-Partout
Malfeitores que cruzam o caminho de Cadichon em diversas ocasiões.

Jacques
De todos os donos de Cadichon, é o mais especial. Fica fascinado pelo burro ao conhecê-lo na Feira de Laigle.

Condessa
Avó de Jacques e senhora do Castelo de La Herpinière. Recebe Cadichon de braços abertos, mas não hesita em puni-lo quando ele se comporta de forma inadequada.

Bouland
Tratador dos animais no Castelo de La Herpinière.

Arthur e Pipo
São respetivamente, o cavalo e o burro que dividem o estábulo com Cadichon.

Blanchette
Cabra que vem para o castelo após a morte da sua dona, uma lavadeira.

Camille
Amiga de Jacques.

Girotti
Excêntrico fotógrafo italiano. Tenta tirar um retrato de família no Castelo de La Herpinière, mas Cadichon dificulta-lhe (e muito) o trabalho.

Mirliflore
Um burro anunciado como “sábio” num espetáculo em Laigle. Cadichon, irritado por ele não ser realmente inteligente, acaba por lhe “roubar o palco”.

Moleiro
É encarregado pela Condessa de educar Cadichon, através do trabalho, depois de o burro fazer uma série de tropelias.

Pierre
Filho do moleiro, a quem Cadichon salva de sofrer um grave acidente. A sua figura faz o burro recordar-se nostalgicamente de Jacques.

Coco
Papagaio oferecido por Camille a Jacques, no dia do seu aniversário.

As Aventuras de Cadichon

Isabelle
Jovem e talentosa flautista que Cadichon conhece na Bretanha. Foi adotada por dois artistas itinerantes, desconhecendo a sua origem, cuja única pista é um medalhão que carrega ao pescoço. Torna-se a fiel companheira de Cadichon nas suas viagens pela Europa.

‘Papá’ Jean
Pai adotivo de Isabelle e dono do Teatro Mágico. Toca realejo e é o primeiro a reconhecer Cadichon como “o burro mais inteligente do mundo”, acolhendo-o na sua trupe.

‘Mamã’ Marie
Mãe adotiva de Isabelle. Realiza projeções com uma lanterna mágica, de imagens que ela própria desenha.

Homem Sinistro
Homem de aspeto sombrio e assustador. Persegue Isabelle com maus intentos, sendo repelido por Cadichon.

Nessy
O monstro do Loch Ness, na Escócia. Apesar da sua fama assustadora, revela-se uma criatura extremamente dócil, quando encontra Cadichon e Isabelle.

McEliot
Generoso lorde escocês. Oferece hospedagem a Isabelle e Cadichon, transportando-os também no seu barco a vapor, de volta a França.

Stan
O fiel e prestável criado de McEliot. Um exímio tocador de gaita de foles.

Poddy
É um aprendiz de fantasma que apenas os animais podem avistar. Vive no castelo de McEliot e aparece a Cadichon, denunciando a trama engendrada por McHuck.

McHuck
O vizinho invejoso de McEliot. Utiliza falsos fantasmas para o atormentar, mas é desmascarado pela astúcia de Cadichon.

Chico e Pablo
Contrabandistas que roubam Cadichon no País Basco com a intenção de o vender em Espanha, aproveitando-se da fama do animal.

Gatchinsky
Ex-contrabandista que vive em Senpere. Joga pelota basta, reconhecendo o talento de Cadichon para o jogo. É um conhecedor das rotas de contrabando e usa esse conhecimento para ajudar Isabelle a localizar e resgatar Cadichon das mãos de Chico e Pablo.

Relojoeiro
Dono de uma relojoaria na Suíça. Oferece trabalho a Isabelle e reconhece o brasão do seu medalhão, dando-lhe importantes pistas para a descoberta da sua origem.

Pastor
Encontra-se com Isabelle junto ao Castelo de Villeneuve, na Provence, revelando-lhe a história dos seus verdadeiros pais.

Barão
Mentor da conspiração que separou Isabelle dos seus pais, com o intuito de usurpar o Castelo de Villeneuve. Acaba desmascarado e preso por traição.

Follette
Uma burra ferida que Cadichon encontra e ajuda na fase final da sua viagem. Torna-se a sua companheira e passa a viver com ele no Castelo de La Herpinière.

As Memórias de um Burro

1. Médor (14/10/1989)
Cadichon é encontrado junto aos destroços de uma carroça pelo cão Médor e recolhido pelo seu dono, um lavrador antipático. A mulher deste é igualmente severa com os animais, racionando-lhes rigorosamente a comida. Médor, que se torna amigo de Cadichon, rouba um pão para o alimentar, acabando por ser castigado. Em jeito de vingança, Cadichon começa a fazer todo o tipo de disparates, exasperando o casal de lavradores. Num dia de feira, atado a uma árvore, Cadichon consegue alcançar e devorar um cesto de alfaces. Ao ser ameaçado com uma tareia, acaba por fugir. Quando regressa à quinta, descobre que, no lugar de Médor, encontra-se agora um cão feroz. Perante este cenário, Cadichon decide que a única solução é a fuga definitiva.


2. A Perseguição (21/10/1989)
Na manhã seguinte, Cadichon acorda e pressente a aproximação do lavrador, que anda atrás dele com o seu cão raivoso. Numa fuga desesperada, atravessa o rio e consegue despistá-los. Já em segurança, na floresta, trava novas amizades e reencontra o aguadeiro que conhecera na feira. Com a chegada do inverno, o burro procura abrigo numa quinta. É acolhido por uma senhora bondosa e pelo seu neto, Georget, que o batiza de Cadichon. Durante quatro anos, vive harmoniosamente com esta família, que aos domingos o aluga aos miúdos do castelo vizinho, para ganhar alguns trocos. No castelo, Charles e Caroline são também seus amigos, o mesmo não se podendo dizer de Antoine. Num dia em que todos vão passear, Cadichon apercebe-se de que algumas tábuas da ponte velha estão podres, recusando-se a avançar. Antoine ignora os avisos e cai ao rio, sendo salvo por Cadichon.


3. O Esconderijo (28/10/1989)
A felicidade de Cadichon parece ter um fim à vista: com o regresso do pai de Georget, a família muda-se para a cidade. Cadichon é vendido a um rude vendedor de sidra, que o obriga a viagens frequentes e exaustivas. Nos seus raros momentos de liberdade, descobre um buraco onde começa a refugiar-se para escapar ao trabalho, deixando o comerciante e o seu empregado, Gustave, intrigados. Contudo, o estratagema é descoberto, custando a Cadichon três dias de castigo no próprio esconderijo. A sorte do burro muda quando Charles aparece inesperadamente com o intuito de o comprar, revelando quão difícil fora localizá-lo. No castelo, o pai de Charles considera que a presença de Cadichon veio perturbar a tranquilidade da família e manda prendê-lo num estábulo. Uma tragédia quase acontece quando um incêndio deflagra no local, deixando Cadichon e Caroline a um passo da morte.


4. A Corrida (04/11/1989)
O pai de Caroline é perentório: de dedo em riste, afirma nunca mais querer ver Cadichon, que não tem outro remédio senão partir. Após muito caminhar, o burro abriga-se numa velha cabana abandonada, onde passa o inverno amparado por dois amigos: um mocho e um javali. Já na primavera, realizam-se as festas da região. Cadichon apercebe-se de que dois malfeitores raptaram um burro para falsear os resultados de uma corrida; resolve intervir e tomar o lugar do animal desaparecido na competição, conseguindo a vitória para a vila de Laigle. O menino Jacques encanta-se com Cadichon e leva-o para o Castelo de La Herpinière, onde é muito bem recebido pela sua avó, a Condessa. Cadichon tira literalmente a barriga de misérias, recebendo comida com tanta fartura que acaba por apanhar uma indigestão…


5. As Ruínas (11/11/1989)
Recuperado da indigestão, Cadichon passa a acompanhar Jacques nos seus passeios diários, protegendo-o em situações de perigo. Numa dessas incursões, aproximam-se de umas ruínas com fama de mal-assombradas; a curiosidade do burro é atiçada pelo facto de o menino dar meia-volta mal as avista. Aproveitando uma ocasião em que se encontra sozinho, Cadichon regressa ao local e descobre os meliantes já seus conhecidos, que utilizam um subterrâneo como depósito de mercadorias roubadas. Quando o burro Pipo, um dos seus companheiros de estábulo, é também roubado, Cadichon arrasta o Sargento até às ruínas, levando à captura dos bandidos.


6. A Caçada (18/11/1989)
O Presidente da Câmara visita o castelo na companhia do seu filho, Antoine, um velho conhecido de Cadichon. Com eles vem também o cão Médor, cujo reencontro com Cadichon é pura alegria. Médor relata as suas vivências dos últimos anos e revela como se transformou num cão de caça. Antoine quer levar Cadichon com ele a uma caçada; embora não seja adepto da atividade, Jacques acede ao pedido. Contudo, com a cumplicidade de Médor, Cadichon prega uma partida a Antoine e espanta-lhe toda a caça. Entretanto, a fama de Cadichon cresce de tal forma que ele acaba recrutado por um corpo de soldados para transportar o equipamento necessário à instalação do telégrafo.


7. O Burro Sábio (25/11/1989)
No castelo, o fotógrafo italiano Girotti prepara-se para tirar um retrato de família, mas pede que Cadichon saia do enquadramento: como a exposição exige que todos permaneçam imóveis durante um minuto, o fotógrafo teme que o burro estrague a imagem. Irritado, Cadichon tenta sabotar o trabalho de Girotti. Não satisfeito, volta a portar-se mal ao assistir à exibição do seu “parente” Mirliflore: perante a afirmação do dono de que aquele é o burro mais inteligente do mundo, Cadichon decide arruinar o espetáculo. Após uma reprimenda de Jacques e de Camille, fica de castigo no estábulo, conseguindo, contudo, evadir-se. Mais tarde, na feira de Laigle, assiste-se ao lançamento de um balão de ar quente. Cadichon pendura-se numa das cordas e levanta voo, acabando por cair no rio. Quando Antoine troça do seu infortúnio, o burro, furioso, atira o rapaz à água com um coice.


8. O Castigo (09/12/1989)
Depois de ter sido atirado ao rio por Cadichon, Antoine adoeceu gravemente. No estábulo, o burro Pipo e a cabra Blanchette reprovam o seu comportamento e viram-lhe a cara; também Jacques é impedido pela Condessa de se aproximar do seu companheiro. Numa tentativa de o reeducar, a Condessa entrega-o aos cuidados de um moleiro. Em plena época de ceifa, o burro passa os dias a transportar trigo para o moinho e a regressar com farinha. É então que o pequeno Pierre, filho do moleiro – que lembra a Cadichon o seu adorado Jacques –, se empoleira perigosamente numa das pás do moinho. Graças à rápida e heróica intervenção de Cadichon, o rapaz é salvo de um trágico acidente. Grato pela sua bravura, o moleiro permite que o burro regresse ao castelo. No caminho de volta, Cadichon cruza-se com os donos de Mirliflore e, como forma de reparar o mal que lhes fez, realiza uma exibição que lhes permita arranjar o que comer.


9. O Perdão (16/12/1989)
Cadichon regressa à cidade e dorme ao relento. Na manhã seguinte, por mero acaso, escuta os dois gatunos a planear um assalto ao castelo. O burro corre para a propriedade e fica de vigia, conseguindo impedir o roubo. Com a captura dos bandidos, Cadichon recupera o seu estatuto junto da família. A paz regressa ao castelo a tempo do aniversário de Jacques, que recebe de Camille um papagaio chamado Coco. Entre os convidados está Antoine, que, ainda receoso devido aos incidentes passados, evita qualquer proximidade com o burro. Contudo, a reconciliação surge de forma inesperada: durante um piquenique nas ruínas, um enorme urso, fugido do circo, ameaça Antoine; Cadichon espanta a fera, salvando, uma vez mais, a vida do rapaz.


10. O Rapto (23/12/1989)
Cadichon dá-se às mil maravilhas com Coco e conta-lhe a história da sua vida. Os feitos heróicos de Cadichon tornam-se notícia na imprensa, desde a local até à internacional. Em sua honra, é organizada uma grande cerimónia nos jardins do castelo, onde é nomeado cidadão honorário de Laigle. À noite, ao dar um passeio antes de recolher ao estábulo, Cadichon é raptado pelos já conhecidos malfeitores, que o prendem na cabana onde outrora viveu. Os bandidos exigem à Condessa um resgate de 50 luíses de ouro. Contudo, os amigos de Cadichon, incluindo Médor, conseguem libertá-lo. Para comemorar o seu regresso, a Condessa manda lançar um grande fogo de artifício. Entretanto, Jacques parte para uma longa temporada na grande cidade; sem coragem para se despedir, deixa a Cadichon um álbum com as suas memórias, que ele próprio escreveu e ilustrou.

As Aventuras de Cadichon

11. Cadichon na Bretanha (30/12/1989)
Cadichon deixou o Castelo de La Herpinière, onde já não era feliz desde a partida de Jacques. Encontra-se neste momento na Bretanha, num local onde, à noite, os animais se reúnem para ouvir uma menina, Isabelle, a tocar flauta. Quando um homem horrível a ameaça, Cadichon defende-a sem hesitar. Grata, a moça leva-o para a feira de diversões onde trabalham os seus pais adotivos. Jean, o pai, reconhece-o de uma passagem por Laigle como “o burro mais inteligente do mundo”. Isabelle apresenta-lhe os vários artistas, incluindo a sua mãe, Marie, que faz projeções de imagens com uma lanterna mágica. No entanto, o perseguidor reaparece durante a noite, gerando uma grande balbúrdia pela qual os feirantes culpam Cadichon. O burro foge num balão, e Isabelle, que se escondera no cesto, parte com ele.


12. Cadichon na Escócia (06/01/1990)
Durante a viagem de balão, uma tempestade abate-se sobre Cadichon e Isabelle, mas ambos aterram em segurança na Escócia. Chegam ao Loch Ness, onde avistam o monstro Nessy, que se revela bastante amigável. Após pernoitarem numa cabana, encontram-se com Lord McEliot e o seu criado Stan, que os conduzem ao castelo. Durante a noite, aparece a Cadichon um aprendiz de fantasma – que apenas os animais podem avistar –, revelando-lhe que um vizinho mal-intencionado tem atormentado McEliot com falsos fantasmas. Cadichon consegue espantá-los e desmascara o culpado, McHuck. Como recompensa, McEliot promete levar Cadichon e Isabelle de volta a França.


13. Cadichon no País Basco (20/01/1990)
A viagem de regresso a França, a bordo do barco a vapor de McEliot, corre às mil maravilhas, não fosse ele pôr-se a cantar. No entanto, um incidente desvia-os da rota e, em vez de rumarem à Bretanha, vão parar à costa basca. Ao dirigirem-se para uma aldeia próxima, Senpere, encontram dois rapazes a jogar à pelota. Cadichon entra no jogo e impressiona-os de tal forma que estes decidem apresentá-lo em público. No dia do campeonato, porém, Cadichon surge com o focinho ferido e vê-se impedido de jogar, mas não tarda a encontrar uma solução que ficará para a história.


14. Cadichon em Espanha (27/01/1990)
Em Senpere, Cadichon foi galardoado com vários troféus pelas suas proezas na pelota basca. Entretanto, Isabelle recebe notícias dos pais e planeia ir ao seu encontro, mas Chico e Pablo, dois contrabandistas, trocam-lhe as voltas: roubam Cadichon e levam-no para Espanha com o intuito de o vender. Durante o percurso, uma forte tempestade obriga os criminosos a abrigarem-se na cabana de um pastor, que reconhece o famoso burro e corre a avisar o Presidente da Câmara. Gatchinsky, um antigo contrabandista, oferece-se para ajudar Isabelle, suspeitando que o plano seja vendê-lo em Vera de Bidasoa. Determinada, Isabelle terá de usar a sua astúcia para enganar os meliantes e recuperar o seu fiel companheiro.


15. Cadichon em Auvergne (03/02/1990)
Cadichon e Isabelle deixam Senpere e dirigem-se para Oloron, onde decorre uma feira. Pelo caminho, Cadichon salva o barco do velho Tio Manu, um tocador de realejo; este dá a Isabelle notícias dos seus pais, permitindo o tão aguardado reencontro após mais de um ano de separação. Contudo, surge novamente a ameaça do homem sinistro, que mantém o seu olhar vigilante sobre a jovem. Os feirantes fazem-se novamente à estrada, seguindo viagem até Saint-Flour. Isabelle e Cadichon vão à vila comprar petróleo. À noite, o homem sinistro tenta roubar o medalhão de Isabelle, mas é impedido por um esquilo. Cadichon e Isabelle ainda o perseguem, mas acabam por perder-lhe o rasto na escuridão. Perdidos e desamparados, veem-se obrigados a passar a noite num vagão.


16. Cadichon na Alemanha (10/02/1990)
Ao acordarem, Cadichon e Isabelle descobrem que o vagão onde pernoitaram se pôs em marcha, transportando-os até à Alemanha. Sem que se tenham dado conta, o homem sinistro viajou na mesma composição. À chegada, Cadichon salva um estalajadeiro de uma situação de perigo, ganhando a gratidão dos locais. Há na aldeia uma grande festa, onde são servidas as especialidades da região: o strudel de maçã, a chucrute e, naturalmente, cerveja em abundância. Atormentado pela sede, Cadichon bebe sem parcimónia e acaba por ficar embriagado, causando alguns estragos. Refeitos da confusão, o burro e Isabelle retomam, no dia seguinte, o caminho de regresso a França.


17. A Travessia dos Alpes (17/02/1990)
Isabelle e Cadichon atravessam um rio no barco de um marinheiro bastante familiar. Ao desembarcar, descobrem que afinal estão na Suíça e não em França, como julgavam. Como precisam de dinheiro para a viagem, Isabelle faz limpezas numa relojoaria, enquanto Cadichon amealha algumas moedas abrindo portas de carruagens. O relojeiro reconhece o medalhão de Isabelle, afirmando ter visto um brasão idêntico num mosteiro em Grand-Saint-Bernard, e leva-os até lá. No caminho, são vítimas de uma avalanche, mas acabam salvos por um São Bernardo. No mosteiro, Isabelle toma conhecimento de que o quadro com o brasão foi oferecido por um conde, após ter sido salvo por um dos cães. Com esta nova pista, decide rumar à Provence, em direção ao Castelo de Villeneuve. Numa paragem em Itália, Cadichon conhece um burro que fala como um ser humano: trata-se de Pinóquio, o boneco de madeira que uma fada transformou em burro, como castigo por se ter portado mal. Contudo, ao senti-lo arrependido, a fada acaba por transformá-lo num menino de verdade.


18. Cadichon na Provence (24/02/1990)
Depois de muito caminharem, Cadichon e Isabelle chegam a Cannes, uma vila de pescadores, de onde partem de barco para Marselha. De lá, seguem caminho para o Castelo de Villeneuve, cruzando-se com um simpático caçador que os guia até ao destino. Perto do castelo, Isabelle ouve um pastor a tocar a sua melodia e interroga-o sobre a sua origem. O pastor conta-lhe que aprendeu a música com a condessa, que a compôs para a sua filha. Reconhecendo-a como a criança desaparecida, revela-lhe que o seu rapto fez parte de uma conspiração urdida por um terrível barão e pelo seu criado (que se revela ser, precisamente, o homem sinistro da capa preta). Agora, como legítima herdeira do castelo, Isabelle terá de o tomar das mãos do usurpador. Com a indispensável ajuda de Cadichon, o barão é finalmente desmascarado e preso.


19. Regresso a Casa (03/03/1990)
As novas responsabilidades de Isabelle impedem-na de dar a devida atenção a Cadichon. Uma simples frase proferida pela sua amiga faz Cadichon recordar-se de Jacques, impelindo-o a partir em sua busca. Ao dar-se conta do seu desaparecimento, Isabelle ordena que o procurem, mas o burro já está longe. Ansiando regressar ao Castelo de La Herpinière, Cadichon aproveita-se da boleia de um casal que se dirige para a Normandia, ainda que para isso tenha de puxar a sua barca rio acima. O homem percebe o valor do animal e planeia capturá-lo. Pressentindo a ameaça, Cadichon foge e caminha vários dias, pedindo orientação a um pombo-correio. O encontro com Follette, uma burra ferida e debilitada, detém-no por uns dias, mas garante-lhe uma companheira para o resto da viagem. Quando finalmente alcança o castelo, é reconhecido por Coco e reencontra-se, por fim, com o seu amado Jacques.


20. Bravo, Cadichon (10/03/1990)
Isabelle parte em busca de Cadichon e consegue chegar ao Castelo de La Herpinière, onde Jacques a convida a hospedar-se. Durante um passeio noturno, Cadichon descobre que o Teatro Mágico de Jean e Marie – os pais adotivos de Isabelle – está de regresso a Laigle. Nesse momento, o burro presencia dois malfeitores a roubarem as bobinas de Marie, com a intenção de arruinar o teatro. Cadichon consegue recuperar as bobinas e devolve-as a Marie, que imediatamente pergunta por Isabelle. Cadichon arrasta-a e ao papá Jean até ao castelo, proporcionando um emocionante reencontro. Contudo, o comportamento de Marie intriga Cadichon: misteriosamente, começa a encontrar-se com Isabelle e a desenhar com uma assiduidade fora do habitual. Um belo dia, uma surpresa é anunciada nos jardins do castelo: trata-se da projeção do filme As Aventuras de Cadichon, que passa em revista algumas das suas peripécias. O desfecho não poderia ser mais feliz: Jacques e Isabelle casam-se e ficam a viver em La Herpinière, tal como Cadichon e a sua companheira Follette.

Esta série divide-se em duas fases bem diferenciadas. A primeira, intitulada Cadichon ou As Memórias de um Burro, baseia-se no livro homónimo da Condessa de Ségur, publicado em 1860. Já a segunda, As Aventuras de Cadichon, surge como uma sequela livre.

A propósito da segunda série, esta reveste-se de algumas licenças poéticas, como alusões a figuras da banda desenhada e da animação.

É o caso de uma referência a Astérix e Obélix, na ocasião em que Cadichon e Isabelle passam por Saint-Flour.

Outra inserção, de enquadramento ainda mais questionável, é o aparecimento de um marinheiro claramente inspirado em Popeye, que auxilia os protagonistas na travessia de um rio.

Por fim, até Pinóquio intervém na narrativa, com Cadichon a testemunhar a sua transformação de burro em menino.

Em França, as duas séries foram inicialmente transmitidas pelo Canal + (a primeira em 1986 e a segunda em 1989), contando mais tarde com reposições noutros canais.

Em Portugal, Cadichon foi exibido aos sábados, no espaço Juventude e Família.

Cada uma das séries contou com um genérico distinto. O primeiro, na versão original, era interpretado pela cantora Annie Cordy e chegou a ser editado em single. Na edição para exportação, optou-se por uma versão instrumental do tema.

O segundo genérico, nunca lançado comercialmente, foi interpretado por Les Enfants de l’Opéra de Nice.

Em 1987, a editora Hemma lançou duas coleções de livros, versando ambas, naturalmente, apenas sobre a primeira série.

Em 1991, a Prisvídeo editou 18 dos 20 episódios da série em três cassetes VHS (seis episódios por volume). Ficaram de fora os episódios 10 e 20, que encerram a primeira e a segunda temporadas.

Cadichon