Caixa Alta

Exibição:
18/11/1989 – 06/01/1990 (RTP 1)

Número de episódios:
07

Argumento:
Ana Rita Martinho
Manuel Arouca

Produtor de exteriores:
Manuel Arouca

Produtora executiva:
Ana Rita Martinho

Realização:
Tozé Martinho

Produção:
Atlântida Estúdios

Elenco:
Jorge Gonçalves – Xavier
Helena Laureano – Francisca
Morais e Castro – Luís Duque
Rui Luís – Custódio
Adelaide João – Alda
Luís Matta – Dr. Pedro de Almeida
Manuela Carlos – Raquel
João Rodrigo – Aurélio
João Baião – Pisco
Gil Vilhena – Eduardo Levy
Ladislau Ferreira – Inspetor Campos
Brian Bowyer – Franz Shteller
Luís Mascarenhas – Fernando Jorge
Maria das Graças
Cristina Homem de Mello
Carlos Coelho – Quim das Minas
Manuel Arouca – António Maia
Jacinto Ramos – Adolphe Shteller
Jorge Sousa Costa – John Miller
Linda Silva – Virgínia
Helenne T. Waltom – Monika Shteller
Mila Ferreira – Isabel
Manuel Castro e Silva – agente
Hermínia Tojal – Maria de Jesus
João de Carvalho – Dr. João Ferreira

Franz Shteller (Brian Bowyer), uma das maiores fortunas mundiais, é um judeu que vivia na Alemanha quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Denunciado, fugiu para França e obteve um passaporte falso que lhe permitiu chegar até Portugal, onde se refugiou adotando o nome de Pierre Blanche.

Franz Shteller (Brian Bowyer)

Desconfiado de que ainda tem parentes vivos em Portugal, pede ajuda para os descobrir à jornalista Francisca Mesquita (Helena Laureano). A partir daí, ela e o inseparável companheiro, o fotógrafo Xavier Lima (Jorge Gonçalves), são alvo de permanentes ameaças e perseguições, o que não os impede de levar a cabo a investigação que lhes foi incumbida.

Francisca (Helena Laureano) e Xavier (Jorge Gonçalves)

Shteller é também o principal acionista do jornal e, quando Francisca suspeita de ligações do alemão aos nazis, resolve abandonar o emprego, prosseguindo com a investigação por conta própria.

Francisca Mesquita (Helena Laureano)
Jornalista do diário A Cidade. Jovem mas muito determinada. É incumbida de entrevistar o milionário Franz Shteller, que lhe confia uma investigação de caráter pessoal.

Xavier Lima (Jorge Gonçalves)
Fotógrafo do jornal A Cidade. Ambiciona fazer grandes reportagens. Tem um fraquinho por Francisca, mas são apenas amigos.

Franz Shteller (Brian Bowyer)
É a figura em torno da qual gira toda a história. Alemão de origem judaica. Regressa a Portugal vindo dos EUA, onde vivia há vários anos, com o intuito de encontrar os seus parentes. É um dos proprietários do jornal.

Alda (Adelaide João)
Velha semilouca, vive num asilo em Moncorvo. É a figura-chave na história de Franz Shteller, com quem teve um romance num passado longínquo.

Dr. Pedro de Almeida (Luís Matta)
Advogado de Shteller em Portugal. Totalmente desprovido de escrúpulos. Tenta bloquear a investigação de Francisca e Xavier, que compromete os seus interesses.

Fernando Jorge (Luís Mascarenhas)
Sujeito pouco digno. Comparsa de Pedro de Almeida.

Eduardo Levy (Gil Vilhena)
Apresenta-se como pertencendo a uma organização anti-terrorista. Mas o seu interesse na história de Shteller é outro…

Luís Duque (Morais e Castro)
Diretor do jornal A Cidade.

Aurélio (João Rodrigo)
Jornalista, mais virado para a bola. Ajuda Francisca e Xavier nas investigações quando estes se encontram em viagem.

Pisco (João Baião)
Crítico do jornal.

Custódio (Rui Luís)
Dono da taberna frequentada por Xavier, e também uma espécie de seu protetor.

Raquel (Manuela Carlos)
Mãe de Francisca. Viúva.

Adolphe Shteller (Jacinto Ramos)
Irmão de Franz Shteller. Fugiu de Portugal para a Ilha do Príncipe e posteriormente para o Ilhéu das Rolas, onde vive incógnito.

Monika Shteller (Helenne T. Waltom)
Irmã de Franz Shteller. Durante a guerra, foi enviada para a Rússia como prostituta, mas conseguiu proteção e escapou. Reside atualmente em Marrocos, onde é enfermeira.

John Miller (Jorge Sousa Costa)
Cientista ligado ao passado de Shteller e ao seu envolvimento com a guerra.

Virgínia (Linda Silva)
Secretária pessoal de John Miller.

Inspetor Campos (Ladislau Ferreira)
Inspetor de polícia. Investiga as misteriosas mortes que começam a ocorrer.

1. (18/11/1989)
No quarto do asilo onde vive, Alda, semilouca, recorta de um jornal uma notícia de necrologia que guarda num envelope onde escreve o nome de Franz Shteller. Entretanto, a chegada de Franz Shteller faz acorrer ao aeródromo um grande número de fotógrafos e jornalistas, impossibilitados de se aproximarem do recém-chegado, que é imediatamente envolvido por um cordão de segurança. No jornal “A Cidade”, o diretor Luís Duque espera a chegada de Francisca, uma jovem jornalista incumbida de entrevistar Franz Shteller.


2. (25/11/1989)
No seu quarto, Alda sonha, enquanto tira roupas do baú. Francisca vai buscar Xavier ao ginásio e seguem para o jornal, onde combinam com o diretor a partida para as Minas da Silveira, em Moncorvo. Pedro de Almeida fala com Fernando Jorge de uma cláusula acrescentada ao testamento de Shteller. Uma vez em Moncorvo, Francisco e Xavier são recebidos por António Maia, que se esquiva às questões postas pelos jornalistas, embora lhes coloque alguns livros à disposição. Quando pretendem consultá-los, Francisco e Xavier verificam que os mesmos desapareceram…


3. (02/12/1989)
Alda continua no seu quarto de asilo. No jornal “A Cidade”, o Diretor inteira-se, pela leitura da concorrência, de uma parte da história de Franz Shteller que liga este último aos nazis. Shteller manda suspender as investigações. Xavier fica a saber por um amigo da existência de um estrangeiro na Ilha do Príncipe. Resolve, então, partir para S. Tomé na companhia de Francisca, apesar das investigações terem sido canceladas.


4. (09/12/1989)
Francisca visita Shteller, participa-lhe a morte do irmão e ele pede-lhe que encontre Alda. Em conversa com Xavier, Levy diz-lhe que o número investigado correspondia a uma conta bancária na Suíça. Francisca surpreende Xavier na cama com Nanda e, irritada, comunica que tenciona prosseguir as investigações por sua conta e risco.


5. (16/12/1989)
Alda lê, no quarto, alguns programas antigos de Teatro de Revista, mostrando-se muito nervosa. O advogado reúne-se com Karl, Kern e Fernando Jorge. Pedro de Almeida dispõe-se a colaborar com os alemães, e informa-os de que é Alda que está na posse dos documentos. Em Sintra, conversando com Francisca e Xavier, Shteller adianta que, para além dele, só Alda conhecia o segredo da combinação do cofre, onde estavam guardados os documentos. Entretanto, Luís Duque sugere aos jornalistas que investiguem quais os Teatros mais importantes entre 1940 e 1950, visto Alda ter sido atriz.


6. (30/12/1989)
Alda observa, pensativa, o cartão de Levy. Os alemães Karl e Kern atiram a pasta de Levy para o carro, que fazem explodir com uma granada. Num cabaré, em Marrocos, Francisca e Xavier lembram-se de quem é José Luís, que acabara de contactar Pedro de Almeida. Monika Shteller é acordada brutalmente por José Luís, que lhe exige os documentos. Xavier aparece no momento exato e mata o assaltante, em legítima defesa, salvando Monika.


7. (06/01/1990)
Alda recebe a visita de Quim das Minas, que lhe dá os parabéns. O cerco ao refúgio dos nazis avança. Por entre o tiroteio, Hans tenta fugir, enquanto Raquel é solta. Hans é, contudo, atingido numa perna e entregue ao Inspetor Campos. Karl recebe ordem para continuar a seguir os jornalistas, até conseguir obter os documentos. Francisca e Xavier tentam que Alda lhes diga onde os guardou…

As gravações de Caixa Alta repartiram-se por cenas de estúdio e de exteriores, privilegiando porém estes últimos, pelo que fez deslocar a sua equipa a São Tomé e Príncipe e a Marrocos. Em Portugal, filmou-se em Tires, Sintra e Moncorvo, entre outras localidades.

Helena Laureano e Jorge Gonçalves em São Tomé e Príncipe

Partindo de uma ideia original de Tozé Martinho, a série foi escrita por Manuel Arouca e adaptada para televisão por Ana Rita Martinho.

À data da estreia, Ana Rita Martinho declarou à TV Guia que ambicionava escrever algo na linha de A Balada de Hill Street e As Teias da Lei, embora tivesse consciência dos anos luz que separavam estas produções de Caixa Alta.

Caixa Alta foi exibida aos sábados, inicialmente no horário nobre, por volta das 21:30. Porém, perante a evidência inequívoca de que estávamos perante um flop televisivo, José Eduardo Moniz providenciou a alteração do horário, tendo os últimos episódios sido exibidos às 14:30.

Tozé Martinho, o realizador e mentor do projeto, não escondeu a deceção sentida com o “despejo” para um horário de menor visibilidade, como declarou ao jornal Se7e: “Eu estava em Macau quando o Emídio Uva telefonou para a Atlântida a informar sobre a decisão que tinham tomado. Quando me disseram isto ao telefone eu senti uma das piores amarguras da minha vida. Tínhamos investido tanto, acreditado tanto… Passei horas sem dormir, no quarto do hotel, a pensar em tudo, sem poder fazer nada… Acho que foram de uma severidade excessiva”.

Apesar de estreante, a então modelo e ex-miss Helena Laureano não comprometeu em nada a qualidade do produto.

A história não era de todo desinteressante, com uma narrativa pontuada por um clima de suspense e uma ação movimentada. Mas a participação de um grande número de atores amadores não ajudou. Contudo, o maior problema foi a quantidade de cenas inverosímeis, mal feitas e até mesmo patéticas. Algumas delas foram mostradas pelos Gato Fedorento no quadro Tesourinhos Deprimentes, do programa Diz Que É Uma Espécie de Magazine.

Um outro aspeto caricato prende-se com o cenário da redação do jornal. O diretor Luís Duque (Morais e Castro) fechava a porta do seu gabinete para ter conversas em particular, e pegava no telefone para ligar para a secretária, que estava mesmo ali ao lado. Mas as divisórias do gabinete, feitas em vidro… não tinham vidros!

Manuel Arouca, que foi simultaneamente autor e produtor de exteriores, fez ainda uma participação como ator, no papel de Antoninho Maia.

A casa de Francisca ficava em Benfica, na Avenida Uruguai.

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