Capitão Roby

Exibição:
17/05/2000 – 09/08/2000 (SIC)

Número de episódios:
13

Autoria:
Felícia Cabrita

Argumento e diálogos:
Francisco Moita Flores

Música:
José da Ponte

Produção:
Raul Soares

Realização:
Lourenço J. de Mello

Elenco:
Adriana Barral – Marília
Alexandre de Sousa – Diretor da PJ
Amélia Videira – Adelaide
Ana Nave – Lucinda
Ana Rita Tristão – Mariana
Anabela Teixeira – Filomena
André Gago – Joaquim Robalo
André Maia – Lantejoulas
Antónia Terrinha – Amante de Roby
António Montez – Rodolfo de Castro
António Rocha – Xabregas
Benjamim Falcão – Romão
Carlos Curto – Faquir
Carlos Rodrigues – Robin dos Bosques
Carlos Sebastião – Inspetor
Carlos Vieira d’Almeida – Médico
Carlos Zel
Cucha Carvalheiro – Maria Rita
Durval Lucena – Jogador 2
Eduardo Viana – Henriques
Fernando Tavares Marques – Juiz
Heitor Lourenço – Gabriel
Igor Sampaio – Assistente social
Joana Figueira – Fátima
Joaquim Nicolau – Ernesto
Joel Branco – Jogador 1
Jorge Almeida – Horácio
Jorge Estreia – João
Jorge Silva – Roberto
José Manuel Mendes – Jorge
Lourdes Norberto – Madalena
Lucinda Loureiro – Conceição
Luís Castro – Batman
Luís Lucas – Ricardo
Luísa Ortigoso – Rita
Mafalda Vilhena – Tina
Manuel Castro e Silva – Urbano
Marcantonio del Carlo – Asdrúbal
Marques d’Arede – Chefe de redação
Noémia Costa – Anica
Orlando Costa – Chefe Soares
Paula Neves – Beatriz
Pedro Pinheiro – Diretor do hospital-prisão
Rodolfo Neves – Pai de Beatriz
Rogério Jacques – Luís
Rosa Castro André – Clara
Rosa Villa – Gertrudes
Sónia Aragão – Ana
Susana Vitorino – Isaltina
Vera Alves – Hermínia
Vítor Norte – Roby

Roby Macedo Mascarenhas (Vítor Norte) é um sedutor. Aprumado, bem-falante e charmoso, tem sucesso junto do sexo oposto, mas também com homens a quem promete negócios tentadoramente infalíveis.

A cumprir pena, não deixa que a má sorte tome conta do seu futuro: atrai as mulheres através da sedução de palavras melosas em anúncios nos jornais e, contando história rocambolesca de infortúnio, consegue delapidar o património das suas vítimas. Piscando o olho aos guardas prisionais, consegue ainda deslumbrá-los pelo fulgor da sua verborreia e deles retirar alguns favores. Entre um discurso a abarrotar de manigâncias, influências e patentes que nunca teve, vai deixando solta a promessa de se casar com as mulheres que seduz.

Recorrendo a Conceição (Lucinda Loureiro), mãe dos seus dois filhos, Roby arquiteta um plano de evasão, ao declarar cristalina intenção de se unir a ela pelos laços matrimoniais. Para credibilizar o intento, chama para padrinhos dois dos seus carcereiros: os guardas Romão (Benjamim Falcão) e Henriques (Eduardo Viana). À custa da sua astúcia, o “capitão” consegue evadir-se, colocando a Polícia com os nervos em franja.

Uma brigada da PJ, comandada pelo divorciado Joaquim (André Gago), lança-se frívola ao encalço do meliante. Do contingente policial fazem ainda parte o agente Ernesto (Joaquim Nicolau) e a agente Hermínia (Vera Alves). Aliando-se às forças da lei, as mulheres espoliadas perdem a vergonha e prestam valioso auxílio para recolocarem o marialva na cadeia. Mena (Anabela Teixeira), Fátima (Joana Figueira), Lucinda (Ana Nave) e Beatriz (Paula Neves) alvejam os intentos de Roby, que vai conseguindo desenvencilhar-se do cerco policial. Os pais (Lourdes Norberto e José Manuel Mendes), incrédulos no início mas sem forças morais para lhe acobertarem o jogo, vão deixando sinais de que o evadido tem o inferno aos pés.

Defendendo-se como pode, o fugitivo, num último assomo, consegue contar com dois importantes apoios: a advogada oficiosa Clara (Rosa Castro André) e a sedutora Tina (Mafalda Vilhena) – sua amante fixa –, que tenta servir como “toupeira”, chegando mesmo a encantar o chefe dos polícias prisionais, o ingénuo Chefe Soares (Orlando Costa)…

Roby Macedo Mascarenhas (Vítor Norte)
Mais conhecido por Capitão Roby, está preso. Oriundo de boas famílias, num ápice se percebe que não é nada daquilo que diz ser. Atrevido, sedoso, gabarolas, é mestre na arte do engodo. Na verdade, é um mitómano e um vigarista com extraordinária habilidade para contar histórias convincentes e ludibriar as suas vítimas, a maior parte das vezes mulheres a quem promete casamento com juras de amor eterno e a quem retira toda a sua fortuna. Reina na cadeia, dizendo ser capitão dos comandos que fatores políticos encarceraram. Fora das grades, depois de ter escapado às malhas policiais, Roby continua a viver – em grande estilo – das suas artimanhas e à custa das mulheres que engana, conseguindo sempre escapar, como que por magia.

As mulheres de Roby

Filomena (Anabela Teixeira)
Roby prometeu-lhe, como a tantas outras que responderam aos anúncios libidinosos, o céu em troca de 500 contos, que pediu emprestados à tia. Parece ser leviana e algo crédula.

Tina (Mafalda Vilhena)
É a melhor amiga de Filomena. A princípio, finge não conhecer Roby, mas, preocupada com o enlevo de Filomena pelo capitão, resolve confessar que Mascarenhas foi o seu primeiro amor. Por ele, é capaz de tudo.

Lucinda (Ana Nave)
Casada com um conhecido jogador de futebol, tem um descapotável e uma vida remediada. A venda do carro leva-a a conhecer Roby. Desejosa pelos filhos que o marido não lhe pode dar, vê em Roby o par ideal.

Beatriz (Paula Neves)
Roby deixa-lhe a cabeça em água com promessas infindáveis de eterna felicidade. Fala com o pai e desbloqueia os mil contos que, crédula, julga separem-na da felicidade com Roby.

Conceição (Lucinda Loureiro)
É a mãe dos filhos de Roby. Como outras tantas, ingénua, cai na malha da conversa fiada do facínora por duas vezes. Chegou a viver com Roby em períodos intervalados da sua vida. É mais uma com quem Roby quer casar. Faz-se passar, a pedido de Roby, por Marquesa de Algés, para credibilizar a história.

Fátima (Joana Figueira)
Recatada, solteira, envergonhada, emociona-se com Roby, que a convence trabalhar nos Serviços Secretos. É professora primária e parece ter muito a aprender nas artes e manhas da sedução.

Clara (Rosa Castro André)
É declarada a defensora oficiosa de Roby para o julgamento. Não acredita no mercantilismo da Justiça. No afã de mostrar serviço, deixa-se iludir por Roby.

Polícia Judiciária

Joaquim Robalo (André Gago)
Agente da PJ. Persegue implacavelmente Roby, num verdadeiro jogo do gato e do rato. Desarrumado, ensimesmado, dá nas vistas movimentando-se numa motoreta. Integra um grupo de cante alentejano.

Ernesto (Joaquim Nicolau)
Agente da PJ. É algo hipocondríaco. Tem asco pelas cabriolas de Roby, que acaba por conseguir ludibriá-lo. Suspenso, jura vingança ao homem que lhe transformou a vida num inferno.

Hermínia (Vera Alves)
Agente da brigada de Joaquim. Não é feminista, mas não hesita em hastear a bandeira da guerra dos sexos para que os colegas de profissão a levem a sério. Não tem namorado nem parece muito interessada em arranjar um.

Cadeia

Lantejoulas (André Maia)
Homossexual, apaixonado por Roby. No cárcere, parece ser o ordenança do capitão, tal o afinco que coloca ao puxar graxa aos seus sapatos. Sente alguns ciúmes dos galanteios do capitão para com as mulheres.

Faquir (Carlos Curto)
Presidiário perigoso, com mortes em série no cadastro. Inimigo mortal de Roby. Chama-se Alfredo e promete matar os “extraterrestres”.

Chefe Carlos Soares (Orlando Costa)
Chefe dos guardas. Quando, por vias travessas, descobrir o que Roby é, tenta que o coração não lhe emperre o dever. Não perdoa os enxovalhos de Roby e jura vingança. Deixa-se enganar por Tina e perde o casamento.

António Romão (Benjamim Falcão)
Um dos guardas iludidos por Roby. Na cadeia, acredita piamente nas palavras do detido, por quem tem algum afeto. Por ter sido crédulo e padrinho do casamento, experimenta o desemprego.

Henriques (Eduardo Viana)
Guarda prisional honrado. Juntamente com Romão, é ludibriado pelas farsas de Roby. É outro dos padrinhos de um casamento que não acontece.

Urbano (Manuel Castro e Silva)
Guarda prisional mais cauteloso e desconfiado do que os colegas. Não se deixa levar pela eloquência de Roby.

Outros personagens

Gertrudes (Rosa Villa)
Ia casar-se com Roby. Caiu na canção do bandido do “capitão”.

Assistente social (Igor Sampaio)
Conversa com Faquir na prisão.

Pai de Beatriz (Rodolfo Neves)
Vive da reforma e, a contragosto, empresta mil contos a Beatriz – que ela entrega a Roby –, para não lhe sabotar o sonho de felicidade.

Anica (Noémia Costa)
Empregada de Joaquim.

Dr. Gabriel (Heitor Lourenço)
Advogado de Roby.

Marília (Adriana Barral)
Ex-mulher de Joaquim. Diz que separar-se dele foi a maior asneira da vida. Pede-lhe que siga o atual marido para descobrir se ele tem uma amante.

Madalena (Lourdes Norberto)
Mãe de Roby. Diz que tudo fez para segurar a febre inventiva do filho.

Jorge (José Manuel Mendes)
Pai de Roby. Homem honesto a quem o filho destruiu a honra. Conhece o filho e não compactua com os seus golpes.

Mariana (Ana Rita Tristão)
Filha de Roby e Conceição. Sordidamente, Roby tenta colocá-la contra o avô.

Pedro
Filho de Roby e Conceição. É o menino das alianças no casamento dos pais, que, como tudo que se relaciona com o capitão, acaba por se revelar uma trapaça.

Horácio (Jorge Almeida)
Dono de uma agência de aluguer de automóveis. Cede alguns automóveis a Roby, acreditando que ele é cônsul.

Roberto Miranda (Jorge Silva)
Advogado, deixa-se burlar por Roby e compra-lhe os carros de aluguer por 16 mil contos.

Ricardo (Luís Lucas)
Um dos enganados por Roby. Por intermédio de Tina, faz com ele um negócio de tráfico de diamantes.

Ana (Sónia Aragão)
Amiga de Lucinda.

Asdrúbal (Marcantonio del Carlo)
Marido de Lucinda, impotente. É jogador do Benfica.

Rita (Luísa Ortigoso)
Mulher do Chefe Soares. Põe fim a 7 anos de casamento, por não compreender a obstinação do marido em se vingar da mancha que Roby lhe deixou no cadastro.

Jogador 1 (Joel Branco)
Viciado em jogo. Pensa ter ganho a Roby mil contos nas cartas. Cedo descobre que foi mais uma das vítimas do burlão.

Jogador 2 (Durval Lucena)
Um dos elementos da mesa de jogo na qual Roby aplica um golpe.

Adelaide (Amélia Videira)
Mãe de Lucinda. Viúva há um ano. Envergonha-se do comportamento da filha e, não confiando em Roby, promete ajudar a Polícia a desmascarar o meliante.

Juiz (Fernando Tavares Marques)
Juiz presidente do coletivo de juízes que julga Roby. Tem mão pesada e, perante a recusa de Roby em identificar-se, aplica-lhe 30 dias de reclusão.

Xabregas (António Rocha)
Recluso a quem Roby paga para espancar Lantejoulas, alegando a limpeza da honra do chefe da prisão.

Maria
Uma das “noivas” de Roby. Fica em êxtase mal Roby lhe toca nas mãos no parlatório da prisão. Como muitas outras, também se imagina a desposar Roby. Ao conhecer a verdade, sente-se uma “puta”.

Diretor da PJ (Alexandre de Sousa)
Fica colérico com a inoperância dos seus homens na captura de Roby.

Inspetor (Carlos Sebastião)
Inspetor da PJ. Palmilhou a carreira de inspetor lado a lado com Joaquim.

Chefe de redação (Marques d’Arede)
Obstinado, sonha em apanhar Roby antes da Polícia, a fim de o entrevistar, para poder gozar a parangona do momento.

João (Jorge Estreia)
Jornalista. Pode tornar-se no mais célebre repórter do país caso encontre o paradeiro de Roby.

Luís (Rogério Jacques)
Substituto de Ernesto na brigada da PJ.

Robin dos Bosques (Carlos Rodrigues)
Carteirista profissional, passa informações a Joaquim sobre o paradeiro de Roby.

Rodolfo de Castro (António Montez)
Juiz presidente do coletivo que condena Roby. Diz que, se pudesse, teria metido atestado médico para evitar este caso. Casado, não compreende como Roby conseguiu seduzir tanta mulher.

Maria Rita (Cucha Carvalheiro)
Procuradora, conferencia com Rodolfo antes do julgamento.

Diretor do hospital-prisão (Pedro Pinheiro)
Diretor do hospital para onde Roby é transferido para observação.

Médico (Carlos Vieira d’Almeida)
Médico do hospital a quem Roby se queixa de ter dificuldades em dormir e de fortes dores de cabeça.

Batman (Luís Castro)
Companheiro de Lantejoulas.

Isaltina (Susana Vitorino)
Engenheira com quem Roby se envolve. Anseia ter uma vida de sonho ao seu lado.

Amante de Roby (Antónia Terrinha)
Outra das vítimas de Roby.

Artur (António Aldeia)
Guarda prisional.

1. (17/05/2000)
Portugal, anos 90. Na cadeia, Roby Macedo de Mascarenhas consegue, com a cumplicidade de um guarda, privilégios que lhe garantem a possibilidade de marcar encontros amorosos com algumas das suas conquistas…


2. (24/05/2000)
Roby arranja maneira de conseguir autorização para casar com Conceição fora da prisão. Além da desconfiança do agente Joaquim e do seu próprio advogado em relação ao casório, ele ainda tem de enfrentar as suas amantes mais ciumentas.


3. (31/05/2000)
No hotel, enquanto Mena dorme, Roby encontra-se com Tina. Joaquim lê notícias sobre a fuga do burlão. Beatriz e o pai apresentam queixa contra o capitão. Mena descobre, da forma mais cruel, que Roby e Tina são amantes.


4. (07/06/2000)
Roby implora a Mena que vá pedir dinheiro emprestado à tia. A jovem exige ir sozinha. Assim que se apanha fora do alcance do Capitão, dirige-se à Judiciária para o denunciar. Mas Roby já está envolvido, com Tina, numa burla com diamantes.


5. (14/06/2000)
Joaquim não dá descanso a Roby, mas este continua a escapar da Justiça. Ao conhecer Lucinda, a mulher desiludida de um jogador de futebol, oferece-se para a consolar (e burlar). Mas arranja no marido enganado um rival à sua altura…


6. (21/06/2000)
Roby está desesperado com a falta de dinheiro e obriga Lucinda a pedir ajuda à mãe. Esta, cansada dos problemas causados por Roby, decide ajudar a Polícia. Joaquim nunca esteve tão perto de apanhar Roby. Só Tina parece ser-lhe fiel…


7. (28/06/2000)
Capturado por Joaquim, Roby regressa à sua cela de prisão e reencontra os seus velhos “amigos”. Mas só Lantejoulas o recebe bem. Tina tenta ajudar o amante e seduz o chefe Soares. Entretanto, Lucinda está deliciada com a notícia de que vai ser mãe.


8. (05/07/2000)
Chega o primeiro dia do julgamento de Roby. Apesar de saber que oito mulheres vão depor contra ele, não se mostra muito preocupado. Ao conhecer a sua advogada, Clara Lucena, depressa a engana com os seus truques.


9. (12/07/2000)
O facto de estar na prisão não impede Roby de continuar a ter os seus encontros amorosos. Com a sua lábia, convence o agente Ernesto a seguir instruções para apanhar um carregamento de drogas. Mas o ingénuo polícia cai numa cilada…


10. (19/07/2000)
Na Polícia Judiciária está tudo a postos para mais uma “caçada” ao capitão Roby. Foram destacados dez agentes, entre os quais Luís, o substituto de Ernesto, que se encontra suspenso. Roby, que não suspeita de nada, dorme profundamente em casa de Clara.


11. (26/07/2000)
Clara empata os polícias até Roby conseguir escapar. Lucinda, que entretanto foi mãe, esconde Roby em casa de Adelaide. Joaquim vive um bom momento com Mena. O agente descobre que Tina telefonou a Fátima a dizer-lhe que o capitão quer vê-la.


12. (02/08/2000)
Os preparativos para o julgamento de Roby recomeçam. Joaquim pede Mena em casamento. Ao entrar para a primeira audiência do julgamento, Roby é aplaudido pelas “suas” mulheres. Ernesto está desesperado e acaba por tentar o suicídio.


13. (09/08/2000)
Roby chega ao hospital-prisão e reencontra Lantejoulas e outros velhos companheiros de prisão, como Faquir, que continua a ameaçar a sua vida. Melhores dias enfrenta Joaquim, que, na presença de amigos, acaba por casar com Mena.

Primeira produção da NBP/Multicena para a SIC, Capitão Roby foi exibida às quartas-feiras, entre maio e agosto de 2000.

Embora a SIC afirmasse perentoriamente que a série não se baseava em factos reais, o enredo era uma evidente transposição para o pequeno ecrã da vida de Jorge Manuel Veríssimo Monteiro – “Capitão Roby” por autobatismo –, um dos maiores burlões de que havia história no nosso país.

A fama de Roby começou a surgir em finais dos anos 70, quando, durante uma estadia na cadeia de Monsanto, fez publicar um anúncio na revista Crónica Feminina, no qual se lia:

Cavalheiro com 35 anos de idade, elevado nível cultural, brevemente licenciado, boa apresentação, sério e dono de razoável posição económica, deseja conhecer menina ou senhora, com alguma cultura, boa apresentação, mas sobretudo elevado nível moral, temperamentalmente meiga, de situação independente, dos 22 aos 37 anos. Não importa o estado civil, desde que livre.

Reza a lenda que, desde então, Roby tenha seduzido e enganado para cima de 4000 mulheres.

Todos os jornais portugueses e até algumas publicações estrangeiras, como foi o caso da Playboy brasileira, se interessaram por este Don Juan.

Em 1998, Felícia Cabrita publicou, no jornal Expresso, um extenso artigo – em duas partes – sobre a história do Capitão Roby, que seria a génese para a série que a SIC exibiu dois anos depois, e da qual foi co-autora, juntamente com Francisco Moita Flores.

Nestas páginas, facilmente se identificam várias das peripécias que tomaram lugar na ficção. Contudo, a serem verdade alguns acontecimentos relatados no Expresso, pode dizer-se que o argumento foi até bastante “suave” na forma como retratou Roby.

A série envolveu polémica ainda antes da sua rodagem. Jorge Veríssimo Monteiro, que “enterrara” o Capitão Roby aquando da sua saída da prisão, em 1992, sentia-se agora injuriado ao ver a sua vida retratada numa série televisiva. Moveu dois processos, um contra a produção da série e outro contra a SIC, ambos perdidos. O principal argumento de defesa foi o facto de a série se passar nos anos 90, e não nos anos 70 e 80, períodos em que haviam ocorrido factos “semelhantes” na vida de Jorge Veríssimo Monteiro.

Disse Jorge Veríssimo Monteiro em declarações à imprensa: “Já foi interposta uma providência cautelar para parar com as gravações. Cabe aos juízes tomarem a decisão acertada. Sou um cidadão de pleno direito, cumpri as penas a que fui condenado, mas não me deixam reinserir na sociedade com a dignidade que mereço. Esta série vai arruinar-me e difamar-me. É um atentado ao meu bom nome. Como vou refazer a minha vida se continuam a perseguir-me e a confrontar-me com um passado pelo qual já fui castigado?”

Lourenço J. de Mello, o realizador, defendeu-se: “Toda a história é fruto de ficção. É passada nos dias de hoje e relata factos que nada têm a ver com os vividos na realidade.”

A providência cautelar não surtiu efeito e a série acabou mesmo por ser exibida. Na noite em que foi para o ar o primeiro episódio, o “capitão” convocou uma conferência de imprensa no seu apartamento.

No dia 25/05/2000, cerca de uma semana após a estreia da série, a TVI transmitiu um programa dedicado à história do Capitão Roby, conduzido por Paulo Salvador. Em estúdio, para além de Jorge Veríssimo Monteiro, estiveram alguns convidados do próprio, nomeadamente Dias Ferreira, seu advogado de defesa. Felícia Cabrita fez também uma intervenção, embora não estivesse presente em estúdio.

Ainda em novembro desse ano, Jorge Veríssimo Monteiro lançou um livro em autodefesa, escrito em parceria com o jornalista Frederico Duarte Carvalho.

A principal visada era, naturalmente, Felícia Cabrita, que, segundo o “capitão”, teria agido de forma dissimulada, infiltrando-se na sua casa a pretexto de, no âmbito dos 25 anos do Expresso, escrever um artigo sobre qual tinha sido o destino do “Capitão Roby”, volvidos quase 20 anos do seu mediático julgamento.

O que me move é a luta no sentido de esclarecer como é que a jornalista Felícia Cabrita fez vários artigos visivelmente tendenciosos e depois acabou ainda por, abusivamente, capitalizar essas informações para uma pretensa série de ficção.

O “capitão” não negou a veracidade de nenhuma das situações vistas na série, afirmando antes que esta não passava de uma cópia deturpada da sua vida.

Factos esses que, ao serem divulgados debaixo do nome artístico de «Capitão Roby», um nome pelo qual fui conhecido durante a mesma altura em que se produziram os casos mencionados, então provava que a série destruía o direito que uma pessoa tinha ao bom nome, pois relatava crimes do passado, já julgados e com pena cumprida e que não deveriam ser explorados daquela forma, maquiavélica e propositadamente aviltante (obviamente, à minha revelia), já que tal, além de atentar contra as disposições legais vigentes, viola claramente o direito inalienável que todo o cidadão tem não apenas ao bom nome mas à preservação da sua imagem, do seu passado, enfim, à privacidade.

Mencionou, em concreto, as ousadas cenas de sexo, que diferiam da realidade em “pormenores”.

As cenas de sexo na casa de banho da prisão iriam repetir-se até à exaustão, de forma, a meu ver, doentia. […] As cenas que depois passaram assemelham-se mais à situação que foi realmente vivida por mim. E, já agora, acrescente-se ainda que o luxo das casas de banho da série não se pode comprar com as condições dos lavabos onde tive os encontros íntimos durante aqueles difíceis dias de reclusão.

Para além dos factos, existiam também inegáveis coincidências nos nomes das figuras retratadas.

Outro argumento de defesa dos responsáveis da série é este nome [Capitão Roby]. Para além da série se passar nos anos 90, a mesma mostra a vida de uma personagem chamada «Roby Macedo Mascarenhas», o homem que todos chamam «Capitão Roby». Logo, eu não poderia ver-me ali biografado, pois aquele não é o meu nome.

Pior sorte calhou ter a personagem Lucinda, interpretada pela atriz Ana Nave, que foi «batizada» com o nome da pessoa que viveu na realidade os acontecimentos descritos na série…

E, já agora, Filomena, o nome de uma das mulheres enganadas pelo «Capitão Roby» da série, é também o nome da minha terceira ex-mulher. E Tina, aquela que acaba por ser a mulher que me ajuda, também é o nome verdadeiro de uma das minhas antigas companheiras que me ajudaram em alguns casos…

Lucinda
Mena
Tina

Na vida real, Lucinda foi também a mulher cujo casamento com Roby serviu de enredo para a sua fuga da prisão. Na série, esta sequência é protagonizada por uma outra personagem, Conceição (Lucinda Loureiro).

Na série, a mulher com quem eu me caso é uma muito pomposa senhora chamada de «Marquesa de Algés». No mínimo, ridículo!

Também a atriz foi alvo de crítica por parte do “capitão”, depois de ter feito sobre ele declarações pouco amistosas.

Outro pequeno parênteses para ainda informar o leitor que a atriz Lucinda Loureiro, que interpreta na série a personagem Conceição / Marquesa de Algés, levou o seu papel tão a sério que, mesmo fora das câmaras, fez questão de, mais uma vez, insultar-me e à minha mãe. Isso aconteceu na entrevista que ela deu à revista Impressões, do semanário Euronotícias, na sua edição de 26 de maio de 2000. Convidada pelo jornalista a pronunciar-se sobre o seu envolvimento profissional na série da SIC e depois sobre o verdadeiro «Capitão Roby», declarou, através do jornalista: Ao verdadeiro Capitão chama-lhe um verdadeiro «filho da puta», um homem sem escrúpulos que se aproveita da fragilidade das mulheres.

Refira-se ainda que, na série, o pai de Roby, interpretado por José Manuel Mendes, chamava-se Jorge, mesmo nome do verdadeiro progenitor de Roby.

Jorge Veríssimo Monteiro confessou que ele próprio sentiu repugnância pelo Capitão Roby da ficção.

Não fora afinal por acaso que alguém escreveu que o «Capitão Roby» da SIC iria levar os telespectadores a odiarem o principal personagem. É verdade. Até eu – que vi ali a minha vida retratada –, a minha mulher e a minha filha odiámos aquele «Capitão Roby».

Teceu, contudo, rasgados elogios a Vítor Norte, tendo chegado a convidá-lo para um almoço em sua casa, encontro que foi testemunhado pela TVI.

Diga-se que o ator que encarna o papel principal, Vítor Norte, está excelente no seu papel de «Capitão Roby». […] Ele consegue cumprir na perfeição o papel que lhe foi atribuído. Ele converte-se mesmo num ser «odioso», diria mesmo um verdadeiro «monstro».

No que toca às intérpretes femininas, elegeu Mafalda Vilhena como a sua favorita.

O papel da Tina da série, excelente representado, reconheça-se, pela atriz Mafalda Vilhena (para mim a melhor interpretação feminina), é uma mistura de várias mulheres que fui conhecendo ao longo desta vida e que acabaram por se tornar verdadeiras companheiras de aventuras.

Capitão Roby é o nome de um herói nacional que viveu no início do século XX e que teve direito a nome de rua em Lisboa. Este foi também um dos argumentos impressos no acórdão que não deu provimento às pretensões de Jorge Veríssimo Monteiro em impugnar a exibição da série.

Ora, por um lado, não se vê qual a atividade lícita a que o requerente se tenha dedicado que justificasse o uso do pseudónimo. Se aquele se refere aos factos ou atividade de burla, extorsão, sequestro e outras formas de conduta associais que as notícias dos jornais juntos referem ter sido a vida do requerido, vida essa que lhe veio a merecer a condenação penal, não pode a lei proteger a utilização de um pseudónimo em tão repugnante atividade, sob pena de se estar a dar cobertura a uma pretensão incompatível com os mais elementares princípios que regem a vida em sociedade.

As gravações foram feitas na Grande Lisboa e, sobretudo, no Presídio Militar de Santarém.

Em 2005, Jorge Veríssimo Monteiro participou na Quinta das Celebridadesreality show exibido pela TVI.

Em 1984, Jorge Veríssimo Monteiro assinara um contrato com o realizador António-Pedro Vasconcelos com vista à realização de um filme sobre a sua vida. O projeto acabou por não ir para a frente porque, pouco depois, voltou a ser preso.

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