Corações Periféricos

Exibição:
22/06/1991 – 13/07/1991 (RTP 1)

Número de episódios:
04

1. Corações periféricos (22/06/1991)
A ação decorre no Porto, nos finais dos anos oitenta, e segue as histórias de uma banda, Kharman Guia, que tem em Artur Brandão (Pedro Urbano) o seu líder espiritual e musical, e que conhece a fama após a gravação do seu primeiro álbum.

Produção:
Rita Filmes

História de:
Carlos Tê

Argumento:
Carlos Tê
Joana Pontes
Fernando Ávila

Canções:
Carlos Tê
Rui Veloso

Música:
Carlos Tê
Rui Veloso
Manuel Paulo

Produção executiva:
Artur Castro Neves
António Vaz da Silva

Realização:
Fernando Ávila

Elenco:
Pedro Urbano – Artur Brandão
Lia Gonzalez – Belina
João Cardoso – Toni Roipenol
Carlos Polónia – Filipe
Jorge N. – Jorge
Álvaro Guimarães – Álvaro
Frederico Pereira – Sérgio
José Pedro Dias – Flávio
Jorge Pinto – editor
Rui Mendes de Oliveira – amigo de Artur
Rui Sérgio – amigo de Artur
Carlos Tê – seminarista cantor
Laura Flora de Carvalho – mãe de Artur
Adão Branquinho – tio de Artur
Isabel Rute – Marta
Luís Ribeiro – pai de Artur
Paula Seabra – mãe de Belina
José Gomes Soares – locutor de rádio
Ana Augusta Soares – avó de Artur
Maria João Carreira – locutora de TV
Jorge Paupério – entrevistador de TV
Luís Correia – médico
Ana Cristina Andrade – assistente de realização
Ema Cardoso – maquilhadora
Lurdes Branquinho – tia de Artur
Isabel Diegues – amiga de Belina
Sofia Soares – amiga de Belina
Cláudia Figueiredo – jornalista
Jorge Seabra – filho de Roipenol
António Pereira – operador de câmara de TV
Acácio Pereira – assistente do operador
Isaura Andrade – cliente
António Vaz – técnico de som
Jorge Vasques – 1.º ator
António Costa – 2.º ator
Ernesto Bastos – empregado de café
Fernando Sério – 1.º louco
Fernando Lopes – 2.º louco

2. Perdidos e achados (29/06/1991)
Vítor (José Pedro Gomes), manager de um grupo rock, tem um dia complicado, quando decide regressar ao bairro onde vivia. Tem um encontro marcado com a namorada de um amigo, Miguel (Carlos Gomes), que era para ser a dois e acaba por ser a três, pois a moça, Sofia (Ana Gouveia), provoca a graça de ter lá o namorado à espera. A situação de Sereno (Manuel João Vieira), amigo de velhos tempos que não largou a adolescência e agora se dedica ao gamanço, vem lançar mais uma acha à fogueira: Vítor e Miguel têm um desaguisado por causa de Sereno, que, entretanto, é perseguido pela polícia.

Produção:
Ger, Lda.

Telefilme de:
Pedro Ruivo

Música:
Manuel João Vieira

Argumento:
Luís Alvarães
Pedro Ruivo

Produção executiva:
João Pedro Bénard

Realização:
Pedro Ruivo

Elenco:
Alexandra Lencastre – Laura
José Pedro Gomes – Vítor
Manuel João Vieira – Sereno
Carlos Gomes – Miguel
Ana Gouveia (voz de Margarida Marinho) – Sofia
Marcelo Urghese – António
Miguel – Miguel
Joana Villaverde – Joana
Diniz Rei – Flash
Liana – cliente videoclube

Participação especial:
Rita Blanco
Rui Pregal da Cunha
Pedro Bidarra

3. Malvadez (06/07/1991)
Matias (Pedro Hestnes), natural do Fundão, decide um dia voltar a Lisboa para revisitar amigos e lugares que não via desde que cumprira o serviço militar. Vem à boleia, com destino à Calçada de Carriche. Numa primeira volta de reconhecimento, estranha a hostilidade latente no bairro, percorrido metodicamente por carros patrulha e jovens marginais que o interpelam agressivamente, nos mesmos sítios onde antes reinava a camaradagem. Quando finalmente reencontra os amigos, verifica que também esse é o ambiente que se vive no grupo, entretanto desagregado com o antigo líder em parte incerta. Matias enceta então uma aventura em que acaba por descobrir a frivolidade das relações que se estabelecem entre os jovens destes círculos urbanos.

Produção:
Ger, Lda.

Filme de:
Luís Alvarães

Música:
Christopher Bochmann

Produção executiva:
João Pedro Bénard

Argumento e realização:
Luís Alvarães

Elenco:
Pedro Hestnes – Matias
Vítor Norte – Victor
Sónia Guimarães – Helena
Miguel Guilherme – Manuel
Maria Amélia Matta – Matilde
Isabel Ruth – mulher
Carlos Gomes – dealer
Alfredo Nunes – rufia 1
José Mendes – rufia 2
José Meireles – rufia 3
João Carlos Vaz – jovem com walkie-talkie
José Mora Ramos – homem da bomba
Carla Branco – mulher do dancing
Artur Vieira – homem do dancing
Rui Peixoto – homem do metro

4. Um passo, outro passo e depois… (13/07/1991)
É junho. As aulas estão a acabar e é véspera de feriado com ponte. O Sr. Nogueira (Canto e Castro), contínuo do liceu, é um homem ensimesmado de quem se suspeita ter tido outras ambições. Dele só se conhece a relação íntima com o álcool e os animais de que vive rodeado no lúgubre quarto onde habita: pássaros, muitos, e Orlando Furioso, o gato. Quando se dirige para o liceu verifica que algo de estranho se passa. É intercetado por dois polícias que suspeitam ter havido um assalto ao liceu durante a noite. Nogueira apercebe-se de que algo de anormal se passara – um vidro partido, uma máquina fora do sítio –, mas à polícia afirma o contrário. Este passo, de proteção aos alunos que tentaram o tosco golpe, vai custar-lhe uma noite mais que atribulada em que os problemas do bando de jovens em que é embrulhado se vão suceder a um ritmo vertiginoso.

Produção:
Ger, Lda.

Argumento:
Jorge Silva Melo
Manuela Viegas
Manuel Mozos

Baseado numa ideia de:
Edgar Pêra

Música:
Rodrigo Leão

Produção executiva:
João Pedro Bénard

Realização:
Manuel Mozos

Elenco:
Henrique Canto e Castro – Nogueira
Pedro Hestnes – Luís
Sandra Garcia – Xana
Carlos d’Almeida Ribeiro – Vaco
Sandra Faleiro – Rita
Rui Araújo – Chico
Paulo Oom – Toni
João Pedro Baptista – Renato
Cristina Carvalhal – Conceição
José Pedro Gomes – Luciano
Cremilda Gil – Delfina
Manuela Cassola – Rosa
Glicínia Quartim – Matilde
Miguel Mendes – Magato
Amílcar Botica – dono do café
José Mora Ramos – dono do café da estação
Sr. Monteiro – dono do Café Gregório
Teresa Faria – mãe de Xana
Carla Sofia Silva – namorada de Luciano
Rosa Guerra – mulher no arraial
João Canijo – polícia 1
Januário – polícia 2
Armanda Barros – vendedora de jornais
Vitória Barros – irmã de Chico
Luís Alvarães – rapaz do cigarro
Alberto Seixas Santos – professor

Série de quatro médias-metragens produzidas ao abrigo de um acordo entre a RTP e a Secretaria de Estado da Cultura.

Tudo começou quando Carlos Tê apresentou ao Departamento de Co-produções da RTP o projeto para um filme sobre uma certa marginalidade juvenil lusitana. Fernando Lopes gostou da ideia e alargou-a a outros três realizadores.

Eram dois os critérios a observar: serem primeiras obras e desenvolverem o mote genérico que intitulava a série: Corações Periféricos (igualmente título do primeiro filme), ou o universo vivido pelos jovens nas periferias das grandes cidades.

Corações Periféricos apresentou-se, assim, como a soma de quatro histórias de adolescentes numa viagem sem regresso (e quase sempre sem saudades) a caminho da maturidade.

Os filmes foram exibidos ao sábado à noite, no espaço deixado vago pela série Claxon.

Com exceção do primeiro, foram produzidos pela GER, de João Pedro Bénard da Costa.

Corações Periféricos foi assinado por Fernando Ávila, realizador da RTP e o único dos quatro com um vínculo efetivo àquela casa. Era também o único sem experiência em cinema, apenas em televisão.

Habitualmente responsável pelas letras de Rui Veloso, Carlos Tê foi um dos argumentistas. Nas palavras de Fernando Ávila, o filme representava “o mundo do Tê”.

Carlos Tê interveio também na banda sonora, a meias com Rui Veloso. Os temas foram interpretados pelo protagonista do filme, Pedro Urbano.

Maria João Carreira apareceu num papel que assegurou durante muitos anos: o de apresentadora do Natal dos Hospitais.

Também nesta sequência, aparece Carlos Tê como um seminarista cantor.

A canção Corações Periféricos foi editada por Rui Veloso no seu álbum Avenidas, de 1998.

Perdidos e Achados fora inicialmente proposto à RTP por Pedro Ruivo e alguns companheiros de percurso como uma série de 10 episódios de 25 minutos.

As gravações foram feitas nos arrabaldes de Lisboa (Olivais e Queluz), mostrando, nas palavras do realizador, “uma certa violência das relações humanas nos subúrbios”. “As personagens são todas muito mal-agradecidas, nada doces”, frisou.

A banda sonora, quase toda instrumental, foi da responsabilidade de Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000, que também figurou no filme como ator.

Pedro Ruivo não ficou particularmente satisfeito com o resultado obtido, que atribuiu à forma conturbada como decorreu a produção: “Desapaixonei-me”, confessou.

Realizador e argumentista de Malvadez, Luís Alvarães afirmou ter conseguido ultrapassar os condicionalismos próprios de uma produção de pequena dimensão. Considerou o resultado bom, embora gostasse de ter tido outro tipo de cuidados se o tempo tivesse sido mais alargado.

Um passo, outro passo e depois…, apesar de ser o último filme da série, foi o primeiro a ficar pronto, o que levou os produtores Joaquim Pinto e João Pedro Bénard da Costa a apresentá-lo a concurso no Festival de Belfort. O resultado foi um honroso primeiro prémio na categoria dos filmes estrangeiros. Na página 43 do seu número 439, os Cahiers du Cinéma elegeram-no o “único filme convincente do festival” e falaram com ênfase nas qualidades narrativas da película.

A banda sonora deste filme esteve a cargo de Rodrigo Leão.

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