Duarte e Companhia

Exibição:
06/12/1985 – 24/06/1989 (RTP 1)

Número de episódios:
39

Argumento e diálogos:
João Miguel Paulino

Realização e montagem:
Rogério Ceitil

Esta série mostra-nos as aventuras de uma atrapalhada agência de detetives, composta por Duarte (Rui Mendes), Tó (António Assunção) e Joaninha (Paula Mora). Apesar de ser o líder do grupo, desde cedo fica claro que Duarte não poderia viver sem a colaboração dos seus dois companheiros, pois, mesmo proclamando-se um aventureiro destemido, o bom senso de Tó e a coragem de Joaninha são imprescindíveis ao sucesso da equipa.

Ao longo das peripécias que se vão sucedendo, Duarte e os seus associados defrontam-se com bandos de gangsters aparentemente perigosíssimos, como os temíveis Lúcifer (Guilherme Filipe) e Átila (Luís Vicente), mafiosos cuja falta de organização e de vocação para o crime transformam todos os perigos em comédia, onde normalmente são as mulheres a assumirem-se como o sexo forte.

Nesse ponto, para além de Joaninha, temos Ema (Ema Paul), a mulher de Duarte, com mão pesada e cara de poucos amigos. Não obstante ser uma tirana para com Duarte, salva-o de apuros não raras vezes, revelando-se o terror de todo o elenco masculino da série.

Na segunda temporada, ficamos a saber de quem é que Ema herdou o carácter violento: foi de dona Teresita (Fernanda Coimbra), a sua mãe, uma mulher precavida que traz na carteira um tijolo, sempre pronto a ser arremessado à testa do primeiro bandido. Dona Teresita, para além da valentia, também tem outros atributos e desperta sentimentos fortes em outras personagens. É o caso do professor Ventura (Canto e Castro), que é perdidamente apaixonado por ela, e de Rocha (António Rocha), um subordinado de Átila, que se convenceu ser seu filho e que, nunca abrindo mão da qualidade de bandido, se enternece sempre que a encontra.

O desenlace definitivo de todas peripécias só ocorre mais de três anos após a exibição do primeiro episódio. Como acontece no final de cada temporada, as aventuras, por mais perigosas que sejam, resolvem-se sem que ninguém morra ou fique ferido, chegando mesmo a ser invocada, entre várias personagens, a infalibilidade da teoria dos desenhos animados.

Duarte (Rui Mendes)
Detetive particular. Como o nome indica, é o “chefe”. Casado com uma mulher que tem ciúmes da sua própria sombra. É tarado sexual e, simultaneamente, um “engatatão” frustrado. Embora se considere um aventureiro destemido que enfrenta o perigo com um sorriso nos lábios, a realidade é bem outra: desde a sua mulher, passando pela galeria de vilões, todos lhe batem.

 (António Assunção)
O braço direito de Duarte. Um romântico. Odeia a violência física. As discussões com Duarte por causa dos ordenados em atraso são uma constante. Não passa sem a leitura do jornal desportivo.

Joaninha (Paula Mora)
Prima de Tó, arranja emprego na agência de detetives particulares. Chegou da província para se tratar de um complexo que a leva a utilizar os punhos com sabedoria e violência: não pode ver um homem a olhar para ela.

Ema (Ema Paul)
A temível mulher de Duarte. Ciumenta como só ela, faz a vida negra ao marido. Excelente com os punhos.

Mamã (Fernanda Coimbra)
A sogra de Duarte. Apesar da idade avançada, consegue ser tão ou mais impetuosa que a filha. A sua arma secreta é um tijolo que carrega na mala.

Professor Ventura (Canto e Castro)
Autor das mais mirabolantes e inacreditáveis invenções mas que, nas mãos erradas, podem colocar em perigo a pátria, quiçá a humanidade!

Lúcifer (Guilherme Filipe)
Gangster sempre irrepreensivelmente vestido. Ambiciona ser o representante da Máfia em Portugal. Obriga os subordinados a chamar-lhe “Padrinho”.

Miguel (Miguel Ângelo)
Irmão de Lúcifer. Tira um curso de pistoleiro nos Estados Unidos com ótimos resultados, mas o seu sonho é ser artista de variedades.

Átila (Luís Vicente)
Um subproduto (se possível) de Lúcifer. Violento, disputa com Lúcifer o reconhecimento como representante da Máfia em Portugal.

Rocha (António Rocha)
Não sabe quem é a mãe (particularidade comum a Átila e Albertini). Resolve todos os problemas a murro.

Tino (Constantino Guimarães)
Companheiro de Rocha. Feroz adepto e praticante de nada fazer.

Chinês (Frederico Cheong)
Bate em todos os que lhe chamam chinês e clama “eu não sele chinês, eu sele japonês”. Mas paira a suspeita de que, de facto, ele é chinês.

Albertini (Alberto Quaresma)
Desmaia sempre que ouve falar de sangue, o que, convenhamos, não é nada recomendável para quem está no ramo do crime.

Luís (Luís Alberto)
O concorrente de Duarte & C.ª. Caracteriza invariavelmente as suas ações pela circunstância de nunca chegar a tempo. Diz trabalhar numa agência com correspondentes em todas as partes do mundo. O seu sonho é ser entrevistado no “telejornal das oito”.

1. O roubo dos planos da pólvora (06/12/1985)
Duarte e Tó são chamados pelo professor Ventura para descobrirem o autor do roubo do seu último invento. Apesar dos indícios de suspeita apontarem para a empregada doméstica, quem tem os planos roubados é um tenebroso gangster que dá pelo nome de Lúcifer. É, pois, da luta travada entre os representantes do Bem e do Mal que nos dá conta esta história.


2. A vingança de Lúcifer (13/12/1985)
Lúcifer, o perigoso gangster cujo sonho é ser o representante da Máfia em Portugal, não perdoa o revés sofrido e, finalmente, consegue aprisionar Duarte e Tó. Estes vêem a morte cada vez mais perto quando, de repente, algo de novo vem alterar a situação.


3. O artista do crime (20/12/1985)
Lúcifer convoca uma reunião entre os principais gangsters de Lisboa. Objetivo: liquidar os componentes de Duarte & C.ª. Convicto de que em Portugal não existem criminosos capazes de executar tal tarefa, Lúcifer manda vir do estrangeiro um assassino profissional.


4. O novo invento do professor Ventura (27/12/1985)
Três altas personalidades são raptadas por Lúcifer que, em troca das suas vidas, exige que um concorrente patrocinado por si ganhe o Festival RTP da canção. Como é impossível ceder a tal chantagem, Duarte & C.ª são mais uma vez chamados para solucionar o problema.


5. Lisboa não é Hollywood (1.ª parte) (03/01/1986)
Uma reputada cientista portuguesa radicada nos Estados Unidos desloca-se a Lisboa para proferir uma conferência sobre a transmissão da matéria, processo que ela acaba de inventar. Para seus guarda-costas são destacados Duarte e Tó. Quando Lúcifer se prepara para raptar a cientista, Átila, um seu rival, antecipa-se.


6. Lisboa não é Hollywood (2.ª parte) (10/01/1986)
A Dra. Teresa e o professor Ventura são prisioneiros de Lúcifer, o qual tenta negociar com um enviado da Máfia, entretanto chegado a Portugal, a sua admissão na sagrada organização. Para tal, pretende entregar a esta multinacional do crime, como moeda de paga, os dois cientistas.


7. A paixão de Tó (24/10/1986)
Duarte & C.ª mudaram de instalações. É-lhes confiada a tarefa de proteger Nelita, uma jovem cantora. Tanto Tó como Duarte caem de amores pela rapariga, o que causa alguns atritos entre os dois. Entretanto, Lúcifer recebe um pedido de ajuda do ex-namorado de Nelita e manda que a sequestrem.


8. A maldição da múmia (31/10/1986)
O professor Ventura apresenta o seu novo invento: a máquina para viajar no tempo. Tó tenta escapar-se à experiência, mas Duarte está entusiasmadíssimo com o invento. Joaninha, bastante traumatizada pelos acontecimentos, procura a cura junto de um psiquiatra.


9. O caso da serpente venenosa (07/11/1986)
Suspeitando que Duarte e Tó são cúmplices no roubo de um valioso colar, a companhia seguradora manda um detetive vigiá-los. A princesa tenta a todo o custo recuperar a jóia e Átila resolve liquidar Lúcifer.


10. A cadeira do poder (14/11/1986)
A Duarte e Tó restam apenas 24 horas para conseguirem recuperar o valioso colar. Em alternativa, enfrentarão 20 anos de cadeia sob acusação de cumplicidade no furto. Para mais facilmente dominar Lúcifer, Átila dá ordens a Rocha para matar o Chinês…


11. A Rainha de Sabá (21/11/1986)
Furioso com o roubo do colar, Lúcifer declara guerra a Duarte & C.ª. Átila e os seus homens invadem o escritório dos detetives na tentativa de recuperar a valiosa jóia, mas são aniquilados por Joaninha. Mais tarde, gera-se uma verdadeira balbúrdia no escritório, quando todos se debatem pela posse do colar…


12. A revolta dos escravos (29/11/1986)
A sogra de Duarte continua a achar-se a Rainha de Sabá: trata todos como escravos e recusa-se a devolver o colar. Duarte e Tó recebem um ultimato do Governo: se não entregarem o colar no prazo de algumas horas, serão presos. Átila já não consegue suportar a submissão a Lúcifer e senta-se, finalmente, na cadeira do poder…


13. O terrível Zarolho (14/11/1987)
Duarte e Tó travam conhecimento com Mata Hari, uma espia internacional. Embora seja portadora de uma característica que desperta um sentimento de repulsa em Duarte, o trio une-se para recuperar os planos de uma bomba nuclear que pode colocar a humanidade em perigo. Para isso, terão que enfrentar o terrível Zarolho, que também está atrás dos planos…


14. O Zarolho volta a atacar (21/11/1987)
Ema pede o divórcio, pondo em causa a masculinidade de Duarte. Lúcifer leva o Chinês da sua antiga casa, que agora se encontra sob o domínio de Átila. Lúcifer planeia vingar-se. Zarolho rapta Joaninha e exige os planos da bomba como resgate. Enquanto isso, os Mafiosos americanos enviam um enviado especial a Portugal para tratar do caso…


15. O poder conquista-se pelas armas (28/11/1987)
Duarte e Tó conseguem resgatar Joaninha, em troca dos planos. Em seguida, arquitetam com Artur uma estratégia para os recuperar. Também Átila está atrás dos planos, depois de ter sido contactado pela Máfia. E consegue enganar o Zarolho…


16. A prensa da morte (05/12/1987)
Prestes a irem pelos ares, Duarte, Tó e Artur conseguem impedir a explosão de forma bastante criativa. Lúcifer não se dá por vencido e faz uso de uma outra arma: a prensa da morte. Joaninha acorda e apressa-se a tentar salvar os amigos. Mamã convoca uma reunião para fazer um importante comunicado…


17. A morte espera no jardim (12/12/1987)
Duarte & C.ª são despejados das novas instalações e obrigados a retornar ao antigo escritório. Átila invade o escritório com o objetivo de roubar as armas dos detetives, mas o ataque é interrompido pela chegada de Giancarlo, que os avisa que morrerão nas próximas 48 horas…


18. O filho americano (19/12/1987)
Giancarlo volta a ameaçar Duarte & C.ª, mas a chegada de Joaninha obriga-o a fugir. Charlie, o filho americano de Teresita e Fernandinho, chega a Portugal e solicita a presença de Duarte & C.ª, incitando-os a não interferirem nos negócios da Máfia. Giancarlo, sedento de vingança, hipnotiza os bandos de Átila e Lúcifer e coloca-os a seu serviço…


19. O ritual ecológico (26/12/1987)
Charlie está de partida para a América, não sem antes visionar o programa que Duarte & C.ª conceberam para a televisão, intitulado Quem não é do Benfica, não é filho de boa família. Contudo, um telefonema de Nova York retém-no em Portugal: a ordem é para capturar Giancarlo…


20. A espada do samurai (02/01/1988)
Duarte e Tó são contactados por Filipa, uma agente da CIA com cinco apelidos. Filipa quer obter a lista dos mafiosos americanos, que julga estar na posse de Lúcifer. Este é procurado por Giancarlo, que lhe propõe um plano para, em conjunto, obterem uma vultosa quantia em dinheiro…


21. A batalha final (09/01/1988)
Joaninha surpreende Giancarlo quando este entra no escritório com o intuito de recuperar a lista. Disposta a ir embora de Lisboa, Joaninha vai passar a tarde numa praia distante, levando consigo o documento. Não faltam pessoas interessadas na lista, e é para a praia que se dirigem…

1. As três pulseiras (01/09/1988)
Ângelo e Adriano são dois irmãos que tentam à força recuperar três antigas pulseiras árabes onde, supostamente, está inscrita a localização de um tesouro fabuloso. Ilda, uma das três irmãs que possuem as pulseiras, é assaltada mas consegue evitar consequências drásticas e, por isso, decide ir ao escritório de Duarte & C.ª, pedir auxílio. Corajoso, como é seu apanágio, Duarte, receando novo ataque, aconselha Ilda a ceder, temporariamente, a pulseira a Joaninha – o único cofre-forte capaz de responder a todas as emergências. Tó entrega-lhe o que em princípio deve ser a pista para futuros tesouros. Reais ou imaginários, eles vão proporcionar as mais incríveis aventuras e o aparecimento das personagens mais estranhas.


2. Uma mulher violenta (02/09/1988)
A mulher de Duarte faz uma visita inesperada aos escritórios de Duarte & C.ª. Ao chegar, depara com Joaninha, cuja presença não lhe é, de modo algum, agradável. Enfurecida, bate no marido e, logo em seguida, despede Tó e Joaninha, que saem do escritório altamente desmoralizados perante a impotência do seu patrão. Entretanto, Adriano, um dos dois irmãos que tentam recuperar três antigas pulseiras árabes, obriga Ilda a revelar o esconderijo de uma das pulseiras, pois ela é uma das irmãs a quem foram confiadas três jóias. Duarte, já recomposto da agressão que sofre por parte da sua mulher, encontra-se com Tó e Joaninha e pede-lhes auxílio para assaltar a casa de Adriano. Quando se dirigem para o local são, sem dar por isso, seguidos pela sogra de Duarte…


3. A sogra salvadora (05/09/1988)
Duarte, Tó e Joaninha dirigem-se a casa de Adriano, a fim de assaltar a residência e recuperar uma das três valiosas pulseiras que tinha sido roubada a Ilda. Durante a viagem não se apercebem de que estão a ser seguidos pela sogra de Duarte, que não perde um dos seus movimentos. Uma vez chegados, conseguem entrar na casa de Adriano e, quando tudo parece estar sob controlo, surgem dois guarda-costas e a situação inverte-se. Os três amigos envolvem-se numa luta com os dois seguranças e, depois de alguns “golpes” mais ou menos breves, são obrigados a fugir. No entanto, os bandidos perseguem-nos decididos a não os deixar escapar… Felizmente, quando tudo parece perdido, eis que aparece a sogra de Duarte. Com uma pequena intervenção, neutraliza os perseguidores.


4. Duarte pede auxílio (06/09/1988)
Ao contrário do que todos pensam, Tó e Joaninha ficam prisioneiros de Adriano. Refugiado em sua casa, o marginal obriga-os a revelar onde se encontra escondida a pulseira que falta, procedendo a um completo interrogatório e a um complicado esquema de torturas. Entretanto, cá fora, Duarte, sabendo que os seus companheiros estão em perigo, tenta arranjar todos os meios ao seu alcance para salvar os amigos. Contudo, não pode fazê-lo sozinho devido à supremacia do inimigo. Decidido a libertá-los, Duarte convida Átila e os seus homens para o auxiliar no assalto à casa de Adriano. Assim, liderado por Duarte, o grupo dirige-se ao local onde se encontram detidos Tó e Joana e apanham Adriano de surpresa.


5. Um telefonema mistério (07/09/1988)
Depois de tudo combinado, Duarte, Átila e os seus homens dirigem-se a casa de Adriano a fim de libertar Tó e Joaninha. O assalto é bem sucedido e a libertação dos prisioneiros reveste-se de um êxito total. Aliviados, Tó e Joana agradecem ao seu chefe e a Átila o facto de os terem libertado das mãos do bandido. Mais tarde, já no escritório da firma, Duarte recebe um telefonema de Adriano e, por estranho que pareça, não dá conhecimento do facto aos seus colegas. Posteriormente, e conforme o que havia combinado com Adriano ao telefone, os dois homens encontram-se num local previamente escolhido. O motivo desta reunião secreta é a junção das quatro pulseiras que vai permitir a leitura do código de localização de um fabuloso tesouro. Cúmplices, os dois partem à sua descoberta.


6. Charlie chega a Portugal (08/09/1988)
Charlie é o filho do professor Ventura e da sogra de Duarte. Vivendo há muitos anos na América, desloca-se nesta altura a Portugal para receber das mãos do pai a fórmula do seu último invento. Apesar de gostar do filho, o professor está um pouco reticente em entregar-lhe os segredos, uma vez que é do seu conhecimento que Charlie pertence à Máfia americana, mas, devido às pressões, acaba por ceder. Lúcifer, ao tomar conhecimento da presença de Charlie em Portugal, rapta-o e exige um milhão de dólares em troca. Este acontecimento deixa todos perplexos e sem saber o que fazer. Por um lado, a soma pedida pelo resgate é astronómica, mas, por outro, é preciso não esquecer que se o facto chega ao conhecimento da Máfia americana, as retaliações podem ser catastróficas.


7. O mascarado libertador (09/09/1988)
Duarte combina um ataque à casa de Lúcifer para salvar Charlie, que é seu prisioneiro. Mas os planos não correm tão bem como ele esperava, já que um misterioso mascarado se consegue antecipar ao detetive. Ele consegue dominar Albertini e o chinês, libertando depois o prisioneiro. Charlie mostra-se agradecido e deseja mesmo recompensar o seu salvador, mas este não revela a sua identidade. Por outro lado, Charlie não está tão seguro como pensa, uma vez que Átila o prende, antes que ele consiga chegar a casa. Essa era a oportunidade que o bandido aguardava há muito tempo, já que, ao pedir um resgate, pode conseguir algum dinheiro para equilibrar as suas finanças.


8. O mascarado misterioso (12/09/1988)
Átila pede um enorme resgate para libertar Charlie, mas o misterioso mascarado intervém e liberta-o de novo. Isso põe-no cada vez mais curioso quanto à identidade do homem que o salvou. Charlie pede ao mascarado que se revele, mas mais uma vez ele recusa adiantar qualquer pormenor sobre si próprio. Como não consegue qualquer resultado, Charlie propõe a Duarte e aos seus amigos que descubram quem é que se esconde por detrás da máscara do seu salvador. Mas Duarte é perentório e diz-lhe que não trabalha para mafiosos. Entretanto, chegam três mulheres de Bruxelas, que pertencem a uma organização criminosa, rival da Máfia, e têm a missão de roubar a fórmula do mais recente invento do professor.


9. Diana rapta Charlie (13/09/1988)
Perante a total impossibilidade de conseguirem roubar os planos, as três mulheres obrigam Átila, Rocha, Tino, Albertini e o chinês a raptarem o professor, para assim conseguirem saber qual é a fórmula que muito desejam. No entanto isso não é tarefa fácil, pois o professor não revela nada. É então que Diana tem uma ideia e resolve raptar Charlie, pois está convencida que o professor, ao ver o filho ser torturado, revele tudo, para evitar que a organização faça mal ao rapaz. Nessa altura, a sogra de Duarte pede-lhe auxílio, mas Tó mostra-se demasiado reticente quanto à veracidade do rapto de Charlie e da existência de um mascarado que o tenha salvo.


10. Charlie propõe casamento a Joana (14/09/1988)
Mais uma vez, tudo se repete e o mascarado liberta de novo Charlie, mas quando vão a fugir, este último finge magoar-se. Quando o mascarado o auxilia, o mafioso tira-lhe o capuz e consegue finalmente descobrir a identidade do seu salvador. Tó, entretanto, visita Cláudia, que se encontra a ensaiar. Charlie consegue aproximar-se de Joana e, completamente apaixonado, pede-a em casamento. No entanto, a jovem diz-lhe que nunca quererá ter um marido mafioso. Perante essa resposta, Charlie decide telefonar para Nova Iorque, a fim de comunicar ao Padrinho a sua decisão de abandonar a Máfia.


11. A fórmula é novamente roubada (15/09/1988)
Cláudia consegue finalmente dar o seu primeiro concerto, que se torna um êxito. Tó está também na sala de espetáculo e exprime o seu entusiasmo com vigor. Entretanto a fórmula do professor Ventura é de novo roubada, mas o facto não o preocupa muito, já que os planos estão escritos em código e só quem possuir a “chave” é que poderá conseguir decifrar o que lá se encontra escrito. Joaninha percebe que Tó se encontra apaixonado por Cláudia e consegue obrigá-lo a telefonar à jovem, convidando-a para jantar. Contrafeito e resmungando, Tó acaba por obedecer, sem no entanto esperar qualquer retribuição. Para seu espanto, Cláudia aceita o convite.


12. Giancarlo contacta Átila (16/09/1988)
Enviado pelo Padrinho americano, Giancarlo chega a Portugal com a finalidade de cumprir as ordens que lhe foram dadas. A sua principal tarefa é impedir o casamento de Charlie, custe o que custar. Depois de um primeiro encontro, que não é de modo nenhum bem sucedido, Giancarlo, apercebendo-se de que Charlie está mesmo decidido a casar com Joaninha, contacta Átila para que este mande raptar a noiva. Giancarlo dá instruções a Átila para que este obrigue Joaninha a escrever um bilhete a Charlie a dizer que, afinal, não o ama e que o melhor será ele regressar a Nova Iorque. Mais tarde, depois do rapto, Charlie recebe o bilhete assinado por Joaninha. Primeiro, fica muito desgostoso, mas, depois de meditar sobre o assunto, resolve procurar Tó. Furioso, Charlie insulta-o, pois está convencido de que é ele quem está na origem do bilhete.


13. Rocha liberta Joaninha (19/09/1988)
Tó fica muito surpreendido quando vê Charlie. Este insiste em querer saber onde se encontra Joaninha, mas Tó afirma que não tem qualquer ligação com o rapto ou com o bilhete. Após algumas investigações, Charlie começa a desconfiar de Giancarlo. Assim, põe-se em campo para descobrir o seu paradeiro. Mais tarde, quando o encontra, leva-o até ao escritório de Duarte onde, sob a ameaça de uma arma de fogo, tenta obrigá-lo a revelar o paradeiro de Joaninha. Depois de alguns momentos de hesitação, Giancarlo revela o local onde Joaninha se encontra. Rocha, que está encarregue de a vigiar, acaba por libertá-la, pois está convencido de que é filho da mãe de Charlie e não deseja ver o irmão sofrer.


14. A nova paixão do “boss” (20/09/1988)
Necessitando de se ausentar do país durante três dias, um homem riquíssimo contrata Duarte & C.ª para ficarem a vigiar a sua filha, a fim de evitarem que esta, durante a sua ausência, se encontre com o namorado que, segundo o milionário, não passa de um verdadeiro caçador de fortunas. Duarte aceita este serviço e começa a mostrar-se bastante interessado em defender a bela jovem das possíveis más intenções do namorado. Após alguns dias de convívio, Duarte apaixona-se pela rapariga. Apesar dos conselhos de Tó e Joaninha, Duarte mostra-se disposto a ir até às últimas consequências para ficar ao lado da jovem.


15. O casamento da Joaninha (21/09/1988)
Finalmente, chega o tão esperado dia do casamento de Charlie e Joaninha. Toda vestida de branco, pelo braço de Tó, Joaninha entra na igreja onde o noivo, acompanhado pelos pais e por Duarte, a espera. O padre dá início à cerimónia e tudo parece correr pelo melhor. A emoção e felicidade estão estampadas no rosto dos noivos e de todos quantos os acompanham. A meio da cerimónia, quando já ninguém espera, surge o Padrinho americano, que faz uma última tentativa para evitar o casamento dos dois jovens…

O Festival da Canção (07/03/1989)
A agência Duarte & C.ª foi à falência. Agora, Tó é padeiro e Joaninha trabalha num supermercado. Mas um caso de peso volta a reunir o trio de sucesso. Adriano mandou raptar todos os concorrentes do Festival da Canção. O seu objetivo é que a mulher, Cristina, cante todas as canções e se torne, deste modo, a grande vencedora do festival.


Domingo de Páscoa (26/03/1989)
Duarte e Tó tentam auxiliar o Conde Dimitrov – um vampiro a quem lançaram uma maldição que lhe trocou os fusos horários. O pobre Dimitrov tem de ficar acordado desde o nascer do sol e adormecer profundamente ao cair da noite, processo inverso à qualidade de vida dos vampiros decentes deste mundo. A situação origina problemas gravíssimos ao Conde, que não consegue, deste modo, reunir-se à família. O desespero aumenta com a proximidade do dia de Páscoa…


Vamos ao Porto (24/06/1989)
Duarte & C.ª chega ao seu derradeiro episódio. O realizador aproveita esta oportunidade para concretizar antigos sonhos cinematográficos, tais como um filme de piratas, uma película do Tarzan e até mesmo uma cowboyada. Desenrola-se em seguida uma acesa discussão entre os integrantes do elenco, para decidir quem poderá ir ao Porto gravar o último episódio da série…

O último episódio da série Zé Gato, produzida em 1980, foi, nas palavras de Rogério Ceitil, a génese de Duarte & C.ª. Este episódio, protagonizado precisamente por Rui Mendes e António Assunção, foi um primeiro ensaio de policial em tom de comédia.

Duarte & C.ª tornou-se célebre, quer pela mistura de humor e aventura, géneros que conviviam em quase todas as cenas, como também pelas personagens com traços muito marcantes, até hoje vivas nas memórias dos telespectadores.

Assim, a par de Duarte (Rui Mendes), o aventureiro destemido que levava pancada da mulher por tudo e por nada, poucos devem ter esquecido o ar bonacheirão do Tó (António Assunção) ou os problemas sentimentais de Joaninha (Paula Mora), exorcizados através da quantidade de murros que arremessava em quase todo o elenco masculino da série.

Merece também destaque o núcleo dos mafiosos protagonizado por Átila (Luís Vicente) e Lúcifer (Guilherme Filipe), que rivalizavam tanto em poder como em incompetência, o chinês (Frederico Cheong), que afinal de contas era japonês, o Albertini (Alberto Quaresma) e o seu pavor pela palavra sangue, bem como o Rocha (António Rocha), aquele que não escondia o trauma de um dia se ter perdido da mãe.

Claro que boa parte das gargalhadas tiveram origem na magnífica performance de Ema (Ema Paul), a mulher de Duarte, e da sua progenitora, a dona Teresita (Fernanda Coimbra). A entrada em cena de qualquer uma das duas faria fugir qualquer campeão de artes marciais. Dona Teresita, a quem, aliás, muitos chamam de mamã, é prova de que a força e a coragem não escolhem idades: o tijolo escondido na carteira, ou as cambalhotas feitas no ar com uma rapidez notável, provocavam o terror de todos os bandidos, não havendo quem não tremesse só de ver ao longe o seu vestido em tons escarlates.

A primeira série de Duarte & C.ª, repartida em três temporadas, foi exibida entre 06/12/1985 e 09/01/1988, num total de 21 episódios semanais com cerca de 50 minutos cada.

Em setembro de 1988, foi ao ar a segunda série, em 15 episódios de 25 minutos, exibidos diariamente às 20:15, após o Telejornal (horário que habitualmente era destinado à telenovela).

Em 1989, para concluir a série, foram produzidos três episódios especiais, exibidos espaçadamente: um no dia do Festival da Canção, outro no dia de Páscoa e o último em junho.

Se, em 1985, Duarte tinha um Mini que passou despercebido, em 1986 este foi trocado por um Citroën 2CV, carro que se tornou uma marca registada da série.

O Mini de 1985...
... e o popular 2CV!

Os 2CV eram cedidos pela Citroën. Quem estivesse atento às matrículas teria reparado que, na realidade, foram quatro os automóveis deste modelo que apareceram em cena.

Curiosamente, os últimos exemplares do 2CV, a nível mundial, foram produzidos em Portugal, na fábrica da Citröen em Mangualde.

Grande parte das cenas exteriores foi gravada na Quinta da Subserra, situada em Vila Franca de Xira.

Embora fossem recorrentes as cenas de pancadaria, durante toda a série não foi vista uma única gota de sangue. Numa ocasião em que Rui Mendes ficou a sangrar pelo nariz ao levar com a coronha de uma arma, a cena teve de ser repetida para eliminar esse plano.

Em 1986, Carlos Alberto Moniz assumiu a direção musical da série. Os temas dos genéricos da primeira temporada, da autoria de José Luís Tinoco, foram substituídos por outros que permaneceram até ao final.

A par disso, Carlos Alberto Moniz fez várias aparições na série:

– No 8.º episódio, aparece numa cena em que dá um soco em Luís (Luís Alberto).

– No encerramento da terceira temporada, canta a música Heróis mas só às vezes.

– Na segunda série, faz parte da banda que acompanha Cláudia (Helena Isabel), com a canção Noite companheira.

– Também aparece num dos sketches do último episódio.

Os momentos musicais foram, aliás, um ponto de destaque. Na segunda temporada da primeira série temos Adelaide Ferreira e na série de 1988 temos Helena Isabel, a interpretarem várias canções, que ainda ocupavam uma boa parte dos episódios. Pelo meio, fica a performance inesquecível de dona Teresita, na terceira temporada da primeira série:

Feliz, estou tão feliz
Contente, ai tão contente
Pois o que sempre quis
Acontece finalmente…

A popular canção Duarte & C.ª, que abria o programa, surgiu apenas na terceira temporada, em 1987. A música era cantada pelos três protagonistas, no seu famoso carro, na 2.ª circular.

Na série seguinte, a música foi abreviada e os atores apareciam junto à Ponte 25 de Abril.

Esta canção foi utilizada numa prova do programa Dá-me Música, apresentado por Catarina Furtado em 2009.

Se, até hoje, o público é unânime nos elogios à série, nem sempre a crítica se mostrou tão favorável. Em 1987, Rui Mendes lamentava que a imprensa não desse a Duarte & C.ª o merecido destaque, considerando que havia “um certo pudor intelectualóide da crítica em acolher a série. […] Não será um trabalho profundo, ou sequer perfeito, mas a verdade é que agrada a um auditório muito vasto”.

Artur Varatojo, conhecido especialista em criminologia, mostrou-se indiferente à série, “por não ser consistente que chegue para que a levemos a sério, nem suficientemente engraçada para nos rirmos”. Elogiou, contudo, as cenas de pancadaria, “muito melhor executadas do que em muitas fitas lá de fora”.

Duarte & C.ª teve a sua primeira reposição em 1991, na rubrica Sem Legendas, onde foram exibidos todos os episódios.

No verão de 1994, apenas a segunda série foi reposta, nas tardes da RTP 1.

Rogério Ceitil voltaria a reunir a dupla Rui Mendes e António Assunção na série O Bando dos Quatro, mais voltada para o público juvenil.

No dia 30/04/2005, Rui Mendes foi o convidado do primeiro programa Cartaz de Memórias, com apresentação de Helena Ramos. Duarte & C.ª, que estreou na RTP Memória neste mesmo dia, foi naturalmente tema de conversa.

Em 2007, António Rocha foi entrevistado pelo Só Visto, onde falou do enorme sucesso do seu personagem, Rocha, e do seu atual trabalho no Teatro Maria Vitória.

Considerada uma série de culto, Duarte & C.ª é um dos raros casos de ficção portuguesa lançada em DVD. A série começou a ser editada pela Castello Lopes Multimédia. No entanto, apenas a primeira série foi lançada, ficando a faltar a segunda série e os episódios especiais.

A loja de t-shirts Cão Azul concebeu alguns modelos inspirados nos personagens da série.

Na SIC, o programa vespertino Contacto do dia 10/02/2009 foi inteiramente dedicado a Duarte & C.ª e contou com a presença de Rui Mendes, Paula Mora, Luís Vicente e Guilherme Filipe. Os convidados chegaram ao estúdio num 2CV conduzido por Nuno Graciano. Maya, a outra apresentadora, revelou que interrompia os estudos do seu curso de Direito para assistir à série. Este programa foi um verdadeiro prato cheio de curiosidades para os amantes de Duarte & C.ª. E foi possível comprovar o grande saudosismo dos atores em relação a este trabalho.

Em 2012, os mesmos atores reuniram-se novamente, desta feita para uma reportagem da revista Sábado, da autoria da jornalista Raquel Lito.

Foi também publicado um pequeno vídeo no site da revista, que retratava o destino dos quatro personagens.

Outro facto curioso ocorreu em 2013: Rogério Ceitil contactou a divisão da PSP de Vila Franca de Xira, onde reside, com o intuito de se desfazer de duas armas utilizadas nas suas séries. As licenças de uso e porte de arma tinham caducado e o realizador não tinha intenção de as renovar. Manifestou, contudo, a vontade de as armas ficarem expostas em algum local, tendo em conta o seu valor histórico. As armas em questão eram um revólver de calibre 32 mm e uma espingarda de cano liso (‘shotgun’) de calibre 12 mm.

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Duarte e Companhia