Frou-Frou

Exibição:
05/01/1995 – 13/04/1995 (RTP 1)

Número de programas:
13

Apresentação:
Alexandra Lencastre
Catarina Portas
Margarida Martins
Margarida Pinto Correia
Maria Lúcia Lepecki

Realização:
Nuno Teixeira

Produção:
MMM / RTP

Sob licença de:
Antenne 2
Ardisson & Lumières

Frou-Frou é um programa inteiramente feito por mulheres – “interdito aos homens”, assim diz o subtítulo.

Ao comando, temos cinco elementos do sexo feminino que fazem perguntas indiscretas, numa conversa bem-humorada, que pretende desvendar a faceta privada de uma figura pública.

Cada uma das cinco “cúmplices” tem também a sua própria função na concretização deste programa, apresentando rubricas onde falam sobre temas – pelo menos à primeira vista – não relacionados com o convidado.

Avisos à navegação (Quem te avisa tua amiga é)

Alexandra Lencastre é o elemento de orientação do quinteto, sendo também quem abre a emissão, com dicas de comportamento para as mulheres e/ou para os homens, acerca da forma como se relacionam.

O gato e a lebre (Quem não arrisca, não petisca)

Margarida Pinto Correia disserta sobre temas relevantes, mas pouco óbvios, sempre secundada por um sentido de diversão. Frequentemente, apoia-se na exibição de uma reportagem.

Entre-revistas (Há páginas tantas)

Catarina Portas tem a seu cargo a revista de imprensa. Todas as semanas, munida de um número considerável de jornais e revistas, tanto nacionais como estrangeiros, fala, com um olhar crítico, sobre o que de mais insólito se encontra nesses periódicos.

Tristes tópicos (O que se diz não se escreve)

Maria Lúcia Lepecki apresenta uma crónica de costumes, onde ironiza sobre determinado aspeto da vida quotidiana, do qual tenta extrair o seu lado cómico.

Perguntem à bruxa (Responder não ofende)

É uma espécie de “correio sentimental”, no qual Margarida Martins responde à (fictícia) carta de uma telespectadora, dando-lhe conselhos e brincando com as situações que envolvem os homens e as mulheres.

Na última parte do programa, os convidados são intimados a executar um determinado desafio, que os coloca em situações fora da sua zona de conforto.

Enquanto o convidado se prepara para a prova, as apresentadoras fazem algumas sugestões, nomeadamente de livros.

1. Raul Miguel Rosado Fernandes (05/01/1995)

2. Joaquim de Almeida (12/01/1995)

3. Paulo Pires e Sofia Aparício (19/01/1995)

4. Herman José (26/01/1995)

5. Ana Maria Caetano (02/02/1995)

6. Carlos Barbosa (09/02/1995)

7. Inês de Medeiros (16/02/1995)

8. Tiago (23/02/1995)

9. Marina Mota (09/03/1995)

10. Pedro Burmester (23/03/1995)

11. Manuel João Vieira (30/03/1995)

12. Nuno Leal Maia (06/04/1995)

13. Fernando Gomes (13/04/1995)

Frou-Frou foi exibido às quintas-feiras, no horário nobre do Canal 1.

Baseada no formato homónimo francês, Frou-Frou (Interdit aux Hommes), esta adaptação teve a chancela da MMM, produtora de José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes.

Procurou-se ficar tão perto quanto possível do original, que funcionava como a redação de uma revista. Cada uma das cinco figuras assumia um papel diferente: havia uma entrevistadora, uma mandona, uma veterana, uma repórter e uma gorda.

A versão francesa, transmitida pela Antenne 2 entre 1992 e 1994, pôde ser vista entre nós, por quem tinha parabólica, na TV5.

Vinda recentemente da SIC, onde apresentara o Perdoa-me, Alexandra Lencastre elogiou o conceito do programa: “Há uma certa liberdade que não existe noutro tipo de programas e entramos por zonas um pouco proibidas, mas temos sempre o cuidado de tratar esses temas mais comprometedores de uma maneira elegante e que não toque o vulgar e o ordinário”.

Margarida Pinto Correia aparecia num registo bastante diferente daquele a que nos habituara enquanto pivot na informação da RTP, onde, durante algum tempo, apresentara o 24 Horas.

No caso de Catarina Portas, jornalista no Diário de Notícias, o convite surgiu quando se encontrava a fazer o Raios e Coriscos, com Manuela Moura Guedes, e costumavam falar sobre o Frou-Frou francês, que consideravam ter uma abordagem interessante. Para Catarina, o programa constituía um passo importante na aproximação ao público feminino, a quem a televisão só dedicava, essencialmente, as telenovelas.

Apesar de haver cinco intervenientes no programa, apenas quatro se sentavam simultaneamente à mesa. Margarida Martins entrava para fazer a sua crónica, ocupando o lugar de alguém, mas retirava-se logo de seguida.

A “Super-Guida”, que tinha angariado alguma notoriedade como relações-públicas da noite lisboeta e como presidente da Abraço, aceitou o convite por conhecer o programa francês.

Os textos das crónicas da “bruxa”, que pretendiam explorar a vertente humorística, eram da autoria de Miguel Esteves Cardoso e Carlos Quevedo.

Tanto as apresentadoras como os convidados costumavam usar um pin da Abraço.

Para além de Margarida Martins, também Maria Lúcia Lepecki, professora catedrática na Faculdade de Letras, se estreava nas lides televisivas. Para ela, Frou-Frou foi uma forma de “fugir” da literatura e das intelectualidades: “Ajuda-me à higiene mental. Uma pessoa não pode ser 24 horas por dia intelectual. É importante que as pessoas vejam que sou uma mulher normal”.

Em 1999, Maria Lúcia Lepecki apresentou os primeiros 13 programas de Travessa do Cotovelo, tertúlia exibida na RTP 2.

O genérico, baseado no original, mostrava as cinco apresentadoras a passear por Lisboa.

Também o tema musical, interpretado por Wanda Stuart, foi adaptado da versão francesa.

Frou-frou, frou-frou
Com saiote, a mulher
(Frou-frou, frou-frou)
Do homem faz o que quer

Frou-frou, frou-frou
Certamente a mulher
Sempre seduz
O seu gracioso frou-frou

Mulher com ar de rapazote
Nunca foi muito excitante
É o frou-frou do seu saiote
Que a torna assim tão fulminante

O homem o frou-frou procura
Arrisca de forma espantosa
É a vida em cor-de-rosa
Entra em crise de loucura

Na sua oitava emissão, Frou-Frou recebeu um convidado bastante sui generis: tratou-se de Tiago, um miúdo com sete anos de idade, sobredotado.

A prova mais divertida foi, porventura, a executada por Joaquim de Almeida. De olhos vendados, utilizando os cinco sentidos, o ator teve de identificar a sua mulher, Cecília, que se encontrava entre as colaboradoras do programa (com exceção de Alexandra Lencastre, que apresentava a prova).

Fernando Gomes, o “bota de ouro”, foi submetido a um desafio semelhante, o de identificar antigos colegas de relvado a partir das suas pernas.

Inês de Medeiros teve o privilégio de tentar defender golos marcados por Eusébio, tendo também disputado uma partida de matraquilhos com o “Pantera Negra”.

Na derradeira emissão, Margarida Pinto Correia apareceu de cabelo curto e, pela primeira vez, com brincos iguais.

Foram inevitáveis algumas comparações com o programa O Senhor que se Segue, que a SIC transmitia nesta altura, e que consistia numa entrevista a um homem feita por quatro mulheres: Clara Ferreira Alves, Laurinda Alves, Paula Moura Pinheiro e Rita Blanco. No entanto, os formatos eram substancialmente diferentes.

Quando Frou-Frou chegou ao fim, a TV 7 Dias deu a entender que teria existido algum mal-estar entre as intervenientes, alegando que a circunstância de algumas delas terem sido vistas em grupo, na noite lisboeta, se destinava unicamente a dissipar tais rumores.

O mesmo artigo referia que Alexandra Lencastre teria, alegadamente, manifestado insatisfação pelo facto de receber instruções de Manuela Moura Guedes pelo auricular. Pelo menos esta informação parece não ter fundamento, já que, logo em seguida, Alexandra Lencastre foi recrutada para outra produção da MMM, Roleta Russa.

O programa encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.

Frou-Frou