Há Lobos na Aldeia

Autoria:
Maria Antónia Palla

Guião:
António Barradas
Maria Antónia Palla
Cecília Netto

Produção:
Luísa Maria Jacinto

Realização:
Cecília Netto

Elenco:
Manuela de Melo – Lúcia
Raquel Maria – Ana
Carmen Santos – Emília
José Eduardo – Jerónimo Raposo
Clara Joana – Ofélia
Pompeu José – Médico
Elsa Wallenkamp – Carmem
Luís Alberto – Padre
Cristina Paiva – filha de Ana
Eneida Godinho – filha de Ana
Hélder Oliveira – redator
Mário Lindolfo – Saraiva (chefe de redação)
Domingos Pimenta – sargento

Agosto de 1970. Numa pequena aldeia do Nordeste de Portugal, é encontrado o corpo de uma criança supostamente morta e devorada pelos lobos. Esta notícia desperta o interesse de Lúcia (Manuela de Melo), que resolve ir até lá para fazer uma investigação que lhe renda uma boa reportagem.

A sua teoria é que, em agosto, os lobos não descem à aldeia. E, quando Ana (Raquel Maria), a tia da moça, a leva ao local onde foi encontrado o corpo, também ela afirma não acreditar na culpa dos lobos…

Lúcia
(Manuela de Melo)

Ana
(Raquel Maria)

Emília
(Carmen Santos)

Jerónimo Raposo
(José Eduardo)

Ofélia
(Clara Joana)

Este telefilme baseia-se numa história real, ocorrida em agosto de 1970, na freguesia de Freiriz, em Vila Verde, distrito de Braga. Depois de uma semana sem dar sinal de vida, a menina Maria Isabel, de 11 anos, apareceu morta e esquartejada.

Em outubro do mesmo ano, a jornalista Maria Antónia Palla (que conhecemos também por ser mãe de António Costa e Ricardo Costa) publicou, no periódico O Século Ilustrado, uma extensa reportagem sobre este crime.

Com o título de Não Há Lobos no Monte, o texto foi incluído no livro Só Acontece aos Outros, publicado pela jornalista em 1979 – uma compilação de vários artigos seus sobre histórias de violência.

Dez anos depois, surge a produção do telefilme. Maria Antónia Palla tirou, nesta altura, um curso de guionismo, promovido pela RTP e ministrado por Doc Comparato, no qual a realizadora Cecília Netto também participou. Juntas, decidiram escrever Há Lobos na Aldeia.

Tratava-se de uma história de caciquismo e pedofilia: suspeitava-se que o regedor (aqui vivido por José Eduardo) tinha tido um envolvimento com a miúda e era o responsável pela sua morte, mas tal não ficou provado. Tal como na vida real, o filme termina com o crime por desvendar…

Cecília Netto não quis gravar o filme em Freiriz, optando por fazê-lo em Oliveira do Conde, concelho de Carregal do Sal, distrito de Viseu.

A criança, que originalmente se chamava Maria Isabel, tomou o nome de Mariana.

Da mesma forma, a localidade análoga a Vila Verde passou a chamar-se Vila Fresca.

A personagem principal, a repórter Lúcia, foi vivida por Manuela de Melo, ela própria jornalista da RTP, mas que tinha também o curso de atriz do conservatório.

Manuela de Melo em cena com o também jornalista Mário Lindolfo

O filme rendeu a Cecília Netto um prémio internacional de igualdade de oportunidades, atribuído na Grécia a mulheres com um nível de realização profissional equivalente ao dos homens. Esta foi uma das curiosidades sobre o filme relatadas pela realizadora, em entrevista a João Paulo Diniz, no programa Estórias da TV, transmitido pela RTP Memória em 04/02/2013.

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