Histórias de Mulheres

Exibição:
19/04/1984 – 10/05/1984 (RTP 2)

Número de episódios:
04

Argumento, planificação e diálogos:
Lauro António

Produção:
Olívia Varela

Realização:

Lauro António

1. Paisagem sem barcos (19/04/1984)
Joana, uma mulher de trinta e muitos anos, solitária e melancólica, leva a sua vida entre as aulas que dá num colégio e os encontros, mais ou menos furtivos, com Artur, um empregado bancário que vive com uma filha de dezassete anos e que aguarda um eventual futuro casamento desta para finalmente definir uma situação com a professora. Para além desta relação, apenas uma outra, quase exclusivamente telefónica, com Paula, antiga colega de escola, liceu e faculdade, bem casada, bem instalada na vida, satisfeita com atenções do marido e com o ambiente em que vive. Joana é um pouco o “diário” a quem Paula confia quotidianamente os seus êxitos e sucessos. Comparada com a vida de Paula, a de Joana é um tanque de água estagnada – e Paula não se cansa de lhe fazer ver… Um dia, Joana recebe um telefonema de um antigo namorado, pouco antes regressado do Brasil, o que faz renascer as suas esperanças de felicidade.

Segundo conto de:
Maria Judite de Carvalho

Elenco:
Isabel Ruth – Joana
Carlos César – Artur Fraga
Lídia Franco – Paula
Raquel Maria – Professora
Rosa Lobato Faria – Diretora
José de Carvalho – Comandante
Rui Mendes – Mário Sena
Alexandra – Aluna

2. A Bela e a Rosa (26/04/1984)
Era uma vez um rei que tinha três filhas, uma das quais Bela – muito formosa e, ao mesmo tempo, dotada de boas qualidades. O rei, que em tempos tinha sido muito rico, vivia agora com muitas dificuldades. Um dia, foi fazer uma viagem e perguntou às três jovens o que cada uma delas desejava que trouxesse, como presente. Uma quis um vestido, a outra um chapéu. Bela pediu, apenas, uma rosa. O Rei partiu e regressou, tempos depois, distribuindo então os presentes pelas filhas. Todas ficaram satisfeitas, mas o Rei disse a Bela: “A rosa que te trouxe bem cara me ficou!”. E explicou-lhe que, no jardim onde a colhera, encontrara uma cobra que lhe perguntou para quem era a flor. Respondeu-lhe o Rei que era para a filha mais nova, ao que a cobra lhe disse que, se Bela não fosse ter com ela, o Rei morreria.

Baseado num conto tradicional português

Elenco:
Pedro Bandeira Freire – Rei
Acácia Thièle – Bela
Paula Mateus – Princesa 1
Maria Adelaide – Princesa 2
Paulo Reis – Príncipe

3. Mãe Genoveva (03/05/1984)
Mãe Genoveva é uma velha mulher do povo, alentejana, de pele curtida pelo sol e pelo sofrimento. Uma mulher a quem os dias e os anos, a dor e a morte, obrigam a recordar o passado. À memória, vem-lhe a imagem de Vicente, seu amor por curto espaço de tempo, que morreu em acidente numa pedreira, deixando-a viúva e grávida. O filho, que nasceu órfão, ali encontra igualmente a morte. Mãe Genoveva, então, decide converter a sua casa em refúgio acolhedor, para todos os desprotegidos e vítimas de repressão…

Adaptação livre do conto de Vergílio Ferreira

Elenco:
Adelaide João – Genoveva (velha)
Manuela Carlos – Genoveva
José Cid
Tino
José Cardoso Alves
Francisco José Russo
Francisco Cardoso
Janita

4. Casino Oceano (10/05/1984)
Maria desce pelas ruas da Figueira da Foz, passeia pela praia, saboreia a liberdade do oceano. Um carro aproxima-se: é José, com quem tem um encontro marcado. São amantes. Maria é casada, mas não ama o marido. A paixão e o receio toldam o casal de amantes.

Adaptação livre do conto Week-end, de José Cardoso Pires

Elenco:
Maria do Céu Guerra – Maria
João Perry – José

Histórias de Mulheres foi um conjunto de quatro filmes adaptados de contos de autores portugueses, realizados por Lauro António, com enfoque em personagens femininas, nas suas vivências, dificuldades, alegrias e conquistas. “O mundo das mulheres fascina-me. É um mundo muito complexo, em que estão contidos todos os problemas dos homens, além dos que são exclusivamente femininos”, afirmou o realizador.

A série foi exibida às quintas-feiras, na RTP 2.

Na escolha dos contos, houve a preocupação de encontrar textos que não necessitassem de grandes meios de produção e que retratassem episódios da vida de mulheres em situações e meios diferentes.

Na sua conceção inicial, a série era composta por oito episódios:

– Davam Grandes Passeios aos DomingosMenina Olímpia e Sua Criada Belarmina e Os Namorados de Amância, de José Régio;

– Paisagem sem Barcos, de Maria Judite de Carvalho;

– Week-end, de José Cardoso Pires;

– Mãe Genoveva, de Vergílio Ferreira;

– Singularidades de uma Rapariga Loira, de Eça de Queiroz;

– Encenação, um original do próprio realizador.

Apenas se concretizaram as histórias inspiradas em Maria Judite de Carvalho, José Cardoso Pires e Vergílio Ferreira. Alguns dos contos foram descartados por falta de verba: “o orçamento dá à justa para a realização e não recebo nenhum dinheiro pelo meu trabalho”, desabafou Lauro António.

A inclusão na série de um conto tradicional (A Bela e a Rosa), segundo o próprio realizador, deveu-se não só a uma necessidade de introduzir uma nota fantástica e onírica, após uma sequência de retratos psicológicos de mulheres reais, mas também à vontade de experimentar o género fantástico, criando uma atmosfera de reflexão sobre a simbologia popular.

Encenação teria sido protagonizado pela atriz brasileira Dina Sfat, para quem foi propositadamente escrito.

Cada filme demorou cerca de uma semana a ser rodado. A ação localizou-se em vários pontos do país, como Lisboa e arredores, Alentejo (Terena e Estremoz) e Figueira da Foz.

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