Iratan e Iracema

Exibição:
21/12/1987 – 29/12/1987 (RTP 1)

Número de episódios:
06

Autoria:
Olavo d’Eça Leal

Adaptação, produção e realização:
Paulo-Guilherme d’Eça Leal

Temas musicais:
Rui Guedes
António Ferro
Francisco Baião

Orquestrações:
António Ferro
Mike Sergeant

Letras das canções:
Paulo-Guilherme d’Eça Leal

Interpretação das canções:
Maria João
Paulo-Guilherme d’Eça Leal

Narração:
Maria Helena d’Eça Leal

Elenco:
Paulo Cruz – Iratan
Mónica Monteiro – Iracema
Carlos Wallenstein – Criada Velha / Mordomo
Rita Rodrigues – Prima
João Malaquias – Primo
Baptista Fernandes – Desconhecido
Maria João Baginha – Condessa
João d’Ávila – Conde
Ladislau Ferreira – Pai
Paulo-Guilherme – Faquir
Mónica – 1.ª Bruxa
Mizé – 2.ª Bruxa
Nazaré – 3.ª Bruxa
Diana – 4.ª Bruxa
Eduardo Viana – Náufrago
Carlos Machado – Rei
Henrique Pinho – Primeiro-Ministro / Pai do Príncipe
David Silva – Homem Vermelho
João Lagarto – Pássaro Bisnau
Michel – Vendedor de Memórias
Álvaro Faria – Príncipe Ivan
José Manuel Rosado – Rainha dos Sonhos
Amílcar Bonança – Menino de Pedra

Iratan e Iracema, “os meninos mais malcriados do mundo”, são dois irmãos no limiar da adolescência, a quem a realidade do seu dia-a-dia aborrece. Por isso, decidem transformá-la em algo mais interessante e divertido. A imaginação e o sonho dos dois irmãos fazem com que o quotidiano se transforme num mundo fascinante, o que deixa os adultos boquiabertos e escandalizados.

Iratan (Paulo Cruz)

Iracema (Mónica Monteiro)

Criada Velha (Carlos Wallenstein)

Primos (João Malaquias / Rita Rodrigues)

Desconhecido (Baptista Fernandes)

Mordomo (Carlos Wallenstein)

Condessa (Maria João Baginha)

Conde (João d’Ávila)

Faquir (Paulo-Guilherme)

Bruxas (Mónica / Mizé / Nazaré / Diana)

Náufrago (Eduardo Viana)

Rei (Carlos Machado)

Primeiro-Ministro (Henrique Pinho)

Homem Vermelho (David Silva)

Pássaro Bisnau (João Lagarto)

Vendedor de Memórias (Michel)

Príncipe Ivan (Álvaro Faria)

Pai do Príncipe (Henrique Pinho)

Rainha dos Sonhos (José Manuel Rosado)

Menino de Pedra (Amílcar Bonança)

1. (21/12/1987)
Iratan e Iracema recebem a visita de dois primos. Quando brincam no jardim, veem passar um estranho homem, todo vestido de preto, e resolvem segui-lo. Mais tarde, vão a um palacete conhecido como a Torre Misteriosa, onde são recebidos pelo mordomo de um conde morto há 200 anos. O mordomo leva-os para uma área secreta, que os transporta para uma época distante.


2. (23/12/1987)
Depois de levarem um sermão por terem pegado fogo ao piano, Iratan e Iracema fogem de casa. Entram num edifício abandonado, onde encontram um faquir que lhes fala da cobiça do Homem por ouro. Acabam por conseguir escapar, mas à noite vão parar a um acampamento de bruxas, onde decorre um sabat, e são apanhados.


3. (24/12/1987)
Iratan e Iracema, amarrados, observam atentamente o ritual das bruxas. De forma a distraí-las até ao amanhecer, quando elas perdem os seus poderes, Iracema conta uma história sobre a Ilha da Verdade, um lugar onde ninguém sabe o que é a mentira e onde existia uma paz permanente, até ao dia em que um náufrago deu à costa.


4. (25/12/1987)
Ao amanhecer, as bruxas transformam-se em galinhas. Iratan e Iracema prosseguem o seu caminho e encontram um homem de vermelho que lhes faz uma grande receção, levando-os a uma cidade onde não é permitido fazer qualquer tipo de barulho. Inadvertidamente, Iracema dá um grito, e os irmãos são perseguidos pelos habitantes da cidade. Na fuga, travam conhecimento com o pássaro bisnau, o pássaro da morte.


5. (28/12/1987)
Iratan e Iracema vão parar a um lugar que descobrem tratar-se do Inferno. Conseguem fugir clandestinamente na barca de Caronte, que os leva pelo rio Lethes, mas no sentido contrário ao habitual (da morte para a vida). No entanto, sendo esse o rio do esquecimento, quando chegam à margem da vida, os dois irmãos encontram-se completamente desmemoriados.


6. (29/12/1987)
Iratan e Iracema continuam a acompanhar as memórias – que lhes foram vendidas – do Príncipe Ivan, que abriu mão da riqueza e do poder do seu pai para se tornar um guerreiro. Acabam por conseguir comprar as suas próprias memórias e conseguem, finalmente, regressar a casa.

Criada por Olavo d’Eça Leal, a História Extraordinária de Iratan e Iracema, os Meninos Mais Malcriados do Mundo foi originalmente publicada na revista Rádio Nacional, uma publicação semanal da Emissora Nacional, onde o próprio autor a leu aos microfones. A narrativa foi dividida em 37 capítulos, publicados entre 25/12/1938 e 03/09/1939.

O primeiro capítulo

Posteriormente, ainda em 1939, a obra foi editada em livro pela Romano Torres. Décadas mais tarde, em 1983, esta mesma edição foi reproduzida em versão fac-símile.

Em 1987, Paulo-Guilherme d’Eça Leal, filho do autor, decidiu transformar o clássico do pai numa produção cinematográfica, realizando-a em dois formatos: um filme de fundo, com 1h50m de duração, e uma minissérie dividida em seis episódios de 25 minutos. Esta última versão foi exibida pela RTP durante as férias de Natal de 1987, ao fim da tarde.

Paulo-Guilherme considerava que, de certa forma, o enredo já nascera como filme na cabeça do autor, pelo que não foi difícil fazer a sua adaptação à estrutura de uma longa-metragem. Contudo, foi necessário proceder a alguns cortes para que a história fosse contada de forma fluente: por um lado, eliminou-se o que não era essencial à trama; por outro, deixou-se de fora aquilo que, mesmo à luz da melhor boa vontade e de uma produção de certo modo ambiciosa, não seria exequível filmar.

Nesta altura, a obra literária foi reeditada pela editora Pensamento. As 40 páginas finais deste livro incluem material diverso relativo à produção do filme, como um diário de bordo, esquemas de planificação, letras das canções e algumas fotografias.

Maria Helena d’Eça Leal, irmã de Olavo d’Eça Leal, uma das mais conhecidas vozes da rádio e da publicidade em Portugal, foi responsável pela narração do filme.

A série encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.

Iratan e Iracema