Exibição:
03/06/1992 – 18/11/1992 (RTP 1)
Número de capítulos:
120
Produção:
Rede Globo (1990/1991)
Novela de:
Cassiano Gabus Mendes
Direção geral:
Paulo Ubiratan
Exibição:
03/06/1992 – 18/11/1992 (RTP 1)
Número de capítulos:
120
Produção:
Rede Globo (1990/1991)
Novela de:
Cassiano Gabus Mendes
Direção geral:
Paulo Ubiratan
Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) foi casado com a bela Maria Helena (Ariclê Perez) e sempre suspeitou de que a mulher o traía com o seu sócio. Essa desconfiança terá sido confirmada através de uma correspondência aparentemente comprometedora, bem como pela palavra de Valentina (Yoná Magalhães), a sua irmã. Em resultado, Maria Helena foi expulsa do lar e o casamento dissolvido.


O adultério, porém, ficaria sempre presente na vida de Dom Lázaro com o nascimento do fruto da traição, Ricardo Miranda (José Mayer), filho gerado por Maria Helena logo após a separação e que, quarenta anos depois, se recusa a vender a sua quota na Venturini Designers. Assim, Dom Lázaro desenvolve um ódio profundo por Ricardo, que se contagia a toda a sua família, principalmente à nora, Isadora (Sílvia Pfeifer), que ascende na empresa após ficar viúva.

Isadora é uma mulher fria e má. Ao saber que o seu filho, Marco António (Fábio Assunção), namora com uma jovem pobre, não hesita em forçá-lo a romper a relação. A vítima da ira de Isadora é Fernanda (Lídia Brondi), para desespero da manicure Berenice (Nívea Maria), a sua mãe, que desabafa com Mimi Toledo (Ísis de Oliveira), uma cliente sua que também não gosta de Isadora.

Mimi e Berenice preparam uma vingança que consiste em arranjar um rapaz pobre, fazê-lo passar por milionário e seduzir Vitória (Lisandra Souto), a filha mimada da megera. A escolha acaba por recair sobre Doca (Cássio Gabus Mendes), o vizinho mais miserável do bairro, que se apresenta como Eduardo Costa Brava, deixando Vitória encantada.


Entretanto, Valentina revela-se uma mulher voluntariosa e passional ao casar com o oportunista Henrique (Thales Pan Chacon). Apesar de não desgostar da mulher, ele não pretende ser-lhe fiel e não tem quaisquer escrúpulos em traí-la com a prostituta Ana Maria (Luma de Oliveira). Impiedosa, Valentina mata-a com um tiro.

Por seu turno, Dom Lázaro descobre que Isadora não odeia Ricardo. Pelo contrário, os dois são amantes há muito tempo. Ao surpreende-los num momento íntimo quando visitava a campa do filho, o patriarca tem um AVC e fica incapacitado de se locomover e de comunicar. Isadora tenta sufocá-lo com uma almofada, mas não é bem-sucedida nem consegue impedir que o sogro recupere.

Um dos motivos para Dom Lázaro se agarrar à vida é a presença de Rosa Maria, filha da sua enfermeira e mãe de Doca, cujo rosto é exatamente igual ao da falecida Maria Helena.

Por seu turno, Valentina é presa por ter morto Ana Maria. Arrependida dos seus pecados, e já não tendo nada a perder, confessa a Dom Lázaro que mentiu quando lhe disse que Maria Helena o tinha traído. Na verdade, a esposa sempre lhe foi fiel e Ricardo é seu filho legítimo. Perante a revelação, Dom Lázaro quase tem outro ataque, mas consegue permanecer sóbrio e procurar Ricardo, que se recusa a perdoá-lo. Porém, fica patente que nenhum dos dois tem qualquer interesse em manter a sociedade.
Quem lucra com tudo isso é Isadora, ao transformar-se na sócia maioritária e presidente da Venturini Designers, concretizando todas as suas ambições materiais. No entanto, abandonada por todos, até por Ricardo e pelos próprios filhos, ela percebe que está na mais completa solidão e que lhe resta ser infeliz para sempre.

Embora durante vários meses tivesse sido noticiado que Pedra sobre Pedra substituiria Rainha da Sucata, a poucas semanas do final a imprensa começou a divulgar que a próxima novela da noite seria Meu Bem, Meu Mal.

Quase dois anos antes, também na Globo, Meu Bem, Meu Mal tinha sucedido a Rainha da Sucata, e tal como no Brasil, a primeira sensação que se teve foi de que a novela não trazia nada de novo, tal como o autor oportunamente tinha avisado.
Cassiano Gabus Mendes, especialista em novelas leves, nos últimos anos primara-se por imprimir aos seus trabalhos um humor refinado, do qual já tínhamos visto Brega & Chique e Ti-Ti-Ti. Sem serem novelas de muita ação, os seus enredos tinham como ponto forte os diálogos atravessados por uma ironia cáustica, que nos anos 80 foram sucesso garantido.
Porém, Meu Bem, Meu Mal, à partida, não seria assim. A produção procurou dar um toque elegante e sóbrio à novela, lembrada mais pelo seu charme do que pelos próprios entrechos. Apesar de ser apresentada como um dramalhão, o telespetador mais atento notava muitas vezes que as tramas e os mistérios não eram levados muito a sério sequer pelo autor, não faltando diálogos carregados da célebre ironia.
Sem ser considerada uma das melhores novelas já vistas, Meu Bem, Meu Mal foi arrecadando telespetadores fiéis e conseguiu uma belíssima audiência nos últimos meses, mesmo com toda a publicidade dispensada a Pedra sobre Pedra, que veio a ser a sua sucessora na RTP.
Sílvia Pfeifer foi um dos destaques da novela, como a dissimulada e ambiciosa Isadora Venturini. Vinda de uma sólida carreira como manequim, apenas havia trabalhado, como atriz, na minissérie Boca do Lixo, da qual fora protagonista. Foi o próprio Cassiano Gabus Mendes que escolheu Sílvia para o papel, depois de ter ficado impressionado com o seu desempenho nesse trabalho.
Quando a novela se iniciou, não faltou quem criticasse o desempenho da atriz. Contudo, o público acabou por reconfortá-la, através das muitas reações positivas que lhe dispensou.

A cerca de um mês do final, a SIC iniciou as suas emissões e a primeira novela a ser transmitida, ao fim da tarde, foi uma outra de Cassiano Gabus Mendes, Plumas e Paetês, aqui veiculada com o título Plumas e Lantejoulas. Plumas e Paetês, por seu turno, revelava-se uma novela mais leve do que Meu Bem, Meu Mal, mas ainda anterior à fase engraçada de Cassiano Gabus Mendes, não tendo o humor de Ti-Ti-Ti nem de Brega & Chique.
Tal como a maioria das novelas que víamos desde 1989, Meu Bem, Meu Mal foi apresentada numa versão compactada para exportação, com 120 capítulos, em vez da versão original com 173. Porém, se era habitual haver cortes, neste caso, para que a novela terminasse com um número “redondo”, a tesoura da edição foi ainda mais impiedosa nos últimos capítulos, eliminando cenas que o público certamente gostaria de ver, tais como os casamentos de Marco António (Fábio Assunção) e Dirce (Luciana Braga), e de Elza (Zilda Cardoso) e Emílio (Jorge Dória). A TV Guia, perto do final, fez alusão a essa particularidade.


A banda sonora não foi oficialmente editada em Portugal. Durante a exibição, apareceram à venda alguns exemplares importados do CD com os temas da telenovela. Tratavam-se, muito provavelmente, das sobras do mercado brasileiro, onde o compact disc dava ainda os primeiros passos.

Também não faltaram os habituais lançamentos de cassetes piratas. Houve pelo menos duas editoras a fazê-los: a Espacial e a MSG.


