1. (15/02/1995)
São Tomé, início dos anos 50. Ernesto, o implacável administrador da roça, recebe uma carta de Belinha – a namorada que deixara em Portugal – a pedir emprego para o marido, Paulo. Movido pelo rancor, Ernesto aceita o pedido, arquitetando uma vingança cruel. Paulo desembarca no arquipélago cheio de ambição, mas também de receio perante um ambiente hostil e estranho. Logo à chegada, cruza-se com Nencha, uma bela mulata que se encanta de imediato com ele. O primeiro dia de trabalho é marcado pela morte trágica de um trabalhador picado por uma cobra-preta e por novos olhares trocados com Nencha, o que agrada a Ernesto. No domingo, ao ver a jovem no rio, Paulo é alertado por Tavares de que as mulheres locais costumam enfeitiçar os brancos com o milongo. Determinada a conquistá-lo, Nencha convence o padrasto a mudarem-se para a roça, contra a vontade da mãe. Contudo, a falta de adaptação ao calor e à dura realidade colonial minam os nervos de Paulo que, num acesso de raiva, agride o respeitado feiticeiro Caúma. Furioso com a afronta ao homem que já lhe salvara a vida, Ernesto manda punir o recém-chegado.
2. (22/02/1995)
A pedido de Ernesto, Amélia aceita orientar Nencha nas suas novas funções no hospital da roça. É aí que a jovem conhece o feiticeiro Caúma, que recupera do braço partido por Paulo. Ao descobrir os seus dons, Nencha pede-lhe um milongo para conquistar o branco. Entretanto, Paulo regressa de uma curta temporada no Príncipe com um plano para expandir a roça. Num golpe maquiavélico, Ernesto escala Caúma para a equipa de limpeza de terreno liderada por Paulo. O perigo espreita e Paulo acaba mesmo por ser mordido por uma cobra-preta. É o saber do feiticeiro que o salva da morte certa, aplicando-lhe um remédio local. Fora de perigo, Ernesto dispensa Paulo do trabalho por uns dias, deixando-o propositadamente a recuperar sob os cuidados de Nencha. Fragilizado e isolado na convalescença, o jovem aventureiro não resiste à tentação e propõe a Nencha que seja sua samu.
3. (01/03/1995)
Entre a malícia e a bisbilhotice, Amélia vai tentando “tirar nabos da púcara” e avisa Paulo de que é preciso fugir da cobra-preta, mas também da morena bonita. A tensão aumenta quando Ernesto anuncia o seu regresso à metrópole, deixando Paulo consumido pelo ciúme e pelo medo de que o rival procure a sua esposa. Pouco depois, Tavares e Amélia mudam-se para a sede, deixando Paulo sozinho na casa do feitor. Sentindo-se abandonado e vulnerável, o alentejano recebe uma carta de Belinha onde ela confirma o antigo namoro com Ernesto. Julgando-se traído pela ambição da mulher, Paulo deixa-se levar de vez pelos encantos de Nencha e, para a seduzir, promete-lhe casamento e acolhe-a em sua casa. O tempo passa e, após o nascimento do filho de ambos, Paulo passa a rejeitá-la. É então que chega uma nova carta que muda tudo: Paulo percebe que julgou mal a esposa e que Ernesto a está a subjugar em Portugal, tendo comprado a herdade onde ela trabalha. Encurralado entre o dever e o erro, Paulo decide que tem de regressar à metrópole.
4. (08/03/1995)
Confrontada com a verdade, Nencha sente-se profundamente enganada e magoada ao saber que Paulo é casado e está determinado a regressar a Portugal. Desesperada, a jovem procura novamente o feiticeiro Caúma. Antes da partida do amante, implora-lhe que cumpra um último desejo: batizar o filho de ambos. Paulo cede, mas o atraso fá-lo perder o navio. Durante a cerimónia, Sidónio aproveita para enviar secretamente, para a metrópole, um envelope com uma fotografia do novo núcleo familiar de Paulo, que é obrigado a esperar dois meses pelo próximo barco. Nencha simula conformismo, mas não desiste de prender o homem branco. No dia da nova partida, prepara-lhe uns biscoitos que lhe provocam uma grave intoxicação alimentar. Percebendo a armadilha, Paulo culpa Nencha por ter ficado em terra mais uma vez e expulsa-a de casa. À terceira tentativa de embarque, e com a ajuda de Tavares, Paulo consegue finalmente livrar-se da pressão da samu. Contudo, quando o navio está prestes a zarpar, recebe a notícia dramática de que Nencha está entre a vida e a morte.