Exibição:
1.ª temporada: 01/04/1994 – 23/09/1994 (SIC)
2.ª temporada: 31/03/1995 – 28/09/1995 (SIC)
Apresentação:
Margarida Reis
Baseado numa ideia de:
Henny Huisman
Música:
Hans van Eijck
Produção:
Endemol
Exibição:
1.ª temporada: 01/04/1994 – 23/09/1994 (SIC)
2.ª temporada: 31/03/1995 – 28/09/1995 (SIC)
Apresentação:
Margarida Reis
Baseado numa ideia de:
Henny Huisman
Música:
Hans van Eijck
Produção:
Endemol


Mini-Chuva de Estrelas é um programa em que intérpretes de palmo e meio imitiam os seus cantores favoritos, vestidos e maquilhados de forma a ficarem o mais parecidos possível com as verdadeiras estrelas.

Os cinco concorrentes de cada emissão cantam sempre em playback, uma vez que o principal objetivo é pô-los a coreografar canções de nomes famosos.
As suas interpretações são julgadas por um júri constituído por três elementos, dois fixos e um rotativo.

Margarida Reis conduz o programa, entrevistando os concorrentes e apresentando os temas que vão interpretar. As entrevistas decorrem numa loja de artigos de espetáculo, com muitos brinquedos à mistura, de onde saem com as roupas na mão para atravessar uma porta que lhes dá acesso ao estúdio, onde, vestidos a rigor, vivem por alguns momentos a magia do show biz.

Depois do incontestável êxito de Chuva de Estrelas, a SIC apostou as fichas na versão infantil do programa, também ela adaptada de um original holandês, Mini-Playbackshow.

Coube a Margarida Reis, vinda da TVI – onde apresentara o concurso Queridos Inimigos, em dupla com Rogério Samora –, a apresentação do programa, depois das recusas de Catarina Furtado e Alexandra Lencastre.

Nos primeiros programas, os jurados fixos eram Fernando Martins e Teresa Ricou, aos quais se juntava um convidado diferente a cada semana.

Mini Chuva de Estrelas dividiu a opinião pública. Embora houvesse quem elogiasse, uma grande fatia contestou, sobretudo, o facto de as interpretações serem feitas em playback.
Numa reportagem da TV Guia, Margarida Reis foi a primeira a defender o formato: “Gosto do que estou a fazer. Quem quiser dizer mal, que diga. Que façam coisas novas, em vez de falarem, pois eu continuarei a fazer o programa que considero bom. As crianças não cantam, mas estão ali a representar uma personagem que admiram”.

Por sua vez, Maria do Carmo Mozer, diretora de produção externa da SIC, explicou que, caso se tivesse optado por pôr as crianças a cantar, o programa seria forçosamente outro: “Todos sabemos perfeitamente que as crianças com quatro ou cinco anos ainda não têm a voz trabalhada e, portanto, seria uma proposta diferente”.
Do lado oposto, Ana Maria Vieira de Almeida, sócia-fundadora do Instituto de Apoio à Criança, criticou o programa, que considerou “lamentável”, pela exploração a que eram sujeitos os participantes: “A utilização de crianças, por natureza incapazes de por si defenderem os seus direitos, para divertimento de adultos e fins comerciais é inqualificável. […] Todas as crianças se divertem quando se mascaram e todas gostam de imitar os adultos quando o fazem espontaneamente. Não acredito que se divirtam a serem amestradas para macaquear, a aguentarem várias horas de gravação e a serem avaliadas por um júri”.
Também o Dr. Manuel Coutinho, diretor do S.O.S. Criança, reprovou o Mini-Chuva: “Não podemos permitir que as crianças sejam vistas como adultos em miniatura. […] Bastava fazer alguns ajustamentos, nomeadamente permitir às crianças uma participação real, em vez de fictícia; que deixassem de parecer «marionetas telecomandadas», limitadas na sua imaginação e criatividade; e, acima de tudo, sem a graça e a alegria espontâneas de crianças tão pequenas, que estão condicionadas a repetir e a copiar gestos de adultos, por vezes tão desajustados e impróprios para a sua idade. […] Não as mascarem, não as iniciem tão precocemente no mundo da competição”.

A revista Visão foi ainda mais longe, dedicando ao programa um artigo de capa, com sete páginas repletas de críticas devastadoras.

Os psicólogos consultados pela publicação foram unânimes na classificação do programa como anti-pedagógico, sobretudo pela pressão que representava a avaliação por um júri adulto – uma experiência dura e stressante – que também poderia dar azo a que algumas crianças se achassem melhores do que as outras.
Piet-Hein Bakker, responsável pela delegação portuguesa da Endemol, contrapôs esta ideia, garantindo que cada criança era um vencedor e que havia troféus para todas elas.

Mas as críticas não se ficaram pelo aspeto pedagógico.
O ator Pedro Wilson (o Gil da Rua Sésamo) declarou à revista: “Quando vi pela primeira vez, pensei nos macacos vestidos de pessoas para um espetáculo de circo. Qualquer dia inventam um Mini-Estrelinhas Bebés e põem-nos a palrar em playback. […] Utilizar crianças para captar audiências parece-me uma nova fórmula correspondente à utilização das pernas das senhoras nos anúncios publicitários.”
Por sua vez, a também atriz Graça Lobo gritou bem alto que o programa deveria acabar “já” e que se tratava de “um convite às taras sexuais dos homens”.
Opinião corroborada pelo escritor António Torrado, que o descreveu como um “programa para os pedófilos ficarem com água na boca”, acrescentando: “Quem quisesse, em campanha de promoção bem gizada, atrair clientela para a prostituição infantil não faria melhor”.

O artigo incluiu ainda uma crítica impiedosa da escritora Alice Vieira:
A primeira vez que vi Mini Chuva de Estrelas pensei que um programa assim não teria futuro. E pensei mais: que no dia seguinte iria ler em todos os jornais, e ouvir de todas as bocas, as mais vibrantes expressões de repúdio. Ninguém em seu perfeito juízo – pensava eu – iria admitir aquela exploração infantil, aquela exibição de quase pornografia. Afinal, não aconteceu nada disso, e as pessoas parece todas muito felizes a contemplarem os seus rebentos que, aos seis ou sete anos de idade, nos são apresentados na pele de Marcos Paulos ou Madonnas, de cujas inocentes bocas saem vozeirões adultos. Pobres crianças, usadas e abusadas – só espero que um dia, quando forem adultos, ninguém lhes conte estas vergonhas por que as fizeram passar.
É claro que as crianças gostam do espetáculo, gostam de imitar os adultos. Mas essa imitação é sempre criativa, é sempre crítica, e quase sempre cruel – porque esta é a verdadeira criatividade infantil. Se queriam que as crianças imitassem os adultos (e já aqui é muito discutível se essa imitação deveria ser transformada em espetáculo), então que as deixassem agir livremente, cantando elas próprias o que entendessem e da maneira que entendessem, sem interferências familiares. Pôr-lhes playback total – e fazê-las imitar o que não entendem – é uma atitude criminosa; é matar, diante de uma assembleia de milhões de espetadores, a espontaneidade e a imaginação que existe em todas as crianças.
Quanto ao júri, apenas direi que é altamente cúmplice deste «crime». Pois não é que um deles exclamou para uma criança, que imitara a Madonna: «estás muito sexy, não estás?». E outro afirmou que a interpretação (!) de uma das crianças o tinha deixado «todo arrepiado», dada a força com que ela tinha «sentido a canção!». Pobre criança, que se limita a fechar os olhos e a dar às ancas. Do que eu gostei, palavra de honra, foi da conversa de uma criança, antes de entrar em cena, que, na sua maior ingenuidade, declarara ter perguntado à Dulce Pontes o que havia de fazer para a imitar bem na Lusitana Paixão, e ela lhe ter respondido que «fechasse os olhos e fizesse muita força como se estivesse na casa de banho». Tenho pena de não me lembrar do nome da criança, porque essa merecia todas as palmas do mundo, pela desmistificação (inocente, é claro) de tudo aquilo.
Quanto à apresentadora, nem sequer sabe a lição de cor. Tira papelinhos, lê papelinhos, pergunta as coisas mais parvas, imaginando assim colocar-se ao nível das crianças, puxando as respostas quando as crianças o que querem é ficar caladas, ou querendo que elas respondam o que alguém lhe deve ter assegurado que eles responderiam. Os cãezinhos de Pavlov, ao menos, não tinham os ecrãs da televisão em cima…
Sérgio Godinho, depois da experiência como jurado nas semi-finais do Chuva de Estrelas, recusou o convite para repetir o papel no Mini Chuva, por sentir que a proposta não lhe agradaria.
A própria Teresa Ricou, que fazia parte do júri fixo, fez coro com as críticas: “Esperava mais espaço da criação para as crianças. Apercebi-me de que o Mini Chuva é um programa que sai diretamente do produtor para o consumidor. A Endemol não está interessa nem na minha opinião, nem numa posição mais pedagógica ou sentida da vivência da infância. Isto é de facto um comércio. […] Vinha entusiasmada com a possibilidade de trazer à televisão alguns dos meninos que trabalham comigo no Chapitô. Depois entendi que estava aqui apenas para cumprir uma função. Sinto-me desprotegida, mas tento manter uma certa coerência para não trair nem as crianças nem o compromisso profissional que assumi.”
A Endemol não terá gostado das declarações de Teté à Visão e dispensou-a das suas funções de jurada. Teté, entretanto, escreveu uma “carta aberta” aos meninos que semanalmente assistiam ao Mini Chuva de Estrelas e disse ainda ter saído na hora certa, “porque o programa tem falta de qualidade”.

Maria Vieira, que fora o elemento rotativo do júri na 2.ª emissão, acabou por assumir, ainda durante a primeira temporada, o lugar de Teté.

Fernando Martins foi também jurado fixo do Chuva de Estrelas, nas últimas quatro temporadas.

Indiferente às críticas, a SIC produziu uma segunda temporada do programa, mais uma vez na sequência do Chuva de Estrelas.
Bruno Salgueiro, personal trainer e duplo profissional, participou na 2.ª emissão.

A atriz Marta Gil foi a vencedora da 8.ª emissão, com uma interpretação de Não Sejas Mau P’ra Mim, de Dora. Coincidentemente, é a entrega de prémios dessa emissão que ilustra a capa da referida edição da Visão.

Também a apresentadora Carolina Torres, a atriz Vera Kolodzig e o cantor TT fizeram parte do rol de concorrentes que viriam a tornar-se famosos.
O inesquecível tema do programa, Todos Juntos (adaptado do original holandês, Met Z’n Allen), foi interpretado por Margarida Reis em conjunto com as Popeline e editado num single.

O tema foi também incluído no CD Best of SIC (1995), uma compilação com os temas musicais de programas da SIC; e na coletânea infantil Vitinho: 30 Grandes Êxitos (2016).


Mini Chuva de Estrelas foi recordado na rubrica Perdidos e Achados, exibida no Jornal da Noite a 17/11/2012. Dezoito anos depois, era relevado o paradeiro dos vencedores de algumas das primeiras edições.

Um deles era o ator Tiago Retrê, precisamente um dos ‘visados’ pela crítica da Visão, por ter sido colocado a interpretar o tema Taras e Manias, de Marco Paulo, cuja letra era considerada imprópria para os seus 7 anos de idade: “Uma lady na mesa, uma louca na cama… Mexe e remexe…”.

Foram ainda entrevistados:
– Márcio Costa, que havia criado a banda Godmen, na qual era vocalista;

– Milene Candeias, que vencera vários concursos e cantava fado, embora não conseguisse fazer da música profissão.

