Na Paz dos Anjos

Exibição:
16/04/1994 – 20/01/1995 (RTP 1)

Número de capítulos:
160

Original de:
José Fanha

Argumento e diálogos:
José Fanha
Jorge Paixão da Costa

Assessoria criativa:
Doc Comparato

Direção musical:
Thilo Krasmann

Direção de produção:
Rosário Feliciano

Realização:
Régis Cardoso

Direção geral:
Nicolau Breyner

Elenco:
Ana Brito e Cunha – Catarina
António Assunção – António
António Montez – Arsénio
Armando Cortez – Macário
Catarina Avelar – Melita
Cristina Carvalhal – Maria
Cucha Carvalheiro – Laurinda
Diogo Infante – Cândido
Estrela Novais – Lala
Fernanda Borsatti – Condessa
Filipe Ferrer – Francisco de Malva e Cunha
Florbela Queiroz – Filomena
Guida Maria – Teresa
Helena Laureano – Esperança
Isabel Medina – Mimi
João Cabral – Pedro
João Perry – Sebastião
José Gomes – Maurício Lourosa
José Pedro Gomes – Padre José Eduardo
Luís Aleluia – Fernandinho
Manuel Cavaco – Crispim Saraiva
Maria José – Hermínia
Miguel Mendes – Claudionor
Paula Pedregal – Raquel
Ramon de Mello – Constantino
Ricardo Carriço – Julinho
Rita Ribeiro – Rosa Maria
Rui Mendes – João Carlos
Sandra Faleiro – Marta Sofia
Sofia Alves – Dora
Varela Silva – Hélder Sabino
Vítor Norte – Quim Carreiras

Participações especiais:
José Alves – Jean Pierre
Luís Esparteiro – Manuel Sancho
Sofia Sá da Bandeira – Cremilde Crespo
Cláudia Cadima – Enfermeira
José Eduardo – Diamantino Pinheiro
Fernando Ferrão – Veloso
Carla Lupi – Funcionária do banco
Nuno Emanuel – Investigador 1
Carlos Gonçalves – Benedito
Luís Zagallo – Investigador 2
José Torres
Luís Pavão – Dr. Viegas
Pedro Barão – Médico
Gil Vilhena – Taberneiro
Rosa Guerra – Rececionista do hospital
Ladislau Ferreira – Edmundo Silva
Rui Fernandes – Jogador
José Boavida – Agente da PJ
Dina Aguiar
Fernando Mendes – Manolito Caracol
Rosa do Canto – Narcisa
Bruno Rossi – Toni (Raptor de Marta Sofia)
Beto – Raptor de Marta Sofia
António Aldeia – Raptor de Marta Sofia
Carlos Areia – Empresário
Manuel Castro e Silva – Condutor
Licínio França – Molina Piñones

Sebastião Ribeiro (João Perry) simula a própria morte, fazendo explodir o laboratório onde trabalha, em França. Com o passado envolto numa nuvem de fumo e vítima de uma doença fatal – pensa ele –, regressa à terra onde nasceu e onde pretende morrer, Ribeira dos Anjos. A vila, outrora uma importante instância balnear, definha numa pacatez modorrenta de uma completa paz dos anjos. Esse cenário de encantos amargurados testemunha a guerra por tudo e por nada entre o engenheiro Arsénio Mota Costa (António Montez), o industrial mais próspero da cidade, e o presidente da Junta de Freguesia, Maurício Lourosa (José Gomes). O que um tem de ronha, sobra ao outro em matreirice. Por entre eles, insinua-se o espírito esquentado em empáfia da Condessa Olímpia de Alencastre (Fernanda Borsatti), sempre vigilante e atenta para que nenhum deles ponha o “pé em ramo verde”.

Arsénio é casado com a espampanante Filomena (Florbela Queiroz), que tudo faz para chamar a atenção do marido, e tem uma filha, Dora Maria (Sofia Alves) a rapariga mais sensual de Ribeira dos Anjos. Com o sonho de expandir as instalações da fábrica, a afamada Bobex, o engenheiro recorre à ajuda de dois influenciadores de Lisboa: Francisco de Malva e Cunha (Filipe Ferrer) e sua esposa Mimi (Isabel Medina), cujas manigâncias exasperam qualquer um. É que, na verdade, o casal não tem um tostão furado, arrotando grandeza e influência que não tem, com uma larga prosápia.

Na Bobex, trabalha Crispim Saraiva (Manuel Cavaco), um bota-de-elástico, manga-de-alpaca, servil e demasiadamente medroso para retorquir qualquer ordem, e a sua mulher, Melita (Catarina Avelar), cujo passado é comentado à boca cheia pelas artérias de Ribeira dos Anjos. Os dois têm um filho, o furriel Constantino (Ramon de Mello), que volta à terra em ocasiões festivas. Operária da fábrica, de veia sindicalista apurada é Laurinda (Cucha Carvalheiro), casada com o dono do único táxi da vila, o abnegado Hélder (Varela Silva). O filho deles, Cândido (Diogo Infante) cumpre pena em Pinheiro da Cruz.

No dia-a-dia insípido da vila, a agitação chega do Salão Rosy, cuja proprietária, a fogosa cabeleireira Rosa Maria (Rita Ribeiro), já quase que perdeu a conta ao número de casamentos que teve no papel – tudo para ajudar no processo de naturalização de jogadores contratados pelo clube da terra, o Fluvial Ribeirense, presidido de modo quase vitalício por Arsénio, o amante de Rosa Maria. O seu último enlace deveria ter sido com o brasileiro Miltinho Pé de Canhão, mas uma troca de papelada fez com que se contraísse matrimónio com o cabeleireiro Claudionor (Miguel Mendes). Este vai tentando subir na vida com os seus negócios excêntricos, que lhe demonstram imaginação em fogo. Fulgor foi o que em tempos experimentara Quim Carreiras (Vítor Norte). Uma lesão grave precipitou-lhe o adeus ao futebol. Consolação apanhou num vício que não conseguiu mais largar – o da bebida –, lançando-se, surpreendentemente, noutra aventura: a criação de pombos. Em sonhos, parece viver a sobrinha de Rosa Maria e (até meio da trama) de Quim: a pacata Marta Sofia (Sandra Faleiro) muito apegada à leitura, para poder escapar a uma realidade maçadora que é a sua vida. A praguejar com o seu destino de manicura, anda também Raquel (Paula Pedregal), sempre de olho posto nas previsões astrológicas.

Do outro lado da rua, cuidando dos hóspedes com esmero, o Café-Pensão Central oferece boa cama e boa mesa para quem passa por Ribeira dos Anjos. Os proprietários são os Fontainhas, gente pacata, vinda de França, à procura de sossego e de paz, depois de um passado em vendaval. João Carlos (Rui Mendes) agita-se com as curvas insinuantes das hóspedes, para desespero de Teresa (Guida Maria), cujo fogacho de atriz frustrada ainda pulsa ferventemente em si. Com a libido em alta e o receio a atamancar-lhe a engrenagem, está o filho, Pedro (João Cabral), ansioso de se estrear sexualmente com a tímida e recatada professora do Colégio Ateneu, Esperança (Helena Laureano), que tenta agitar. A filha, Catarina (Ana Brito e Cunha) viu o sonho de entrar na universidade a esfumar-se por décimas, e demonstra o seu recalcamento no seu praguejar e casmurrice constantes.

Com Ribeira dos Anjos em truculência pela posse dos terrenos de um casino em ruínas, sucedem-se em catadupa acontecimentos dignos de parangonas no jornal mensal da vila, O Clarim, dirigido pelo velho Macário (Armando Cortez), cuja resistência ao progresso lhe vai causar amargos de boca. Do outro lado do patamar, fica o ganha-pão da família: o videoclube e paredes-meias a Foto Paraíso. Com pouco que fazer, António (António Assunção), filho de Macário, põe a cabeça em água à sua mulher, ao deitar largas à imaginação. Quem lhe coloca, amiúde centelha no sonho, é João Carlos Fontainhas. Reticente é a conservadora mulher de António, Lala (Estrela Novais) que tenta desfazer-lhe os devaneios, chamando-o à terra, com a cabeça em combustão com um erro do passado que ameaça vir à tona. Na ânsia de viver a sua vida tranquila, está Julinho (Ricardo Carriço), o filho do casal, traído pelo coração.

Ao chegar a Ribeira dos Anjos, Sebastião vê o destino atacá-lo à primeira esquina: o seu passado começa a vir à tona e, arrastados por rumores ferventes do seu paradeiro, dois facínoras chegam com único objetivo: levar a fórmula da cisão a frio que Sebastião criara. Ainda antes de por lá passarem, já Sebastião se antecipara, escondendo o desejado microchip na igreja, onde o padre José Eduardo (José Pedro Gomes) vai pastoreando a custo o rebanho de fiéis.

Com as névoas do passado cada vez mais claras, Sebastião afeiçoa-se a D. Fernandinho (Luís Aleluia), o sétimo conde de Alencastre, enteado da Condessa, que vem a descobrir-se ser a mãe de Sebastião. Sebastião vai tentando refazer a sua vida sentimental e ajuda Fernandinho a largar de vez as saias da “madrinha”, cuja cabeça fervilha pela organização das Festas de Santa Apolónia, cargo que lhe foi parar às mãos e que esquenta a ânsia de Filomena. Na luta pelo estatuto e pelo zelo de figurar entre os notáveis da vila em festa, Filomena levará a melhor e fará subir ao palco o desprimorado artista Manolito Caracol (Fernando Mendes) e sua bailarina Narcisa (Rosa do Canto).

Por entre a batalha dos diabos pela posse dos terrenos do casino, lutas de egos, ultrajes e máscaras, assombram o enredo as insinuantes pernas do fantasma do casino. Num jogo de máscaras onde nem tudo parece ser, comprovando-se que, de facto, em Ribeira dos Anjos se vive na proclamada Paz dos Anjos.

Os Ribeiro

Sebastião Ribeiro (João Perry)
Cientista brilhante e obscuro. Nasceu em Ribeira dos Anjos – acreditando, erradamente, que era filho da Henriqueta costureira – e partiu jovem para França. Guarda da infância inúmeras memórias, umas felizes e outras dolorosas. Doutorado em Paris, assumiu a direção de investigação nos laboratórios de um centro de investigação nuclear. Descobriu a fórmula da cisão a frio, que procura escamotear à voracidade de múltiplas e vastas ambições, e contraiu uma doença fatal. Sentindo-se ameaçado, forja a própria morte e faz explodir o laboratório onde trabalhava. Regressa à sua terra natal, onde quer morrer em paz (na paz dos anjos). Assim que chega, começa a ser uma espécie de vírus na paz e na tranquilidade da terra. Tem frequentes crises de açúcar.

Maria (Cristina Carvalhal)
Filha de Sebastião com uma chilena, aparece na fase final da história. Remordente por o pai a ter atirado para um colégio na Suíça, ficando órfã de mãe, lança-se no encalço do pai, de quem parece querer abocanhar a fortuna. Das suas boas intenções, desconfia-se logo, pela faceta intriguista que dela se destapa a cada cena.

Os Alencastre

Condessa Olímpia de Alencastre (Fernanda Borsatti)
É uma mulher de raça, altiva e inflexível, representante da nobreza da vila. Gosta sempre de ter a última palavra a dizer. É dona da Quinta dos Rouxinóis – onde vive com o enteado, D. Fernandinho – e ex-proprietária do majestoso casino de Ribeira dos Anjos (agora em ruínas), que deseja reconstruir. Por tradição e herança, pertence-lhe a organização anual das festas de Santa Apolónia, padroeira da vila. Odeia a nova-rica Filomena. Não dispensa a sua aguardente de pêra.

D. Fernandinho (Luís Aleluia)
É o sétimo conde de Alencastre. Enteado e afilhado da Condessa, fruto de uma relação extraconjugal do seu marido, o Coronel. Era ainda miúdo quando se deu um acidente que lhe mudou a sorte, provocando-lhe uma lesão grave no cérebro, mas dotando-o de outras qualidades. Passa os dias a sonhar em ser adulto, como se ainda criança fosse. Para desespero da Condessa, delicia-se a comprar e a vender ações, que escolhe pela cor. Não vai deixar fugir de perto de si Sebastião, que, pacientemente, parece ser o único que o respeita.

Hermínia (Maria José)
Empregada da Quinta dos Rouxinóis. É meio surda, deficiência que nega ter. Resmunga frequentemente com Olímpia, desculpando as manias de Fernandinho.

Os Mota Costa

Arsénio (António Montez)
Engenheiro, proprietário da Bobex – uma fábrica de comida para cães – e presidente do clube de futebol Ribeirense. É o tipo de empresário que privilegia o sucesso económico a todo o preço. É adversário de Maurício e da Condessa, com quem disputa a posse dos terrenos do casino. A sua relação tempestuosa com o meio-irmão Sebastião vai ser o motor de muitas peripécias. Tem um caso com a cabeleireira Rosa Maria.

Filomena (Florbela Queiroz)
Mulher de Arsénio e mãe de Dora Maria, a quem tolhe movimentos e sonhos. É a típica nova-rica, pretensiosa. Espampanante, cabelo platinado, voz esganiçada de onde saem potentes gritos histriónicos, parece uma árvore de Natal ambulante. Adora pulseiras e anéis e passa a vida no cabeleireiro. Se pudesse, seria uma cópia saloia da Condessa. O dinheiro que o marido tem era do pai dela – o talhante da vila – antes do casamento. Anda a tirar a carta de condução, com a promessa de o marido lhe oferecer um Alfa Romeu Cabriolet. Sonha modernizar as festas da vila. Vive num mundo extravagante muito seu, em frenesim, sendo capaz de atitudes ridículas. É a presidente do Conselho de Administração da Bobex e, volta e meia, pede que o “tigre” que existe dentro de Arsénio ruja…

Dora Maria (Sofia Alves)
Filha de Arsénio e Filomena. A mãe castra-lhe os sonhos, querendo fazer dela uma Filomena mais nova, impondo-lhe um estilo de vida e um modo de vestir que não são os dela. Querendo dar o grito contestatário, deixa por vezes a ideia de que a eloquência não é o seu forte.

Os Fontainhas

João Carlos (Rui Mendes)
Dono do Café-Pensão Central. Ex-hippie, ex-desertor em França, ex-revolucionário da época da ditadura, ex-militante de todos os sonhos e utopias. É um homem terno, idealista e defensor acérrimo do amor livre. O seu único problema são as mulheres: fica sempre à espreita de uma oportunidade para ir mudar uma lâmpada no quarto de uma cliente mais esbelta…

Teresa (Guida Maria)
Filha de emigrantes, casada com João Carlos. Num assalto que fizeram a uma ourivesaria em França, presumivelmente com fins revolucionários, ficou com o dinheiro que lhes permitiu comprar o estabelecimento que atualmente dirigem em Ribeira dos Anjos. Resmunga com a pasmaceira da terra, insinuando o desejo de morar em Lisboa. É profundamente ciumenta e faz marcação cerrada ao marido. Em pequenina, foi atriz de teatro amador. É uma mulher que procura e não encontra um espaço de identificação à sua volta. Apavora-se quando reencontra Sebastião, que conhece o seu passado.

Pedro (João Cabral)
Estuda Física em Lisboa e, ao que parece, não é só com o curso que ocupa a cabeça. Virgem, inseguro, sonha com a sua primeira vez e teme ser impotente. É capaz de tudo por amor.

Catarina (Ana Brito e Cunha)
Menina contestatária, ciumenta, inteligente e birrenta. Não vê com bons olhos a proteção dos pais em relação ao irmão, e clama por poder dispor de oportunidades iguais. Quer estudar Gestão de Empresas e vive em frente do computador. É moderna e alérgica a valores éticos e morais. Nutre uma grande e secreta admiração por Arsénio.

Os Miraldino

Macário (Armando Cortez)
É o narrador-participante da telenovela, onde nos convida a mergulhar. É diretor, editor e principal redator do jornal O Clarim, que faz apenas com a ajuda do neto. Paralelamente ao jornalismo, é historiador e cronista, e conhece como ninguém os habitantes de Ribeira dos Anjos. Afável, é um tanto ou quanto bota-de-elástico nas opiniões, não vendo o progresso com muito bons olhos. Na sua perspetiva, não acontece nada na vila. Mas acontece de tudo um pouco, como em qualquer vila portuguesa.

António (António Assunção)
Filho de Macário, marido de Lala e pai de Julinho. Parece um homem vencido pela vida, ajudando a mulher e o filho no dia-a-dia do negócio da família: o videoclube. Foi dado como morto na guerra de África e, ao voltar, descobriu que a mulher, Lala, estava grávida, mas assumiu o filho como seu. De vez em quando, deixa que a imaginação o leve para as mais estapafúrdias ideias de negócio, tais como uma linha erótica e as “telebifanas”.

Eulália – Lala (Estrela Novais)
Mulher de António e mãe de Julinho. Acabrunhada, doente e triste. Parece ser um catálogo vivo de doenças. Só ela sabe quem é o verdadeiro pai do filho. Este segredo transforma-se num pesadelo quando Julinho se apaixona por Dora, que só Lala sabe ser sua meia-irmã. Trabalha no videoclube de Julinho e faz das doenças o seu tema de conversa.

Julinho (Ricardo Carriço)
Perfilhado por António, que tem em conta de verdadeiro pai. Adolescente a caminhar para a idade adulta, é dos mais desenrascados entre os jovens da vila. É empreendedor e montou um videoclube. É o fotógrafo da Foto Paraíso e de O Clarim. A sua intensa paixão por Dora é contrariada pela mãe, já que os dois são meios-irmãos.

Salão Rosy

Rosa Maria (Rita Ribeiro)
Proprietária do salão Rosy, que vai mantendo à custa dos proventos que lhe rendem os sucessivos casamentos com futebolistas estrangeiros. Irmã de Quim Carreiras, tem a seu cargo a sobrinha Marta Sofia, que se desconfia ser sua filha. É atualmente casada com Claudionor, com quem casou por engano. Vaidosa e sensual, tem o sangue quente e provoca suores a Arsénio, de quem é amante. É espertalhona, mas tem bom coração.

Quim Carreiras (Vítor Norte)
Irmão de Rosa Maria e antigo avançado-centro de grande nomeada. Retirado das lides futebolísticas, caiu na desgraça e dedica-se agora à bebida e à criação de pombos. Um deles, o Matateu, é tão alcoólico como o dono. Amigo de Sebastião é o primeiro a reconhecê-lo.

Marta Sofia (Sandra Faleiro)
Sobrinha de Rosa Maria e de Quim. Menina sonhadora, adora ler, para desgosto da tia, lesta a reprimir-lhe o vício. Não tem vaidade, sendo quase um patinho feio da vila. Quer conhecer a verdade sobre a sua ascendência e estar cara a cara com o pai, que desconfia ser Sebastião.

Raquel (Paula Pedregal)
Manicura do salão Rosy. Confunde o sonho com a realidade e tão depressa inventa uma gravidez impossível como vê ovnis ou mergulha em crises místicas delirantes. Bastante sugestionável ao que diz o horóscopo, num momento diz que quer ser freira, como noutro sente uma vontade fervorosa em pecar. Gosta de dar conselhos sentimentais a Marta Sofia.

Claudionor (Miguel Mendes)
Cabeleireiro brasileiro, natural de Paraguaçu. Chegado a Portugal, casou-se com Rosa Maria por causa de uma troca de documentos. Gay, boa-praça, tem sempre uma palavra espirituosa pronta a soltar-se da língua. É dono de uma imaginação muito fértil e vai-se desenrascando como pode, vendendo produtos exóticos que manda vir da sua terra natal.

Os Saraiva

Melita (Catarina Avelar)
Secretária da Bobex, mulher de Saraiva. É uma espia de Maurício, com quem tem um caso. Aos 15 anos, engravidou de Sebastião, mas foi empurrada pelas escadas abaixo, perdendo a criança. Desde então, foi olhada de soslaio pelo povo da vila, casando com Saraiva para calar as más-línguas.

Crispim Saraiva (Manuel Cavaco)
É o contabilista da Bobex. Parece ser uma azémola, um atado, um saco-de-pancada nas mãos de Arsénio, que o sujeita a humilhações constantes. Hesitante, medroso e dúbio, tropeça no temor da própria sombra. De personalidade transtornada, fica em desespero quando Sebastião regressa a Ribeira dos Anjos, por temer que o seu casamento chegue ao fim.

Constantino (Ramon de Mello)
É o orgulho dos pais, que não deixam passar oportunidade para o gabarem. Abnegado furriel, em pequenino era timorato, franzino e enfezado; brincava com bonecas. Viverá uma paixão por Dora Maria, mas as suas ideias conservadoras acerca do casamento afastá-la-ão.

Os Sabino

Hélder (Varela Silva)
É o único taxista da vila. Homem de princípios rígidos, educou Cândido com excesso de severidade. Declara não ter filho, a quem voltou as costas quando este foi preso. Tem dificuldades em pagar a letra do táxi, o que o leva a fazer serviços a Deus e ao Diabo. Ainda assim, fará de tudo para ajudar Macário a manter de pé o Clarim.

Laurinda (Cucha Carvalheiro)
Funcionária na Bobex, na secção de produção, fica com os nervos em franja sempre que a misturadora avaria. Ferve em pouca água, soltando a sua alma contestatária e sindicalista. Tem desvelo pelo filho Cândido. Acredita que a prosperidade se alcança com trabalho duro e sem sonhos.

Cândido (Diogo Infante)
Filho de Hélder e Laurinda. É a ovelha negra de uma família de trabalhadores honestos. Envolve-se permanentemente em brigas e foi apanhado nas malhas do crime. Marginalizou-se e desceu até ao roubo e à prisão. Com a fama de cadastrado a precedê-lo, depois de cumprir pena em Pinheiro da Cruz, regressa a Ribeira dos Anjos disposto a provar que os tempos de delinquente pertencem ao passado. Tem um flirt com Dora.

Os De Malva e Cunha

Francisco (Filipe Ferrer)
Sedutor, elegante, doutorado e teso. Vai passar fins-de-semana a Ribeira dos Anjos, onde é tratado como gente da alta sociedade. Puxa o lustro ao nome, assinalando sempre que alguém se esquece de acrescentar um “de” que lhe separa o nome próprio do apelido. Pomposo, vaidoso e arrogante, é um influencer, um “faz-tudo” que vai explorando Arsénio, levando o engenheiro à certa com as suas falsas promessas. Na realidade, não é nada do que alardeia: é um vigarista profissional, que já passou pela prisão e que tira soluções airosas para sair das enrascadas onde se mete. Tem uma conta calada na pensão por liquidar.

Margarida – Mimi (Isabel Medina)
Esposa de Francisco. Mulher sedutora que usa das suas armas para liquidar certas contas em falta. Diz viver na Quinta da Marinha e pertencer à fina-flor da sociedade.

Outros personagens

Dr. Maurício Lourosa (José Gomes)
Presidente da Junta de Freguesia e diretor do Colégio Ateneu. Tem a política a correr-lhe nas veias, vendo em todas as ocasiões oportunidades perfeitas para deliciar todos com a eloquência da sua retórica de falinhas mansas e manhosas. Em guerra aberta com Arsénio e com a Condessa, quer apropriar-se dos terrenos do casino para construir uma ludoteca.

Esperança (Helena Laureano)
Professora primária no Colégio Ateneu, voz melosa. Parece ser demasiado formal, conservadora e complexa. Apaixonada por Pedro, tentará descomplicar-se. Sentirá na pele o conservadorismo da vila.

Padre José Eduardo (José Pedro Gomes)
Padre progressista da Igreja de Santa Apolónia. Modelo de virtudes cristãs. Homem de bom senso e generosidade, é o bombeiro de serviço para todos os problemas dos seus paroquianos. Tem o vício de jogar Tetris. Sonha em transformar os terrenos do casino num centro paroquial e fica com a cabeça em água com as acérrimas disputas, entre a Condessa e Filomena, pela organização das festas.

Participações especiais

Jean Pierre (José Alves)
Colega de Sebastião no centro de investigação nuclear.

Manuel Sancho (Luís Esparteiro)
É um conhecido arqueólogo que as manigâncias de Maurício levam a Ribeira dos Anjos, para investigar a existência de vestígios arqueológicos nos terrenos do casino. Tem um caso com a colega Cremilde, a quem tenta convencer que se vai divorciar para ficar com ela.

Cremilde (Sofia Sá da Bandeira)
Assistente de Manuel Sancho, com quem mantém uma relação extraconjugal. Enfurece-se com a falta de iniciativa de Manuel em pedir o divórcio a Zélia.

Enfermeira (Cláudia Cadima)
Cuida de Quim na casa de saúde onde ele recupera da sua queda.

Diamantino Pinheiro (José Eduardo)
Chega a Ribeira dos Anjos para espalhar a boa nova, querendo converter a vila à Igreja da Redenção dos 14 Apóstolos. Palrante, não consegue evangelizar ninguém, a não ser Raquel.

Veloso (Fernando Ferrão)
Gestor do banco. A troco de umas férias patrocinadas por Arsénio, dificulta o adiamento do pagamento da letra da hipoteca da Quinta dos Rouxinóis por parte da Condessa.

Funcionária (Carla Lupi)
Substitui Veloso e não pode fazer nada para auxiliar Olímpia.

Investigador 1 (Nuno Emanuel)
Primeiro enviado a Ribeira dos Anjos para arrancar de Sebastião a fórmula da cisão a frio. O cientista consegue iludi-lo.

Benedito (Carlos Gonçalves)
Empilhador de caixas na Bobex, parece uma pobre alma deixada ao deus-dará. Tem uma particularidade: come, deliciado, comida para cães.

Investigador 2 (Luís Zagallo)
Chega a Ribeira dos Anjos num manto de secretismo, apresentando-se como caixeiro-viajante da Prescotic, uma inexistente empresa de consumíveis de informática. Depressa se percebe que está armado com uma espingarda. É, na realidade, um investigador ao serviço de um importante laboratório francês, que pretende reaver de Sebastião o microchip com a fórmula da cisão a frio.

José Torres
Columbófilo que visita Quim Carreiras, com quem brilhou nos relvados. Tenta amparar o amigo com a morte de Matateu, oferecendo-lhe novo pombo para a coleção: o Puskas.

Dr. Viegas (Luís Pavão)
Médico de confiança de Olímpia. Dá esperanças a Sebastião de uma longa vida.

Médico (Pedro Barão)
Observa Benedito e diagnostica-lhe uma doença grave, em fase terminal.

Taberneiro (Gil Vilhena)
É ele que mata a sede de Quim, quando este vai a Lisboa visitar Sebastião ao hospital. Ao ver o jogador de futebol, confessa reconhecê-lo, mas a memória trava-lhe o reconhecimento total, trocando o apelido do ex-craque.

Rececionista (Rosa Guerra)
Rececionista do hospital onde Sebastião está internado, em Lisboa. Despacha Quim Carreiras, que está embriagado.

Edmundo Silva (Ladislau Ferreira)
Inspetor sanitário que vai inspecionar a Bobex, depois de sucessivas queixas de contaminação da comida para cães. Lesto, ordena o fecho imediato da fábrica.

Agente da PJ (José Boavida)
Agente da Polícia que a denúncia anónima de Pedro faz chegar a Ribeira dos Anjos,  a fim de deter Cândido para averiguações.

Manolito Caracol (Fernando Mendes)
Artista convidado para abrilhantar a festa realizada em honra de Santa Apolónia. Cabelo encaracolado, bigode marialva, pulseira de ouro, sotaque intrincado de um espanhol aprendido numa cassete de curso de línguas. Como cantor, é muito foleiro. Na verdade, canta mesmo muito mal…

Narcisa (Rosa do Canto)
partenaire de Manolito. Interesseira, é ela quem trata das finanças do músico. Gosta verdadeiramente dele e alimenta-lhe os sonhos de artista. Com os outros, é uma mulher dura e agressiva. Mostra-se impermeável ao charme discreto das vigarices dos organizadores das festas.

Toni (Bruno Rossi)
Um dos raptores de Marta Sofia no dia do casamento.

Raptor 1 (Beto)
Outro dos raptores de Marta Sofia.

Raptor 2 (António Aldeia)
Outros dos raptores de Marta Sofia. Leva uma dentada da noiva raptada e acalma-lhe o mau génio com a “fruta da época”.

Obolum Guamé
Jogador de futebol que, por engano, se casou com Rosa Maria, e quer levá-la consigo para o Gana, para junto das suas quatro esposas.

Empresário (Carlos Areia)
Empresário de Obolum Guamé. Oferece três cabras em troca de Rosa Maria.

Funcionário
Vem oficializar a candidatura de Raquel à Junta de Freguesia.

Condutor (Manuel Castro e Silva)
Dá boleia a Sebastião e a Marta Sofia, quando estes fogem dos raptores, até Ribeira dos Anjos, embora não faça a menor ideia de onde fica a vila.

Molina Piñones (Licínio França)
Industrial espanhol representante da Perrolex, S.A. Está interessado em abrir em Ribeira dos Anjos uma fábrica espanhola de comida para cães, contratando Arsénio como assessor.

A estreia de Na Paz dos Anjos foi primeiramente anunciada para o dia 07/02/1994, em substituição de Deus Nos Acuda. Seria exibida diariamente, na TV2, às 21:30.

Mais próximo da data, a estreia foi adiada para cerca de dois meses depois. A RTP reservou-lhe o horário nobre dos fins-de-semana, sendo exibidos dois capítulos ao sábado e dois ao domingo.

A partir de 19/09/1994, com a mudança de programação, a novela passou a ser exibida de segunda a sexta, às 19:00. Mais tarde, mudou para as 14:30, horário em que se manteve até ao final.

O texto foi escrito a quatro mãos por José Fanha e Jorge Paixão da Costa. Foi desta forma que o primeiro descreveu o trabalho em dupla: “Encontrámos uma coisa que não se acha por encomenda: uma parceria. Cada um tem a sua zona de intervenção, que se complementam. Digamos que o Jorge dá-me «o olho» do realizador, do tipo da máquina, enquanto me cabe mais a questão da escrita. Ele corrige-me a escrita, quando começo a cair para a literatura, e eu tenho mais uma função literária que não existe tanto no cinema, pelo menos em Portugal”.

Descrita como um produto inovador, esta foi a primeira (e talvez a única) novela explicitamente direcionada para o humor. Foi desta forma que José Fanha falou dos seus desígnios: “Queria muito brincar e ir buscar o humor dos anos 30 e 40, dos filmes do Vasco Santana, do António Silva, etc., mas dando-lhe uma forma atual. Depois, foi um pouco brincar «ao Portugal». O que são os traumas, os dramas e os ridículos deste país”.

O autor identificou O Bem-Amado e Roque Santeiro como duas novelas brasileiras com as quais Na Paz dos Anjos se poderia identificar, por representar, também, uma história irónica, satírica e, de certo modo, política. Coincidentemente, foi Régis Cardoso, realizador de O Bem-Amado, o responsável pela realização desta novela.

Os autores asseguraram que não pretendiam abandonar a linguagem que a telenovela pressupunha, mas também não a adotaram tal e qual a conhecíamos. Para esse feito, contaram com a assessoria do brasileiro Doc Comparato, que os ajudou a montar o esqueleto da história. Como explicou Paixão da Costa, “não quisemos fazer um produto absolutamente revolucionário, mas apenas inovar, o que é uma coisa completamente diferente”.

Houve ainda outra preocupação fundamental: a de fazer uma história portuguesa, que retratasse a nossa sociedade, fazendo algumas críticas aos nossos costumes, com piadas de humor à mistura.

Nicolau Breyner apostou no sucesso da telenovela, que considerou um salto no género: “Tem a aliciante de ser uma comédia mordaz, que nunca se fez em Portugal; tem um olhar divertido sobre determinadas coisas; possui ainda um leque de atores muitíssimo bom, com atores muito específicos para determinados papéis, quase escolhidos a dedo. Esta novela marca a estreia do nosso estúdio e, por isso, em termos visuais, vai revelar diferenças qualitativas. Vai ser uma pedrada no charco”.

Florbela Queiroz corroborou a mesma opinião acerca do elenco. Para ela, a novela tinha “[…] os atores certos para as personagens certas, o que é sempre muito difícil de conciliar. Até parece que a história foi escrita para estas pessoas representarem”.

Contando com um bem robusto lote de atores, Na Paz dos Anjos teve várias personagens que merecem ser recordadas, principalmente as defendidas pelos mais “timbrados” artistas:

– Fernanda Borsatti esteve soberba na pele da imponente Condessa Olímpia, fazendo o público rir com a contracena da “surda” empregada Hermínia (Maria José).

– António Montez arrancou gargalhadas aos espectadores com o seu engraçado Arsénio Mota Costa.

– Habituada ao registo da comédia, Florbela Queiroz não deixou os créditos por mãos alheias, oferecendo-nos o pretexto de boas gargalhadas com a sua espampanante Filomena.

– Filipe Ferrer esbanjou talento com o seu manipulador Francisco (de!) Malva e Cunha.

– Igualmente no “ponto certo” esteve Manuel Cavaco, com o seu atado Saraiva, fazendo uso de trejeitos e voz dignos de provocarem a piedade do espectador, ao vê-lo ser enxovalhado pelo patrão Arsénio.

– José Gomes moldou o seu sinuoso Maurício Lourosa com mestria.

– Rita Ribeiro foi capaz de criar uma cabeleireira sóbria, sem recorrer a muitos trejeitos.

Também merece nota de destaque a interpretação de Luís Aleluia como D. Fernandinho, o atrapalhado conde de Alencastre, e os novatos ajudantes do salão Rosy: Paula Pedregal, com uma manicura influenciável e tresloucada, e o “brasileiro” Miguel Mendes, cujo trabalho de composição foi imaculado.

Luís Aleluia
Paula Pedregal
Miguel Mendes

Apesar de ter a seu cargo um papel mais sério, não podemos descurar o desempenho de João Perry, o protagonista da novela, e de Sandra Faleiro, que agarrou bem a oportunidade e não comprometeu com a sua tímida Marta Sofia. A parceria entre os dois rendeu uma boa química. Foi dela, aliás, na nossa opinião, a mais consistente atuação entre os jovens estreantes.

Algo fastidiosa, mas assaz divertida, foi a passagem de Fernando Mendes e de Rosa do Canto por Ribeira dos Anjos, com a dupla de cantores pimbas. O sotaque de Manolito Caracol foi outro dos motivos para umas boas gargalhadas.

Filipe Ferrer fez alguns testes de imagem utilizando um bigode postiço, mas esse visual nunca chegou a aparecer na novela.

A paixão de Quim Carreiras (Vítor Norte) pela columbofilia terá sido inspirada no futebolista José Torres, que chegou a fazer uma participação na novela, como ele próprio.

A terra onde decorria a trama era para se ter chamado Vieira do Pinhal, e ficaria situada nos arredores de Leiria.

Mas foi a vila de Alcochete, na margem sul do Tejo, que serviu de cenário à rebatizada Ribeira dos Anjos. Várias cenas foram gravadas no Largo da República, onde se situa o famoso Monumento ao Salineiro, que teve honras de animação no genérico.

Algumas fachadas foram transformadas, de modo a poderem criar-se os estabelecimentos comerciais de Ribeira dos Anjos, que eram pontos-chave de toda a trama.

Café-Pensão Central
Salão Rosy
O Clarim | Foto Paraíso

Nesta praça, foram também gravadas as festas de Santa Apolónia. Para o efeito, a praça foi repleta de barracas de farturas, de tiro ao alvo e de rifas, não faltando o tradicional bailarico. Durante as gravações, a NBP sorteou alguns televisores entre os habitantes da vila.

A Igreja da Misericórdia de Alcochete foi convertida em Igreja de Santa Apolónia, a padroeira de Ribeira dos Anjos.

Por sua vez, a Quinta dos Rouxinóis, residência dos Alencastre, era a Quinta da Praia das Fontes, um alojamento local.

A residência dos Mota Costa era uma vivenda situada na Rua da Várzea.

O edifício da Bobex, situado no Passeio das Caravelas, foi demolido, dando lugar ao Praia do Sal Resort.

O casino em ruínas não se situava em Alcochete. Trata-se da Quinta do Duque, localizada em Alpriate, bem próximo aos estúdios da NBP em Vialonga. Na Paz dos Anjos foi, aliás, a primeira novela gravada nessas instalações.

No último episódio, o casino foi “restaurado” digitalmente.

As cenas da festa que decorre no interior do casino foram gravadas na Quinta do Sobralinho, em Vila Franca de Xira.

Por sugestão do Presidente da Câmara de Alcochete, a apresentação à imprensa começou de forma original, a bordo de uma fragata do Tejo. Mas nem tudo correu conforme previsto: acabou com a embarcação a ter de ser rebocada, depois de os tripulantes terem ficado mais de cinco horas praticamente sem sair do sítio.

A banda sonora, a cargo de Thilo Krasmann, foi exclusivamente instrumental. Muitos dos temas eram jingles que ouvíamos em spots publicitários ou em genéricos de programas da RTP, de que são exemplo o Agora Escolha e o Olha Que Dois!!.

Em 2010, por ocasião de uma reposição da telenovela na RTP Memória, José Fanha recordou-a no seu blog Queridas Bibliotecas.

“NA PAZ DOS ANJOS” foi a minha primeira telenovela. Escrita com a colaboração do Jorge Paixão da Costa. Uma das grandes aventuras da minha vida.

Foi para o ar em 1994. Os horários mudavam constantemente. Poucas pessoas conheço que a tenham seguido na época. Depois passou inúmeras vezes na RTP Internacional e na RTP Memória. A cada repetição tenho recebido testemunhos de um enorme sucesso em locais inesperados por esse mundo fora onde os portugueses façam da televisão um laço com a sua pátria e a sua língua: Angola, Rússia, Suíça, Estados Unidos, sei lá que mais.

Alguns críticos, dos muito conceituados e tudo, disseram em 1994 cobras e lagartos de “Na Paz dos Anjos” (eu guardo os recortes).

Hoje, muita gente (o Nicolau Breyner, por exemplo) considera-a como a melhor e mais bem escrita telenovela de sempre.

A história era muito divertida, achava-o eu então e hoje ainda com mais convicção. O elenco era de luxo. João Perry, Guida Maria, Rui Mendes, Manuel Cavaco, Sofia Alves, Florbela Queiroz, Isabel Medina, Vítor Norte, Diogo Infante, Ricardo Carriço, Cucha Cavalheiro… Faltarão alguns aqui por certo. Que me perdoem a falta de memória.

Outros, queridos amigos, já desapareceram infelizmente: José Gomes, António Assunção, Varela Silva, Armando Cortez, Filipe Ferrer.

Ainda me rebolo de gozo a lembrar figuras como o D. Fernandinho, pelo Luís Aleluia, a sra. Condessa pela Fernanda Borsatti, o padre pelo Zé Pedro Gomes, o industrial de comida para cão pelo António Montez.

Telefonou-me a minha amiga Celeste, benfiquista dos sete costados, a avisar que “Na Paz dos Anjos” tinha começado a ir de novo para o ar na RTP Memória a partir de domingo. Ela também pertenceu à equipa. E diz que voltou a desmanchar-se a rir.

Quem puder, veja. É por volta das 17h00, todos os dias. Julgo que quem puder deitar um olho não vai dar o tempo por mal empregue.

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Na Paz dos Anjos