O Cacilheiro do Amor

Exibição:
16/08/1990 – 13/09/1990 (RTP 1)

Número de episódios:
08

Original de:
Mário Lindolfo
Júlio César

Tema musical:
José Cid

Produtor:
Carlos Paço D’Arcos

Realizador:
Nicolau Breyner

Produção:
EV

Elenco fixo:
Adelaide João
Alexandra Diogo – Lisete
António Rocha – Simões
Aristides Teixeira – Albino
Cristina Paço d’Arcos – Betinha
Luís Aleluia – Octávio
Luís Vicente – Tito Gaspar
Manuel Cavaco – Comandante Alves Teodósio
Margarida Carpinteiro – Josefa Linhares
Octávio de Matos – barbeiro
Rui Luís – bilheteiro

Elenco adicional:
Ana Caldeira
António Aldeia
António Rui
Canto e Castro
Carlos Areia
Carlos Dias
Clara Marques
Cláudia Ferreira
Domingos Machado
Gil Vilhena
Isabel Damatta
João Loy
Jorge Estreia
José Raposo
Lina Morgado
Licínio França
Luís Mascarenhas
Luís Pavão
Mafalda Drummond
Manuela Cassola
Marcantonio del Carlo
Marlo José
Maria João Abreu
Maria João Lopes
Noémia Costa
Paula Campos
Rosa Villa
Rui Paulo
Susie Peterson

Se existem cruzeiros para destinos paradisíacos no estrangeiro, porque não aproveitar as belezas naturais do Tejo? É com este propósito que surge o Cacilheiro do Amor. Com escalas em Cacilhas, Porto Brandão, Trafaria, Belém, Montijo, Seixal, Barreiro e Vila Franca de Xira, nele embarcarão as mais estranhas criaturas…

Comandante Alves Teodósio (Manuel Cavaco)
Comandante ao melhor estilo napoleónico. É, na verdade, um “menino da mamã” com vocação de marinheiro.

Josefa Linhares (Margarida Carpinteiro)
A diretora do cruzeiro, que prima pela sedução. Entre as suas qualidades está o poliglotismo: todas as mensagens que transmite pelo altifalante são ditas em português de Portugal e português do Brasil… É formada em provérbios.

Octávio (Luís Aleluia)
Imediato de bordo, sujeito muito dado aos copos. Tem um caso oculto com Josefa.

Tito Gaspar (Luís Vicente)
Médico do cacilheiro, eternamente dividido entre as receitas e o preenchimento dos boletins do Totoloto.

Betinha (Cristina Paço d’Arcos)
Funcionária do free shop do cacilheiro, especializado na venda de galos de Barcelos. É apaixonada pelo médico Tito.

Albino (Aristides Teixeira)
Barman negro que tocou maracas nos Trovante. É oriundo de Angola.

Lisete (Alexandra Diogo)
Enfermeira no consultório do Dr. Tito.

Simões (António Rocha)
Segurança do cacilheiro. Homem de poucas palavras, nunca o ouvimos falar – apenas rosnar. Como bom segurança que é, raramente sai do camarote, para passar despercebido.

Barbeiro (Octávio de Matos)
Está sempre por dentro de tudo, mesmo afirmando de pés juntos que não é de falar da vida dos outros.

Bilheteiro (Rui Luís)
Personagem inspirado no Velho do Restelo, que Camões cantou no Canto IV de Os Lusíadas.

Mulher da bóia (Adelaide João)
Tem medo de andar de barco, mas embarca com frequência, apenas para usufruir da sensação de alívio que tem quando a viagem termina. Nunca se separa da sua bóia em forma de pato, não vá o Diabo tecê-las…

1. O suspeito (16/08/1990)
O “Cacilheiro do Amor” inicia a sua viagem inaugural pelas águas do Tejo. A princípio, as coisas parecem correr pelo melhor. Pela parte que lhes toca, o comandante Teodósio e os membros da tripulação fazem o que podem para agradar a todos os passageiros. Mas em breve os distintos viajantes (alguns não tão distintos como isso…) começam a exigir o impossível. A começar no “chato” propriamente dito e nomeado, que atormenta o barbeiro com perguntas do arco-da-velha, e a acabar no “homem da mala”, suspeito de contrabando que se envolve com Josefa, a diretora do cruzeiro, não há ninguém que não levante ondas…


2. Miss Tejo (23/08/1990)
Reina grande agitação a bordo, com a realização da eleição de Miss Tejo. As várias candidatas são acolhidas com pompa e circunstância pela imprensa, que pretende saber os planos e sonhos das cinco beldades. No entanto, tal “abordagem” revela-se difícil, pois atrás delas, e sem nunca as perder de vista, anda Frau Grünchen, a severa precetora militarista, que não admite graças. Octávio está satisfeitíssimo com a presença a bordo de Nelson Wanderley, cronista social que, facilmente, lhe consegue arrancar uma revelação explosiva sobre uma das misses. Um contratempo surge no momento crucial, quando o cetro da vencedora é roubado.


3. Meu amor é pirata (30/08/1990)
O Comandante Teodósio fica surpreendido, quando vê chegar ao barco Clemente, pirata genuíno, seu colega de infância. No posto médico reina grande excitação, pois vai ser realizada a primeira intervenção cirúrgica numa doente que padece de um estranho vírus. Josefa encontra um velho amante, o Bambino d’Oro, e ambos recordam os bons velhos tempos. Mas quando Gian Carlo repara na Belle Dominique, a atração desta viagem até Porto Brandão, Josefa passa para segundo plano! Clemente, o pirata, faz a inspeção ao navio do seu amigo e é seguido por quatro fortalhaços que finge não conhecer. Mas esses homens serão os protagonistas de uma grande viragem no estado de coisas reinante.


4. Torres do Tejo (06/09/1990)
Óscar Torres, um famoso arquiteto, decide embarcar no Cacilheiro rumo a Almada, para poder estudar, com calma, um novo projeto: a construção das Torres do Tejo. A bordo vão, também, Amável, de profissão pato-bravo, e o Embargador, que só pensa em embargar os projetos que lhe aparecem pela frente. Um caçador de autógrafos consegue infiltrar-se a bordo, e quase é atirado à água pelo segurança Simões. Um casal de namorados também participa no “cruzeiro” com a intenção de tomar sérias e finais decisões sobre as suas complicadas vidas…


5. À deriva (13/09/1990)
A grande estrela desta viagem ao Montijo é a mãe do comandante Teodósio. Excetuando as várias intromissões em todos os setores do navio e as consequentes discussões com os responsáveis, a sua presença não causa grande transtorno. Até ao momento em que ela própria decide… tomar o leme do navio! Tranca-se a sete chaves na ponte de comando e provocará a maior confusão a bordo! Manitas de Ouro, o carteirista, consegue roubar as coisas mais incríveis nas situações mais difíceis. Um ferrenho sócio, adepto do Montijo, faz os possíveis para a atrair as atenções de D. Branca, uma viúva riquíssima, e propõe-lhe a compra do Clube.


6. Barco parado de água fria…
A tripulação do cacilheiro recebe mais um conjunto de estranhas personalidades, desta vez para uma viagem até Vila Franca de Xira. Entre os passageiros, estão o toureiro Domingos Parker Coelho e a famosa atriz Elsa Mineli, que deixa todos em estado de euforia com a sua presença. Correm rumores de que o navio vai ser vendido a Zonazis, um magnata estrangeiro. Acontece que o Comandante não consegue pôr o motor a trabalhar, fazendo a tripulação respirar de alívio, achando que assim o negócio não irá para a frente. Mas Teodósio não descansa enquanto não descobre por que razão o barco está parado.


7. O inspetor
O cacilheiro recebe a bordo o inspetor Batalha. Trata-se de um inspetor de finanças, na mira do qual ficam todos quantos fogem ao fisco. Utilizando uma grande diversidade de disfarces, Batalha consegue desmascarar todas as pessoas que não têm os impostos devidamente regularizados. Não tarda a que as vítimas se unam e armem uma conspiração contra o inspetor, que resulta num acontecimento trágico…


8. Triângulo mágico
Desta feita, o cacilheiro do amor organiza uma viagem temática até ao Seixal: trata-se de um “cruzeiro dos mágicos”, contando com a presença de vários ilusionistas, bruxas, videntes e afins. Nem o Aladino e o génio da lâmpada incandescente faltam ao evento. Duas bruxas resolvem divertir-se e transformar o Tejo num autêntico Triângulo das Bermudas…

Da autoria do ator Júlio César e do jornalista Mário Lindolfo, O Cacilheiro do Amor foi assumidamente inspirada no grande sucesso americano O Barco do Amor.

Por coincidência, aquando da sua exibição, em 1990, a RTP encontrava-se a exibir mais uma temporada da série americana.

No entanto, em termos de popularidade, é impossível uma comparação entre as duas séries. O Cacilheiro do Amor passou quase despercebida, não só pelo horário em que foi exibida (às quintas, por volta das 16:30), mas também pelo facto de ter sido interrompida após a exibição do 5.º episódio, altura em que a RTP entrou com a sua nova grelha.

O Cacilheiro do Amor mostrou um registo de humor pouco frequente na teledramaturgia portuguesa, beirando o nonsense.

A destacar pela positiva, há ainda o tema do genérico, da autoria de José Cid.

A série teve a particularidade de, para além do elenco fixo, contar com um grupo de atores que aparecia de forma recorrente, mas com papéis diferenciados. Foi o caso de Rui Paulo, José Raposo, Licínio França, Luís Pavão, Mafalda Drummond e Carlos Areia.

Como qualquer cruzeiro que se preze, também o Cacilheiro do Amor tinha o seu momento de espetáculo, sendo o trio As Estares a presença mais recorrente.

A produção teve a chancela da EV, cujos sócios eram Nicolau Breyner (realizador da série), Carlos Paço d’Arcos (produtor) e Cristina Paço d’Arcos (intérprete da Betinha).

Embora fosse um projeto audacioso na área da produção independente de vídeo, chegando a deter um dos maiores estúdios da Península Ibérica, a EV não deu certo, tendo terminado num processo em tribunal, entre Nicolau Breyner e Carlos Paço d’Arcos.

Carlos Paço d’Arcos falou abertamente sobre as dificuldades sentidas durante a gravação da série: “Não escondo que tivemos trinta mil contos de prejuízos e ficámos a dever parte dos cachês aos atores d’O Cacilheiro do Amor, mas esperamos liquidar tudo até ao último tostão, em breve”.

Não hesitou também em atribuir parte desse prejuízo a Nicolau Breyner: “A situação chegou a este extremo por um preciosismo desnecessário e desorganização da direção de produção. Chegavam a passar-se dias sem gravarmos, o que acarretava 600 contos de prejuízos por dia, e tínhamos outros em que apenas eram aproveitados cinco minutos de gravação. O Nicolau é o melhor profissional que temos, a nível de direção de actores, mas, como realizador, não compreendeu o equilíbrio que tem de haver entre a arte e a rentabilidade. Uma cena que à segunda tentativa era aceitável, o Nicolau gravava-a dez vezes para depois aproveitar a terceira”.

Após gravar O Cacilheiro do Amor, Cristina Paço d’Arcos iniciou a sua incursão no mundo musical, com o nome artístico de Kika: “Cristina Paço d’Arcos não vai voltar a trabalhar, nunca mais! Terminou a sua atuação com O Cacilheiro do Amor e transformou-se definitivamente na Kika”.

Kika marcou presença no Festival RTP da Canção de 1990, ainda antes da exibição desta série, no qual defendeu O Terceiro Milénio, uma canção infantil da autoria de Jimba, dos Afonsinhos do Condado.

Em 2008, Aristides Teixeira, o intérprete de Albino, manifestou vontade de se candidatar à Presidência da República, ambicionando tornar-se o “Obama português”.

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