O Grande Irã

Exibição:
30/06/1994 – 15/09/1994 (RTP 2)

Número de episódios:
13

Argumento:
Jayme Camargo

Guiões:
Duca Rachid

Diálogos:
Paulo Narciso

Casting e direção de atores:
Christiane Torloni

Realização:
Alexandre Montenegro
Artur Santana

Produção:
Septimis

Elenco:
José Pedro Gomes – Marcelo
Carlos Lacerda – Braga
Adriano Luz – Joaquim
Rui Luís Brás – Quim
Dina Adão – Coiala
Napôncia Gomes – Nghala
Janine Fernandes – Ionai
Paula Mora – Leonor
Sofia Sá da Bandeira – Filipa
Luís Zagallo – Esteves
Fernando de Pina
Carlos Vaz
Carla Cristina – Rita
Eunice Simões – Soraia

1974. Durante a Guerra Colonial na Guiné-Bissau, Marcelo (José Pedro Gomes) é ferido na perna, mas salva a vida do seu oficial, Braga (Carlos Lacerda). Como recompensa, Braga concede-lhe uma licença para ir com Joaquim (Adriano Luz) ao arquipélago dos Bijagós. Ao chegar à ilha de Canhabaque, Marcelo conhece a negra Coiola (Dina Adão), e vivem um intenso caso de amor.

Coiala e Marcelo

Regressado à metrópole, Marcelo casa com Leonor (Paula Mora) e dela tem um filho, Quim (Rui Luís Brás). 18 anos depois, já separado, tem Filipa (Sofia Sá da Bandeira) por companheira. Quando lhe chegam notícias do filho – uma filha, afinal, chamada Ionai (Janine Fernandes) – que terá deixado ficar na Guiné, regressa a África. Quim segue-o. E apaixona-se por Ionai…

Ionai e Quim

Marcelo Albuquerque (José Pedro Gomes)
Furriel na Guerra Colonial na Guiné. Durante uma licença, desloca-se ao arquipélago dos Bijagós, onde vive um ardente romance com a negra Coiala. Contudo, as pressões que sofre levam-no a regressar a Lisboa e a contrair matrimónio com Leonor.

Coiala (Dina Adão)
Vive na ilha de Canhabaque, no arquipélago dos Bijagós, onde faz belas esculturas em madeira. É o grande amor da vida de Marcelo.

Joaquim Resende (Adriano Luz)
Também combatente na Guiné. É o melhor amigo de Marcelo e conhece-o desde a juventude, época em que disputou com ele as atenções de Leonor.

Nghala (Napôncia Gomes)
Melhor amiga de Coiala. Teve um envolvimento com Joaquim.

Quim (Rui Luís Brás)
Filho de Marcelo e Leonor.

Ionai (Janine Fernandes)
Jovem nascida do amor entre Marcelo e Coiala. Foi criada por Nghala.

Braga (Carlos Lacerda)
Depois da guerra, fixou-se na Guiné, onde se dedica à compra e venda de obras de arte. É um vilão cruel e sarcástico.

Leonor (Paula Mora)
Ex-mulher de Marcelo. Vive atualmente em Paris. É uma mulher rica e manipuladora, que nunca aceitou a separação nem a ligação de Marcelo a África.

Filipa (Sofia Sá da Bandeira)
Namorada de Marcelo.

Esteves (Luís Zagallo)
Atual companheiro de Leonor.

Rita (Carla Cristina)
Namorada de Quim em Lisboa.

Soraia (Eunice Simões)
Secretária de Marcelo e amiga de Rita.

Alfredo
Criado de Braga.

Fonseca
Pai de Leonor.

1.
Guiné-Bissau, 1974. O furriel Marcelo Albuquerque e o soldado Joaquim Resende ficam gravemente feridos durante uma ação de guerra em que o primeiro salva a vida ao alferes Braga. A fim de demonstrar a sua gratidão, o oficial concede aos dois comandos uma licença nos Bijagós. É aí, num cenário paradisíaco, que parece saído de um bilhete-postal, que Marcelo trava conhecimento com Coiala, uma negra que esculpe estranhas figuras de madeira. De regresso ao continente, o militar dá mostras de ter ficado para sempre ligado ao feitiço da arte negra. Mais tarde, vem a descobrir que as ligações são outras…


2. 
Marcelo recorda-se de Coiala, a escultora, uma princesa descendente da Rainha Pampa de Orango. Lembra-se de ela lhe ter falado no tesouro da rainha. É com grande emoção que Marcelo identifica, entre as últimas peças enviadas por Braga, três estatuetas muito semelhantes às esculpidas por Coiala. Imediatamente, Marcelo tenta localizar Braga em Bissau para saber quem é o autor das tais peças. Braga, no entanto, está em viagem pelo interior da Guiné e não tem data certa para regressar à capital. Embriagado, Quim agride os pais, acusando-os de lhe ocultarem segredos sobre a permanência de Marcelo na Guiné, durante a guerra. Quim acredita que algo importante deve ter acontecido em África, e que provocou a separação dos pais.


3. 
1974. Joaquim é vítima de um bombardeamento na Guiné. Antes de morrer, porém, dá a Marcelo a notícia de que Coiala teve um filho dele. 1992. Marcelo decide regressar a África para reencontrar Coiala e conhecer o filho de ambos. Quim acorda com uma terrível ressaca, e encontra o pai de malas prontas, de partida para a Guiné, mas Marcelo recusa-se a levá-lo. Mais tarde, Quim desentende-se com Leonor e decide ir atrás de Marcelo.


4. 
Rita, a namorada de Quim, procura Leonor e conta-lhe que ele vai viajar para a Guiné. As duas tentam impedi-lo de viajar, inventando que Rita está grávida, mas o rapaz descobre a farsa. Marcelo, que entretanto chegou a Bissau, aluga um jipe para ir ter com Braga ao interior. Os dois amigos reencontram-se após seis anos. Braga prontifica-se a ir com ele aos Bijagós procurar o autor dos Irãs, que Marcelo julga serem de Coiala. Quim vai de avião para Bubaque e encanta-se com a beleza do arquipélago. Aluga uma canoa para conhecer as ilhas sozinho, a despeito do aviso do pescador Santinho de que o mar é perigoso.


5. 
Marcelo e Braga viajam de volta a Bissau, revendo paisagens. Pelo caminho, Marcelo revive com emoção os tempos da Guerra Colonial. Quim, entretanto, viaja pelas ilhas, mas o motor do barco falha. Quando Marcelo e Braga chegam a Bissau, partem imediatamente para Bijagós e Alfredo cumpre a promessa, feita a Quim, de não contar nada a Marcelo sobre a vinda do filho.


6. 
Ionai leva Quim para uma cubata improvisada ao pé de um campo de cultivo de arroz, sempre muito preocupada, pois não sabe se ele resistirá à forte intoxicação. Marcelo e Braga falam via rádio com Mamadou. O intermediário de Braga diz-lhes que comprou as esculturas em Canhabaque, a uma mulher chamada Nghala. Ambos ficam muito contentes, pois é o nome da melhor amiga de Coiala.


7. 
Quim e Ionai envolvem-se numa paixão ardente, como fora a de Marcelo por Coiala. Marcelo e Braga preparam-se para ir à tabanca ter com Nghala, mas um recado de Alfredo impede-os. Leonor telefonou de Lisboa preocupadíssima com Quim, que partiu há vários dias para a Guiné à procura do pai. Mais tarde, Marcelo confirma com Alfredo a vinda de Quim.


8. 
Marcelo reencontra Quim, num clima de muita emoção. O rapaz fala-lhe com entusiasmo da linda mulata que lhe salvou a vida e por quem está apaixonado. Marcelo não lhe dá muita atenção, pois agora só pensa em ir ter com Nghala. No dia seguinte, todos partem muito cedo: Marcelo e Braga para Canhabaque e Quim para Rubane.


9. 
Pressionado por Marcelo, Braga confessa que foi ele quem matou Coiala e feriu Nghala. Marcelo fica furioso e agride-o violentamente. Braga diz a Marcelo que existe a possibilidade de o seu filho ter sobrevivido. Marcelo, então, procura Nghala para saber pormenores sobre o que se passou há quase 20 anos. Nghala conta como trouxe o cadáver de Coiala e a criança. Braga ouve tudo escondido na mata. Marcelo quer ver o filho e Nghala acede, mas sob condições.


10. 
Depois de conversar longamente com Ionai, Marcelo volta ao hotel; Quim torna a falar-lhe com entusiasmo da mulata que conheceu e mostra-lhe um colar oferecido por ela. Marcelo faz uma descoberta terrível. Quim chega à praia a tempo de ver Ionai partir de barco com Braga. Em Orango, Braga conclui que o tesouro foi enterrado com a rainha.


11. 
Quim e Ionai ficam muito perturbados com a revelação de que são irmãos, e ele foge mata dentro. Pouco depois cai, bate com a cabeça numa pedra e perde os sentidos. Marcelo leva-o para o hotel. À noite, já recomposto, Quim não consegue dormir e vai dar um passeio à praia, onde encontra Ionai. Os dois conversam e chegam à conclusão de que preferem morrer a separarem-se.


12. 
Nghala revela que Quim e Ionai podem ficar juntos, pois ele é filho de Quim, e não de Marcelo. Sentindo-se culpada por ter ocultado a verdade durante tanto tempo, Nghala deixa-se picar por uma cobra venenosa. Braga enlouquece. Quim e Ionai decidem ir para Portugal, mas, à última hora, ela desiste…


13. 
Leonor aceita separar-se de Marcelo amigavelmente. A pouco e pouco, Marcelo adapta-se à vida nos Bijagós, sendo submetido a um ritual que lhe confere a aceitação na comunidade. A relação de Marcelo e Filipa esmorece, e ele viaja para os Bijagós para conhecer o neto… e não só!

O Grande Irã foi exibida no verão de 1994, na TV2, em horário tardio (por volta das 23:30).

Com produção da Septimis, a mesma produtora de Cupido Eletrónico, foi assinada por Jayme Camargo, Duca Rachid e Paulo Narciso, também autores da sitcom de grande sucesso, exibida no ano anterior.

A série teve como maior ponto de interesse a Guerra Colonial, uma ferida difícil de cicatrizar para o povo português.

Em tom de documentário, algumas cenas mostraram os destroços deixados pela guerra.

A maior parte das armas e das imagens de arquivo utilizadas foram cedidas pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

Tiveram grande mérito as imagens da Guiné, cenário praticamente inexplorado pela ficção portuguesa. Foram quase quatro meses de intenso trabalho naquelas paragens, com uma tabanca improvisada a servir ao mesmo tempo de escritório e de cenário, a equipa instalada na medida do possível, e fome e sede a horas incertas.

Apesar de interessante, o enredo não foi desenvolvido de forma brilhante, apresentando algumas inconsistências, como por exemplo a inexplicável obsessão de Braga (Carlos Lacerda) com que Marcelo (José Pedro Gomes) regressasse à Guiné, sabendo que, no primeiro momento, seria desmascarado pela morte de Coiala (Dina Adão), o que obviamente comprometeria os seus propósitos de encontrar o tesouro da Okinka Pampa.

Christiane Torloni foi responsável pelo casting e pela direção de atores. Saliente-se, porém, que o elenco deixou bastante a desejar, com interpretações a beirar a canastrice. O Capitão Braga, por exemplo, teve várias cenas dignas de comédia, num tom tão exagerado que chegava a parecer um vilão de desenho animado.

A música do genérico, bem como outros temas incidentais, foram extraídos do álbum Third World / Wildlife / Rhythms, de 1990.

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O Grande Irã