O Homem que Matou o Diabo

Exibição:
11/03/1979 – 29/04/1979 (RTP 1)

Número de episódios:
08

Inspirado no romance homónimo de:
Aquilino Ribeiro

Adaptação:
António Faria

Colaboração literária:
João Aguiar

Música:
José António Ribeiro

Arranjo e direção de orquestra:
Paulino Garcia

Produção:
Elísio de Oliveira
Isolino de Sousa

Realização:
António Faria

Elenco:
Herman José – Macário
Natália de Sousa – Máxima
Ana Zanatti – Isabel
Jorge Sousa Costa – Pedro Mendanha
José Gil – Cipriano
João Guedes – Padre Augusto
Manuela de Melo – Soror Teresa
Correia Alves – espanhol
Júlio Cardoso – Gonzalo Prieto
Marília Gama – Maria do Carmo
Rita Ribeiro – Concepción
Isabel Alves – Nanucha
Márcia Breia – criada
João Paulo Costa – Rui Fradinho
Castro Guedes – jornalista
Carlos Noivo – Ralph
José Silva – Paco
Maria Alice Vasconcelos – beata
Gil Cruz – Padre Sousa
Laurinda Ferreira – espanhola
Rosalina Lima – Lu
Eduarda Marina – espanhola
Jorge Pinto – Henry
José Pinto – José Mendanha
António Reis – Miguel
Orlando Barros – operário
Silva Campos – médico
Fernanda Gonçalves – Liberata
António Miranda – contra-mestre
Augusto Morais – taberneiro
Mário Timóteo – Masset

Esta série passa-se nas Terras do Demo, na Beira Alta. O protagonista é Macário Mendanha (Herman José), filho de uma humilde engomadeira com um fidalgo. A mãe faleceu nova e o pai, que já aparecia de raro em raro, desapareceu no mundo.

Pedro Mendanha (Jorge Sousa Costa), compadece-se da situação de Macário e toma para si a tarefa de criar o sobrinho. Envia-o para o convento da Fraga, ao cuidado do Padre Augusto (João Guedes), não com o objetivo de o tornar um beato, mas antes aperfeiçoá-lo nas letras, sem no entanto deixar de explorar a sua vocação para as belas-artes.

Terminada a formatura em Lisboa, onde permaneceu por 8 anos, Macário compreende que, sem padrinhos, será árdua a sua carreira como escultor. No auge da precaridade, o seu tio escreve-lhe, acenando com um lugar de cinzelador na nova loja de Cipriano (José Gil) em Viseu, situada na praça onde também se localizam a Sé, o Paço dos Escalões e a Misericórdia.

Contudo, o negócio de Cipriano pouco tem de honesto: na realidade, a loja serve para encobrir a contrafação de obras de arte, bem como os saques que faz a conventos e ermidas. É nesta rede que Macário acaba por se ver envolvido, vivendo no constante sobressalto da luta entre a sua consciência e a sociedade em que se integra.

Durante um retiro na serra, depara-se-lhe Máxima (Natália de Sousa), uma sedutora atriz francesa. Após a sua partida, Macário vive cabisbaixo e passam-se dias sem que ponha os pés na oficina. Pedro Mendanha percebe que existem saias por detrás deste comportamento e pede a ajuda do Padre Augusto. Este diz a Macário que Máxima é uma enviada do Demónio e que deve esquecê-la.

Ainda assim, descontente com o rumo da sua vida e sonhando com Máxima, que o incitara a ir a Paris fazer o seu busto, Macário manifesta o desejo de viver a sua própria história. É desta forma que abandona a sua terra natal e parte para uma longa e dura jornada rumo à capital francesa…

Macário Mendanha (Herman José)
Beirão, órfão de pai e mãe, estudou num convento, patrocinado pelo seu tio, e depois em Lisboa, onde cursou Belas-Artes. Em Viseu, leva uma vida pacata e desinteressante como estatuário e cinzelador, até ao dia em que conhece Máxima.

Máxima (Natália de Sousa)
Artista de cinema francesa. Mulher fina e excêntrica. Está de passagem por Portugal, a pretexto da gravação de uma fita. Provoca em Macário, desde logo, um fascínio que é aguçado com um convite para ir até Paris, fazer-lhe o busto.

Pedro Mendanha (Jorge de Sousa Costa)
Tio de Macário. Formado em Medicina, é também filósofo. Ficou vários anos no desterro, em África, até regressar para tomar conta do património da família e reparar as avarias feitas pelo seu irmão.

Padre Augusto (João Guedes)
Antigo pároco da Murta, onde fica a casa dos Mendanha. A educação de Macário é deixada ao seu cuidado, quando Pedro Mendanha se ausenta para uma longa viagem. Opõe-se vigorosamente à atração do rapaz por Máxima.

Cipriano (José Gil)
Dono da loja onde Macário trabalha como cinzelador. Tem, no entanto, um “ofício” oculto: saquear igrejas e conventos, de onde rouba obras de arte.

Isabel (Ana Zanatti)
Mulher de Cipriano. Como mora no prédio onde fica a loja, volta e meia, aparece por lá. Anda sempre composta, com o cabelo impecavelmente atado para a nuca. Nutre um sentimento discreto por Macário.

Rui Fradinho (João Paulo Costa)
Camarada de oficina de Macário. É também o redator principal do Arauto das Beiras.

Concepción (Rita Ribeiro)
Camponesa espanhola, que Macário conhece quando se junta a um grupo de ceifeiros. Têm um fugaz relacionamento amoroso.

Miguel (António Reis)
Chefe da Polícia Internacional da província de Valladolid. Interroga Macário e detém-no.

Gonzalo Prieto (Júlio Cardoso)
Espanhol que está preso em Valladolid, embora aparente ter boa situação económica. Partilha a cela com Macário, servindo-lhe de grande amparo.

Soror Teresa (Manuela de Melo)
Irmã bastante espirituosa que visita os presos na cadeia onde Macário e Prieto se encontram.

Beata (Maria Alice Vasconcelos)
Abriga Macário em sua casa e cuida dele com bastante esmero, aguardando uma recompensa pelos seus préstimos…

Paco (José Silva)
Vendedor ambulante de púcaras. Conhece Macário na estrada e acompanha-o na viagem até França.

Maria do Carmo (Marília Gama)
Mãe de Macário. Engomadeira da Rua Direita. Morre prematuramente, de doença pulmonar.

D. José Mendanha (José Pinto)
Pai de Macário. Na ausência do irmão, Pedro Mendanha, administrava os bens da família, que foi delapidando para sustentar os seus ruinosos vícios, até desaparecer sem deixar rasto.

1. (11/03/1979)
O carro onde viaja Máxima fica sem bateria. O motorista Ralph consegue, em ponto morto, fazê-lo chegar até uma população. Máxima e Nanucha, a amiga que a acompanha, almoçam numa taberna, onde são alvo de olhares curiosos. Máxima conta a Macário a sua viagem. Conversam longamente e Máxima convida-o a fazer o seu busto, mas para isso terá de ir até Paris.


2. (18/03/1979)
Neste episódio, ficamos a conhecer a origem de Macário Mendanha, o meio familiar e social em que se formou, enfim, a massa com que foi moldado. Macário cedo perdeu a sua mãe, Maria do Carmo. O seu pai, José Mendanha, era um boémio que desapareceu no mundo, depois de delapidar quase todo o património da família. Pedro Mendanha, irmão de José, regressa de Moçambique para tomar conta do pouco que restou. Compadecendo-se da situação de Macário, decide dar ao rapaz a devida educação e envia-o para um convento, embora com a preocupação de que não se transforme num beato.


3. (25/03/1979)
Ouvem-se boatos de que Macário está enfeitiçado por um rabo-de-saia. Aproxima-se a Quaresma e o Padre Augusto quer ouvir Macário em confissão. Macário manifesta-se apaixonado por Máxima, que conheceu durante um retiro na montanha e de quem pouco sabe, para além de que é atriz de cinema. O Padre diz que Máxima é uma mensageira de Satanás e que Macário tem de matar dentro de si esse demónio. Pedro Mendanha procura o sobrinho na oficina, onde encontra Cipriano, a quem acusa de roubar e falsificar obras de arte.


4. (01/04/1979)
O Padre Augusto acusa Macário de, até no seu ofício de escultor, se inspirar na figura demoníaca de Máxima, e rasga o retrato que ele tem da atriz. Cipriano instiga Macário a, com ele, tomar de assalto um convento das proximidades, onde se encontram valiosas peças de arte sacra. Ainda que relutante, Macário acaba por se vender a troco de 500 mil réis. Entretanto, Isabel confronta-o com a decisão de sair de Viseu e pede-lhe que não o faça sem se despedir dela. Contudo, ao amanhecer, Macário parte.


5. (08/04/1979)
Macário fica retido na fronteira com Espanha, por viajar sem passaporte. Com a ajuda de uma taberneira, consegue dopar os guardas que o vigiam e foge. Aguarda-o uma longa jornada pela província de Salamanca. Passa-se muito tempo sem que obtenha qualquer tipo de ajuda, até que consegue um trabalho no campo. É aqui que conhece Concepción, uma espanhola que por ele se encanta. Mas não tarda muito para que Macário seja descoberto pelas autoridades…


6. (15/04/1979)
Macário foi preso em Valladolid e fica na mesma cela que o espanhol Gonzalo Prieto, um recluso que parece usufruir de certas regalias. Este dá-lhe comida, bebida e roupas novas. Cipriano volta ao convento onde fora com Macário, mas foge ao perceber que está a ser perseguido. Num momento de desespero, ateia fogo à sua loja e morre. Macário recebe da Soror Teresa a notícia de que vai ser libertado e prossegue a sua viagem. Seguindo os conselhos de Prieto, faz-se acompanhar de um letreiro dizendo ser peregrino, conseguindo desta forma o sustento de que necessita.


7. (22/04/1979)
Macário é levado para casa por uma beata que lhe dá de comer e o trata com bastante esmero. Quando ele está deitado, aparece-lhe na cama e acabam por dormir juntos. Macário passa a viajar acompanhado por Paco, um homem que vende púcaras e que acaba por alinhar na farsa do peregrino que vai para Limpias (e depois para Lourdes). Finalmente chegado a França, Macário emprega-se numa fábrica, onde se engraça com uma das funcionárias.

8. (29/04/1979)


Macário chega, finalmente, a Paris. Máxima hospeda-o na sua luxuosa mansão, mas trata-o de forma fria e distante. Macário dececiona-se com o estilo de vida da atriz e confessa-o a Prieto, que o visita. Rejeitado por Máxima, Macário regressa à sua terra natal, e de imediato procura Isabel, que o hospeda. O Padre Augusto condena tal ato e discute seriamente com Macário. Macário pensa em ir-se embora, mas Isabel mostra-lhe algo que o faz mudar de ideias…

O Homem Que Matou o Diabo foi apresentada como a primeira série dramática integralmente produzida com os meios operacionais da RTP.

Tratou-se de um filme produzido pela RTP Porto e transmitido em 8 episódios de 25 minutos, aos domingos à noite, na RTP 1.

O romance homónimo de Aquilino Ribeiro, que serviu de base para a adaptação, foi escrito no ano em que decorre a ação: 1930.

Cipriano (José Gil), o antiquário e salteador de igrejas, foi inspirado no fundador do Museu Grão-Vasco, doutor Almeida Moreira. A sua esposa, Isabel (Ana Zanatti), fundamenta-se na jovem esposa de um padeiro com quem Aquilino Ribeiro esteve envolvido na juventude. Já o herói da história, paspalho e mortiço, é o próprio Aquilino, ou o seu reverso.

O filme foi rodado em localidades dos distritos do Porto, Castelo Branco e Viseu.

Esta série tem a particularidade de, na primeira exibição, ter sido vista a preto e branco (ainda não existia televisão a cores em Portugal). Não tendo sido reposta nos canais abertos, apenas voltaríamos a vê-la em setembro de 2011, nas madrugadas da RTP Memória, mas desta vez a cores.

Nesta reposição, foram incluídas as introduções de cada episódio – estas, ainda a preto e branco – feitas por Manuela de Melo, jornalista do Centro de Produção do Porto.

Manuela de Melo também participou na série como atriz.

Como ponto de interesse o facto de, nesta série, surgir Herman José num registo muito diferente do habitual: um papel dramático.

Contudo, Herman não gostou especialmente deste trabalho, como declarou na época: “o protagonista não é nem um pouco apaixonado por Aquilino Ribeiro, nem pelo guião que lhe foi distribuído, nem tão-pouco pela linguagem de uma fita que lhe parece hermética e pouco popular”.

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