O Mandarim

Exibição:
09/11/1991 – 30/11/1991 (RTP 1)

Número de episódios:
04

Inspirado no romance de:
Eça de Queiroz

Adaptação para televisão de:
José Fanha
Mira Coelho

Música original:
José Moz Carrapa

Produção:
Ana Martins Varela

Realização:
Ferrão Katzenstein

Elenco:
Vítor Norte – Teodoro
Virgílio Castelo – Diabo
António Assunção – Tenente Couceiro
Fernando Luís – Cabrita
Natalina José – D. Augusta
Couto Viana – Meriskoff
Henrique Viana – Zenóglio
José Pedro Gomes – Sá-Tó
Julie Sergeant – Cândida
Natália Luiza – Generala
Baptista Fernandes – Camilloff

Participações especiais:
Cristina Carvalhal – Eulália
Ronaldo Chiu – Mandarim
José Carlos Garcez – 1.º funcionário
Luís Pavão – 2.º funcionário
Maria Salomé – proprietária da tabacaria
Amílcar Botica – Silvestre
Francisco Bráulio – cocheiro
Guta Santos – caixa do banco
Sandro Camarate – criado do Hotel Central
Francisco Alvarez – chefe do Hotel Central
Cristina Silva – cortesã do Hotel Central
Anna Paula – 1.ª dama
Glicínia Quartim – 2.ª dama
Paulo Trindade – alferes
Luís Mascarenhas – Viriato
Augusto Portela – 1.º criado
Cândida Cardoso – 1.ª criada de mesa
Isabel Bernardo – 2.ª criada de mesa
Margarida Tavares – 1.ª criada
Cremilda Gil – 2.ª criada
Melina Minna Moran – inglesa
Rui Pedro – 1.º bispo
Carlos César – 2.º bispo
Santos Manuel – Cardeal Nani
Rogério Vieira – fotógrafo
Vicente Galfo – Cônsul de Paris
João Paulo – Armand
Helena Flor – cortesã francesa
Filipe Ferrer – comandante
Jorge Sequerra – imediato
Alexandre Melo – Cônsul de Alexandria
Cassiano Vieira – 1.º secretário
Inês Lapa – mulher do 1.º secretário
Cândido Ferreira – Padre Loriot
José Brás – Padre Giulio
Carlos Costa – Rei

Teodoro (Vítor Norte), um discreto amanuense, mora em Lisboa, na pensão de D. Augusta (Natalina José), na Travessa da Conceição. Leva uma vida monótona e medíocre, de um pobre funcionário público que suspira por uma ventura amorosa, por um bom jantar, num bom hotel, mas que não tem dinheiro para tal. Teodoro não acredita no Diabo nem em Deus, mas é supersticioso e reza a Nossa Senhora das Dores.

Um dia, descobre, na Feira da Ladra, um livro com a lenda do mandarim, segundo a qual um simples toque de campainha, a uma certa hora, levaria à morte um mandarim da distante China e faria dele herdeiro dos seus milhões. Aceitando as sugestões do Diabo (Virgílio Castelo), Teodoro faz soar a campainha e torna-se milionário.

Tudo se complica com o aparecimento do fantasma do mandarim, que faz com que Teodoro tente desfazer-se da malfadada fortuna.

Decide então partir para a China, pensando em compensar a deserdada família do falecido mandarim. É recebido pelo general Camilloff (Baptista Fernandes) e cai nas boas graças da “generala” Vladimira (Natália Luiza).

Mas os herdeiros do mandarim não aparecem, e Teodoro regressa a Portugal. Novamente atormentado pela figura bojuda do mandarim, propõe-se renunciar aos seus bens e regressar ao quartinho da pensão e ao seu ofício de amanuense…

Teodoro (Vítor Norte)
Bacharel amanuense do reino, leva uma vida pacata e monótona. Aufere apenas 20 mil réis por mês, que pouco mais lhe permitem do que alugar um quarto na pensão de D. Augusta. Ambiciona conhecer belas mulheres e usufruir de bons jantares em restaurantes caros.

Diabo (Virgílio Castelo)
Aparece a Teodoro, desfazendo-se em argumentos e tentando-o a tocar a campainha que conduzirá o mandarim à morte.

Ti Chin-Fu (Ronaldo Chiu)
O mandarim assassinado por Teodoro. É enormemente rico, deixando toda a sua fortuna ao amanuense. Contudo, depois de morto, a sua visão permanente atormentará Teodoro.

D. Augusta Marques (Natalina José)
Viúva do Major Marques e dona de uma pensão na Travessa da Conceição, onde Teodoro aluga um quarto antes de enriquecer. Fala dele com desdém, mas o seu discurso muda quando Teodoro se torna milionário.

Cabrita (Fernando Luís)
Pensionista de D. Augusta, é empregado na administração do Banco Central.

Tenente Couceiro (António Assunção)
Grande tocador de viola-francesa, é um dos hóspedes de D. Augusta. Aos domingos, ela limpa-lhe a caspa com clara de ovo.

Zenóglio (Henrique Viana)
Secretário de Teodoro no palacete do Loreto.

Cândida (Julie Sergeant)
Loira formosa. Envolve-se com Teodoro por interesse, trocando-o por um alferes.

Sá-Tó (José Pedro Gomes)
Intérprete de Teodoro durante a viagem à China.

Camilloff (Baptista Fernandes)
Embaixador da Rússia em Pequim. Durante a ida de Teodoro à China, tornam-se amigos, o que não impede que Teodoro o traia, envolvendo-se com a sua mulher.

Vladimira (Natália Luiza)
A “generala”: mulher do general Camilloff e amante de Teodoro por um breve período.

Meriskoff (Couto Viana)
Representante alemão na China. Culto e gordo, é o companheiro intelectual de Teodoro durante a sua estadia naquele país.

Eulália (Cristina Carvalhal)
É a mulher dos sonhos de Teodoro, antes de este se tornar rico. Trabalha na tabacaria da qual é cliente assíduo.

1. (09/11/1991)
Teodoro, amanuense do Ministério do Reino, ganha 20 mil reis por mês e leva uma existência pacata e monótona numa modesta casa de hóspedes de Lisboa. Porém, um certo dia, um livro antigo comprado na Feira da Ladra dá-lhe a conhecer a estranha história de um mandarim riquíssimo, que qualquer um poderá matar e herdar-lhe os milhões mediante um simples toque de campainha. Entretanto, o Diabo aparece e aconselha Teodoro a tocar a campainha.


2. (16/11/1991)
Tentado pelo Diabo, que o persuade a tocar uma campainha, Teodoro torna-se herdeiro de uma fortuna do tamanho de um continente. As mulheres são o seu fraco e é, de imediato, enganado por uma loirita que o troca por um alferes de lanceiros. O milionário Teodoro seria feliz se não fosse o remorso. Entretanto, Teodoro tenta esconjurar a visão do mandarim assassinado, inebriando-se em festas e orgias. O espectro do mandarim não o larga e, num recurso, decide partir para a China, à procura dos familiares do defunto chinês, para os abrigar à sombra dos seus milhões.


3. (23/11/1991)
Chegado à China, Teodoro é conduzido a Pequim pelo General Camilloff, que o hospeda em sua casa e o apresenta à mulher, Vladimira, por quem o ex-amanuense se encanta. Depois de várias diligências, o general consegue, com a ajuda de um astrólogo, descobrir o paradeiro da família de Ti Chin-Fu. Embora relutante, Teodoro parte em expedição para Tien-Hó, uma aldeia remota situada nos confins da Mongólia, mas uma desagradável surpresa aguarda-o na estalagem onde pernoita.


4. (30/11/1991)
O milionário Teodoro, ao viajar até à China para apaziguar a consciência, é apedrejado pela turba e encontra abrigo numa missão. Depois, desiludido, volta a Lisboa, mas continua a ser perseguido pelo fantasma da sua vítima. Então, abandona o palacete no Loreto e regressa à antiga pensão.

A série O Mandarim baseia-se no romance homónimo de Eça de Queiroz, cuja publicação data de 1880. Esta é talvez a menos popular obra queirosiana, muito devido ao facto de o autor se ter afastado do realismo que lhe era característico, para dar lugar a uma história fantasista, onde surgiam até o Diabo e um fantasma.

O ponto de partida de Eça de Queiroz fora um problema de consciência formulado em 1802 por François-René de Chateaubriand, no livro O Génio do Cristianismo: “Se pudesses por um simples desejo matar um homem na China e herdar toda a sua fortuna na Europa (…) consentirias em formular esse desejo?”.

Esta era a terceira adaptação que o realizador Ferrão Katzenstein fazia de uma obra de Eça de Queiroz para a RTP. As anteriores foram Os Maias (1979) e A Tragédia da Rua das Flores (1983).

A adaptação procurou ser o mais fiel possível, introduzindo no entanto alguns elementos que possibilitassem um maior dinamismo: o Diabo (Virgílio Castelo) apareceu mais vezes em cena, dialogando com Teodoro (Vítor Norte); foi criada a figura do secretário Zenóglio (Henrique Viana), para quebrar tempos mortos; e o próprio Teodoro desdobrou-se em dois – a sua boa e má consciência.

A produção contou com o apoio da Teledifusão de Macau (TDM), já que muitos exteriores foram gravados naquele território chinês, na época ainda sob administração portuguesa.

A fachada do palacete do Loreto, onde Teodoro passa a residir depois de receber a herança, era do Palácio do Correio-Mor, em Loures.

As cenas passadas no mosteiro de lazaristas onde Teodoro se refugia depois de ser perseguido, na Mongólia, foram gravadas no convento franciscano do Varatojo, em Torres Vedras.

Ainda antes da estreia, o semanário Se7e, geralmente bastante crítico em relação à produção televisiva nacional, teceu rasgados elogios à série: “A RTP volta a apresentar uma produção nacional de qualidade. Já havia saudades de ver um trabalho de ficção em língua portuguesa, capaz de prender ao televisor durante 4 episódios (…) um trabalho de televisão que poderia chegar aos grandes ecrãs das salas de cinema”.

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O Mandarim