Origens

Exibição:
04/04/1983 – 20/09/1983 (RTP 1)

Número de capítulos:
120

Novela de:
Nicolau Breyner
Francisco Nicholson
Thilo Krasmann

Direção de atores:
Nicolau Breyner

Produção musical:
Pedro Osório

Direção de produção:
Thilo Krasmann
Vítor Mamede

Realização:
Nuno Teixeira

Produção:
Edipim

Elenco:
Adelaide João – Hermínia
Álvaro Faria – João
Amadeu Caronho – rececionista
Amílcar Botica – padre
Ana Filipe Nogueira – Gabriela
Ana Paula Belo – Sécia
António Aldeia – agente
António Feio – Nando
António Montez – Fernandes
Armando Venâncio – Manuel
Asdrúbal Teles Pereira – Aníbal
Baptista Fernandes – Bruno
Bárbara Gouveia – Rosinha
Carlos Pierre – Alberto
Catarina Avelar – Paula
Catarina Rebelo – Nucha
Cláudia Cadima – Filomena
Cremilda Gil – Justina
Cristina Oliveira – Celeste
Cunha Marques
Curado Ribeiro – Francisco
Dorel Iacobescu – Hernandez
Doris Himmer – Doris
Dulce Guimarães – Mali
Eduardo Viana – Agente
Fátima Isabel – Alménia
Filipa Trigo – Cláudia
Filipe Crawford – Sempre-Em-Pé
Florbela Queiroz – Júlia
Francisco Macedo – Isaac
Francisco Nicholson – Xavier
Glória de Matos – Julieta
Graça Braz – Jovem
Helena Isabel – Sara
Henrique Guerreiro Pinho – Gualdino
Henrique Santos – Santos
Isabel Mota – Mimi
Jacinto Ramos – Samuel Mota
João de Carvalho – Firmino
Joel Branco – Afonso
Jorge Nery – Henrique
José A. Pinto – Agente
José Ochoa – médico
Lia Gama – Teresa
Luís Cerqueira – Alfredo
Luís Modesto – Pedro
Luís Pavão – Sorna
Lurdes Silva – Mila
Mafalda Drummond – Rosário
Magda Cardoso – Marta
Manuel Coelho – Maestro
Manuel Seleiro – Álvaro
Manuela Maria – Emília
Maria Clementina – Maria
Maria Clara Fernandes – Olga
Maria de Jesus Marques – Adelina
Maria Helena Matos – Esmeralda
Maria João Grancha – Maria João
Mariana Rey Monteiro – Ofélia
Marta Esquível – Filipa
Miucha – Miucha
Morais e Castro – Dr. Maurício
Nicolau Breyner – Luís
Nuno Homem de Sá – Nuno
Paula Guedes – Patrícia
Paula Lima – Noémia
Paula Nunes – Marília
Pedro Pinheiro – juiz
Rita Pavão – 
Rogério Paulo – Silvestre
Rosa Lobato de Faria – Cassilda
Ruy de Carvalho – Gaspar
Rui Mendes – Duarte
Salomé Guerreiro – Mamã
Thereza Ramalho – Adelaide
Thom Sheehan – Peter
Tozé Martinho – Dourado
Varela Silva – Morato
Vieira de Almeida – Juvenal
Virgílio Castelo – André (Mãozinhas)

O enredo de Origens começa com a morte do Dr. Teles, dono do decadente Hotel da Penha Longa, que o inescrupuloso Morato (Varela Silva) pretende adquirir dos herdeiros do falecido a todo o custo. Para tal, Morato chantageia Francisco (Curado Ribeiro), filho do Dr. Teles, ameaçando acionar todos os meios legais para reaver o dinheiro que lhe emprestou. No entanto, não basta a anuência de Francisco para que os seus objetivos sejam alcançados. Sara (Helena Isabel), neta do defunto, encontra-se nos Estados Unidos e a procuração que deu ao seu advogado, Duarte (Rui Mendes), não lhe permite dispor do património. Assim, após vários apelos por parte de Duarte, Sara vem até Portugal, em princípio apenas para tratar rapidamente das questões burocráticas relacionadas com a herança. Ao contrário do que previa, porém, acaba por ficar, por perceber que está a ser vigarizada por Morato e Francisco, no que diz respeito ao preço real da transação, e também porque começa a sentir alguma identificação com o património da família. Após se apresentar como uma possível compradora do hotel, revela a sua verdadeira identidade, o que dá origem a vários constrangimentos e à ira de Morato, que sente ter perdido o controlo sobre a transação que já julgava certa.

Outra das tramas de Origens é centrada no romance do professor de música Gaspar (Ruy de Carvalho) com a violoncelista Ofélia (Mariana Rey Monteiro), uma senhora de meia-idade que é apaixonada pela sua profissão, mas cuja irmã, Julieta (Glória de Matos), lhe ocupa grande parte do tempo, por se encontrar acamada. Todavia, Julieta movimenta-se perfeitamente, e ao contrário do que pretende mostrar, é tão saudável como Ofélia. Como não tem nenhuma ocupação, diverte-se a aterrorizá-la, acusando-a de andar com homens e espalhando pela vizinhança que é vítima de maus-tratos.

Origens conta também a história de Filipa (Marta Esquível), uma jovem que frequenta ambientes de risco. O seu comportamento é constante preocupação da mãe, Teresa (Lia Gama), que acusa o ex-marido, o arquiteto Luís (Nicolau Breyner), de se desligar completamente dos problemas da filha. Na verdade, um dos amigos de Filipa é o toxicodependente Nando (António Feio), que do início ao fim da novela luta contra o vício das drogas.

Com o desenrolar da trama, ficamos a saber que, para além de Francisco e Sara, o Dr. Teles deixou um outro herdeiro cuja identidade e paradeiro se desconhecem. É então que factos muito estranhos se sucedem no Hotel Penha Longa, acontecimentos que culminam com o assassinato de Esmeralda (Maria Helena Matos), uma das suas funcionárias mais antigas.

Entretanto, Júlia (Florbela Queiroz), mulher de Francisco, tem um relacionamento amoroso com Morato, sem que o marido aparentemente dê por isso. À medida que o tempo passa, Morato revela ser um homem extremamente perigoso, ligado ao tráfico de droga. Porém, ele não é o cabecilha da organização que move milhões, mas apenas um instrumento nas mãos do verdadeiro mentor de todo o negócio, que desde o início o instruiu a comprar o Hotel Penha Longa, e cuja identidade é um dos principais mistérios da telenovela.

E enquanto Sara descobre ser filha de Luís, que teve em tempos um romance com a falecida filha do Dr. Teles, Julieta acaba por confessar o seu amor recalcado por Gaspar, admitindo que se fez de doente durante trinta anos para que a irmã nunca se casasse.

Ao fim de vários meses, Morato consegue finalmente, por parte de Francisco, o pagamento da dívida e dos respetivos juros, mas, antes de fugir para o estrangeiro, é abordado por Cassilda (Rosa Lobato de Faria), sua secretária e esposa, que se faz acompanhar por vários elementos da organização criminosa, que o espancam até lhe extorquirem o dinheiro todo.

Sentindo-se pressionado, Morato contacta com Júlia, que se encontrava escondida já há alguns dias. Os dois combinam fugirem juntos, principalmente porque tudo aponta para que sejam as próximas vítimas do cabecilha da organização.

Nos últimos capítulos de Origens, as revelações sucedem-se uma após outra e, se é surpreendente saber que o herdeiro do Dr. Teles é nada mais nada menos que Gaspar, não é menos espantoso descobrir que Francisco sempre foi o chefe da organização criminosa, que utilizava a propriedade do seu falecido pai para armazenar droga, e que a compra do hotel não passou de uma farsa para despistar. Júlia, ao constatar ter sido durante tanto tempo manipulada pelo marido, dispara sobre ele, matando-o imediatamente. Quando se preparava para partir com Morato, aparece a polícia, que os prende aos dois.

Desvendados todos os mistérios, Gaspar e Ofélia ficam livres um para o outro e casam-se numa cerimónia religiosa bastante aparatosa. Muito feliz, Julieta acompanha-os, mostrando que se encontra totalmente recuperada do seu antigo estado de perturbação.

Família Teles

Sara (Helena Isabel)
Nasceu nos Estados Unidos. Por lá cresceu e ficou, até que, por ocasião da morte do seu avô, um telegrama do seu advogado a chama a Lisboa. Vem de pé atrás, não perdendo oportunidade de largar ferrolho pejorativo sobre os hábitos e tradições portuguesas. Vai levantando o véu que cobre de mistérios o Hotel da Penha Longa, soltando-se em si a vontade de por lá ficar a morar, devolvendo a propriedade ao esplendor do passado. Sente a vida em perigo por ter o diário do avô nas suas mãos…

Francisco (Curado Ribeiro)
Tio de Sara. A morte do pai, o Dr. Teles, não escolheu a melhor hora para surgir. Na forja, tinha já contrato apalavrado com Morato para que este ficasse dono e senhor da propriedade, tendo aliás já recebido avolumado sinal. A sobrinha, na América, não lhe dará descanso, e por todos os lados tenta amaciá-la, para que Sara não seja pedra difícil de tirar do sapato. Parece ser um fraco, mero adorno nas mãos da mulher, Júlia.

Maria Júlia (Florbela Queiroz)
Mulher ambiciosa e sem escrúpulos. Não esconde o desprezo que sente pelo marido, Francisco, que parece manusear a seu belo prazer. Ardilosa e esperta, insinua-se a Morato. Tratou do sogro nos últimos momentos da sua vida e é lesta em arranjar certidões de óbito. Tem um perfume inconfundível.

Hermínia (Adelaide João)
É a empregada linguaruda de Francisco e de Júlia. Não morre de amores pelos patrões e conhece-lhes os segredos, que não hesita em criticar. Vende-se a troco de dinheiro a Morato e a quem lhe coloque uma nota na mão.

Mafiosos

Alberto Morato (Varela Silva)
Dele, o melhor que se pode dizer é que não é de confiança. Joga sujo com toda a limpeza. Oportunista, não se encolhe perante a possibilidade de comprar o Hotel da Penha Longa, realçando vezes sem conta ser um homem de boas contas que não se esquece dos juros… Desconfia de tudo e de todos e é intransigente na sua vileza. Um abutre que, mal cheira a carne fresca, não hesita…

Cassilda (Rosa Lobato de Faria)
Fria e maquinal, desconfia-se que seja muito mais do que aquilo que parece ser: a fiel e submissa secretária de Morato. Paira a dúvida sobre se é também sua esposa.

Família Martinho

Luís (Nicolau Breyner)
É arquiteto, mas a profissão parece não o preencher totalmente, pois é a música que o encanta. A caminho dos 50 anos, angustia-o a sensação de estar velho. Resmungão, vai soltando gracejos no trabalho e dele se forma a ideia de que não amadureceu na totalidade. Remói o falhanço do casamento com Teresa e uma relação quase inexistente com a filha, Filipa, que o leva a briosamente aprender a ser pai. Sentimentalmente, tem uma ligação com Patrícia, para a qual não se adivinha grande futuro.

Teresa (Lia Gama)
Ex-mulher de Luís. É economista, mas não economiza na atenção e no afeto que dispensa à filha, montando-lhe guarda cerrada. Preocupada com as toxicomanias que exalam da Catacumba, teme que Filipa estrague a vida cedendo ao vício.

Filipa (Marta Esquível)
Está na “idade do armário”, cursa Veterinária e tem uma voz gabada por todos os que frequentam a Catacumba. Com a mãe e o pai, cada um à sua maneira, vive um destemperado conflito de gerações. Procura ajudar Nando e, para o impedir de fazer um assalto, vai presa. A gravação pirata que confirma o fulgor da sua voz vai arrastá-la para problemas.

Olga (Maria Clara Fernandes)
Mãe de Teresa. Vem da aldeia para tentar apagar o fogo que lavra na vida da neta. Fica por Lisboa depois de uma temporada furtiva.

Gabinete de arquitetura

José Dourado (Tozé Martinho)
Arquiteto, colega de Luís. É viúvo e pai de dois filhos. Apesar disso, parece ser um desprendido da vida, levando-a sempre com um gracejo.

Gabriela (Ana Filipe Nogueira)
No gabinete de arquitetura, é a secretária. Brincalhona e ousada, não deixa remoque sem resposta. Casa com Dourado.

Firmino (João de Carvalho)
É desenhador no gabinete de arquitetura, prestando a melhor assistência que lhe é possível.

Adelaide (Thereza Ramalho)
Cunhada de Dourado. Ajuda-o na criação dos sobrinhos.

Conservatório

Gaspar (Ruy de Carvalho)
Toca trombone numa orquestra do Conservatório, onde dá aulas. De feitio brincalhão, tem uma paixão recalcada por Ofélia, adiada eternamente, que tenta concretizar, esbarrando nas pedras que Julieta vai colocando no caminho. Amigo de Luís e de um copinho, faz da casa do arquiteto palco privilegiado para ensaios de alunas de talento reconhecido. Vive numa roulotte.

Ofélia (Mariana Rey Monteiro)
É violoncelista de talento, mas parece ter desperdiçado grande parte da vida em amarguras e recalcamentos. Amiúde, disparam-lhe em assomos gritos de revolta. A invalidez de Julieta obrigou-a a anular-se e a sacrifícios vários. Deixou o amor de Gaspar passar ao lado, mas consegue agarrá-lo no fim.

Julieta (Glória de Matos)
A irmã sacrificou-se por ela, e ela, amarga, responde-lhe de dedo em riste, culpando-a pela morte da mãe e pela doença que a atirou para uma cama. Deprimida e azeda, vive num tédio, amedrontada pelos barulhos estranhos que julga ouvir. Tem uma paixão doentia por Gaspar. Revoltada, maquinou estratagema, ludibriando tudo e todos: de paralítica não tem nada, de psicótica tem… e muito!

Maria (Maria Clementina)
Quando Ofélia não pode, é ela que cuida de Julieta. Acredita piamente nas maquinações da acamada e é arrastada pelas suas mentiras.

Adelina (Maria de Jesus Marques)
Aluna de Gaspar. Tem um talento especial a tocar fagote.

Alménia (Fátima Isabel)
Aluna de Gaspar. Exibe o seu talento como acordeonista.

Amílcar Santos (Henrique Santos)
Professor do Conservatório e diretor do curso. Desconfia das liberdades de Gaspar e da sua familiaridade com certas alunas, querendo expulsá-lo do corpo docente.

Marta (Magda Cardoso)
Professora de dança no Conservatório, sonha em ter um estúdio próprio. Vai apaixonar-se por Xavier.

Família Mendes

Duarte (Rui Mendes)
Se no plano pessoal o casamento de 26 anos com Paula caminha para o fim, no plano profissional, parece andar na crista da onda. É advogado reputado e é o procurador de Sara. Vai também ser advogado da empresa discográfica no processo contra Filipa.

Paula (Catarina Avelar)
Mulher de Duarte há mais de 25 anos. Prometia ser uma grande advogada, mas acabou a fazer trabalho burocrático numa seguradora. Com o casamento triturado e corroído pelo tempo, vai dar uma nova chance ao seu outro amor: a advocacia.

João (Álvaro Faria)
20 anos. Filho mais velho de Paula e Duarte. Colega de Filipa em Medicina Veterinária, ocupando lugar de destaque entre os melhores alunos. De caráter franco e de personalidade vincada, cai na afeição de Teresa, que o considera um amigo ideal para Filipa.

Pedro (Luís Modesto)
12 anos. Filho mais novo de Duarte e de Paula. Quer ver televisão, mas os pais mandam-no para o quarto, porque querem discutir. Vai para casa dos avós passar uma temporada e regressa, espigadote, tentando piscar o olho a Marília.

Rosário (Mafalda Drummond)
É a secretária de Duarte e a sua amante, papel que a desgosta e a cansa.

Hotel da Penha Longa

Fernandes (António Montez)
Gerente do Hotel da Penha Longa. Move-se em areias movediças, não querendo beliscar a sua autoridade, que se vem a descobrir é praticamente nenhuma. Diz ter em seu poder documentos comprometedores e, entre sorrisos velados, vai mostrando saber mais do que diz. Os seus tremeliques denunciam-no, e arrisca-se muito.

Esmeralda (Maria Helena Matos)
Foi governanta do hotel e, depois de reformada, por lá continuou – por caridade, como apontam as más-línguas. Conhece como poucos os segredos da propriedade. Sentimental em relação ao hotel, conquista pela ternura o pessoal da Penha Longa, evocando amiúde os momentos de desafogo que a casa tinha, mantida com esmero e dedicação pelo pai de Francisco. Afeiçoa-se a Sara, sendo a primeira a identificá-la como herdeira.

Alfredo (Luís Cerqueira)
Porteiro do Hotel da Penha Longa. É um dos empregados mais antigos do hotel. Fernandes trata-o com desprezo e sarcasmo.

Juvenal (Vieira de Almeida)
Rececionista do Hotel da Penha Longa. Vê e comenta tudo o que por lá se passa.

Justina (Cremilda Gil)
Criada de quarto do Hotel da Penha Longa. Gosta de aperaltar e embelezar as flores. Esforça-se para que o estabelecimento volte aos seus gloriosos dias, mantendo-se expectante pelo futuro da casa, que tanto a inquieta.

Celeste (Cristina Oliveira)
Empregada passiva do Hotel. Gosta de coscuvilhar e de deixar a sua ideia vincada.

Manuel (Armando Venâncio)
É o feitor da Quinta da Penha Longa e pai de Rosinha. Fervoroso defensor da continuidade no futuro de um passado radiante. Devoto ao avô de Sara.

Rosinha (Bárbara Gouveia)
Filha de Manuel. Ajuda o pai na quinta. Metediça e sem papas na língua. É ela a primeira a quebrar o gelo de Sara. Tal como o pai, é devota ao hotel e à sua história.

Catacumba

André / Mãozinhas (Virgílio Castelo)
O blusão de cabedal é uma das suas imagens de marca. Frequentador habitual do “último refúgio dos cristãos”, é um enigma. Tem o ar de esconder algo na manga, demonstrando interesse furtivo pelo hotel e pelas marginalidades da Catacumba. Quando é obrigado a desencostar-se da parede, desfazendo a nuvem negra de suspeita que sobre si pendia, dá azo ao amor.

Nando (António Feio)
Dependente da droga e de Hernandez. A sua vida está feita em frangalhos. Alguns amigos, assustados, viram-lhe as costas. Os mais fiéis ajudam-no na sua via sacra para o tratamento. Tem uma relação azeda com o pai e sente tormentas existenciais quando pensa em “largar” Hernandez e o vício. Com a vida esventrada, regenera-se ganhando um lugar na mercearia de Emília.

Hernandez (Dorel Iacobescu)
Passador de droga. Tem como poiso a Catacumba e Nando como principal cliente. Cara de mau, e um cão que rosna.

Nuno (Nuno Homem de Sá)
De parceria com Afonso, é o compositor das músicas a que Mali dará voz. Colega de João e de Filipa em Veterinária. Embeiça-se por Filipa.

Afonso (Joel Branco)
Poeta e um dos grandes frequentadores da Catacumba. Apaixonado pela música, recorre frequentemente às opiniões de Luís sobre a obra musical. Tenta sacudir a sua água do capote no processo da gravação pirata que Aníbal move.

Sempre-Em-Pé (Filipe Crawford)
Frequentador da Catacumba. Ao descobrir o dom que Filipa tem na voz, por oposição aos gargarejos de Mali, embrulha-se até aos ossos na missão de que a voz do disco seja a da estudante de veterinária.

 (Rita Pavão)
Uma das frequentadoras da Catacumba. Vai estar ao lado de Nando na mercearia de Emília, ajudando-o e ao negócio. Namora Isaac.

Isaac (Francisco Macedo)
Namorado de Fá. Leva a vida sem grandes objetivos. Vai dedicar-se ao estudo de Música.

Sécia (Ana Paula Belo)
Frequentadora da Catacumba. Aluna de Marta nas aulas de dança.

Noémia (Paula Lima)
Frequentadora da Catacumba. Vai viver com os pais para o estrangeiro, suspeita-se que para fazer uma desintoxicação.

Miucha (Miucha)
Frequentadora da Catacumba. Irmã de Noémia.

Nucha (Catarina Rebelo)
Frequentadora da Catacumba. Motoqueira irreverente. Antipatiza com Miucha.

Maria João (Maria João Grancha)
Cantora que vai deliciando todos com a sua voz, na Catacumba.

Doris (Doris Himmer)
Talentosa cantora e pianista também revelada na Catacumba. Vai gravar uma música composta por Luís e Gaspar.

Estúdio de gravação

Mali (Dulce Guimarães)
A mãe, devota, teima em ver nela uma cantora que arrebatará plateias, deixando-as em êxtase. Dotes vocais não tem; vontade para gravar um disco não lhe falta…

Mamã (Salomé Guerreiro)
É a mãe-galinha sempre pronta para gabar o talento da filha. Faz finca-pé para que Mali tenha o mérito reconhecido.

Aníbal (Asdrúbal Teles Pereira)
Produtor discográfico, interessado em levar Mali para as luzes da ribalta, fica pelos arames quando descobre que, à socapa, Filipa deu voz a um dos seus temas. Furioso, quer levar o caso até às últimas consequências, contando com o apoio jurídico de Duarte.

Henrique (Jorge Nery)
É o técnico de som. A gravação pirata de Filipa arrasta-o para o desemprego, por ter nela tido parte importante, despertando a intransigência de Aníbal.

Sorna (Luís Pavão)
Funcionário da produtora. O nome define-o: passa a vida a adormecer.

Maestro (Manuel Coelho)
Maestro da Orquestra. Um dos que fica com os cabelos em pé com a voz de Mali.

Minimercado

Patrícia (Paula Guedes)
Tem uma relação com Luís sempre em brasa. Queixa-se do desinteresse do arquiteto por ela e abespinha-se de cada vez que Luís troca um olhar com outra mulher. É independente financeiramente dos pais, trabalhando como conservadora num museu.

Emília (Manuela Maria)
Mãe de Patrícia. É dona de uma mercearia de bairro e vizinha de Ofélia e Julieta, sendo também senhoria do apartamento onde elas vivem. Conservadora, finca o pé à relação da filha com um arquiteto mais velho e de temperamento irresponsável, pelo qual confessa não morrer de amores.

Álvaro (Manuel Seleiro)
Marido de Emília. É motorista de camiões de longo curso e, por esse motivo, passa muito tempo ausente de casa.

Mila (Lurdes Silva)
Empregada no minimercado de Emília. Tem sempre engatilhada resposta e ouvidos atentos ao cochichar das clientes.

Mimi (Isabel Mota)
Fiel cliente do minimercado de Emília. Está sempre de olho nas coscuvilhices e na inflação, que tende a aumentar de dia para dia.

Polícia Judiciária

Agente Viana (Eduardo Viana)
Agente da Polícia Judiciária.

Agente Pinto (José A. Pinto)
Agente da Polícia Judiciária.

Agente (António Aldeia)
É ele quem colhe o depoimento de Sara, depois da sua adiada decisão de procurar a polícia.

Outros personagens

Xavier (Francisco Nicholson)
Amigo de longa data de Teresa e Luís. Psicólogo, exerce o seu ofício nos Recursos Humanos da seguradora onde Paula trabalha. Afeiçoa-se a Nando, a quem tenta libertar do tormento em que a vida se transformou, e desconfia-se que tenha uma relação estreita com a Polícia, pelas evasivas que larga.

Bruno (Baptista Fernandes)
É o psiquiatra que trata de Julieta. Perspicaz, descobre-lhe a marosca que a retém na cama, percebendo que a doença de Julieta são ciúmes. Ajuda também na reabilitação de Nando.

Silvestre (Rogério Paulo)
Pai de Nando. Homem rude. Tem uma retrosaria e vive uma relação sufocada com o filho, a quem nunca perdoou os desatinos da vida, deixando-o inclusivamente a dormir ao relento. Com a ajuda de Xavier, vai-lhe abrindo os braços.

Filomena (Cláudia Cadima)
Aluna de Veterinária. Deixa-se encantar pelo caso de Nando e, afeiçoada a ele, procura ajudá-lo.

Marília (Paula Nunes)
Colega de Filipa e namorada de João. Espevitada e espirituosa, julga-se uma menina-prodígio. Em qualquer conversa, tem sempre uma palavra a dizer.

Cláudia (Filipa Trigo)
Amiga e colega de Patrícia no Museu.

Alberto (Carlos Pierre)
Marido de Cláudia. Publicitário.

Peter (Thom Sheehan)
Namorado de Sara em Nova Iorque.

Gualdino (Henrique Guerreiro Pinho)
Membro do bando de Hernandez. É um dos responsáveis pela morte de Esmeralda e pelo atropelamento de Filipa.

Dr. Maurício Trindade (Morais e Castro)
Notário responsável pela leitura do testamento do Dr. Teles. Foi colega de curso de Paula e de Duarte.

Samuel Mota (Jacinto Ramos)
Era um médico de créditos firmados quando, mortificado pelo fim de uma relação sentimental com Júlia, se entregou ao álcool. Atualmente, leva uma vida indigente numa pensão modesta. É atirado à berlinda pela estranheza de ter sido ele a assinar, de forma suspeita, três certidões de óbito.

Enfermeira (Tareka)
Enfermeira que cuida de Filipa depois do acidente. Extremamente controladora e rigorosa com o tempo de permanência das visitas.

Juiz (Pedro Pinheiro)
Conduz o julgamento do caso de pirataria.

Sr. Prior (Amílcar Botica)
Pároco que celebra o casamento de Gabriela e Dourado e, no último capítulo, de Ofélia e Gaspar.

À semelhança da novela anterior, Vila FaiaOrigens foi também produzida pela Edipim. A equipa era essencialmente a mesma. Até mesmo o elenco apresentava muitos elementos em comum. Em comparação com o trabalho anterior, Nicolau Breyner e Nuno Teixeira consideraram o resultado globalmente melhor, apesar de Origens ter sido mais criticada.

Ruy de Carvalho, que em Vila Faia era filho de Mariana Rey Monteiro, nesta novela era o seu par romântico.

O programa Semanário exibido no dia 19/03/1983 mostrou uma reportagem sobre os bastidores de Origens. Alguns atores que tinham feito parte do elenco de Vila Faia falaram dos seus papéis por comparação com os anteriores. Florbela Queiroz, em tom irónico, descreveu o seu papel como sendo muito diferente do de Vila Faia, que era o de telespectadora. À sua boa maneira, afirmou também que Júlia seria tão má como ela na vida real, apenas “um bocadinho pior”…

Foi publicada uma coleção de fascículos inteiramente dedicados à telenovela, que, no entanto, foi suspensa após a publicação do 10.º número (compreendendo os resumos até ao capítulo 65).

Numa entrevista, Catarina Avelar considerou o guarda-roupa da novela muito pobre: “O guarda-roupa de Origens está, no geral, muito mal. A única que apresenta toilettes mais bonitas é a Florbela Queiroz, porque são dela. Uma coisa que nem toda a gente pode fazer, o que é o meu caso, porque não sou rica”.

Coincidência ou não, a revista Origens, pouco tempo depois, criou uma secção dedicada a mostrar as toilettes de alguns personagens.

Nos primeiros capítulos, o cenário de Francisco e Júlia é uma saleta simplória e acanhada.

A meio da novela, acontece uma mudança do casal para uma casa de campo – com uma sala bastante mais ampla e sofisticada – onde, supostamente, estarão livres de qualquer importunação. Claro está que foi apenas uma desculpa para efetuar a troca de cenário, já que Francisco e Júlia são descobertos de imediato, mas ainda assim permanecem na casa de campo até ao fim.

As cenas exteriores do Hotel da Penha Longa foram gravadas na Quinta da Penha Longa, nas imediações da Lagoa Azul, em Sintra. Foi também neste local que foram captadas as imagens do genérico.

O edifício principal apresentava-se bastante degradado, o que se ajustava na perfeição à condição de decadência do hotel.

No último capítulo, aparece já totalmente remodelado e pintado de fresco.

Com o passar dos anos, a Penha Longa cresceu e transformou-se num grande resort.

No decorrer da novela, a revista Origens entrevistou algumas personalidades, questionando o seu parecer sobre a mesma:

Simone de Oliveira:
Origens conta com um belo trabalho a nível interpretativo de todos os atores. É mais um passo em frente para acabar com as telenovelas brasileiras”.

Luís Filipe Barros:
“Penso que se nota a falta do João Alves da Costa. O tipo de linguagem de algumas personagens já não está muito atualizado, utiliza-se um calão de há uns sete anos, como “baril”, por exemplo”.

Luís Pereira de Sousa:
“Copiámos o modelo mais fácil, que é o brasileiro, e não o britânico. Penso que essa simplificação dos diálogos foi uma tentativa de retratar o quotidiano, mas o quotidiano é vazio para muita gente, e o vazio em televisão não devia ter lugar”.

Margarida Marante:
“Houve todo um encantamento em relação a Vila Faia, porque era a primeira, porque saiu bem… agora, e porque Origens, pelos temas que aborda, corre riscos diferentes, não há esse tal encantamento generalizado. Há certas faixas de público mais conservadoras, que têm dificuldade em aderir: em minha casa, já ouvi tios e avós dizerem que é uma porcaria”.

Sinde Filipe:
“Os textos são muito maus e revelam a falta de uma escola de escritores para televisão no nosso país. O guião de Origens é mau. Os personagens, na generalidade, não são cuidados. Todos pretendem ser demasiado evidentes”.

Origens ousou ao abordar temas polémicos, como o uso de drogas, retratado através do personagem Nando (António Feio). Para viver este personagem, o ator fez algumas sessões de pesquisa no Centro de Recuperação e Profilaxia da Droga.

Durante uma visita da Escola Secundária Ferreira Borges aos estúdios da Edipim, alguns jovens mostraram não se identificar com o ambiente da “Catacumba” (lugar frequentado pelos jovens de Origens): “Nós não usamos aquelas vestimentas, nem falamos assim”. Uma outra aluna, porém, afirmava: “Eu não vou lá, mas ao pé da minha casa há um sítio com aquelas máquinas de jogos, e sei que as pessoas que lá estão fumam droga”.

A "Catacumba"

Pouco tempo depois de iniciadas as gravações, Nuno Homem de Sá sofreu um acidente de moto. Para evitar atrasos, mas mantendo o ator no elenco, Nicolau Breyner ofereceu-lhe um papel diferente do inicial, e a sua história foi transposta para a novela: o seu personagem, também chamado Nuno, aparecia em cena engessado.

A conhecida cantora Maria João teve um pequeno papel na novela. Era uma das cantoras que animavam as noites da Catacumba.

Maria João em cena com Ruy de Carvalho

Os filhos de Dourado (Tozé Martinho), que apareciam esporadicamente, foram vividos pelos descendentes do próprio ator.

Também Sofia Nicholson, filha do autor da novela, fez uma “ponta”, como uma cliente do minimercado de Emília.

Na última semana, Pedro Pinheiro aparece em cena vivendo um juiz, papel que o popularizou n’ Os Malucos do Riso, onde julgava o réu Lelo da Purificação (Camacho Costa).

Origens
Os Malucos do Riso

No último capítulo, destaca-se a celebração do casamento de Gaspar e Ofélia. A cerimónia, amplamente noticiada pela imprensa, foi presidida por um padre verdadeiro e contou ainda com a participação do Coro de Santo Amaro de Oeiras. O Correio da Manhã fez uma cobertura das gravações, mostrando uma foto do senhor prior.

A primeira reposição da novela ocorreu cerca de dois anos depois do final, com estreia a 02/10/1985.

Houve uma segunda reposição entre 24/10/1994 e 12/04/1995, que estreou no horário pós-almoço da RTP 1, passando depois para a manhã.

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