Os Andrades

Exibição:
1994–1998 (RTP 1)

Número de episódios:
52

Autoria:
Álvaro de Magalhães
José Cunha
M. A. Mota

Realização:
António Moura Mattos

Elenco:
Maria Dulce – Zulmira
Mário Moutinho – Marcial
Arlete de Sousa – Rosário
Manuel Cardoso – Zezé
Andrea Oliveira – Lila
Jorge Pinto – Idalino
Emília Silvestre – D. Conceição

As aventuras e desventuras de uma família portuense de classe média, que vive histórias atribuladas, mas muito bem-dispostas.

Compõem o agregado familiar: o casal Marcial (Mário Moutinho), um funcionário público, e Rosário (Arlete de Sousa), uma modista; os filhos Lila (Andrea Oliveira) e Zezé (Manuel Cardoso); e a mal-humorada Zulmira (Maria Dulce), mãe de Rosário e dona da casa. Para aumentar a dose de confusão, juntam-se Idalino (Jorge Pinto), o melhor amigo de Marcial, e a intrometida e fofoqueira vizinha Conceição (Emília Silvestre).

Zulmira (Maria Dulce)
Mãe de Rosário. É o verdadeiro “homem da família”. Atormenta permanentemente o seu genro, a quem chama de paspalho.

Marcial (Mário Moutinho)
Homem pacato, sem grandes ambições. Trabalha numa repartição pública. Completamente agarrado à bola e, naturalmente, ao FCP.

Rosário (Arlete de Sousa)
Mulher simples e ingénua. É doméstica, mas faz alguns trabalhos de costura para fora. Embora sem grande sucesso, tenta promover a paz entre Zulmira e Marcial, saindo sempre em defesa do “coitadinho do Marcial”.

Zezé (Manuel Cardoso)
Muito curioso, tenta sempre perceber o que se passa, mas ameaçam-no com “um par de estalos”, por se intrometer nos assuntos dos adultos.

Lila (Andrea Oliveira)
Com 18 anos, é talvez a única pessoa consciente da família. Envergonha-se com as confusões criadas pelos pais e pela avó.

Idalino (Jorge Pinto)
Melhor amigo de Marcial. Anda sempre metido em negociatas.

D. Conceição (Emília Silvestre)
Vizinha nova-rica dos Andrades, e também cliente de Rosário. É peneirenta e mexeriqueira. Zulmira trata-a por “lambisgóia”.

1.ª temporada

1. Fim de semana em Torremolinos
D. Conceição, a vizinha dos Andrades, há semanas que não fala noutra coisa senão na viagem que fez a Torremolinos. Zulmira decide, então, que também a sua família passará um fim-de-semana naquela estância balnear… mesmo sem sair de casa!

Atores convidados:
Jorge Paupério – polícia
Alice Vasconcelos – vizinha


2. Um gato no presépio
Zezé e Lila trazem um gato para casa e escondem-no no quarto. Marcial não se opõe, mas Zulmira deixa claro que não gosta de gatos. Perante a recusa da matriarca em ficar com o animal, gera-se uma acesa discussão na véspera de Natal…


3. Sozinhas em casa
Marcial vai para um curso em Lisboa e Zezé para uma colónia de férias. Zulmira, Rosário e Lila ficam sozinhas em casa. Durante a noite, ouvem-se ruídos estranhos vindos da sala…


4. Falta de comparência
Marcial anda com problemas de desempenho sexual e não tem “comparecido”. Para tentar quebrar a rotina, Rosário prepara-lhe um jantar especial, mas sem grande resultado. Resolve então procurar um sexólogo…

Atores convidados:
Luís Correia
Ana Cláudia – Anabela
Ana Cristina Athayde


5. A cómoda
Zulmira e Rosário espreitam, pela janela, a chegada da nova mobília de Conceição. Zulmira não quer dar uma de pelintra e pensa em encomendar uma mobília nova, mas sem com isso gastar um tostão…

Atores convidados:
João Cardoso
Ana Cláudia – Anabela
Ana Cristina Athayde


6. Um dia muito especial
Marcial e Rosário fazem 20 anos de casados. Rosário está expectante, mas Zulmira acha que, como é frequente, ele vai esquecer-se da data. Contudo, Rosário surpreende-se ao encontrar uns versos deixados na sala…

Atores convidados:
Ana Cláudia – Anabela
Ana Cristina Athayde


7. Quem não sai aos seus
Zulmira tem saído frequentemente com Belmiro, o pai de Idalino. Este e Marcial julgam que os dois idosos estão a pensar casar-se, mas na realidade andam a fazer diligências para conseguir uma noiva para Idalino.

Atores convidados:
José Pinto – Belmiro
Margarida Machado – Isabel


8. Ninguém gosta de mim
Marcial está adoentado e o médico recomenda-lhe 15 dias em casa. A convivência forçada com a família e a ausência de contactos dos amigos fazem-no ter crises existenciais, achando que ninguém gosta dele…

Atores convidados:
Alfredo Correia
Jerónimo Silva


9. Quem vê caras
Zezé desaparece por algumas horas e, no desespero, Marcial jura cortar o bigode caso o filho apareça. Zulmira, que acha que usar bigode está fora de moda, não vai perder esta oportunidade para obrigar o genro a tirar o dele…


10. Pela hora da morte
Zulmira está com pedras nos rins e anda apreensiva, pois vai ser operada. Idalino diz a Marcial que a morte da sogra é quase certa. Enquanto Zulmira está no hospital, Marcial e Zezé fazem mudanças na casa…

Ator convidado:
Amílcar Silva


11. A 100 à hora
Marcial tem um acidente de carro e fica impossibilitado de levar Lila à discoteca, onde ela marcou encontro com um rapaz. À revelia, Lila decide ir de táxi, mas volta do encontro desiludida. Marcial tenta consolar a filha, mas só consegue pensar no acidente…


12. Crise, disse ela
Em casa dos Andrades, os tempos são de crise. Para piorar a situação, a D. Conceição está a pensar divorciar-se e quer ficar com o emprego que arranjara a Rosário, na boutique do seu padrinho.


13. Greve geral
No escritório de Marcial, o sindicato convoca uma greve para reivindicar aumentos salariais. Zulmira critica esta iniciativa, afirmando que fazer greve é “coisa de comunistas”, e teme que os vizinhos descubram o envolvimento de Marcial…

Atores convidados:
José Leitão
Joaquim Vieira
Ana Cláudia – Anabela
Ana Cristina Athayde


14. Um homem de visão
Zulmira recebe a visita de Saavedra, um velho amigo de Angola que é invisual. Rapidamente o senhor conquista a simpatia de toda a família, e mostra que enxerga bem mais do que aparenta…

Ator convidado:
Pedro Pinheiro – Saavedra


15. Opus 127
Idalino usa Marcial como intermediário para a venda de um Fiat 127. Enquanto isso, a família reúne-se para preencher o censo de 1994, mas as respostas não são as mais sensatas. Entretanto, duas testemunhas de Jeová batem à porta…

Atores convidados:
João Paulo Costa – funcionário do INE
Cristina Santos – Antónia
Adriano Martins – Alberto


16. Linha quente
Chega a conta do telefone e Zulmira quase tem um ataque quando vê o valor: 35 contos. São vários os suspeitos de ter feito chamadas de valor acrescentado: Zezé para linhas de anedotas, Lila para linhas de música rock, e Marcial… para a linha quente!


17. 93-60-93
Zulmira repara que Marcial tem olhado de forma bastante atenta para Conceição, quando esta vai fazer as provas dos vestidos. A par disso, Rosário descobre uma mentira do marido e pensa que ele anda a enganá-la…


18. Música no coração
O clima em casa dos Andrades não anda dos melhores. Todos discutem violentamente uns com os outros, pelos mais diversos motivos. Marcial sai de casa, mas acaba por regressar, completamente bêbado…

Atores convidados:
Fernanda Gonçalves – Dona Palmirinha
António Pedro


19. A ponte a pé
Marcial está zangado com Rosário porque esta vai para Lisboa com Zulmira. Ainda assim, leva-as de carro à estação das Devesas, mas apanham um grande engarrafamento e, para ajudar, o carro sofre uma avaria debaixo de um temporal…

Atores convidados:
Mário Santos – Miguel
Carla Alexandra – Sónia
Ana Cláudia – Anabela
Ana Cristina Athayde


20. Adivinha quem vem ao São João
Lila anuncia que vai trazer um amigo para jantar na noite de São João. Ao saber que ele é farmacêutico, Zulmira prepara tudo com grande aprumo. Contudo, a sua atitude muda quando descobre que ele é negro…

Ator convidado:
Miguel Hurst – Rui


21. Vai chamar filho a outro
Lila fica a tomar conta do bebé de uma amiga. Zulmira e Rosário, desconhecendo a situação, quando chegam a casa, pensam que se trata do fruto de uma relação extraconjugal de Marcial…

Atores convidados:
Carla Alexandra
Vaz Mendes – Mário
Diana Alves


22. O bota de ouro
Marcial é indicado para substituir o falecido presidente d’Os Passarinhos da Avenida. Ao descobrir que Cerqueira, o marido de Conceição, é candidato ao mesmo cargo, mesmo não acreditando nas capacidades do genro, Zulmira decide fazer de tudo para que Marcial seja o vencedor.

Convidado especial:
Fernando Gomes


23. As sete colinas de Roma
Lila e Zezé ajudam Zulmira a preparar-se para o exame de admissão à Universidade da Terceira Idade. Entretanto, Marcial anda entusiasmadíssimo com um selo raro, porque contém um erro ortográfico.


24. O dia do pecado
Zulmira tem sentido tonturas e enjoos com frequência. Simultaneamente, Marcial escuta conversas estranhas entre a sogra e o Padre Amaro, o que lhe levanta algumas desconfianças acerca da sua relação com o sacerdote…

Atores convidados:
Mário Sancho – Padre Amaro
Maria do Céu Xavier – Alice


25. Avó, há só… duas
Luísa, a mãe de Marcial, que mora em Chaves, vem ao Porto para realizar exames médicos. Zulmira não esconde o incómodo que sente com a sua presença e fica apavorada com a possibilidade de ela se mudar para sua casa.

Atores convidados:
Luísa Barbosa – Luísa
Jorge Seabra Paupério – Pedro
Aurora Gaia – avó de Pedro


26. Ladrão que rouba a ladrão
Marcial é assaltado no autocarro e fica sem dinheiro para pagar a conta da luz. Contrariada, Zulmira aceita retirar dinheiro da caderneta. Entretanto, Marcial recebe a visita de Manitas, um velho companheiro de tropa, que lhe entrega a carteira…

Ator convidado:
Alexandre Falcão – Armindo (Manitas)

2.ª temporada

27. O grande susto
Três homens procuram Marcial para que ele interceda junto do presidente da junta – seu primo – a respeito de uma lixeira. Quando Marcial se aproxima da dita cuja, é abordado por um polícia, o que faz ter uma violenta crise de soluços e perder a fala…

Participação:
Jorge Paupério – polícia
Jorge Mota – Otávio (Tirone)
Rui Oliveira – Amadeu Costa
Alfredo Correia – Filinto Elísio


28. A banca é do povo
A banca da cozinha dos Andrades está para consertar há 3 dias. Marcial tenta fazer o conserto sozinho e, ao aproximar-se, vê na parede o que julgam ser pinturas rupestres. A notícia não tarda a tornar-se pública…

Participação:
Nuno Filipe – Varela


29. Rosários é o que há mais!
Enquanto assistem ao programa Reencontros, cujo objetivo é o reencontro de pessoas desaparecidas, os Andrades vêem o caso de um homem que procura a irmã e cujas características coincidem com as de Rosário…

Participação:
Cristina Oliveira – Isabel Teixeira
Anabela Mota Ribeiro – apresentadora
Gonçalo Pimentel – Mário

Participação especial:
Carlos Miguel – Avelino


30. Pesadelo em Aroso Street
As discussões entre Zulmira e Marcial sempre foram uma constante. Mas a convivência entre os dois começa a beirar o limite do insuportável, o que leva Marcial a pedir o “divórcio” da sogra…

Participação especial:
António Reis – advogado


31. Doentes da Bola Anónimos
Idalino tenta convencer Marcial de que a bola é uma doença e está a fazê-los deixar de viver as suas vidas. Decidem, então, participar numa sessão dos Doentes da Bola Anónimos…

Participação:
Fernando Bento
Joaquim Silva

Participação especial:
Alexandre Falcão – psicólogo
Carlos César – Adalberto


32. Cartas de amor
Lila tem recebido muitas cartas em resposta a um anúncio que colocou no jornal. Entre os vários pretendentes, está inclinada para um rapaz giro, de olhos verdes, mas Zezé tenta convencê-la a optar por um que é bom na escrita.


33. Sol de Inverno
Rosário encontrou, entre as coisas de Marcial, uma revista de mulheres nuas. Embora isso não a perturbe, Zulmira incentiva-a a cortar relações com o marido. Mas Marcial sofre um acidente, o que deixa Rosário entre a espada e a parede…

Participação especial:
Simone de Oliveira


34. A presença (1.ª parte)
Uma sucessão de acontecimentos indesejados leva Zulmira a acreditar que a casa está azarada. Resolve, então, chamar uma vidente, indicada pela D. Conceição, para ajudar a descobrir a origem do problema.

Participação especial:
Maria Vieira – Dulce


35. A presença (2.ª parte)
A vidente Dulce identificou uma presença que está a azarar a casa dos Andrades e propõe-se exorcizá-la. Mas a dita presença recusa-se a abandonar a casa, exigindo o pagamento de uma indemnização…

Participação:
Nuno Filipe – Varela

Participação especial:
Maria Vieira – Dulce


36. Ninguém diga que está bem!
Uma onda de assaltos tem tomado conta das redondezas. Revoltados, os homens da vizinhança tomam a iniciativa de organizar uma milícia popular, e já que Marcial não participa, Zulmira decide ser ela a ir…

Participação:
Jorge Paupério – polícia
Jerónimo Silva – Adalberto
Nuno Filipe – Varela


37. Fora o árbitro!
Marcial está a preparar-se para ser árbitro. Como o curso é oneroso, Zulmira aceita patrocinar a empreitada, na esperança de que seja um investimento com elevado retorno…

Participação:
João Cardoso – Carlos Calado
Paulo Almeida Santos – Luís Gaspar


38. Um dia no campo
Está muito calor e Rosário tem a ideia de levar a família para fazer um piquenique no Parque de São Roque. Apenas Marcial não alinha no programa, pois quer ir mais cedo para marcar lugar no estádio…

Participação:
Joaquim Vieira – Manuel Almeida

Participação especial:
António Reis


39. Sonho de uma noite de inverno
Marcial sonha com o número premiado da lotaria, mas como é fim do mês, não tem dinheiro para jogar. Rosário, embora relutante, empresta-lhe o dinheiro que estava destinado a pagar a conta do telefone…


40. A cozinheira ideal
Zulmira manda cupões para o concurso A Cozinheira Ideal, cujo prémio é uma cozinha nova. Porém, devido a um equívoco, é Marcial que acaba por ser chamado e que terá a responsabilidade de preparar o célebre Frango à Cafreal…

Participação:
Goretti Peneda – Leonilde

Participação especial:
Filipa Vacondeus


41. Dá Deus nozes…
Chega a casa dos Andrades um carregamento de nozes enviado pela mãe de Marcial. Zezé tem a ideia de montar um negócio de tortas de noz que pode ser bastante lucrativo para a família…

Participação:
Luciano Nogueira – cliente


42. O capachinho vermelho
É Carnaval. Conceição vai ao baile do jet set fantasiada de Diabo. Lila veste-se de punk e Marcial, por descuido, põe o colorante que ela usou, ficando com o cabelo completamente vermelho…


43. O amor, às vezes, vence sempre!
Zezé está apaixonado e anda sempre no mundo da lua. Também Luísa, a mãe de Marcial, aparece com uma novidade bombástica: vai-se casar com um homem dez anos mais novo…

Participação especial:
Luísa Barbosa – Luísa


44. Das tripas coração
Marcial faz análises ao sangue e o médico recomenda-lhe uma dieta rigorosa. Zezé, por seu turno, anda sensibilizado para causas ecológicas e decide deixar de comer tudo o que tenha origem animal.


45. Quando o galo toca
Uma amiga de Lila zanga-se com o marido e pede-lhe guarida. Enquanto isso, chega uma camponesa com um galo, prenda da avó Luísa. De madrugada, o animal começa a cantar e acorda toda a gente, pelo que Marcial decide acertar-lhe o fuso horário…

Participação:
Glória Férias – camponesa
Carla Maciel – Marta
Jorge Vasques – Pedro


46. Cobranças difíceis
Idalino está a ser perseguido por homens das cobranças difíceis. Os Andrades escondem-no na sua casa, e ele instala-se sem qualquer cerimónia. Entretanto, começa a engraçar-se com a D. Conceição…

Participação:
José Pinto – Belmiro
Nuno Filipe – Varela


47. Ninguém!
Zezé e dois amigos preparam-se para ir para um acampamento em Vila Nova de Gaia. Como está a chover muito, Marcial decide mantê-los em casa, que transforma num autêntico quartel…

Participação:
Nuno Filipe – Varela
Damião
Pedro


48. Um dia para esquecer
Marcial levou uma pancada num armário e, desde então, tem sucessivos ataques de amnésia. A sua memória regride 20 anos, chegando ao ponto de não reconhecer a família e de achar que está num hotel.


49. Amor de mãe
Luísa, a mãe de Marcial, vem tomar conta do filho, que está com sarampo. Como Zulmira foi para as termas durante uma semana, Luísa aproveita a sua ausência para alterar algumas regras e a arrumação da casa…

Participação especial:
Luísa Barbosa – Luísa


50. Um domingo em família
Zezé foi passar o domingo a Chaves e Rosário liga constantemente para lá, para saber como está o filho, o que deixa Zulmira irritada, a pensar na conta do telefone que vai chegar…

Participação:
Alexandre Martins
Luís Barroso


51. Lar, doce lar
A casa dos Andrades é invadida por dois enfermeiros que confundem Zulmira com uma velhota vizinha e querem levá-la para um lar. O incidente impressiona Zulmira, que começa a pensar que a família quer livrar-se dela.

Participação:
António Baldaia – Lopes
Vaz Mendes


52. O dono da bola
Marcial consegue apanhar a bola de um jogo do Porto. Tentam comprar-lha por uma avultada quantia, mas ele não quer vendê-la por nada. Pressionado também pela família, resolve esconder a bola, mas fá-lo tão bem que esquece-se de onde a pôs…

Participação especial:
Júlio Cardoso – Domingos Brandão

Depois de Clube Paraíso, exibida em 1993, a RTP produzia mais uma série ambientada no Porto e feita por gente do Porto. Álvaro de Magalhães manteve-se como autor, desta vez em parceria com Manuel António Pina (que assinava como M. A. Mota).

Os Andrades fez grande sucesso no verão de 1994, com exibição de segunda a sexta, a seguir ao Jornal da Tarde.

A repercussão da primeira série levou à encomenda de uma segunda, produzida em 1995, mas que só estrearia em 1997.

Antes ainda de vermos a segunda série, assistimos a duas reposições da primeira:

– Entre 29/05/1995 e 03/07/1995, de segunda a sexta, ao fim da tarde;

– Entre 03/05/1996 e 01/11/1996, às sextas-feiras, na rubrica Clássicos RTP.

Andrade era o apelido de Marcial (Mário Moutinho), mas é também a alcunha dada aos adeptos do Futebol Clube do Porto.

A casa dos Andrades situava-se no Bairro António Aroso, junto ao Parque da Cidade, mais concretamente na Rua Bitarães.

A casa dos Andrades

Quase toda a série foi gravada em estúdio. Na primeira temporada, tirando uma ou outra rápida sequência no lado de fora da casa, apenas o episódio A ponte a pé teve cenas gravadas no exterior.

Já na segunda temporada, a exceção foi o episódio Um dia no campo, em que parte da ação se passa no Estádio do Bessa e no Parque de São Roque.

Estádio do Bessa
Parque de São Roque

Maria Dulce e Mário Moutinho estiveram impagáveis como a dupla Zulmira e Marcial. Quem não se divertia com a sogra de génio difícil a chamar “paspalho” ao genro?

Na Praça da Alegria de 23/11/2009, em homenagem à atriz, Mário Moutinho apareceu de surpresa para uma confraternização em estúdio.

Mário Moutinho relatou, neste programa, que algumas histórias da série foram adaptadas de notícias saídas nos jornais tripeiros, como foi o caso de Fim de semana em Torremolinos.

Numa entrevista ao portal Global News, em fevereiro de 2013, Mário Moutinho revelou alguns pormenores interessantes acerca da série.

A vida artística de Mário Moutinho, o homem por detrás do “Guarda Serôdio” ou do “Marcial”, numa entrevista exclusiva

Texto: Pedro Correia
Fotos: Sílvia dos Santos

Global News (GN) – A série “Os Andrades” já tem quase duas décadas, mas ainda suscita grande carinho no público. Reconhecem-no na rua como o Marcial?
Mário Moutinho (MM) – Sim, sim. A série está a ser repetida na RTP Memória e quando me abordam na rua ainda falam da série. É verdade que tem já 20 anos, mas teve um grande impacto principalmente na zona Norte, já que as referências eram todas daqui. O Marcial era um portista ferrenho, enfim, tudo tinha a ver com a família portuguesa e a nossa maneira de estar. Isso é reflexo do facto de os autores serem aqui do Norte, o falecido Manuel António Pina e o Álvaro Magalhães. Os actores também era todos daqui do Norte, uns mais do que outros. Os exteriores eram filmados na zona do Porto, e algumas das histórias d’ “Os Andrades” foram escritas a partir de notícias vindas nos jornais. Isto era inacreditável. Eu acho que a série era muito genuína e daí o seu êxito ter sido tão grande. Não era um formato importado, era algo sentido e vivido por todos nós. Esse facto deverá ter contribuído para o sucesso da série.

GN – Associam-no muito ao papel do Marcial que desempenhava na série “Os Andrades”. Isso incomoda-o de alguma forma quando o Mário Moutinho tem uma carreira imensa, quer na televisão, quer no teatro?
MM – Não, não me incomoda. Acho que isso faz parte da vida, quando entramos numa série que faz grande sucesso, e normal que isso aconteça. Se calhar temos feito outras coisas que até artisticamente são mais interessantes, mais elaboradas e mais importantes para um actor ou criador, e não têm tanto êxito. Reconheço que do ponto de vista de televisão e do reconhecimento do público, “Os Andrades” foi o meu ponto alto.

GN – A série teve duas temporadas com 26 episódios cada uma delas. Com tanto sucesso que tinha junto do público português, porque é que chegou ao fim?
MM – Bom, isso é uma questão que terá de colocar à RTP e não a mim…

GN – Mas foi uma decisão da RTP e não do elenco?
MM – Sim, havia disponibilidade do elenco. É evidente que havia que acertar agendas de alguns actores. No meu caso estava nas Marionetas do Porto e também na Seiva Trupe e portanto tinha alguma ocupação. Quando fizemos a primeira série, não sabíamos que iamos fazer a segunda. E quando fizemos a segunda, pensámos que dentro de algum tempo era possível fazer uma terceira. Na altura quis também fazer uma pausa, porque fazer uma série concentrada em cinco, seis actores é muito intenso. Não é como uma telenovela, que tem 30 actores e as cenas vão-se fazendo ao longo do dia, com duas ou três cenas por cada actor por dia, em termos gerais.

GN – Nessa perspectiva, julga que é bom para o telespectador sentir saudade dos actores?
MM – Sim, é claro. Eu senti também necessidade de ver o resultado do que estava a fazer, enfim, já tinha percebido que a primeira série tinha funcionado bem, isso era claro, mas precisava dessa pausa. Mas depois a direcção de programas da RTP aqui do Porto mudou…

GN – Estamos a falar de 1997.
MM – Sim, sim. E nessa altura, os critérios foram outros e nunca mais se fez ficção no Porto, a não ser casos muito pontuais. Portanto, se quisesse continuar a fazer televisão e séries, teria de ir para Lisboa. Eu continuei a fazer algumas. Trabalhei com outras produtoras aqui do Porto. Primeiro, a Miragem, depois a Hop, para fazer séries como o “Major Alvega”, ou o “Triângulo Jota”, mais recentemente. Alguns deles para crianças, que também vinha na sequência do que eu tinha feito com o João Paulo Seara Cardoso. Aliás, os meus primeiros trabalhos para a RTP foram todos para crianças, entre os quais o mais famoso é “Os Amigos de Gaspar”, mas já antes tinha feito “A Árvore dos Patafúrdios”, com textos do Sérgio Godinho. Tinha feito também diversos ‘sketches’ para os programas das manhãs, com marionetas, com o João Paulo Seara Cardoso. Fiz também “O Tempo dos Afonsinhos”, que foi talvez a série menos conhecida, mas que foi talvez a mais interessante do ponto de vista artístico. Foi a terceira série de marionetas que fizemos e já tinhamos a experiência de trabalhar em televisão. Foi uma série muito trabalhosa, muito complexa de fazer, mas penso que foi das três séries mais conhecidas que fizemos com marionetas, a mais bem conseguida.

GN – Ainda em relação à série “Os Andrades”, com aquele elenco fabuloso, infelizmente já sem Maria Dulce. Com os outros actores, vai tendo contacto com eles?
MM – Sim, tenho contactos praticamente com todos. Curiosamente, com quem tenho menos contacto é com a Andrea Oliveira, que fazia de minha filha [Lila Andrade]. Ela foi para Lisboa, ainda fez uma novela, depois dedicou-se à publicidade e há anos que não falo com ela. Gostava de saber o que é feito dela. Com os outros actores, como são do Porto, temos trabalhado juntos, por vezes, e convivido permanentemente. Quer com a Emília Silvestre, que era a vizinha do lado [Conceição], quer com o Jorge Pinto, que fazia de amigo do Marcial…

GN – O amigo do Estádio das Antas…
MM – O amigo do Estádio das Antas e do bingo e de outras cumplicidades. O Jorge Pinto é director de uma companhia aqui do Porto, com quem tenho uma relação de grande amizade e de trabalho, por vezes. A Arlete [de Sousa], que fazia de minha mulher [Rosário Andrade], está um pouco afastada dos palcos. Continua a dar algumas aulas, está ligada aos grupos de teatro das escolas, mas está um pouco afastada da ribalta, digamos assim. O rapaz que fazia de meu filho, o Manuel Cardoso [Zezé Andrade] mudou a sua vida. Ele era estudante de medicina, depois seguiu uma vocação diferente. Aliás, já com aquela idade ele dizia que aquilo era uma experiência fantástica, mas que não queria ser actor. E foi um período muito violento para ele, porque tinha aulas de manhã, ia para o estúdio toda a tarde e quase não tinha tempo para brincar. Ele era muito engraçado. Quando eu chegava à zona dos camarins, eu perguntava-lhe: “Então Zezé, estudaste o texto?” E ele dizia: “Eu não, mas a minha mãe estudou. Fez aqui uma cábula” (risos). Tenho saudades dele, era uma pessoa de quem eu gostava muito. Sempre que nos encontrámos, mantivemos sempre uma relação muito curiosa. Eu gosto muito dele.

GN – E que recordações tem de Maria Dulce? Ela representava a sua sogra e estavam em permanente desacordo. Na vida real, que relação é que tinham?
MM – Com a Maria Dulce foi um processo diferente. Foi um processo profissional. A Maria Dulce era uma excelente profissional. Tive uma relação com ela que se foi estreitando e torná-mo-nos grandes amigos, porque trabalhávamos muito tempo juntos. Havia poucos momentos de pausa. Poucos momentos em que podíamos relaxar no camarim ou noutras zonas do estúdio. A Maria Dulce entrou na série para substituir a Luísa Barbosa [já falecida]. A Arlete foi escolhida porque fez um bom ‘casting’, evidentemente, mas também tinha algumas parecenças físicas, em altura e em perfil, com a Luísa Barbosa. Acontece que a Luísa Barbosa gravou dois episódios, mas adoeceu com alguma gravidade e teve de ser hospitalizada. A série parou durante dois meses e ao fim desse tempo, ela não teve autorizações dos médicos para trabalhar tão cedo e a produção, estas coisas são terríveis mas são assim, teve de continuar e resolveu então trazer a Maria Dulce. Portanto, ela não fez aquela preparação anterior da série, de construir os textos, de estudar os personagens, de conversar com os autores. Ela entrou e no dia seguinte começámos a gravar. Repetimos os episódios que já tínhamos feito. E de cada vez que na série, sogra e genro iam tendo conflitos maiores, nós na vida real íamos tendo uma aproximação de amizade cada vez maior (risos). Portanto, ela chamava-me “paspalho” na série, mas nos bastidores dizia “ó querido Mário, anda cá, vamos estudar este texto”. Chegámos a fazer viagens juntos para Lisboa. Tenho saudades dela.

GN – Numa das últimas entrevistas que deu, ela disse que “Os Andrades” foi um dos trabalhos que mais prazer lhe deu.
MM – Sim, sei que na altura, ela gostava muito de fazer “Os Andrades”, gostava de estar no Porto e creio que ela terá sido, de todos nós, aquela que, juntamente com a produção, se disponibilizou sempre para continuar a série e fazer uma nova temporada de 26 episódios.

Curiosos são também os depoimentos de Mário Moutinho e Álvaro de Magalhães à página do Facebook Porto Olhos nos Olhos. Publicamos aqui os excertos em que a série é mencionada.

Mário Moutinho (26/04/2015)

(…) o Álvaro Magalhães e o Manuel António Pina resolveram propor uma série que tivesse como pano de fundo uma família típica da cidade do Porto, Os Andrades. Um portista com óculos fundo de garrafa, apaixonado secretamente pela menina do Bingo e que se metia em grandes sarilhos com a sogra, que o detestava. Foi uma série feita por atores do Porto — com a exceção da Maria Dulce —, escrita por dois autores do Porto e com muitos episódios baseados em histórias que aconteceram realmente cá. Histórias que os autores conheciam muitas vezes nos jornais onde trabalhavam. Todos os interiores eram filmados nos estúdios da RTP no Monte da Virgem e os exteriores eram filmados no bairro António Aroso.

Álvaro de Magalhães (06/05/2015)

Como dizia o Pina: ‘Nós fazemos coisas para ganhar a vida e depois fazemos outras para salvar a vida.’ Entre essas de ganhar a vida, fiz séries de televisão nos anos 90. Foi um trabalho pioneiro, o início da produção de televisão em Portugal, feito no centro de produção da RTP no Porto — quando a RTP tinha um centro independente e tinha orçamento. Fizemos aqui o Clube Paraíso, com o Carlos Tê. E depois Os Andrades, com o Manuel António Pina. Vieram para cá realizadores da Globo, fizemos cursos de argumento porque ninguém sabia escrever para televisão. Formámos atores. Foi interrompido aqui um processo que poderia ter tido grandes resultados. Mas não nos deixaram. Depois da série Os Andrades ainda fizemos O Meu, o Teu e o Nosso, uma ‘sitcom’. Depois, para continuar a trabalhar, tivemos de fazer uma série para a RTP de Lisboa, a Segredo de Justiça, uma série com o Ricardo Carriço, a primeira sobre advogados em Portugal. Passámos da comédia para o dramático. O Pina e eu fazíamos aquilo com muito sacrifício. Não era uma coisa que gostássemos. O Pina até tinha vergonha e então assinava com o nome do meio: António Mota. Ríamo-nos muito com isso. Pagámos um preço por estar no Porto nessa altura.

Talvez tenha sido esta aparente falta de entusiasmo dos autores que fez com que, na segunda leva de episódios, se tenha assistido a uma redução significativa na qualidade dos textos.

O papel de Zulmira estava destinado a Luísa Barbosa, que chegou a iniciar as gravações, mas foi obrigada a interromper por motivos de saúde. Impossibilitada de regressar, foi substituída por Maria Dulce. Contudo, os autores chamaram-na para uma participação especial no papel de Luísa, mãe de Marcial. O resultado foi um dos episódios mais cómicos de Os Andrades. A atriz voltaria ainda na segunda série, para mais dois episódios.

Luísa Barbosa e Manuel Cardoso

As cenas do bingo que Marcial e Idalino frequentavam foram gravadas no Casino Solverde, em Espinho, embora na ação fosse mencionado o Bingo da Boavista.

Nestas cenas, a menina que debitava os números sorteados era ninguém menos que Cláudia Jacques, conhecida figura do jet set portuense, e que participara também de Clube Paraíso. Na época, o seu nome artístico era Ana Cláudia.

Uma das participações de destaque foi a de Fernando Gomes, jogador do FCP que angariara o título de “bota de ouro” em 1983 e 1985.

No episódio Rosários é o que há mais!, recriou-se um programa idêntico ao Ponto de Encontro, apresentado por Henrique Mendes, na SIC. O tema era, portanto, a procura de pessoas desaparecidas. Carlos Miguel apareceu como um indivíduo que procurava uma irmã chamada Rosário, e a apresentadora foi defendida pela jornalista Anabela Mota Ribeiro.

Simone de Oliveira participou no episódio Sol de Inverno, no qual interpretou a sua música com o mesmo título.

Também Filipa Vacondeus apareceu como ela própria, apresentando um concurso de culinária no qual Marcial era concorrente. Em 1998, questionada pela TV Guia acerca dos programas que menos gostava de ver, a célebre cozinheira afirmou “detestar” Os Andrades.

No episódio Ninguém!, Lila está a ensaiar uma representação teatral de Frei Luís de Sousa, e é feita uma referência a Maria Dulce, que interpretara D. Maria de Noronha no cinema.

Maria Dulce em Frei Luís de Sousa, com Raul de Carvalho (1950)

Em A cómoda, Zulmira e Rosário aparecem a comentar a telenovela, mencionando personagens de O Dono do Mundo, mas o folhetim que está a passar no televisor é o que lhe sucedeu no horário nobre da RTP, Mandala.

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Os Andrades