Palavras Cruzadas

Exibição:
12/01/1987 – 29/06/1987 (RTP 1)

Número de capítulos:
120

Original de:
Ângela Sarmento

Colaboração:
Ana Maria Magalhães
Isabel Alçada
Céu Roldão
João Matos e Silva

Direção de actores:
Carlos César

Música original:
Tozé Brito

Orquestração e arranjos:
Mike Sergeant

Produtor executivo:
António Moniz Pereira

Realização:
Nicolau Breyner

Produção:
Atlântida

Elenco:
Adelaide João – Angelina
Alda Pinto – Graziela
Alexandra S. Pereira – Teresa Pereira
Álvaro Faria – Francisco Salgado
António Miguens – Miguel Rebelo
Armando Cortez – Filipe Rebelo
Asdrúbal Teles – Joaquim Ribeiro
Carlos César – Óscar Ramos
Carlos Costa – Padre
Carlos Rodrigues – Sr. Marques
Carmen Mendes – Lucinda Lopes
Célia David – Mina Ramos
Clara Rocha – Carlota Correia
Cláudia Cadima – Fátima Alves
Cláudia Ramos – Andreia
Cristina Oliveira – Alice Travessa
Curado Ribeiro – D. Diogo
David Silva – Daniel Mota
Duarte Victor – Alberto Reis
Eduardo Viana – José Manuel Correia
Fernanda Coimbra – Maria Amélia
Fernando Mendes – Felisberto
Filomena Gonçalves – Joana Alves
Gil Vilhena – Chico
Gonçalo Ferreira – Rui Salgado
Guy Marle – Dioguinho
Henrique Santos – Aníbal Arcos
Hermínia Tojal – Alda Azevedo
Isabel Gaivão – Betina
Isabel Mota – Albertina Meira
Jacinto Ramos – Luís Salgado
Jorge Nery – Paulo Silva
José de Carvalho – Pompeu Araújo
Lia Senna – Maria Laura Meneses
Luís Esparteiro – Bernardo Mendonça
Luís Mata – Mário Alves
Luísa Barbosa – Julieta Silva
Manuel Maria – Pedro Vasco
Manuela Carlos – Anabela Alves
Manuela Maria – Lurdes (Dubois) Ramos
Manuela Marle – Isabel Salgado
Maria João Lucas – Margarida Sampaio
Maria Simões – Sr.ª Marques
Morais e Castro – Simão Pinto
Natalina José – Rosa Ramos
Nicolau Breyner – João
Rita Ribeiro – Marta Rebelo
Rodrigo Guedes de Carvalho – Vítor
Rosa do Canto – Rosário
Rosa Lobato de Faria – Helena Salgado
Rui de Sá – rececionista de hotel
Rui Luís – Osvaldo Moreira
Tareka – Sofia Rebelo
Tozé Martinho – João Salgado

João Salgado (Tozé Martinho) está de regresso de Paris, onde estudou durante alguns anos. A sua chegada coincide com o momento em que conhece Margarida (Maria João Lucas), por quem se apaixona, sem saber que ela é namorada do seu irmão Francisco (Álvaro Faria). A descoberta da coincidência provoca uma querela familiar e os dois irmãos desentendem-se seriamente.

Luís Salgado (Jacinto Ramos), pai dos rapazes, tenta desdramatizar o caso, mas a sua mulher Helena (Rosa Lobato Faria) mantém-se firme e não perdoa a atitude de João e Margarida, prometendo arruinar a todo o custo a felicidade do casal. Na verdade, João não é seu filho, mas sim da governanta Lucinda (Carmen Mendes), o que em muito explica o seu sentimento de revolta.

Mas as preocupações de Helena não param por aqui. O filho mais novo, Rui (Gonçalo Ferreira), deseja seguir a carreira de futebolista. Tentando evitar que tal aconteça, Helena engendra um plano com vista a afastá-lo do Belenenses. Para tal, conta com a colaboração da sua namorada, a ambiciosa Mina (Célia David).

Mina é uma aluna brilhante mas com vergonha da condição social do pai, o humilde Óscar (Carlos César), que criou a filha com a ajuda da irmã, Rosa (Natalina José). A sua mulher, Lurdes (Manuela Maria), abandonou-o e fugiu para Paris quando Mina tinha ainda poucos meses de vida. Vinte anos depois, Lurdes Dubois está de regresso a Portugal para reencontrar a filha.

Como se não bastasse, e sem que se dê conta, Helena vê-se envolvida com uma perigosa organização de tráfico de jóias, sendo constantemente ameaçada pelo temível Osvaldo (Rui Luís). A organização age também contra a Rebelo & Filhos, empresa transportadora da qual são proprietários Helena e o seu irmão Filipe (Armando Cortez).

Margarida e João casam-se, mas o final que os espera não é o mais feliz: padecendo de uma doença incurável, Margarida acaba por falecer, não sem antes dar à luz o filho de ambos, Dioguinho. Passam-se dois anos até que João consiga encetar uma nova relação, acabando por se casar com a sua prima Marta (Rita Ribeiro), também viúva.

No final, temos a surpreendente revelação de que a chefe da organização criminosa é ninguém menos que Lurdes, que revela ter graves falhas de carácter. Todas as tramóias tiveram como objetivo uma vingança pessoal contra a família Salgado, por factos ocorridos num passado remoto. Com a prisão de Lurdes e o desmantelamento da quadrilha, a paz volta a reinar no seio dos Salgado e dos Rebelo.

Família Salgado

Luís Salgado (Jacinto Ramos)
É um médico reputado e o diretor clínico da Clínica Luís Salgado. Vive faustosamente no Restelo, com a mulher e os quatro filhos. Cansado do trabalho ao qual se dedicou uma vida inteira, quer entregar a gestão da clínica nas mãos do filho mais velho, João. Tem um casamento formal e frio com Helena, que o tempo foi desgastando. É o primeiro a aperceber-se do romance entre João e Margarida, reprovando-o, embora depois o aceite, estando presente mesmo na cerimónia do casamento. Não tem a personalidade forte da mulher; dá a ideia de ser algo pachorrento e passivo, mas de boa índole.

Helena Salgado (Rosa Lobato de Faria)
Mulher de Luís. Parece ser uma devota dona de casa, esposa exemplar e mãe abnegada. Mantém uma forte ascendência sobre os filhos. Embora repita à desfilada que para ela todos os filhos são iguais, é mais apegada a Francisco, tomando-lhe as dores e abrindo guerra feroz contra João, quando descobre o romance deste com Margarida. Ingenuamente, deixa-se agarrar de pés e mãos a um negócio aparentemente insuspeito de tráfico de joias, que lhe ensarilha a vida. Em bolandas anda também quando Rui destapa que o seu futuro passa pelos relvados de futebol; com a alma num turbilhão, alia-se a Mina para lhe turvar o sonho.

João Salgado (Tozé Martinho)
Médico de formação, chega a Lisboa depois de dois anos em Paris. Ainda em Santa Apolónia, choca acidentalmente com Margarida, deixando o amor entrar-lhe pelo corpo dentro, em fogacho fervoroso. Ao perceber que se trata da futura noiva do irmão, passa a viver desassossegado, fazendo de tudo para deixar sem arranhadura a relação impecável que tem com Francisco. Quando a situação se torna insustentável, tanto com o irmão como com Helena, que reprova severamente o seu comportamento, sai de casa para viver o amor.

Francisco Salgado (Álvaro Faria)
Namora Margarida, para ele a rapariga mais bonita de Lisboa, e sonha ardentemente em levá-la ao altar. Parece ter situação estável numa empresa onde trabalha como engenheiro informático. Adora João, repetindo para que todos o ouçam que é o seu irmão favorito. Quando finalmente se dá conta de que a noiva o trocou pelo irmão, vira melancólico e apático e entrega-se à bebida. O emprego, perde-o num sopro. Mendiga à procura de um amor, esquecendo o brio profissional.

Rui Salgado (Gonçalo Ferreira)
Filho mais novo de Luís e de Helena. Cursa Direito, embora não demonstre particular afã pelo curso, ao qual pouco ou nada se dedica, fazendo-o aos solavancos Apaixonado por Mina. De boca em boca, começa a crescer boato de que as suas despesas são incompatíveis com a parca semanada que recebe. O mistério explica-se quando se expõe o segredo que de todos escondia: é jogador de futebol de dotes afamados no Belenenses. Nem dando mostras do seu talento a fio consegue afastar a oposição dos pais. Coleciona selos.

Isabel Salgado (Manuela Marle)
Jornalista em início de carreira. Desempenha funções no Correio da Manhã, colaborando também com a RTP, na apresentação de um programa cultural. Acérrima defensora da harmonia familiar, ao ver os irmãos desavindos, toma partido por João, esforçando-se por despertar Francisco da letargia a que este se votou. Parece ser a bombeira de serviço, estando sempre alerta, e tentará desenrascar Helena das encrencas que a sua ingenuidade lhe mete no caminho.

D. Diogo (Curado Ribeiro)
Pai de Luís. Não larga a quinta onde vive em Barcelos por nada, não deixando, contudo, de se interessar pelo dia-a-dia da família que estima. Tem um particular interesse em João, que mais tarde fará sentido para os telespectadores. Homem de honra e de palavra, fica com a pulga atrás da orelha fica ao ouvir falar em Osvaldo.

Margarida Sampaio (Maria João Lucas)
Guia turística, veio dos Açores para Lisboa. Simpática e alegre, está quase noiva de Francisco, mas sente o coração em polvorosa mal esbarra fortuitamente em João. A barriga dói-lhe estranhamente, tendo, sem o saber, já tragédia à espreita. Depois de uma crise aguda, desperta a vigilância atenta de Luís e de João, que não largam a preocupação com a sua saúde, fazendo todos os esforços para que não engravide.

Dioguinho (Guy Marle)
Filho de João e de Margarida.

Família Rebelo

Filipe Rebelo (Armando Cortez)
Irmão de Helena, é o gestor principal da Rebelo & Filhos, a empresa de camionagem e de transitários da família, fundada pelo pai, cujos lucros reparte com a irmã.  Profissional exemplar, embora permeável às opiniões de Simão, gosta de puxar o brio à competência profissional da sua empresa, que, estranhamente, num piscar de olhos, se vê enrodilhada em maré de acidentes estranhos que lhe delapidam o capital e a reputação. Tem uma paixão por selos. Extenuado com a crise na empresa, vai sofrer achaque violento no coração.

Sofia Rebelo (Tareka)
Mulher de Filipe num casamento feliz. Decoradora de interiores, é algo metediça na vida familiar, tendo sempre opinião a dar. Tenta espevitar a filha Marta, animando-a. Gosta de ter uma última palavra. A despropósito, vai embirrando com Lucinda, não descansando até se livrar da velha colaboradora.

Marta Rebelo (Rita Ribeiro)
Parece ser incapaz de refazer a vida depois da viuvez recente, que lhe retirou a vontade de viver e a mergulhou em profunda depressão. É professora, mas encontrará em si uma nova vocação, motivada pelos problemas de que padece a empresa da família. É confidente de Margarida e uma das principais apoiantes do amor dela com João. Expedita, não baixa as armas, mostrando ser perspicaz, e arregaça as mangas em luta pelo futuro da Rebelo & Filhos.

Miguel Rebelo (António Miguens)
É bailarino e faz ouvidos de mercador aos remoques que vai ouvindo – sobretudo por parte do pai, que tem grande desgosto nisso – de que a profissão que escolheu não é digna. Tem um part time numa agência de turismo. Vive de bem com a vida e tem uma relação de enorme cumplicidade com Lucinda, que o criou.

Lucinda Lopes (Carmen Mendes)
Empregada devota da família Rebelo. Sabe-se que tem um filho, que deixou ao cuidado do pai e que não a conhece por mãe. Remói a dor num sentimentalismo exacerbado por Marta e Miguel, que ajudou a criar. Espevita a orelha sempre que o nome de João Salgado vem à baila e abespinha-se sempre que se fala de Helena Salgado. A idade tornou-a mais intrometida, querendo embrenhar-se na vida dos patrões, e Sofia, irritada e impaciente (sem grande fundamento), dá-lhe guia de marcha, arranjando casa no Porto para onde irá trabalhar como dama de companhia. Amiga de Rosa, a quem recorre para serviços de costura, e de Lurdes, a quem vai dar uma mão para que reencontre a filha Mina.

Família Ramos

Óscar Ramos (Carlos César)
Dono de uma pequena retrosaria de bairro, é pai de Mina. Tem grave problema na vista e parece não querer enxergar os defeitos da filha. Há vinte anos que a cria com a ajuda da irmã, Rosa, já que a mulher o largou sem justificação. Em prol da filha faz tudo, suportando as desconsiderações de Mina sem ripostar. Amigo de Aníbal, a quem gosta de receber lá por casa para dois dedos de conversa. Parece ainda nutrir uma paixão adormecida por Lurdes.

Lurdes (Dubois) Ramos (Manuela Maria)
Fugiu de Portugal há vinte anos, deixando marido e filha – de escassos seis meses –  desamparados. Em busca de outro futuro, foi para Paris e por lá ficou. Volta no mesmo comboio com João Salgado, para tentar reencontrar o marido e a filha, dos quais não soube notícias (as cartas que enviou ficaram sem resposta). Depressa mostra ser capaz de tudo e, reencontrando a filha, acolita-lhe os sonhos de grandeza.

Mina Ramos (Célia David)
Filha de Óscar e Lurdes, acredita que a mãe morreu de parto. Nariz empinado, não gosta do nome que herdou da avó (Felismina). Tem vergonha de assumir a sua precária situação financeira e treme caso alguém queira conhecer a sua família. É aluna de Direito e namora com Rui. Helena dá-lhe corda ao sonho de se tornar rica. Ambiciosa, não olha a meios para atingir os seus fins. Sem pestanejar, troca a pobreza do pai pelas posses da mãe, que entretanto conhece, embora almeje sempre mais do que aquilo que Lurdes lhe dá.

Rosa Ramos (Natalina José)
Irmã de Óscar. É a típica dona de casa remendada. Com mão para a costura, vai fazendo pequenos trabalhos sugeridos pelas amigas, entre as quais Lucinda. Gaba-se de ter ajudado a criar a sobrinha Mina, não lhe poupando censuras à forma quase desprezível com que esta trata o pai. Não se coíbe de se azedar sempre que o nome de Lurdes vem à baila.

Aníbal Arcos (Henrique Santos)
Artista, bonacheirão, melhor amigo de Óscar e frequentador assíduo da sua casa. Apreciador dos petiscos confecionados por Rosa. Encanta-se por Lurdes, sem lhe conhecer a identidade, e, sem o saber, recoloca Óscar frente a frente com a mulher.

Família Alves

Mário Alves (Luís Mata)
É um dos chauffeurs da Rebelo & Filhos. A onda de estranhos casos que afeta a empresa parece estar-lhe umbilicalmente ligada, por muito que se jure inocente: os problemas acontecem sempre com ele ao volante. O desconcerto da vida profissional vai arrastá-lo para casa, explodindo com a mulher e as filhas, temendo pelo emprego e considerando-se um inútil.

Anabela Alves (Manuela Carlos)
É cabeleireira num pequeno salão frequentado por Sofia, Marta, Margarida e Helena. Mulher de Mário, é pouco complacente para com o marido, resmungando pela pouca atenção que este lhe dedica e pela apatia com que vive os dramas da empresa.

Joana Alves (Filomena Gonçalves)
Enfermeira na clínica de Luís, exerce o seu ofício com competência. Apaixona-se por Francisco. Não se dá conta da sua beleza física, estando sempre a gabar o porte da irmã.

Fátima Alves (Cláudia Cadima)
Irmã de Joana. Concluiu o 12.º ano, mas não consegue arranjar trabalho. Ao notar que a irmã tem uma assolapada paixão por Francisco, que vai ser seu professor num curso de informática, que tirará para vencer o desemprego, tenta ajudar Joana a conquistá-lo. Ficará dividida entre os primos Rui e Miguel.

Empregados da família Salgado

Julieta Silva (Luísa Barbosa)
Empregada na mansão Salgado, onde é a cozinheira. Gosta de bisbilhotar a vida dos patrões e soltar uns beijinhos com o motorista da casa, Pompeu. Tem carinho especial por João, a quem sem apegou, tomando-lhe o partido, rebelando-se às vezes contra Helena. Adora romances policiais e vestirá, mais à frente na trama, a pele de Miss Marple. Pela-se por futebol.

Pompeu Araújo (José de Carvalho)
Motorista da família Salgado. Viúvo, bem-humorado, tem Julieta no beicinho – quer tornar-se o seu “Romeu”. Estranhando o que se passa com Helena, passa a estar vigilante aos passos da patroa.

Alice Travessa (Cristina Oliveira)
Empregada de dentro da família Salgado. Está sempre a levar na cabeça de Julieta pela sua irresponsabilidade. Fica nas nuvens com alguns sorrisinhos que Rui, amiúde, lhe dedica.

Felisberto (Fernando Mendes)
Namorado de Alice. Renderá Pompeu na função de motorista.

Rebelo & Filhos

Simão Pinto (Morais e Castro)
Na empresa, já foi camionista e, nesses tempos, apaixonou-se por Lurdes em Paris. Hoje, é o guarda-livros da Rebelo & Filhos e um dos homens em quem Filipe mais confia. Demonstra ter muito a esconder e alegra-se com a nuvem de fumo em que mergulha a empresa. Antipatiza com Mário, a quem acusa de ser sabotador, não se cansando de elogiar Alberto, com quem se perde em conchavos.

Paulo Silva (Jorge Nery)
Escriturário na empresa. Não tem sorte no amor, e tudo leva a crer que vai ficar “encalhado”.

Alberto Reis (Duarte Victor)
Ajudante de Mário e protegido de Simão. Parece sonso, mas é bastante ambicioso.

Albertina Meira (Isabel Mota)
Secretária espevitada e extravagante da Rebelo & Filhos. Dá nas vistas pelo cabelo e pela espirituosidade que demonstra. Outro dom se lhe conhece: o de estar sempre atrasada.

Teresa Pereira (Alexandra S. Pereira)
Datilógrafa da Rebelo & Filhos. Hipocondríaca e castiça, embora bem mais reservada do que Albertina.

Clínica Dr. Luís Salgado

Daniel Mota (David Silva)
Diretor da Clínica Luís Salgado. Alicia Helena para o negócio das joias e gaba o jeito de Rui para a bola a Luís, destapando o segredo do jovem futebolista. Deixa vários fios soltos em conversas sibilinas, que Isabel tentará juntar.

Rosário (Rosa do Canto)
Enfermeira na Clínica de Luís Salgado. É fã de João Salgado, a quem tenta seduzir.

Corina
Rececionista da clínica.

Cristina
Rececionista da clínica.

Organização criminosa

Osvaldo Moreira (Rui Luís)
Homem com bonomia, parece ser o cérebro de uma organização reputada e perigosa, embora seja um mero peão nas mãos do patrão. Dissimulado, obeso, demonstra ser para poucas brincadeiras. Troça da ingenuidade de Helena, de quem vai fazendo gato-sapato.

Angelina (Adelaide João)
Apresenta-se debilitada, numa cadeira de rodas. A história de fino recorte que traz na ponta da língua, embora abarrote de pontas soltas, é suficientemente dramática e eloquente para empurrar Helena para o interior da organização. Gosta de fazer paciências.

Vítor (Rodrigo Guedes de Carvalho)
“Sobrinho” de Angelina, um dos capangas de Osvaldo.

Outros personagens

Maria Laura Meneses (Lia Senna)
Colega e amiga de Marta. De “ideias arejadas” – acusa Sofia – e desligada de qualquer convenção social.

Pedro Vasco (Manuel Maria)
Treinador de Rui no Belenenses. É exigente e impõe um comportamento rígido aos seus jogadores.

Bernardo Mendonça (Luís Esparteiro)
Andou com Francisco na escola e, atualmente, é colega de Isabel no jornal. Diz-se apaixonado por ela, mas arrasta a asa também à sua prima, Marta.

José Manuel Correia (Eduardo Viana)
Advogado da família Salgado. Chega a Lisboa para montar consultório e com um casamento quase desfeito com Carlota.

Carlota Correia (Clara Rocha)
Médica, amiga de Sofia, que chega já com a intriga perto do fim, queixando-se de o casamento com Zé Manel estar em fase de desconchavo. Apaixona-se por Luís, furtivamente, num romance que se esforça por ocultar.

Alda Azevedo (Hermínia Tojal)
Gerente comercial de uma firma produtora de turcos no Norte. Seduz Filipe pelo seu exotismo e pela revitalização que o seu negócio traz à Rebelo & Filhos. Encomenda a Sofia o projeto de decoração da sua casa na Praia das Maçãs.

Graziela (Alda Pinto)
Secretária no teatro onde Amílcar atua. Viúva, solitária, sem grandes ambições. Apenas deseja encontrar um companheiro que lhe aqueça os pés. Amílcar e Rosa impulsionarão a sua aproximação de Óscar.

Maria Amélia (Fernanda Coimbra)
Amiga e cliente de Sofia. Está necessitada de uma dama de companhia e leva Lucinda para sua casa no Porto.

Joaquim Ribeiro (Asdrúbal Teles)
Dono da agência de viagens à qual Margarida presta serviços. É procurado por Helena, que, maquiavélica, tenta fazer com que ela perca o emprego.

Padre (Carlos Costa)
Celebra o casamento de João e Margarida.

Andreia (Cláudia Ramos)
Jornalista, amiga de Mina. Publica uma notícia com falsas declarações de Rui, que o comprometem junto ao Belenenses.

Betina (Isabel Gaivão)
Amiga de Maria Laura. Cartomante, prevê – embora sem o relevar – a tragédia que assolará Margarida e incentiva Marta a procurar a felicidade.

João (Nicolau Breyner)
Aparece em flashback. Amigo de D. Diogo que o convida para uma caçada, em África. Não simpatiza com Osvaldo.

Palavras Cruzadas foi a primeira produção da Atlântida, produtora de Tozé Martinho.

O argumento era da autoria de Tareka, sob o pseudónimo de Ângela Sarmento. A auxiliá-la nos diálogos, estiveram Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, sobejamente conhecidas como autoras da coleção Uma Aventura. Esta coleção, cujo primeiro volume foi publicado em 1982, é um ex libris da literatura infanto-juvenil e pioneira num género de ficção que, durante muitos anos, apenas nos chegava de Inglaterra através das obras de Enid Blyton. Nos últimos anos, vários dos seus volumes têm feito parte do Plano Nacional de Leitura e o mérito das autoras tem sido amplamente aplaudido.

A novela teve cenas gravadas em Barcelos, Póvoa de Varzim, Salvaterra de Magos e até mesmo Macau. As gravações de estúdio decorreram no piso superior do Teatro Capitólio.

Palavras Cruzadas obteve sucesso aquando da sua primeira exibição, mas foi alvo de muitas críticas por parte da imprensa, embora quase todas fossem unânimes em considerá-la melhor que a novela portuguesa anterior, Chuva na Areia.

O dedo foi apontado sobretudo à realização de Nicolau Breyner, estreante nessa função, que justificou desta forma a sua escolha: “Quando se fazem duas novelas, ao lado de um profissional chamado Nuno Teixeira, quando em Origensse trabalha na régie, defronte da mesa de mistura, não se fica totalmente inexperiente em matéria de realização, pois não? Não sou propriamente um sapateiro, ou um engenheiro ou um capitão do Exército que nada tenha a ver com isto… Sei como funcionam as câmaras, sei dirigir atores e, se bem que se trate do meu primeiro trabalho de fundo como realizador, não estou completamente virgem neste terreno”.

Nicolau Breyner dirigindo uma cena

Tozé Martinho, alguns anos mais tarde, comentou a injustiça de tais críticas, garantindo que esta foi a telenovela que mais dinheiro deu à RTP.

A história sofreu algumas modificações face ao plano inicial, como dá conta uma reportagem do jornal Se7e de 1986, de que a seguir reproduzimos alguns trechos.

Uma das tramas alteradas foi a que envolvia a paternidade de João:

João Salgado é fruto de “uma aventura passageira” vivida pelo médico Luís Salgado e pela camponesa beirã Lucinda Lopes quando aquele, jovem e solteiro, foi de férias até à quinta de um amigo do interior. Ignorante das consequências que poderiam advir das noites de folia que passara na Beira Alta, Luís regressa a Lisboa. Lucinda pertence ao passado – pensa ele – e Luís decide pensar no futuro, partindo logo de seguida para Luanda, onde dará início a uma brilhante carreira médica. Estamos, nesta altura, em plena década de 50. Instalado nos trópicos, Luís conhece Helena. Apaixonam-se e casam. Luís vai tomar conhecimento da camisa de sete varas em que se meteu. Não tem dúvidas sobre a paternidade, graças a um sinalzinho de família sabiamente colocado nas costas de João pelas mãos dos argumentistas, e decide pôr a mulher ao corrente dos seus devaneios de juventude. Helena dispõe-se a aceitar e criar a criança, na condição de lhe ser entregue e registada como filho de ambos. Lucinda aceita, com o coração feito em cacos, e lá vão os três (Luís, Helena e a criança), a caminho de Angola.

Recorde-se que, na novela, acabou por ser revelado que João era “filho do avô”, D. Diogo.

Também Isabel teria um envolvimento com José Manuel, que não chegou a acontecer:

E teremos também a oportunidade de conhecer Isabel Salgado, jornalista da Televisão que não tenciona casar, mas acaba por apaixonar-se pelo advogado da família, que, entretanto, lança a rede a Marta e tem um affaire com Maria Laura.

A casa que serviu de cenário à mansão dos Salgado foi a Residência Faria Mantero, situada na Praça de Diu, no Restelo. Hoje em dia, pertence à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e funciona como centro de dia.

Já o apartamento da família Rebelo tinha como exterior o Centro Comercial das Amoreiras, inaugurado em setembro de 1985.

A retrosaria de Óscar situava-se na esquina entre a Rua 4 de Infantaria e a Rua Correia Teles, na freguesia do Santo Condestável.

Aspeto da “Retrosaria Ramos” na atualidade
(imagem extraída do Google Maps)

Por identificar, permanecem a Clínica Dr. Luís Salgado e o prédio de Margarida. Alguém sabe onde se situam?

Clínica Dr. Luís Salgado
Prédio de Margarida

Palavras Cruzadas reuniu no seu elenco atores veteranos, mas também alguns novatos que marcaram presença com os seus personagens.

Foi o caso de Gonçalo Ferreira, que interpretou o futebolista Rui Salgado, uma das figuras mais populares da novela (especialmente entre o público feminino). Foi através do próprio desporto que Gonçalo foi selecionado para o elenco, visto que na época jogava futebol de salão no Belenenses, além de dar aulas de ginástica.

Também Célia David, que apenas tínhamos visto num pequeno papel em Chuva na Areia, chamou a atenção como a irritante Mina. Quem viu, não esquece as suas divertidas cenas ao som de Boa ou Má Arte. Aquando da reposição de 1989, a atriz mostrou-se contente por o seu papel ter marcado, mas preferiu dedicar-se com exclusividade ao teatro. Atualmente, Célia David colabora com o TAS (Teatro de Animação de Setúbal).

Por sua vez, Maria João Lucas sensibilizou o público com o drama de Margarida, cuja morte prematura deu um toque de tragédia à novela. Ainda em 1987, voltámos a ver Maria João Lucas na série Estrada Larga, da qual foi co-autora, mas pouco tempo depois abandonou a carreira de atriz.

António Miguens, que vimos no papel do bailarino Miguel Rebelo, foi, durante anos, o coreógrafo do grupo Onda Choc. Hoje em dia, é professor de ballet e expressão dramática na Casa do Artista.

António Miguens e Carmen Mendes

Durante toda a história, nunca se especificou qual a “doença grave” de que Margarida sofria. Apenas sabíamos que, de vez em quando, era atacada por fortes dores abdominais. Chegava a ser estranho que, numa conversa entre dois médicos, como era o caso de João e Luís Salgado, estes raramente usassem termos técnicos, baseando os seus diálogos em frases do tipo “a situação é muito grave” ou exclamando “já viu isto?” ao analisar uma radiografia.

O público não deixou passar em branco o facto de Isabel (Manuela Marle) tratar toda a gente por “você” – como, de resto, já se tornara habitual nos seus trabalhos. A este respeito, a atriz declarou ao Se7e: “O texto é texto e nós temos de respeitá-lo. Pretende-se dar a ideia de que a família é de alta e, por isso, os pais tratam os filhos por você, estes tratam-se por tu, mas quando se dirigem à irmã (que sou eu) tratam-na por você. Não dá um ar muito natural, é certo, mas não há nada de esquisito nem nada de menos honesto nisso”.

O pintor Aristides Ambar fez algumas aparições na novela, pintando retratos de Tozé Martinho e Maria João Lucas.

Ambar pintando o retrato de João...
... e de Margarida

Também o quadro de Manuela Marle com um São Bernardo, que se encontrava na sala dos Salgado, era de sua autoria.

O retrato acabado de Tozé Martinho serviu, posteriormente, de decoração no apartamento de João e Margarida.

O genérico continha pequenos excertos de cenas da novela. No entanto, é curioso notar que o take da cena em que João e Margarida se esbarram na estação de Santa Apolónia é diferente daquele que foi utilizado no segundo capítulo.

O encontro de João e Margarida no genérico...
... e no 2.º capítulo

Alguns meses antes da estreia, o Se7e mostrou uma imagem de uma versão provisória do genérico, onde os takes dos atores Tozé Martinho e Carlos César eram diferentes dos que posteriormente foram inseridos.

Presume-se que por engano, o episódio 26 foi introduzido com este genérico, no qual apareciam apenas dois quadros com imagens de atores. Os restantes nomes surgiam sobre um fundo preto.

Refira-se que esta foi a única ocasião em que tivemos oportunidade de ver os nomes dos co-autores da novela:

Também apenas neste dia foram vistos os nomes de Filipe Ferrer (que iria interpretar o papel de José Manuel) e de Clara Rocha, bem como o de Ângela Ribeiro, que apareceu sempre creditada no final, mas cujo papel (Henriqueta, uma costureira de teatro) não chegou a existir. Seria uma personagem equivalente a Graziela (Alda Pinto), que aparece na reta final da trama para fazer par com Óscar (Carlos César).

Foi lançado um LP com alguns dos temas da banda sonora.

PALAVRAS CRUZADAS (genérico de abertura) – Elizabeth Sala
EM SEGREDO – Dina (tema de Margarida)
JARDIM DO PASSEIO ALEGRE – António Pinho Vargas
IS IT HIM – Kris Kopke (tema de Isabel)
TRÓIA – Rão Kyao
DIZ-ME – Tozé Brito (tema de Marta)
TUDO BEM – José Cid (tema de Francisco)
CANÇÃO DA MANHÃ – Rão Kyao
LOVER – Kris Kopke (tema de João e Margarida)
RECEPÇÃO – Tozé Brito
MOMENTOS DE PAIXÃO – Da Vinci (tema de Joana)
PALAVRAS CRUZADAS (genérico final) – Isabel

No entanto, quem adquiriu o disco na época ficou certamente dececionado com a ausência de diversas músicas amplamente tocadas na novela, tais como:

A DANÇA DOS PÁSSAROS – António Pinho Vargas (tema de Luís e Carlota)
AMOR ATÉ AO FIM – Armando Gama
AOS PONTAPÉS – Francis
BOA OU MÁ ARTE – Adelaide Ferreira (tema de Mina)
COMO UM CONDOR A VOAR – José Cid
DE NOITE (VERMELHO PÚRPURA) – Francis
DEIXA-ME RIR – Jorge Palma (tema de Rui)
ENTRE A ESPADA E A PAREDE – Rádio Macau (tema de Helena)
EU NÃO QUERO IR – Francis
GUERRA E PAZ – Sérgio Godinho
HÁ – José Cid (tema de Óscar)
HÁ DIAS ASSIM – Rádio Macau
HORIZONTES HÚMIDOS – Francis (tema de Lurdes)
IMPROVISO 2 (3.º ANDAMENTO) – Carlos Paredes e António Victorino D’Almeida
JEREMIAS, O FORA DA LEI – Jorge Palma
NASCER DO SOL – Tozé Brito
NÓ CEGO – Jafumega
NUVENS – Francis
PAIXÃO – Heróis do Mar (tema de Albertina)
QUALQUER COISA (NO CORAÇÃO) – Armando Gama
QUANDO A MANHÃ CHEGAR – Rádio Macau
QUASE TUDO – Armando Gama (tema de Lurdes e Simão)
SÓ GOSTO DE TI – Heróis do Mar
STRINGS – Francis
TELEPATIA – Lara Li (tema de João e Margarida)

Os genéricos inicial e final tinham a mesma letra, embora com arranjos e vozes diferentes: o inicial era interpretado por Elizabeth Sala, e o final por Isabel Campelo.

O tema de abertura tornou-se, aliás, um êxito para Elizabeth Sala, que passou a incluir esta canção nos seus espetáculos.

Elizabeth Sala canta Palavras Cruzadas no Às Dez
… e no espetáculo de António Sala ao vivo no Coliseu

Na novela, Manuela Marle interpretava Isabel Salgado, jornalista da RTP e do Correio da Manhã. A atriz transpôs o seu papel para a vida real e tornou-se repórter da Nova Gente, entrevistando vários dos seus colegas de elenco.

Num dos capítulos da novela, Isabel e Rui dão uma entrevista à Nova Gente e é mostrada a capa da revista em que ambos aparecem. Embora as gravações da novela tenham decorrido em 1986, a publicação aproveitou esta foto e utilizou-a mais tarde, na capa do n.º 558.

Dioguinho, o filho de João e Margarida, foi vivido por Guy, filho de Manuela Marle. Assim se explica o facto de, quase sempre, a criança aparecer ao colo da “tia” (que, aliás, chegou mesmo a chamar-lhe Guy em cena).

Palavras Cruzadas estreou a 12/01/1987, dia em que se comemorou também o 31.º aniversário de Manuela Marle. A atriz aproveitou a coincidência e deu uma receção em sua casa, convidando alguns colegas para assistirem, juntos, à estreia da novela.

O jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho fez uma perninha como ator, interpretando Vítor, um dos membros da quadrilha de contrabando de jóias que andava sempre com uma laranja na mão.

O convite para este trabalho surgiu durante um jantar porque a ex-mulher de Rodrigo Guedes de Carvalho, a jornalista Paula Moura Pinheiro, e a namorada de Nicolau Breyner, Cláudia Ramos (filha do realizador Artur Ramos), eram amigas. “Precisava de um tipo com o aspeto físico dele e cara de mau”, declarou Nicolau Breyner ao Jornal de Notícias em 2013. Já o pivô disse que “não se perdeu ator algum” e que a experiência não passou “de uma brincadeira entre amigos”. “Usei a minha própria roupa e não recebi cachê.” Mas ação não faltou nas cenas que gravou. “Matei a Adelaide João. Atirei-a pelas escadas. Acabámos por ficar grandes amigos”, contou.

Também Cláudia Ramos, que era anotadora da novela, participou em algumas cenas como uma jornalista.

Nicolau Breyner e Cláudia Ramos

Manuel Maria, irmão de Tozé Martinho também ligado à Atlântida, apareceu no papel do “Mister” Pedro Vasco, treinador do Belenenses.

Uma das cenas que mereceu algum destaque foi a morte de Alberto (Duarte Victor), em pleno Rossio. O ator relatou ao nosso site algumas lembranças deste trabalho.

Entre outras histórias, lembro-me de uma que se passou precisamente na cena da morte do Alberto. O sangue (líquido colorido) que se vê no momento de ser esfaqueado era transportado por mim num preservativo. Ao simular a dor, teria que levar mão à cintura, rebentar o preservativo e fazer escorrer o líquido quando pusesse a mão no vidro da montra. Aconteceu que, ao fazê-lo, levei involuntariamente o preservativo na mão, ficando colado na montra quando caí no chão. Foi a risada geral, sobretudo nos transeuntes que assistiam às filmagens. A cena foi repetida algumas vezes porque acontecia sempre algo. Outra situação, quando o Alberto cai no chão, passou-se com uma idosa, que, ao passar, não se apercebendo de que se tratavam de filmagens, soltou um grito dizendo: “Acudam o rapaz que ele não está bem”. O Nicolau Breyner, que era o realizador, desesperava. São histórias de uma época em que as novelas davam os primeiros passos na televisão portuguesa e eu também. Saudades…

Refira-se ainda que o assassino de Alberto foi ninguém menos que o famoso “Rocha”, da série Duarte & C.ª!

Palavras Cruzadas foi ao ar quando se começou a ouvir falar da SIDA com alguma frequência e o final da exibição coincidiu com o início da primeira grande campanha de prevenção nos órgãos da comunicação social, onde foram abordados os problemas, as precauções e as vias de transmissão da doença, numa altura em que ainda havia muitos preconceitos à volta deste tema.

Nesse sentido, foram gravados alguns sketches, exibidos no Verão de 1987, alusivos a situações quotidianas que colocavam questões relacionadas com a SIDA. Esses pequenos quadros foram interpretados por atores de Palavras Cruzadas, vindo depois a Dra. Laura Ayres dar a explicação médica que convinha a todos saber.

A título de exemplo, tivemos a mãe de um toxicodependente interpretada por Rosa Lobato de Faria, muito preocupada com o vício do seu filho e apavorada com a hipótese de ele ter contraído a doença. Tozé Martinho, na pele de um macho latino, negligenciava a preocupação crescente com a SIDA, alegando que se tratava de uma problema de prostitutas e “maricas”. Por seu turno, Isabel Mota angustiava-se por frequentar manicuras e casas de banho públicas, pensando estar a incorrer num comportamento de risco.

Palavras Cruzadas contou com reposições de 15/11/1989 a 09/02/1990, ao início da tarde, e de 11/09 a 06/12/1996, no horário da manhã.

A RTP Memória demorou mais de 5 anos a transmitir a telenovela, quando outras já tinham passado mais do que uma vez. Para além disso, ainda cometeu uma gaffe, anunciando-a como sendo de 1985.

Numa das edições de A Roda da Sorte, em 2008, Herman José pôs a tocar o disco de Palavras Cruzadas, tecendo alguns comentários sobre a novela.

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