Pantanal

Exibição:
21/09/1991 – 12/06/1992 (RTP 2)

Número de capítulos:
150

Produção:
Rede Manchete (1990)

Novela de:
Benedito Ruy Barbosa

Direção geral:
Jayme Monjardim

O enredo começa quando o criador de gado Joventino (Cláudio Marzo) se estabelece com o filho José Leôncio (Paulo Gorgulho/Cláudio Marzo) no Pantanal do Mato Grosso. “Lugar bom para se viver”, é assim que o pai descreve aquele lugar, ao que o filho responde: “Para se morrer também”. E, de facto, pouco tempo depois, Joventino desaparece.

José Leôncio torna-se um homem rico e, quando vai ao Rio de Janeiro cobrar uma dívida, apaixona-se pela bela Madeleine (Ingra Liberato/Ítala Nandi), cuja família se encontra falida por causa das dívidas de jogo de Antero (Sérgio Britto), o patriarca. José Leôncio e Madeleine casam-se, viajam para o Pantanal, mas ela não se consegue adaptar e, à primeira oportunidade, foge para o Rio com o filho Jove (Marcos Winter), ainda uma criança. José Leôncio fica no Pantanal e passa a viver maritalmente com a empregada, Filó (Tânia Alves/Jussara Freire), perfilhando o seu filho, Tadeu (Marcos Palmeira). No decurso da trama, ele descobre que tem ainda um terceiro descendente, José Lucas, fruto da sua primeira relação sexual com uma prostituta.

José Leôncio com Jove e Tadeu

Paralelamente, acompanhamos a saga de Maria Marruá (Cássia Kiss) e Gil (José Dumont), que vêm para o Pantanal após terem perdido os três filhos em rixas por causa de terras. Na verdade, tudo tem origem num estratagema do velhaco Tenório (Antônio Petrin), que vende as mesmas propriedades, várias vezes, a pessoas pouco instruídas, virando-as umas contra as outras.

Maria Marruá e Gil ficam, portanto, jurados de morte, de maneira que, pouco depois de Maria dar à luz a sua filha Juma (Cristiana Oliveira), Gil é assassinado. A própria Maria será vítima de uma nova vingança, ainda com causa nessas mesmas terras.

Maria e Juma Marruá

Passam-se vários anos e Jove, já adulto, vai ao Pantanal conhecer o pai. Ao princípio o choque de mentalidades dificulta o entendimento entre os dois, mas Jove encontra outras atrações que o prendem àquele território, a começar por Juma, filha de Maria Marruá, jovem muito arredia, que o acolhe após ele ter sido mordido por uma sucuri e ficar entre a vida e a morte. É neste contexto que surge o enigmático Velho do Rio (Cláudio Marzo), uma espécie de guardião do Pantanal, tido como curandeiro por uns e por outros como uma alma do outro mundo. Aos poucos, Juma vai cedendo às investidas de Jove, que, por sua vez, se começa a interessar pelos negócios do pai, fixando-se definitivamente no Pantanal.

Juma e Jove

Entretanto, Tenório compra uma propriedade e instala-se perto da fazenda de José Leôncio com a mulher, Maria Bruaca (Ângela Leal) e Guta (Luciene Adami), a filha de ambos, que estudou em São Paulo. Ao saber que o marido tem outra família, Maria Bruaca resolve traí-lo e é posta fora de casa, sendo acolhida semanas mais tarde pela família de José Leôncio. Ciente disso, Tenório resolve mandar matá-lo, mas as suas tentativas saem frustradas e, na verdade, é Tenório que acaba por ser assassinado, desta feita por Alcides (Ângelo Antônio), o amante de Maria Bruaca.

Nos seus últimos meses, José Leôncio manifesta o desejo de se casar com Filó, sendo a sua vontade concretizada no penúltimo capítulo. A comemoração é grande, conta com a presença dos seus três filhos e até Tadeu acaba por desposar Zefa (Giovana Gold), a empregada da casa. Terminada a festa, José Leôncio sente-se indisposto e morre. O seu espírito, todavia, paira sobre o Pantanal e acaba por encontrar o Velho do Rio, que lhe revela ser o seu pai Joventino. Considerando que a sua missão já está cumprida, o Velho passa-lhe o testemunho e dilui-se nas águas, vestindo José Leôncio a pele dessa personagem a partir de então.

Considerada um dos maiores sucessos da televisão brasileira e o maior êxito fora da Globo em mais de vinte anos, Pantanal já era notícia aquando da sua exibição na Rede Manchete.

Escrita por Benedito Ruy Barbosa, a novela tinha sido idealizada para ir ao ar na emissora líder, onde o autor trabalhava até essa altura. Porém, a Globo recusou a sinopse, dados os custos elevados com uma produção passada toda ela no Pantanal do Mato Grosso, e sugeriu a Benedito que ambientasse a sua história noutra paisagem rural. O autor discordou e apresentou o projeto à concorrência, obtendo o maior sucesso da sua carreira.

O anúncio da aquisição de Pantanal, por parte da RTP, deu-se, inclusivamente, num momento em que a novela ainda estava a ser transmitida no Brasil. Com efeito, em setembro de 1990, Pantanal era apresentada como uma das grandes apostas da televisão portuguesa, programada para ser exibida na RTP 2, embora a imprensa afirmasse ainda não se saber se ia substituir Ti-Ti-Ti no horário do fim da tarde.

Setembro de 1990

Ti-Ti-Ti, entretanto, terminou e deu lugar a Direito de Amar, no mês de abril de 1991. No final do verão, voltou a falar-se de Pantanal, que finalmente ia estrear num horário inédito da RTP 2.

Setembro de 1991

Assim, a faixa de novelas em que era exibida Direito de Amar foi extinta e Pantanal ficou agendada para as sextas e sábados à noite, por volta das 23:30, em capítulos duplos.

Na véspera da estreia, foi exibido um making of, intitulado Pantanal: Como Nasceu um Êxito.

Algumas semanas depois, os capítulos de sexta-feira passaram a começar às 22:30.

Durante a sua exibição, Pantanal recebeu rasgados elogios e foi o programa mais visto na RTP 2. No entanto, a audiência teria sido bem maior se a novela não desse tão tarde e a sua emissão fosse diária, como acontecia com a maioria das produções do género.

De facto, começando os capítulos de sábado depois das 23h30, a sua transmissão nunca acabava antes da uma da manhã.

Até se pode compreender o argumento de que não seria a novela mais adequada para dar às 18 horas. Porém, as cenas de nudez não eram tão chocantes que não pudessem ser vistas mais cedo. Estavam, por sinal, inseridas no contexto, que era a própria natureza do Pantanal de Mato Grosso.

Mais do que a história contada ao longo dos capítulos, o protagonista da novela era o próprio Pantanal. Isso era patente na apresentação demorada de várias paisagens entre as cenas escritas por Benedito Ruy Barbosa, onde se podia apreciar toda a flora e fauna da região. Durante minutos seguidos eram captados tuiuiús, sucuris e capivaras deambulando no seu habitat exuberante, sequências que não constituíam um mero interregno nos conflitos das personagens.

Não raras vezes, um tema musical era tocado do início ao fim no decurso dessas imagens, cuja extensão chegava, por vezes, a ser superior à de cenas dialogadas. E o tema tanto podia ser do disco com as músicas da novela, como cantado por alguns dos atores em cena.

O elenco contou com alguns nomes muito conhecidos, como Cláudio Marzo, Rosamaria Murtinho, Ângela Leal e Nathália Timberg, e outros que tinham aparecido apenas recentemente, como Cristiana Oliveira ou Marcos Winter.

Importa fazer ainda referência a António Petrin, perfeito ao defender o terrível Tenório. Quer pelas suas feições, quer pela vivacidade com que se expressava na atuação, dificilmente podemos imaginar outro ator a interpretar o grande vilão desta história.

Pantanal também apresentava vários atores e atrizes que nunca tínhamos visto e isso também mereceu algum destaque.

Cristiana Oliveira foi, por duas vezes, capa da TV Guia.

No início de 1992, uma edição da revista Nova Gente trazia na capa “as beldades do Pantanal”.

Também a revista TV 7 Dias dedicou várias capas à novela, dando-lhe destaque idêntico ao que merecia Rainha da Sucata, exibida contemporaneamente no horário nobre do Canal 1.

Pela primeira vez, os telespetadores portugueses assistiram a um trabalho da atriz Jussara Freire, aqui no seu melhor desempenho como Filó.

A banda sonora original não foi editada entre nós, mas a editora Duplisom lançou uma versão pirata, cujas capa e contracapa eram algo chamativas.

O duo Ele e Ela apresentou uma cassete intitulada A Rata da Rainha da Sucata / Ele e Ela no Pantanal, em que uma algumas faixas eram dedicadas a personagens e tramas de Rainha da Sucata, e outras ao enredo de Pantanal.

O refrão da música Ele e Ela no Pantanal era bastante sugestivo:

Pantanal, Pantanal
Telenovela de gostinho especial
Ai é tão bom vermos com alegria
Tanto nudismo e alguma pornografia

Esta foi a quinta telenovela de Benedito Ruy Barbosa apresentada pela RTP. Antes já tínhamos visto, também na RTP 2, CaboclaOs ImigrantesSinhá Moça e Vida Nova, que, tendo estreado antes de Pantanal, acabou praticamente na mesma altura.

A versão exibida não foi a integral, com 209 capítulos, mas uma versão para exportação com 150.

Pantanal foi reposta, desta feita ao fim da tarde na RTP 1, de 09/10/1995 a 23/01/1996.

Entre 11/09/2000 e 05/03/2001, ocupou também um dos horários de novelas da extinta SIC Gold.

Foi exibida pela última vez na RTP Memória, de segunda a sexta, ao meio-dia, de 31/01/2005 a 26/08/2005.

Pantanal