Piano Bar

Exibição:
25/10/1987 – 04/09/1988 (RTP 2)

Número de programas:
40

Autoria e apresentação:
Simone de Oliveira

Textos:
Varela Silva

Produção:
Olívia Varela
Manuel Rosa Pires
Carlos Machado
Santos Careto

Realização:
Margarida Gil
Jaime Campos
Carlos Barradas
Fernando Midões

Simone de Oliveira faz uma ronda por vários piano-bares das cidades de Lisboa e do Porto.

Servem-se conversas sobre músicas, artistas, recordações, curiosidades…

Pessoas do mundo do espetáculo e não só conversam com Simone num registo despretensioso, sem agenda prévia.

Simone conversa também com os músicos e barmen de serviço.

Simone com o pianista Raul Camacho

1. (25/10/1987)

Convidados:
José Cabeleira
Emmanuel
Marité e Nucha
Armando Cortez
Alcino Frazão
Paquito


2. (01/11/1987)

Convidados:
Eugénio Pepe
Mila Ferreira
Rui Moura
José Costa Reis
Joel Branco


3. (08/11/1987)

Convidados:
Raul Camacho
Dina
Ruy de Carvalho
Marina Mota
Artur Garcia


4. (15/11/1987)

Convidados:
Pedro Osório
António
João Maria Tudela
Manuela Bravo
Herman José


5. (22/11/1987)

Convidados:
Carlos Carlos
Fernanda
Tomás Ribas
Michel
José António de Sousa
António Clara
Maria Guinot


6. (29/11/1987)

Convidados:
Rodrigo D’Orey
António Rios
Terra Brasilis
Rosa Lobato Faria
João Luís
Carlos Jorge
Luís Represas
Io Apolloni
Theresa Maiuko
Paulo de Carvalho


7. (06/12/1987)

Convidados:
Hélder Reis
Olívia
Raul Indipwo
José Luís
Rui Cardoso
José Viana


8. (13/12/1987)

Convidados:
Alexandra Solnado
José Duarte Loureiro
Manuel Luís Goucha
Jorge Fernando
Helena Isabel
Carlos Ivo
Fernando Ribeiro


9. (20/12/1987)

Convidados:
Carlos Bastos
Ricardão
Maria Viana
Baptista Bastos
Jose
José Bravo
Lenita Gentil
Raul Camacho


10. (27/12/1987)

Convidados:
Gertrudes
Alexandra
Carlos Barros
Paco Bandeira
Zé Pedro
Sérgio
Mara Abrantes


11. (03/01/1988)

Convidados:
Raul Camacho
Carlos Pedro (Pedro Malagueta)
Alice Pinto Coelho
Assis Pacheco
Diana
Fernando Tordo


12. (10/01/1988)

Convidados:
João Braz
Raul Mendes
Maria Clara
Mário Viegas
Dora
José Cid


13. (17/01/1988)

Convidados:
Alexandre Calisto
José Duarte Loureiro
Curado Ribeiro
Armando Gama
Maria Armanda


14. (24/01/1988)

Convidados:
Maria Valejo
Carlos Alberto Moniz
Manuela Maria
Rita Ribeiro


15. (31/01/1988)

Convidados:
Dulce Guimarães
Henrique Viana
Mário Mata
João Canto e Castro
Carlos Quintas
Raul Camacho
Tony de Matos


16. (07/02/1988)

Convidados:
Cristina
Fernando Gomes
Ricardo Fabini
André Sarbibi
Florência


17. (14/02/1988)

Convidados:
Fernando Correia Martins
Vera Mónica
José Campos e Sousa
João Lourival
Ruth Soares


18. (21/02/1988)

Convidados:
José Martinho
Teresinha Frota
Emílio Loupé
Júlia Pinho
Telmo


19. (28/02/1988)

Convidados:
Samuel
Resende Dias
Tozé Ribeiro
Maria da Luz
Jorge Barradas
Eugénio Salvador


20. (06/03/1988)

Convidados:
Duo Broa de Mel
António Reis
Rosita
Quelhas
Manuel Freire


21. (13/03/1988)

Convidados:
Sissa
Pedro
José Novoa
Arnaldo Saraiva
Miriam Mota
Milú


22. (20/03/1988)

Convidados:
Natércia Maria
Carlos Araújo
Didi
Paulinho
Lurdes Rodrigues
Fernando Cabral


23. (01/05/1988)

Convidados:
Nucha
Tino Costa
Artur Garcia
Raul Camacho
Teresa Pinto Coelho
Rui Veloso
Fernanda Borsatti


24. (08/05/1988)

Convidados:
João de Carvalho
Carlos Marques
Anabela (Mler Ife Dada)
Maria de Lurdes Resende
Irene Isidro
Tozé Brito


25. (15/05/1988)

Convidados:
António Passão
Fernando Teixeira
Carolina Tavares
Rosa do Canto
Raul Camacho
Vitorino


26. (22/05/1988)

Convidados:
Hélder Reis
Tó Leal
Rebecca
Ana
Humberto Coelho
Zélia Rodrigues
António Sala


27. (29/05/1988)

Convidados:
José Duarte Loureiro
Sérgio
Mariette Pessanha
Henrique Santana
Lara Li
Vasco Rafael


28. (05/06/1988)

Convidados:
Carlos Paião
Lenita Gentil
Roberts
Pedro Lisboa
Raul Solnado
Ágata


29. (12/06/1988)

Convidados:
José Cabeleira
Alex
Carlos Quintas
Abílio Herlander
Isa


30. (19/06/1988)

Convidados:
Hélder Reis
Alcino Frazão
Francisco Peres
José da Câmara
Beatriz da Conceição
Carlos Zel
Pracana


31. (26/06/1988)

Convidados:
Fátima
Dany Silva
Raul Camacho
Diana
Igrejas Caeiro
Paulo Alexandre


32. (03/07/1988)

Convidados:
José Duarte Loureiro
José Bravo
Maria Vilar
Xico Jorge
Manuel Cavaco
Maria Mendes


33. (17/07/1988)

Convidados:
Olívia
Pedro Branco
Félix
Io Apolloni
Fernando Guerra


34. (24/07/1988)

Convidados:
António Calvário
Maria Dulce
Celina Pereira
Eugénia Melo e Castro


35. (31/07/1988)

Convidados:
José Duarte Loureiro
Madi
Maria Sidónio
Doris Himmer
Luís Reis e Vítor Milhanas
Luís N’Gamby e Paula Ribas


36. (07/08/1988)

Convidados:
José Marinho
Mário Miguel
Isabel Morais
Dulce Guimarães
Maria Amélia Matta
Janita Salomé


37. (14/08/1988)

Convidados:
Mafalda Veiga
Rui Vasco Neto
Rui Cardoso
Maria de Fátima Bravo
Shegundo Galarza
Alexandra
Tony de Matos


38. (21/08/1988)

Convidados:
Raul Camacho
Raul Indipwo
Ana Zanatti
Luz Sá da Bandeira
Cidália Gentil
Sérgio Godinho


39. (28/08/1988)

Convidados:
Cândida Branca Flor
Armindo Neves
José Barata Moura
Nicolau Breyner
Maria Benta
Carlos do Carmo


40. (04/09/1988)

Convidados:
Fernanda
Artur Garcia
Marina Mota
Amália Rodrigues
Maria Guinot
Carlos Mendes
José Duarte Loureiro
Raul Camacho

Um dos momentos mais felizes da televisão portuguesa.

Desafiada por Carlos Pinto Coelho e Clara Alvarez, Simone de Oliveira aceitou criar e apresentar este programa, cujo objetivo era mostrar ao espectador bares interessantes, de gente bonita, bem decorados e com boa música.

A cantora, que a cada semana trazia “um novo Piano Bar, noutro piano bar”, demonstrou ser mestre na arte da cavaqueira.

Simone com José Viana

O programa era exibido na RTP 2, ao domingo, mais ou menos às 19:00, e repetia na quarta-feira à tarde.

Muitas foram as figuras públicas que passaram pelo Piano Bar, gente não só da música mas do espetáculo em geral. No total, contaram-se 150 artistas cantantes, uma centena de músicos e dezenas de personalidades ligadas ao espetáculo.

Foram vários os pianistas de serviço, com destaque para Raul Camacho, José Duarte Loureiro, Hélder Reis e José Cabeleira.

Raul Camacho
José Duarte Loureiro
Hélder Reis
José Cabeleira

Para além de nomes consagrados da música, foi dada oportunidade a gente nova. Logo no primeiro programa, foi exibida uma atuação da cantora Nucha – na época, ainda uma ilustre desconhecida –, formando um duo com Marité.

No decorrer desse mesmo programa, foi feito, pelo pintor Emmanuel, um retrato de Simone.

No 10.º programa, outra “surpresa”: uma marioneta com a cara de Simone, à qual a própria deu voz.

Piano Bar começou por ser gravado em diferentes bares da cidade de Lisboa. Por imperativo profissional, quando a representação de Toma Lá Revista, onde Simone atuava, se deslocou para o Teatro Sá da Bandeira, a produção do programa transferiu-se para o Centro de Produção do Porto da RTP. O programa passou a ser gravado em bares da cidade invicta, o que para Simone foi bastante positivo: “Vocês têm aqui no Porto um punhado de bares com características ímpares e que dificilmente se encontram na capital.”

Apesar de transmitido no segundo canal, Piano Bar conseguiu um público cativo e mereceu bastantes elogios por parte da crítica.

À data, Simone manifestou um grande apreço por este trabalho: “Piano Bar foi a coisa mais bonita e uma das mais importantes de toda a minha carreira.”

Contudo, o programa marcou uma fase conturbada da vida da Simone, uma vez que, enquanto decorriam as gravações, foi-lhe diagnosticado um cancro da mama. As gravações tiveram de ser interrompidas por algumas semanas, para que a Simone se submetesse a uma intervenção cirúrgica. A este respeito, a cantora relata algumas memórias no seu livro, Nunca Ninguém Sabe.

O Carlos era o diretor de programas da RTP, na altura, onde o meu programa (Piano Bar) estava a ser emitido. Havia telefone no quarto. Telefonei-lhe. Não queria dizer-lhe a verdade, mas também não queria mentir-lhe. Optei pelo meio-termo. Pedi-lhe duas semanas de intervalo, para fazer uma pequena intervenção cirúrgica. Mal sabia ele que eu já estava no hospital e que a “pequena intervenção” era uma operação delicada que podia salvar-me a vida. Ou não.

Sem perguntas, o Carlos Pinto Coelho, afável como sempre, correto como sempre, amigo como sempre, deu-me carta-branca. Sem saber a gravidade da situação, percebeu de imediato aquilo que me preocupava, e descansou-me, sem mais perguntas:
– É simples, minha querida. Faz de conta que vais quinze dias apanhar sol e depois voltas!

Nem o que era, nem como era, ou onde estava… nada! Podia ter feito tantas perguntas, ter exigido tantas explicações, mas nada! Entendeu que, se eu quisesse dizer alguma coisa mais, o faria por iniciativa própria. Não o fiz, ele também não insistiu. Certo é que o Carlos também estava longe da verdade. Se a soubesse, talvez não tivesse controlado tanto a preocupação. Mas ele é, acima de tudo, um homem respeitador, que entende as mulheres. E, naquele momento, a minha preocupação maior era não preocupar ninguém com a minha ausência. Foi o que ele entendeu, foi o que ele solucionou, e foi o que ele cumpriu.

Durante este período, mais concretamente entre 27/03/1988 e 24/04/1988, foram repostos cinco programas de 1987.

Simone retomou as gravações pouco tempo depois, mas foram momentos de alguma dificuldade.

Também não posso deixar de enaltecer o profissionalismo e a amizade da equipa do programa de televisão, que só ficou a saber o que me tinha acontecido depois da operação, e também nunca abordou o caso. Agradeço ao Faneco e ao Castelhano, os dois câmaras que eram também iluminadores, e ao rapaz que me colocava o microfone, o Pires. Agradeço-lhes a cautela, o cuidado, a ternura e o olhar atento. Se tinha muita gente à minha volta, o Castelhano, que é enorme e talentoso – eu costumava dizer que tinha um talento proporcional à sua altura – logo se punha do meu lado direito, não fosse alguém, sem querer, dar-me um encontrão. O Faneco arranjava uma luz linda, para disfarçar um ar mais cansado, ou um olhar mais triste. E o Pires, coitado, estou a vê-lo ajoelhado à minha frente, aflito, com o fio do microfone, o micro, e o emissor, perguntando-me baixinho: “E agora como é que eu faço?”

O emissor prendia-se atrás, nas calças ou nas saias, e depois o fio passava por dentro da roupa, por cima do ombro, da cintura até à lapela, onde se fixava o microfone. De preferência, num sítio onde não estragasse a toilette, sem prejuízo do som. Mas essa “ginástica” era agora bem mais complicada de fazer. Era preciso paciência, coragem, amizade, tudo! E lá andámos os dois, de trás para a frente, como dois cúmplices, em busca da solução mais confortável, ou menos constrangedora. E foi-se fazendo. Fiz trinta e dois programas nessa fase!

E um programa de televisão não é só aquilo que se vê em casa. Implica ensaios, a escrita e o estudo do guião, os convidados, horários, corridas, nervos… Fiz tudo isso porque também era autora do mesmo. E, sobretudo, porque não quis deixar de o fazer. Quando o programa ia para o ar, observava-o atentamente para ver se se notava alguma coisa. E eu notava, claro. Mas era porque sabia. Sabia melhor do que ninguém. Mas mais ninguém notou a diferença. Nunca ninguém percebeu nada, a não ser as pessoas que sabiam, e mesmo essas, quando me viam ali assim, segura, e sem mancha, acredito que às vezes tenham duvidado.

Outro dos momentos recordados é a participação no programa de Carlos do Carmo.

E mais o meu querido e charmoso Carlos do Carmo, que convidei para o Piano Bar poucos dias depois da operação… ficou tão nervoso por estar comigo depois do que aconteceu, que ele, que canta primorosamente como todos nós sabemos, conseguiu cantar mal!

Alguns convidados estiveram no programa mais do que uma vez, como foi o caso de Marina Mota, Maria Guinot, Carlos Quintas, Dulce Guimarães, Alexandra, Raul Indipwo, Artur Garcia e Io Apolloni.

Felipa Garnel aparece na assistência de um dos programas.

Na mesma emissão, aparece, completamente eufórica, Alexandra Pimentel, que vimos mais tarde numa experiência (não muito bem-sucedida) como atriz, na telenovela Cinzas (1992/1993).

Alexandra Pimentel em Piano Bar
… e em Cinzas

A determinada altura, Simone declarou que, apesar de ter vários pedidos para que também o fado tivesse o seu espaço, este não cabia na ambiência de um piano bar. Contudo, um dos programas – o 30.º – acabou por ser inteiramente dedicado ao fado.

Para o derradeiro programa, foi reservada uma presença de luxo: Amália Rodrigues.

Apesar de Piano Bar ser um programa predominantemente musical, foram raros os momentos em que Simone cantou.

Para além de Piano Bar, Simone apresentou dois programas na RTP Internacional: Lado a Lado e Café Lisboa.

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Piano Bar