Pós de Bem-Querer

Exibição:
07/05/1992 – 28/05/1992 (RTP 1)

Número de episódios:
04

Argumento e diálogos:
António Torrado

Música e arranjos:
Eduardo Paes Mamede

Produção:
Luísa Maria Jacinto

Realização:
Fernando Ávila

Elenco:
André Gago – Leonel
Glória Férias – Leopoldina
Filipe Ferrer – Dr. Faria
Natália Luiza – Cristina
Joaquim Rosa – Capitão Doutor
Fernanda Lapa – D. Isaura
José Viana – Dr. Seabra
Márcia Breia – D. Alda
Alexandre Melo – Padre Varela
João Mota – Capitão Néri
Carlos Bernardo – Adelino
Jorge Gonçalves – Tenente Rosa
Isabel Medina – Wanda
João Lagarto – António
Óscar Branco – Alfredo
Almeno Gonçalves – Impedido
Natalina José – Camponesa Mãe
Cláudia Viana Bastos – Alzira
Ana Enes – Criada
Orlando Dias – Barbeiro
Antónia Terrinha – Camponesa
Bruno Oliveira – filho do Capitão Néri
Rita Bagulho – primeira jovem
Fernando Ferreira – segundo jovem
Ramon Melo – terceiro jovem
Alexandre Veiga – Duarte
Armindo Luís – Engraxador/Vendedor
Cecília Sousa – mulher na farmácia
Luís Mascarenhas – leiloeiro

A história passa-se em meados dos anos 20, numa terra de província portuguesa, e gira em torno da farmácia local.

Leonel Teixeira (André Gago), o farmacêutico, desistiu do curso de Medicina para poder valer à família do seu irmão, que ficou inválido na Primeira Guerra Mundial. Agora, vive num mundo fechado e rotineiro, de que faz parte a relação sentimental secreta que mantém com Leopoldina (Glória Férias), que é casada e acaba por partir para o Brasil.

Leonel e Leopoldina

Mas, um dia, tudo muda, quando o jovem começa a fornecer à população, e sobretudo às mulheres da terra, uns tais “pós de bem-querer” em tempos receitados pelo seu pai, que resolvem de forma “milagrosa” os problemas sentimentais da comunidade…

Leonel (André Gago)
É solteiro e mantém uma ligação secreta com Leopoldina, a engomadeira. Desistiu dos estudos para tomar conta da farmácia.

Raul, Capitão Doutor (Joaquim Rosa)
Filho legítimo do velho boticário Ildefonso Teixeira, é meio-irmão de Leonel. A guerra incapacitou-o para sempre. É pai de Cristina.

D. Isaura (Fernanda Lapa)
Esposa do Capitão Doutor, tem 50 anos e é dona de casa. Incomoda-se com a proximidade de Leonel, a quem continua a ver como filho da empregada.

Cristina (Natália Luiza)
É solteira, bonita e crítica em relação ao meio em que se movimenta. Ensina as crianças a tocarem piano.

Leopoldina (Glória Férias)
É engomadeira e é casada com um emigrante que vive no Brasil. Adelino, o seu filho, tem 13 anos.

Adelino (Carlos Bernardo)
Aos 13 anos já é ajudante de farmácia. Tem um temperamento fechado e sofrido.

Dr. Seabra (José Viana)
É médico, viúvo e um comentador bem-humorado dos acontecimentos da terra.

Padre Varela (Alexandre Melo)
É o grande conciliador de todas as polémicas.

Dr. Artur Faria (Filipe Ferrer)
Tem 45 anos, é casado e advogado. É um monárquico nostálgico, profundamente pessimista.

Capitão Néri (João Mota)
É casado, tem 35 anos e combateu em África. É mação, liberal e otimista em relação ao rumo, republicano e democrático, que o país tomou.

Tenente Rosa (Jorge Gonçalves)
É solteiro, tem 30 anos e não gosta de desmentir o capitão.

D. Alda (Márcia Breia)
Esposa do Dr. Faria. A coscuvilheira de serviço.

Wanda (Isabel Medina)
Esposa do capitão Néri. Mantém uma relação extra-conjugal com o Tenente Rosa.

António (João Lagarto)
O carteiro da vila. Sempre atento ao que se passa com a vida alheia.

Alfredo (Óscar Branco)
Camponês simpático e muito conversador.

Alzira (Cláudia Viana Bastos)
Empregada da família Faria.

Impedido (Almeno Gonçalves)
Jovem militar. Irmão de Alzira, revolta-se quando descobre o seu envolvimento com o patrão.

1. (07/05/1992)
Leonel Teixeira está à frente da farmácia que pertence ao seu meio-irmão, inválido da Primeira Guerra Mundial. O farmacêutico vive num mundo fechado, do qual faz parte a sua amante, Leopoldina, mas os dois acabam por se separar, pois ela é casada e vai juntar-se ao marido no Brasil. Um dia, uma mulher vai à farmácia pedir um “pó de bem-querer”, uma receita do pai de Teixeira que foi um grande sucesso.


2. (14/05/1992)
O farmacêutico Leonel tenta que o irmão lhe revele o segredo dos pós de bem-querer, e, quando finalmente o conhece, acha que tem de rever a imagem que tinha do pai, Teixeira. Em casa da engomadeira Leopoldina, mãe e filho hesitam em responder à carta de chamada para o Brasil: para ela, será o fim da ligação secreta com Leonel, e para Adelino, o fim das lições de música e da sua relação com Cristina. As senhoras da terra propõem-se organizar um piquenique, para juntar os jovens de boas famílias…


3. (21/05/1992)
Em casa do capitão-doutor, que faz anos, há festa. Pela primeira vez, o meio-irmão Leonel é convidado, e provoca alguns incidentes e mal-entendidos durante e depois do banquete. Na manhã seguinte, um último encontro entre Leonel e Leopoldina, na “paisagem protegida” das arribas, marca o desenlace do romance clandestino. Os pós de bem-querer continuam a fazer os seus efeitos. A venda sobe e conquista a clientela mais inesperada. Leonel começa a saber demais…


4. (28/05/1992)
A estátua emblemática da Farmácia Teixeira segue para a quermesse. Entretanto, atrás de uma cortina, uma senhora casada e um militar solteiro esquecem recato e prudência. O sardónico maldizente Dr. Faria prediz tragédias, e toda a vila adivinha um desenlace fatal, quando o marido da referida senhora souber. Tudo se prepara para o consumar da tragédia, efeito perverso dos pós de bem-querer…

Pós de Bem-Querer foi transmitida no Canal 1, às quintas-feiras, por volta das 23 horas.

A presença de algumas cenas mais ousadas fez com que a RTP relegasse a série para um horário tardio. Ainda assim, a audiência foi bastante satisfatória.

Estreia dupla de António Torrado: no domínio da comédia e no da escrita para gente crescida.

Também o realizador, Fernando Ávila, teve nesta série o seu primeiro trabalho completo em teledramaturgia, com uma participação no guião que António Torrado considerou enriquecedora: “O argumento foi retrabalhado, sim, porque essa é a forma correta de produzir uma série. E se o Fernando Ávila foi capaz de dizer com a sua linguagem – a imagem – coisas que eu pensava que só podiam ser ditas por palavras, melhor”.

Pós de Bem-Querer foi gravada no Alentejo, em Avis e em Serpa, durante dois meses e meio. Nesse período, toda a equipa, técnica e artística, viveu no local, em produção permanente, o que Fernando Ávila apontou como fator de sucesso: “Penso que uma das razões por que correu tudo muito bem tem a ver com o facto de as pessoas se terem isolado para fazer aquele trabalho. Tudo correu como se estivéssemos a fazer um filme”.

António Torrado esteve presente em vários momentos do andamento dos trabalhos: “O trabalho de plateau é muito importante, e eu tive ocasião, com o consentimento do realizador, de apoiar os atores, ou, inclusive, de enriquecer com diálogo uma ou outra imagem captada pelo realizador. Foi uma grande aprendizagem”.

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