Retalhos da Vida de um Médico

Exibição:
20/04/1980 – 05/07/1980 (RTP 1)

Número de episódios:
12

Segundo a obra de:
Fernando Namora

Adaptação e diálogos:
Bernardo Santareno
Carlos Coutinho
Olga Gonçalves
Urbano Tavares Rodrigues
Dinis Machado

Supervisão:
Artur Ramos

Música extraída da obra de:
Fernando Lopes Graça

Canção “Retalhos”
Letra: Ary dos Santos
Música: Tozé Brito
Intérprete: Carlos do Carmo

Produção:
Forum (sob a direção de Manuel Queiroz)

Produtor delegado da RTP:
Luís de Freitas

Realização:
Artur Ramos (episódios 1, 2, 9, 10, 11, 12)
Jaime Silva (episódios 3, 4, 5, 6, 7, 8)

Elenco:
Adelaide João – Maria Cândida
Alda Rodrigues
Alexandre Babo
Alexandre Melo
Alexandre Passos
Alexandre Rocha
Alina Vaz – Olinda
Álvaro Malta
Amélia Varejão
Amílcar Botica – irmão de Ana Maria
Andrade e Silva
Anna Paula – tia de Isabel
António Assunção – Gilberto Sousa
António Ferreira
António Machado
António Marques – Cristóvão
António Montez – Botinas
Argentina Rocha – Marta
Artur Semedo – Sr. Cortes
Asdrúbal Teles – tio de Isabel
Augusto Leal
Branco Alves
Canto e Castro – Meneres
Carlos Bom
Carlos César – Dr. Valença
Carlos Gonçalves – Alfredo
Carlos Santos
Carmen Santos – Isabel
Clara Rocha – enfermeira
Cremilda Gil – Ana (mãe de Pedro)
Daniel Garcia
Eduardo Jacques
Eduardo Vilaverde
Eugénia Bettencourt – Natália
Fernanda Barreto
Fernanda Coimbra – D. Emília
Fernanda Lapa – Belmira
Fernando Louro
Francisco Nicholson – Caldeira
Francisco Soares
Gil Matias
Gilberto Gonçalves
Henrique Viana – João Vinhas (taxista)
Ivone Silva – Sra. Tentori
João Marques Pinto
Joaquim Amaro
Joaquim Namorado
José Gomes – pai de Juanito
José Peixoto – Pedro
Josefina Silva – Júlia (criada do Dr. Sousa)
Júlio Cleto
Leónia Mendes
Lídia Franco – Fernanda
Linda Silva – Prima Cláudia
Luís Alberto – Raul
Lurdes Norberto – Daisy
Manuel Cavaco
Márcia Breia – mãe de Bia
Maria Albergaria
Maria Alexandra
Maria do Céu Guerra – Ana Maria
Maria Dulce – Margarida
Maria Simões
Mariana Vilar
Mário Pereira – Acácio
Mário Sargedas
Morais e Castro – Freitas
Rogério Paulo – Azevedo Seixas
Rui Mendes – Nunes
Ruy de Carvalho – Adelino
Serafim Preguiça
Suzana Prado
Tereza Gonçalves
Vicente Batalha
Virgílio Castelo – colega de Pedro
Vítor Hugo
Vítor Ribeiro
Vítor Santos

E as crianças:
Ana Gonzalez
Carlos Macedo
Carlos Silva
Félix de Matos
Joana Vilaverde
Luís Almerindo
Manuel Galvão
Marta Alexandra
Pedro Gaspar

Retalhos da Vida de um Médico narra a trajetória do médico Pedro Martins, desde a sua infância, passando pelos estudos de Medicina em Coimbra e, mais demoradamente, pelos anos em que exerce a sua profissão em vários pontos do país.

Após uma curta temporada em Soure, onde nasceu, aceita a oferta do Dr. Valença (Carlos César) para tomar conta do seu consultório em Monsanto, Beira Baixa. A sua aceitação por parte da população local, contudo, não se mostra fácil, porquanto os habitantes dão mais credibilidade a curandeiros. O próprio Dr. Valença, ao aperceber-se de que Pedro começa a ganhar terreno, usa de artimanhas para denegrir a imagem do colega.

É também em Monsanto que Pedro conhece Isabel (Carmen Santos), por quem se apaixona, e casam-se pouco tempo depois. Têm um filho chamado Fernando.

A campanha de Valença contra Pedro acaba por perder a força, mas ainda assim o médico decide assumir um lugar no posto médico de Pavia, no Alentejo. É aqui que nasce a segunda filha do casal, Helena.

Passam-se quatro anos até que, por fim, Pedro e a família se mudam para Lisboa, onde conhecerão uma realidade totalmente diferente da da província.

1. A prima Cláudia (20/04/1980)
1942. Pedro Martins, finalista de Medicina da Universidade de Coimbra, vai visitar a família. Em conversa com os pais, Pedro fica a saber que o marido da prima Cláudia precisa de ser internado no hospital e que para tal o irá contactar em Coimbra. Pedro recorda então o tão festejado casamento da prima. De novo em Coimbra, ele recebe a visita do primo Lucas. Vítima de um cancro e após prolongada agonia, ele acaba por morrer no hospital. No enterro, a família volta-se a juntar e Pedro relembra mais uma vez a sua infância e todas as mudanças ocorridas ao longo da sua vida.


2. Um começo de vida (27/04/1980)
Em Coimbra, Pedro termina a sua licenciatura em Medicina, mas as dúvidas e as angústias tomam conta do seu dia-a-dia: que caminho seguir neste início de carreira? O jovem médico é recebido em Soure com honras de doutor, não faltando promessas de pessoas influentes, que lhe garantem um futuro promissor na vila. Pedro divide um consultório com um amigo seu, advogado. As coisas, no entanto, não correm como esperado: Pedro tem poucos clientes e as pessoas que o viram nascer não lhe conferem grande confiança como médico.


3. História dum parto (04/05/1980)
1943. O Dr. Valença e Pedro dirigem-se a Monsanto. Ambos estão apreensivos. O Dr. Valença domina inteiramente a situação. Dispõe de Pedro como dispõe do consultório, da enfermaria, dos próprios camponeses. Os primeiros dias em que Pedro fica completamente só são extremamente penosos. Até que é chamado para assistir a um parto. Vizinhos e parentes rodeiam a parturiente no seu pobre quarto. Pedro decide intervir com os ferros e manda buscá-los à vila, perante o terror dos presentes. O ambiente é pesado. As mulheres têm opiniões bem firmes que se opõem às do médico. Quando começa a intervenção há quem diga: “Malandro!” e até… “Assassino!”. A criança nasce escorreita e, já cá fora, livre de perigo. Pedro recebe os agradecimentos dos familiares.


4. Cardos, cardos na floresta (11/05/1980)
Monsanto, 1944. Na exata medida em que Pedro vai começando a ser aceite pelos seus clientes, o Dr. Valença manobra no sentido de não perder a influência que tem, procurando minar a situação, tecendo comentários acerca da aceitação de Pedro. Certo dia, encontram-se os dois à porta de uma doente que Pedro vinha tentando salvar. Valença esquiva-se a quaisquer explicações sobre a sua presença. Pedro descobre que ele tinha receitado as mesmas drogas que ele próprio, disfarçando-as, embora, com outro nome comercial para assim afetar a credibilidade que Pedro vinha ganhando junto da população. Pedro encontra um inesperado apoio em Isabel, uma rapariga de Castelo Branco que está a passar férias em casa dos tios, os mais ricos proprietários de Monsanto. A aproximação dos dois jovens redunda rapidamente num noivado apadrinhado pela família de Isabel. O Dr. Valença não estará presente à cerimónia nupcial, realizada em casa dos tios de Isabel.


5. Reputação (18/05/1980)
1946. Passou-se um ano. Isabel e Pedro estão à espera do primeiro filho. Pedro quer que a mulher vá para a maternidade de Coimbra, mas Isabel prefere dar à luz em Monsanto; o Dr. Valença continua a fazer campanha contra Pedro e ir para Coimbra poderia ser um sinal de que nem ela confiava no marido. Margarida, uma colega que Pedro reencontra em Castelo Branco, passa alguns dias com o casal em Monsanto. De passagem por Penha Garcia, Pedro é convidado para o almoço por Botinas, um sujeito que, tendo o filho com carbúnculo, preferiu deixar a vida dele nas mãos do seu afilhado, o droguista Cipriano, em vez de chamar um médico.


6. Uma menina perfeita (25/05/1980)
1947. Pedro e Isabel mudam-se para Pavia, onde Pedro irá assumir o posto médico da vila. O primeiro serviço prestado é uma autópsia: é necessário examinar o cadáver de um homem, conhecido como Coruja, que apareceu a boiar no rio. Logo de seguida, uma emergência: Pedro é chamado para fazer o parto de uma mulher que está com dores há três dias. A única preocupação dela é que a criança nasça perfeita, pois já tem uma filha fisicamente deficiente.


7. Ana Maria (01/06/1980)
Pavia, 1949. Pedro vai-se habituando à vida nesta região e, uma vez que frequenta o Clube dos Lavradores, tem clientes ricos. Assim, decide comprar um automóvel em segunda mão, o que leva a família a entrar numa certa euforia. A vinda de Ana Maria, jovem esbelta e moderna, que se instala na Pensão Central com o irmão, o novo secretário das Finanças, traz uma certa perturbação à vida de Pedro. De facto o irmão de Ana Maria sofre de uma grave doença que leva Pedro à sua cabeceira e a conhecer de perto a jovem Ana Maria. Entretanto, surge o caso de um rapazinho que se encontra em perigo de vida e Pedro aceita a colaboração de Ana Maria, o que provoca uma péssima reação por parte da população da aldeia. Isabel, a mulher de Pedro, que está à espera do segundo filho, mostra-se revoltada com a situação…


8. Um homem do Norte (08/06/1980)
Pavia, 1951. O senhor Adelino, com os seus oitenta anos, chama Pedro para que o alivie dos seus padecimentos. Sofre de asma cardíaca. A doença agrava-se, implacavelmente. O doente, com um humor azedo, pede a Pedro que lhe forneça uma pastilha idêntica àquela com que Hitler se suicidou, segundo a versão do senhor Adelino. Num dia de festa, com a Filarmónica a tocar pelas ruas da vila, um rapazito, aflito, veio buscar Pedro, levando-o até ao local onde encontrara o senhor Adelino enforcado…


9. Daisy (15/06/1980)
Lisboa, 1952. Pedro instala-se agora em Lisboa, onde começa a trabalhar num dos hospitais. Ele e mais alguns colegas passam a frequentar, nos seus tempos livres, uma tertúlia. Aí encontra Daisy, a célebre Daisy que alguns anos atrás escandalizara Lisboa com seus amores. Para Pedro ela é o fascínio da vida agitada da grande cidade a que até então se mantivera alheio. Certo dia, porém, o diretor do hospital pede-lhe para ir ver um rapazinho atrasado mental, neto do banqueiro Azevedo Seixas. Assim, Pedro acaba por saber que Daisy é a mãe do pequenito. Pedro cruza-se com ela nos jardins da rica moradia de Azevedo Seixas e sente-se atraído por todo aquele ambiente. A partir de então passa a frequentar a casa…


10. Juanito (22/06/1980)
Lisboa, 1955. Pedro e duas enfermeiras, Olinda e Maria Adélia, cumprem as suas regulares visitas aos habitantes de um bairro mais desfavorecido. Entre as várias situações com que se deparam, chama-lhes a atenção a história do pequeno Juanito, que cria sozinho a irmã bebé, já que o pai está sempre bêbado e maltrata as crianças. Pedro e as enfermeiras levam-lhes mantimentos e conseguem um emprego para o rapaz. Mas a história não termina da melhor maneira…


11. Dois casos bicudos (27/06/1980)
Lisboa, 1957. Neste episódio, Pedro depara-se com dois casos bicudos. O primeiro é o de Jorge, um rapaz de 15 anos que, desde criança, tem uma saúde muito frágil e que, para além disso, é de difícil trato e tem uma atitude negativa perante a vida. Em seguida, é a vez de Natália, uma mulher que está convencida de que tem um alfinete-de-ama na garganta.


12. O rapaz do tambor (05/07/1980)
Lisboa, 1958. Vivem-se tempos de grande tumulto com a candidatura de Humberto Delgado às eleições presidenciais. Nunes pede a Pedro o favor de ir a casa de Cristóvão – um amigo seu, saído há pouco das masmorras da PIDE – ver o filho deste, que está doente. Entretanto, num bar, Pedro encontra Meneres, um velho amigo, e juntos recordam histórias de Sousa, um ex-colega do curso de Medicina que enveredou pela carreira política.

Esta série é inspirada nos dois volumes de Retalhos da Vida de um Médico, de Fernando Namora.

O trabalho de adaptação iniciou-se no verão de 1978 e foi feito em função dos quatro pontos do trajeto do protagonista, sempre com a colaboração de Fernando Namora, que escolheu os escritores em conjunto com Artur Ramos.

Fernando Namora

A equipa repartiu-se, assim, do seguinte modo:

Episódios 1-2 (Coimbra)
Argumento: Bernardo Santareno
Realização: Artur Ramos

Episódios 3-5 (Monsanto)
Argumento: Carlos Coutinho
Realização: Jaime Silva

Episódios 6-8 (Alentejo)
Argumento: Urbano Tavares Rocha / Olga Gonçalves
Realização: Jaime Silva

Episódios 9-12 (Lisboa)
Argumento: Dinis Machado
Realização: Artur Ramos

Esta distribuição não foi feita ao acaso, conforme explicou Artur Ramos: “Os dois primeiros episódios foram adaptados por Bernardo Santareno que, tal como a personagem da série, também é formado em Medicina, por Coimbra. Pareceu-nos que Bernardo Santareno era a pessoa indicada para adaptar os episódios cuja ação se centra no ambiente universitário que ele conhece por experiência própria. Carlos Coutinho, um beirão com grandes contactos com os camponeses, pareceu-nos ser a pessoa indicada para adaptar os episódios em que o médico inicia a sua carreira num meio campesino. Urbano Tavares Rodrigues e Olga Gonçalves, pela sua escrita eminentemente dialogal, foram escolhidos para a adaptação dos episódios cuja ação se centra no Alentejo. Por último, Dinis Machado, um lisboeta de corpo inteiro, era a pessoa indicada para a adaptação da parte da série cuja ação se centra na capital.”

Apenas algumas passagens do livro foram transpostas para a série e, por sugestão do próprio autor, incluíram-se extratos de outras obras da sua bibliografia. Assim, alguns episódios foram construídos com base noutros textos, como Fogo na Noite EscuraO Homem Disfarçado e A Cidade Solitária. Destas obras, foram retirados elementos sobre a vida do protagonista (formatura, começo de vida, casamento), elementos esses que não figuram em Retalhos da Vida de um Médico, bem como apontamentos sobre a realidade política e social da época.

Ao contrário do livro, em que a ênfase era dada não ao narrador-protagonista mas às situações, na versão televisiva o médico tornou-se a figura central. Era assim que, apesar de cada episódio contar uma ou mais histórias com princípio, meio e fim, havia um fio condutor ao longo de toda a série, mantendo uma certa continuidade e sublinhando a trajetória do protagonista.

Quase toda a série foi gravada em exteriores, com cenas nas localidades de Soure, Coimbra, Monsanto, Azaruja, Pavia e Lisboa. Em algumas sequências, houve a participação das populações locais.

Artur Ramos pretendia um protagonista não muito conhecido e, ao ver o açoriano José Peixoto a atuar numa peça de teatro no Centro Cultural de Évora, achou que reunia as condições necessárias, inclusive por achá-lo parecido com Fernando Namora.

O protagonista, Pedro Martins, foi o único personagem que esteve presente em todos os episódios. Apenas Isabel (Carmen Santos), a esposa que conhece em Monsanto, teve também uma presença regular, a partir do 4.º episódio.

De resto, a narrativa foi preenchida com várias participações especiais a cargo de um notável leque de atores.

Genito, “o rapaz do tambor” do último episódio, foi interpretado pelo filho de Carmen Santos.

A série foi uma coprodução entre a RTP e a Fórum, cooperativa cinematográfica.

A canção “Retalhos”, interpretada por Carlos do Carmo, era tocada na íntegra no genérico, que chegava a ter mais de 4 minutos.

Chegou a ser cogitada a produção de uma segunda série, mas que acabou por não se concretizar. Maria Elisa assumira o papel de diretora de programas – em substituição de Carlos Cruz – e considerou que esta continuação seria repetitiva e faria possivelmente cair por terra o sucesso que a série obtivera.

Em 1962, a obra tivera já uma adaptação para o cinema, realizada por Jorge Brum do Canto.

A série foi reposta em 1984, na RTP 1, e em 1986, na RTP 2.

Em 1992, foi integralmente lançada numa coleção de 6 cassetes VHS.

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