Exibição:
13/07/1995 – 19/10/1995 (RTP 1)
Número de programas:
13
Apresentação:
Roberto Leal
Direção musical:
Jorge Quintela
Produção:
Isabel Fragata
José Montalvão
Realização:
A. C. Rebesco
Exibição:
13/07/1995 – 19/10/1995 (RTP 1)
Número de programas:
13
Apresentação:
Roberto Leal
Direção musical:
Jorge Quintela
Produção:
Isabel Fragata
José Montalvão
Realização:
A. C. Rebesco
Roberto Leal é o anfitrião desta série de programas inteiramente dedicados à música portuguesa.

No início de cada emissão, o cantor dispensa alguns minutos de atenção ao seu público, respondendo a questões colocadas por espectadores presentes na assistência do Cinema Europa.

Embora Roberto Leal interprete algumas músicas do seu repertório, o programa abre portas a muitos outros artistas nacionais.
Assim, na primeira parte, é recebido um nome consagrado do panorama musical nacional; na segunda, uma revelação que, embora desconhecida do grande público, tenha dado já provas do seu valor; e, na terceira, um grupo de música popular – tudo falado e cantado em português.

Todas as atuações são ao vivo, com o acompanhamento de uma banda e de um coro dirigidos pelo Maestro António Palma.

Em jeito de homenagem, e graças à técnica do chroma key, Roberto Leal protagoniza duetos improváveis com artistas já desaparecidos.

1. (13/07/1995)
Convidados:
José Cid
Miguel P.T.
Romanças
Homenagem:
Max


2. (20/07/1995)
Convidados:
Nucha
Cristina Castro Pereira
Seara Nova
Homenagem:
Carlos Ramos


3. (27/07/1995)
Convidados:
Rodrigo
Filipa Campiã
Maio Moço
Homenagem:
Francisco José


4. (03/08/1995)
Convidados:
Alexandra
Pedro Miguéis
Alafum
Homenagem:
Fernando Farinha


5. (10/08/1995)
Convidados:
Trio Odemira
Maria Ana Bobone
Navegante
Homenagem:
Rui de Mascarenhas


6. (17/08/1995)
Convidados:
Lara Li
Miguel Capucho
Luar de Janeiro
Homenagem:
Helena Tavares


7. (24/08/1995)
Convidados:
António Pinto Basto
Ruy Silva
Trigo Limpo
Homenagem:
Maria Teresa de Noronha


8. (31/08/1995)
Convidados:
Simone de Oliveira
Sancha Costa Ramos
Banda de Lá
Homenagem:
Carlos Paião


9. (07/09/1995)
Convidados:
António Sala e Elizabeth Sala
João Queirós
Raízes
Homenagem:
Ivon Curi


10. (14/09/1995)
Convidados:
Vitorino
Carla Ribeiro
Rompe e Rasga
Homenagem:
Hermínia Silva


11. (05/10/1995)
Convidados:
Nuno da Câmara Pereira
Ricardo Spínola
Ronda dos Quatro Caminhos
Homenagem:
Alfredo Marceneiro


12. (12/10/1995)
Convidados:
Paco Bandeira
Mafalda Arnauth
Pedra d’Hera
Homenagem:
Tony de Matos


13. (19/10/1995)
Convidados:
Carlos do Carmo
Paulo Ramos
Conjunto António Mafra
Homenagem:
Retrospetiva dos programas anteriores


Entusiasmada com os bons resultados de Eu Tenho Dois Amores, apresentado por Marco Paulo, a RTP apostou fichas noutro cantor de renome, Roberto Leal, para a condução de um novo programa.

Produzido pela CCA (Carlos Cruz Audiovisuais), o formato nasceu uma ideia conjunta do próprio Roberto Leal e de Carlos Cruz.
Roberto Leal ocupou o horário nobre de quinta-feira, durante os três meses de verão. O programa teve pouca conversa e muita música, concentrando oito espaços musicais em apenas 50 minutos de emissão.
Apesar de o título do programa levar o seu nome, Roberto Leal fez questão de esclarecer que não iria utilizá-lo para autopromoção: “O programa não será para fazer do Roberto Leal um menino bonito da televisão; eu, graças a Deus, posso cantar as minhas músicas nos programas dos meus amigos. Este programa vai estar à disposição para servir Portugal”.

O cantor afirmou também não temer as inevitáveis comparações com Marco Paulo. Aliás, o crítico Bernardo Brito e Cunha, na sua coluna na revista TV 7 Dias, avaliou positivamente o programa de estreia, favorecendo Roberto Leal no confronto direto entre os dois apresentadores:
O programa de Roberto Leal foi uma agradável surpresa. O cantor não se voltou para o próprio umbigo e teve a enorme vantagem sobre Marco Paulo de saber conduzir, com sobriedade, todas aquelas pequenas entrevistas.
Tal como acontecia na primeira temporada de Eu Tenho Dois Amores, também Roberto Leal terminava com uma frase de efeito. Invariavelmente, o cantor encerrava a emissão com uma afirmação de patriotismo: “Aqui só se fala português, aqui só se canta em português, aqui só se canta Portugal!”.
O programa alcançou elevados índices de audiência, com a segunda emissão a conquistar o primeiro lugar do top. Apesar do sucesso, foram contratados apenas 13 programas, o número possível tendo em conta a preenchida agenda de Roberto Leal no Brasil e noutros países.
Inicialmente, estava previsto um périplo por diversas aldeias portuguesas, conduzido pelo próprio artista. No entanto, essa ideia acabou por se limitar ao primeiro programa, com a visita de Roberto Leal à sua terra natal, Vale da Porca. A falta de tempo e os restantes compromissos profissionais do cantor impediram a continuidade dessas deslocações.

Em entrevista à TV Guia, em abril de 1995, o cantor partilhou uma feliz coincidência: a RTP Internacional havia chegado recentemente ao Brasil e, como tal, Roberto Leal seria um dos primeiros programas a estrear no país que o acolhera.
A divulgação desta estreia transatlântica mereceu a produção de alguns vídeos de cinco a seis minutos, exibidos várias vezes ao dia na RTPi.

Nos primeiros dias de estúdio, o rigor linguístico chegou a provocar interrupções nas gravações. A preocupação com o uso correto do português de Portugal gerou alguma tensão, que o próprio Roberto Leal explicou mais tarde: “São 28 anos de Brasil; há hábitos adquiridos. Mas o Carlos Cruz, por ser um homem com uma boa visão, chegou a uma hora que disse: «Deixem o Roberto falar com o coração». Porque, de repente, comecei a não ser aquilo que eles queriam que eu fosse nem aquilo que eu sou. […] Graças a Deus, houve bom senso. Não importava o som, a essência era de amor”.
No programa, houve espaço para nomes consagrados da música portuguesa, mas também para novatos, alguns deles vindos do programa Selecção Nacional.






A rubrica na qual Roberto Leal surgia a cantar em dueto com artistas já falecidos dividiu opiniões. Se, por um lado, muitos aplaudiram a iniciativa e o excelente resultado técnico do chroma key, por outro, a inovação foi alvo de protestos por parte dos telespectadores mais conservadores, que se mostraram desagradados por ver o cantor a “cantar com os mortos”.

Paralelamente ao desafio na televisão, Roberto Leal manteve uma produtividade intensa na música, lançando dois discos quase em simultâneo: Canções da Minha Vida e Festa da Gente.
O programa encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.
