Rua Sésamo

Exibição:
06/11/1989 – 27/05/1996 (RTP 1)
19/09/1994 – 24/05/1996 (RTP 2)

Número de episódios:
440

Atores:
Alexandra Lencastre – Guiomar (I-III)
António Anjos – Sr. Almiro (I-IV)
Fernanda Montemor – Avó Chica (I-IV)
Fernando Gomes – Zé Maria (I-IV)
Lúcia Maria – Carolina (I-III)
Pedro Wilson – Gil (I-III)
Vítor Norte – André (I-III)
Ana Luís Martins – Carolina (IV)
Ricardo Monteiro – António (IV)
Rita Loureiro – Ana (IV)

Bonecreiros:
Luís Velez – Poupas
Jorge David – Ferrão
António Pinto
Pedro Barreiros
Paula Velez – Tita
Filipa Melo
Teresa Margarida

Direção de atores:
António Feio
Salvador Santos

Direção de dobragens:
António Feio (I-III)
Emília Silvestre (IV)

Vozes (I-III):
Adriano Luz
Ana Bola
Ana Ramalho
António Feio
António Marques
Argentina Rocha
Aristides Teixeira
Carlos Alberto Vidal
Carlos Cruz
Carlos Daniel
Carlos Freixo
Carmen Santos
Cláudia Cadima
Cristina Carvalhal
Diogo Dória
Fernanda Figueiredo
Fernando Gomes
Fernando Luís
Fernando Mendes
Helena Isabel
Isabel Ribas
João de Carvalho
João Perry
Joel Constantino
Jorge David
Jorge Sequerra
José Jorge Duarte
José Pedro Gomes
José Raposo
José Wallenstein
Lucília Pereira
Luís Mascarenhas
Luís Velez
Luísa Cruz
Luísa Salgueiro
Manuel Cavaco
Manuela Santos
Margarida Rosa Rodrigues
Maria Alexandra
Maria Dulce
Maria Fernanda
Maria João Luís
Mário Viegas
Miguel Guilherme
Natália Luiza
Paula Araújo
Paula Fonseca
Paula Nunes
Paulo B.
Pedro Alpiarça
Pedro Pinheiro
Rita Blanco
Rui de Sá
Rui Paulo
Teresa Madruga
Teresa Sobral
Vítor Soares
Zé Nabo
Zé Rodrigues Santos

Vozes (IV):
Ana Queiroz
Carlos Sobral
Clara Nogueira
Cristina Oliveira
Emília Silvestre
Glória Férias
João Cardoso
João Paulo Costa
João Paulo Seara Cardoso
Jorge Alonso
Jorge Mota
Jorge Paupério
Jorge Pinto
Jorge Vasques
Lucinda Afonso
Mário Moutinho
Marta Santos
Paula Seabra
Raquel Rosmaninho
Raul Constante Pereira
Rosa Quiroga
Rui Oliveira
Susana Morais
Teresa Chaves
Zélia Santos

Coordenação do projeto:
Clara Alvarez (I-II)
Maria João Martins (III)
Teresa Paixão (IV)

Direção pedagógica:
Maria Emília Brederode Santos

Tradução e adaptação:
Cláudia Cadima
Ermelinda Duarte

Coordenação de textos:
António Torrado (I)
João Aguiar (II-IV)

Equipa de escritores:
Abel Neves
Alice Vieira
João Aguiar
João Maria Mendes
Joaquim Pessoa
José Fanha
José Jorge Letria
Luís Almeida Martins
Violeta Figueiredo

Produção musical:
Ramon Galarza
António Avelar Pinho

Cenografia:
Moniz Ribeiro

Produção:
Manuel Petróneo (I-IV)
Olga Toscano (II-IV)
Ana Torres (II)
José Poiares (IV)

Realização:
Manuel Varella (I)
Fernanda Cabral (II-III)
Rui Nunes (II-III)
Olga Toscano (IV)
José Poiares (IV)

Co-produção:
RTP
Children’s Television Workshop

A Rua Sésamo não é uma vulgar artéria de uma qualquer vila ou cidade. É verdade que lá vivem, em ambiente de boa vizinhança, pessoas normais: o professor Zé Maria (Fernando Gomes) e a sua mulher, Carolina (Lúcia Maria); a Avó Chica (Fernanda Montemor) e os seus dois hóspedes, André (Vítor Norte) e Gil (Pedro Wilson). Mas esta gente de carne e osso convive com três bonecos: o exótico Poupas, o contraditório Ferrão e a doce Tita. Estas personagens integram uma série cujo intento é divertir, mas também ensinar a pequenada, habituá-la às coisas que aprende na escola, com uma boa dose de humor e brincadeira à mistura.

O elenco da 1.ª série

A ação decorre em diversos pontos da rua:

A oficina do André
A papelaria da Carolina
A frutaria do Sr. Almiro
A cozinha da Avó Chica

Para além das sequências gravadas na “Rua”, com situações e personagens que têm muito a ver com o nosso quotidiano, e com um cenário tipicamente português, os episódios incluem outros três tipos de segmentos:

– Cenas filmadas quer em Portugal continental e nas regiões autónomas quer nos países africanos, contribuindo para um melhor conhecimento da realidade portuguesa;

– Sketches com bonecos manipulados de Jim Henson, alguns já nossos conhecidos de Abre-te Sésamo e dos Marretas;

– Por fim, pequenos filmes de animação, alguns estrangeiros, outros de origem nacional.

Poupas
Pássaro exótico e ingénuo, ele é o porta-voz da infância. Sempre muito curioso, não se cansa de fazer perguntas.

Ferrão
Vive dentro de um barril. Encarna o espírito da contradição. É rezingão, rabugento e tem acessos de mau-humor, mas ainda assim é querido pelos habitantes da Rua Sésamo, que com ele são muito pacientes. Tem o vício das coleções e adora agripino, um legume que ele próprio criou.

Tita
O seu nome é Tatatita – Tita, para os amigos. Uma gata mimalha e dengosa, com grandes preocupações ecológicas.

Zé Maria (Fernando Gomes)
Com 40 anos de idade, é casado com Carolina. É um professor muito ativo e desorganizado.

Carolina (Lúcia Maria | Ana Luís Martins)
Ela e o marido são os proprietários da papelaria da Rua Sésamo. É o principal apoio afetivo do Poupas.

Guiomar (Alexandra Lencastre)
Com 18 anos, vive com o avô desde que os seus pais foram viver para o estrangeiro. Estuda arquitetura e, nos tempos livres, dedica-se à fotografia.

André (Vítor Norte)
Com 27 anos, é um espírito inquieto, desorganizado e generoso. Tem uma oficina de carpintaria e está sempre pronto a dar uma ajudinha aos vizinhos.

Gil (Pedro Wilson)
Com 23 anos, de origem africana, estuda Medicina. Divertido, gosta de dançar e fazer desporto. Mora na casa da Avó Chica.

Sr. Almiro (António Anjos)
Com 60 anos, é viúvo e avô de Guiomar. É dono da frutaria Flor de Maracujá. Muito exigente em matéria de limpeza, a sua loja é exemplar.

Avó Chica (Fernanda Montemor)
De origem rural, absorveu a cultura urbana, mas não abdicou dos hábitos que adquiriu no campo.

Ana (Rita Loureiro)
Entra na 4.ª série. Estudante, mora com os pais na vizinhança da Rua Sésamo.

António (Ricardo Monteiro)
Entra na 4.ª série. Vem tomar conta da oficina que era do André.

Egas e Becas
(Ernie and Bert)

Gualter
(Grover)

Cocas
(Kermit the Frog)

Conde de Kontarr
(Count von Count)

Monstro das Bolachas
(Cookie Monster)

Rosinha
(Prairie Dawn)

João Esquecido
(Forgetful Jones)

Clementina
(Clementine)

Carlos Luz
(Guy Smiley)

Telmo
(Telly)

Lisa
(Mona)

Crespo
(Herry Monster)

Monstro das Duas Cabeças
(Two-Head Monster)

Óscar
(Oscar the Grouch)

Polly Darton
(Polly Darton)

Vaca Glória
(Gladys the Cow)

Sesame Street surgiu nos EUA em 1969, como forma de colmatar as desigualdades que existiam na preparação das crianças antes de irem para a escola. É um fenómeno que se mantém no ar há quase 5 décadas.

Doodle comemorativo dos 40 anos de Sesame Street (2009)

Rua Sésamo, a nossa adaptação de Sesame Street, surge 20 anos depois. Tratou-se de uma colaboração entre a RTP e a CTW (Children’s Television Workshop), atualmente designada por Sesame Workshop.

O programa foi já vendido para mais de 140 países e adaptado em cerca de 20, entre eles Portugal, onde houve uma forte adequação à nossa realidade.

Previamente à produção, foi realizada uma série de seminários, em que se reuniram especialistas de várias áreas do desenvolvimento infantil e da televisão para a infância, tanto de Portugal como dos PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa). O objetivo desses seminários era a explicação do processo de produção do programa e dos seus objetivos educativos. Participaram nesse evento, entre outros, Maria Emília Brederode Santos, Maria do Céu Roldão, Sérgio Niza, António Torrado, Ana Maria Vieira de Almeida, Bártolo Paiva Campos e Manuel Petróneo, que seria o produtor principal da série. Estiveram ainda presentes dois elementos da CTW.

Se7e (10/08/1988)

A equipa pedagógica e criativa esteve em Nova Iorque para escolher os segmentos de animação, bonecos manipulados e imagem real americanos que poderiam ser adaptados na série portuguesa, e ainda para se dar conta do percurso de produção pelo qual o projeto teria de passar. Durante 2 anos, equipas de guionistas, animadores, tradutores, compositores e pedagogos escreveram, desenharam, traduziram, musicaram, discutiram, corrigiram segmentos de estúdio, imagem real, canções e adaptações dos segmentos americanos.

Retrato de família: a equipa da Rua Sésamo

Ermelinda Duarte e Cláudia Cadima ficaram responsáveis pelas traduções dos segmentos americanos.

Rua Sésamo foi o primeiro programa a promover a aprendizagem da leitura e da escrita, para as crianças em idade pré-escolar.

Maria Emília Brederode Santos, diretora pedagógica da série, estabelecia os objetivos educativos que a mesma devia conter e organizava-os num alinhamento pedagógico que era entregue aos escritores e animadores, ao qual António Torrado – coordenador dos textos da primeira série – deu o nome doméstico de “folha de assentos”.

Foram sondadas algumas crianças do jardim de infância, para aferir acerca da eficiência dos vários segmentos junto do público-alvo.

Ao todo, foram produzidas quatro séries de Rua Sésamo, as duas primeiras com 130 programas e as duas últimas com 90.

Foi uma das produções mais caras da história da RTP. Só a primeira série custou o equivalente a 2 milhões de euros.

Por forma a abranger um maior número de crianças, o programa era exibido de manhã e à tarde. A determinada altura, foram introduzidas legendas nas reposições matinais.

Alguns sketches eram repetidos de forma sistemática, para que, se houvesse falhas de assiduidade da audiência, não se perdessem os objetivos, e também porque o método da repetição permitia às crianças uma melhor memorização de determinados aspetos.

A rua cenográfica construída na Tobis, da autoria de Moniz Ribeiro, foi considerada uma das mais fiéis à Rua Sésamo original.

Pensou-se no cenário como um jardim urbano tradicional – o Jardim da Parada, em Campo de Ourique, foi uma das referências – mas também como um sinal de modernidade, com as torres das Amoreiras, então muito polémicas, ao fundo.

Os bonecos da Rua Sésamo não nos eram totalmente estranhos, uma vez que a RTP exibira já alguns episódios de Sesame Street em 1976/1977, com o título de Abre-te Sésamo.

Nessa versão, alguns personagens tinham nomes diferentes daqueles a que nos habituámos mais tarde. Era o caso de Gualter, que se chamava Tobias, e do Monstro das Bolachas, que atendia pelo nome de Monstro Comilão.

Entre os atores que dobraram essa versão, estiveram João Lourenço (Becas / Monstro Comilão), João Perry (Egas / Cocas), José Gomes (Tobias) e Irene Cruz.

O sapo Cocas era também nosso velho conhecido da série Os Marretas (The Muppet Show).

Na adaptação da RTP, os sketches de marionetas eram os originais americanos, dobrados.

Já os bonecos que participavam nas sequências gravadas na “Rua”, foram criações portuguesas. Os manipuladores foram escolhidos num workshop feito por Kermit Love, um dos criadores dos bonecos dos Marretas.

O Poupas, papel equivalente ao Big Bird, simbolizava a criança de 5 anos: curiosa, ingénua, cheia de perguntas. Foi assim batizado por Maria Alberta Menéres.

Luís Velez, o bonecreiro do Poupas, via apenas por um aparelho de televisão que havia no interior do fato – o boneco era “cego”. Outro facto a que o telespetador mais atento não ficou alheio foi o de Poupas apenas movimentar a mão esquerda, já que a outra servia suporte à cabeça.

Já o Ferrão, um personagem resmungão, buscou inspiração noutra figura da versão original, o Oscar. Ao passo que este vivia num caixote do lixo, a casa do nosso Ferrão era um grande barril.

O nome do Ferrão surgiu quando, no decorrer de uma reunião em que se discutia o nome do personagem, entrou na sala o realizador Ruy Ferrão, que era visto como um senhor sisudo e maldisposto. António Torrado, então, sugeriu que o boneco adotasse o seu nome.

Na versão portuguesa, chegámos a ver o Óscar nos sketches que eram “importados”.

Por fim, a gata Tita, que apareceu apenas na segunda série, pela decisão de introduzir um elemento feminino, foi uma criação 100% portuguesa.

António Feio acumulou as funções de direção de atores e de direção de dobragens.

A equipa de dobragem integrou um vasto leque de atores, dos quais se destacam:

Adriano Luz – Cocas
Carlos Cruz – Carlos Luz
Cláudia Cadima – Vaca Glória / Clementina
Fernando Gomes – Conde de Kontarr / Crespo
Isabel Ribas – Polly Darton
José Jorge Duarte – Gualter / João Esquecido
José Pedro Gomes / Miguel Guilherme – Monstro das Duas Cabeças
Manuel Cavaco – Monstro das Bolachas / Telmo
Margarida Rosa Rodrigues – Lisa
Rui de Sá – Egas
Rui Paulo – Becas

Fernando Gomes, para além de dar vida ao personagem Zé Maria, também fez a voz do inesquecível Conde de Kontarr.

Fernando Gomes envergando uma t-shirt do Conde de Kontarr (2013)

Carlos Cruz deu voz ao apresentador de televisão cujo nome era inspirado em si, Carlos Luz.

Alexandra Lencastre, inicialmente, não gostava do nome da sua personagem – Guiomar –, que acabou por se tornar bastante popular.

Alexandra Lencastre com António Anjos

Foi propositadamente introduzido um personagem de origem africana – Gil (Pedro Wilson) –, que fosse identificado como um modelo positivo.

Na última série, verificaram-se algumas alterações a nível do elenco. Saíram o André (Vítor Norte), o Gil e a Guiomar.

No primeiro episódio, ficamos a saber que o André se mudara para uma oficina maior. É-nos igualmente dado a conhecer o destino de Gil, que fora exercer medicina para a sua terra.

António (Ricardo Monteiro) entrou para, de certa forma, ocupar o espaço deixado por estes dois personagens: por um lado, tomou conta da oficina e, por outro, simbolizava a presença afrodescendente.

A completar o elenco, deu-se a entrada de Ana (Rita Loureiro), uma espécie de “nova Guiomar”.

Carolina manteve-se na série, mas agora interpretada por uma outra atriz, Ana Luís Martins.

Houve igualmente alterações nas dobragens. Esta última série foi dobrada nos estúdios Somnorte, em Vila Nova de Gaia, porque os cachés foram significativamente reduzidos e o elenco original não aceitou dar continuidade ao trabalho. Houve, porém, uma preocupação no sentido de tornar as novas vozes próximas das antigas. A direção ficou a cargo de Emília Silvestre.

Entre os atores que deram as suas vozes nesta fase, estiveram:

João Paulo Seara Cardoso – Egas
Jorge Paupério – Gualter
Mário Moutinho – João Esquecido
Zélia Santos – Clementina

António Anjos faleceu pouco antes da estreia da 4.ª série. No primeiro programa, foi-lhe prestada uma pequena homenagem.

No que diz respeito aos segmentos de animação, algumas eram estrangeiros, outros portugueses. Foram encomendadas várias horas de animação, divididas em segmentos de 1 minuto.

A série contou com a colaboração do Ministério da Educação e da Direção Geral para a Cooperação.

Houve segmentos filmados em Portugal Continental, Madeira, Açores, África e Macau, mostrando assim uma diversidade de realidades.

A RTP contou igualmente com a adesão dos países africanos de expressão oficial portuguesa, desde logo interessados em participar na série, com vista à sua transmissão em África. Rua Sésamo funcionava como promoção da língua portuguesa e apoio ao desenvolvimento desses países.

Juntamente foi o lançamento do programa, a editora TV Guia iniciou a publicação da revista Rua Sésamo, que funcionava como complemento do que era visto na televisão. A revista tinha direção de Maria Emília Brederode Santos e coordenação de Clara Alvarez.

A TV Guia oferecia 500 exemplares de cada número, que eram distribuídos pelas embaixadas e centros culturais de cada um dos PALOP.

Apesar de o programa ter terminado em 1996, a revista manteve-se em circulação até 2000, num total de 130 edições.

Entre 1992 e 1993, a Edivídeo lançou uma coleção de quatro home videos intitulada As Minhas Histórias da Rua Sésamo.

Para este efeito, foram produzidas histórias inéditas, imaginadas por José Fanha e Violeta Figueiredo, e subordinadas a temas tratados na série, nomeadamente: o alfabeto, relações interpessoais, contagem de 0 a 10 e identidade.

A RBA Editores lançou uma coleção com 30 episódios da 1.ª série, primeiro em VHS e, mais tarde, em DVD. A mesma coleção, em que cada lançamento incluía um DVD e um livro, foi também vendida pelo Correio da Manhãalgum tempo depois.

Foram editadas várias coleções de livros com histórias vividas pelos personagens da Rua Sésamo.

O nosso Poupas era laranja, ao passo que o Big Bird original é amarelo. Visto que, nestas publicações, o pássaro aparecia com a sua cor original, o seu nome era traduzido para “Poupas Amarelo”, como se de um personagem diferente se tratasse.

Foram comercializadas, pela Europer, duas cadernetas de cromos.

Estas cadernetas não continham imagens reais do programa, apenas desenhos concebidos especialmente para este efeito.

As melhores canções exibidas no programa foram compiladas e editadas no mercado discográfico.

A fadista Cuca Roseta foi, aos 10 anos, intérprete de algumas das canções.

O tema original do programa, a partir do qual foi adaptada a canção portuguesa do genérico, é da autoria de um luso-descendente, Joe Raposo.

Maria Emília Brederode Santos, especialista em Ciências da Educação, lançou, em 1991, o livro Aprender com a Televisão – o Segredo da Rua Sésamo, onde dissertou acerca dos aspetos didáticos deste programa.

Mas nem tudo foram rosas na produção da Rua Sésamo. Em junho de 1989, durante as filmagens de um documentário sobre o Rio Mondego, na Figueira da Foz, despenhou-se um helicóptero, acidente que provocou a morte de 5 pessoas, incluindo 3 profissionais da RTP.

Jornal de Notícias (18/06/1989)

Depois de descontinuar a produção da Rua Sésamo, a RTP produziu outros dois programas didáticos que, no formato, a ela muito se assemelham: Jardim da Celeste (1997-2000) e Ilha das Cores (2007-2009). Foram reaproveitadas algumas sequências de animação anteriormente exibidas na Rua Sésamo.

Em 2007, a RTP estreou Play with Me Sesame, um spin off de Sesame Street, usando novamente o título Abre-te Sésamo.

Maria Emília Brederode Santos foi convidada de Ana Sousa Dias no programa Por Outro Lado, em 2002, em que Rua Sésamo preencheu grande parte da entrevista.

Em 2007, em entrevista ao programa Heranças d’Ouro, apresentado por Maria João Gama, Fernanda Montemor recordou o espírito de camaradagem vivido nas gravações.

Em 2009, como forma de comemoração dos 40 anos de Sesame Street e dos 20 anos de Rua Sésamo, a RTP Memória produziu um programa especial sobre a série.

Operação Especial, exibido no dia 29/11/2009, foi apresentado por Carlos Pinto Coelho, um dos principais impulsionadores do projeto, que soube precisar a data em que este nasceu: foi no dia 04/02/1986, quando tomou posse como diretor de programas. Neste dia, foi contactado pelo realizador Fernando Lopes, que lhe apresentou uma proposta da CTW à RTP para produção da sua adaptação de Sesame Street, que há anos se encontrava arquivada.

Carlos Pinto Coelho

A primeira pessoa a quem Carlos Pinto Coelho falou da Rua Sésamo foi Clara Alvarez, que viria a ser coordenadora do projeto.

José Fanha falou do desafio de escrever os textos tendo como limitadores, por um lado, os objetivos pedagógicos da série; e, por outro, as orientações da CTW, que tinham de ser rigorosamente cumpridas. Estes objetivos foram desenvolvidos para irem de encontro a uma população heterogénea, incluindo os PALOP.

Teresa Paixão, que esteve na Rua Sésamo desde o princípio, inicialmente como autora dos documentários, assumiu mais tarde um papel preponderante, quando se tornou diretora do departamento de programas infantis e juvenis – estava a Rua Sésamo na 3.ª série.

Ramón Galarza foi o autor das centenas de músicas apresentadas na Rua Sésamo. Foi também quem adaptou o genérico a partir do tema original americano.

António Feio recordou que este foi o seu primeiro trabalho enquanto diretor de dobragens, e nesse domínio a sua grande preocupação foi manter o elevado nível de qualidade do áudio original. A equipa contou com o apoio de 3 linguistas, que procuravam o maior rigor possível na linguagem utilizada.

Fernanda Montemor relembrou o sucesso da Avó Chica e o ambiente de companheirismo que se vivia entre os atores.

Luís Velez, o bonecreiro do Poupas, recordou o esforço físico que implicava manipular o Poupas, já que tinha de ficar permanentemente com o braço direito levantado.

José Poiares, produtor e realizador da última série, frisou a importância da Rua Sésamo para outros programas que se seguiriam, nomeadamente o Jardim da Celeste.

Maria Emília Brederode Santos não esteve em estúdio, mas deu um depoimento sobre a sua importante participação no programa.

Clara Alvarez
Ramón Galarza
Luís Velez
José Fanha
António Feio
José Poiares
Teresa Paixão
Fernanda Montemor
Maria Emília Brederode Santos

Na RTP 2, um dia antes, foi exibida uma sessão extraordinária do programa 7 Palmos de Testa, conduzido por Ana Zanatti, com a presença de jovens de alguma forma ligados à Rua Sésamo.

Rua Sésamo foi recordada na rubrica Agora, Memórias, no programa Agora Nós de 14/09/2016. Serenella Andrade teve como convidado Vítor Norte.

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Rua Sésamo