Sabadabadu

Exibição:
07/11/1981 – 27/03/1982 (RTP 1)

Número de programas:
12

Um programa de:
César de Oliveira
Melo Pereira

Supervisão:
António Andrade
César de Oliveira
Melo Pereira
Nuno Teixeira
Luís Andrade
José Manuel Rodrigues

Textos:
César de Oliveira

Produção musical:
Melo Pereira

Realização:
Nuno Teixeira
Luís Andrade

Elenco:
Camilo de Oliveira
Ivone Silva
Vítor de Sousa
António Feio
Manuela Queiroz

Sabadabadu é um programa de boa música e bom humor, que se propõe a divulgar a música portuguesa e a divertir sem aborrecer ninguém.

O piano bar
A proprietária do bar é dona Clotilde, que nunca larga a sua boquilha. O barman atende pelo nome de Máximo. Embora a patroa tenha um génio difícil, Máximo submete-se a todas as suas vontades, pois nutre por ela uma velada paixão.

Este quadro é a ‘coluna vertebral’ de Sabadabadu: com ele se inicia o programa e dele partem os restantes apontamentos.

Padre Pimentinha
O padre Pimentinha, com o que ouve dos fiéis, passa a vida exclamar que “isto é que vai uma crise”!

O amor é…
Este quadro retrata até que ponto é possível aguentar a convivência prolongada com alguém que se detesta. Protagonizado por um casal de idosos que viveram toda uma vida sem nunca deixar de lado os insultos e as pragas.

Madame Sarita
Consultório sentimental em que Madame Sarita dá conselhos às mulheres que lhe enviam cartas, geralmente dando-lhes dicas de como se livrarem dos maridos.

Zé Lusitano
Pedinte de profissão, Zé Lusitano não se contenta em pedir dinheiro – quer ser o que pede melhor!

O Partidinhas
Sempre pronto a fazer das suas, o Partidinhas deleita-se em ligar para entidades públicas, colocando perguntas para as quais ninguém encontra resposta.

Henriqueta dos Bigodis
Henriqueta é uma cabeleireira desbocada, perita em dizer o que bem quer e lhe apetece às suas clientes. Até porque “dizer mal não custa, o que custa é saber dizer”.

Estátua erguida em homenagem à dona de casa
Uma homenagem à dona de casa e às contrariedades do dia-a-dia por ela enfrentadas.

Comentário da semana
Quadro que antecede o encerramento do programa, em que um jornalista, interpretado por Vítor de Sousa, dá a conhecer algum acontecimento importante do país. No final, leva sempre um estalo na cara.

Os Agostinhos
Agostinho e Agostinha, dois bêbados incorrigíveis, interpretam uma cantiga sobre o (mau) estado da nação.

1. (07/11/1981)

Convidados:
Tonicha


2. (14/11/1981)

Convidados:
Doce
Samuel
Manuel Freire
Coro Juvenil da TAP
Ana Lúcia
Carlos Alberto Moniz


3. (21/11/1981)

Convidados:
Francisco Nicholson
Adelaide Ferreira
Paulo de Carvalho


4. (05/12/1981)

Convidados:
Simone de Oliveira
Joel Branco


5. (12/12/1981)

Convidados:
Carlos Paredes
Fernando Tordo
Rui Veloso


6. (19/12/1981)

Convidados:
Paco Bandeira
Hermínia Silva
Raízes


7. Especial Ano Novo (31/12/1981)

Convidados:
Tônia Carrero
Maria Emília Correia
Natália de Sousa
Carlos Paião
Alexandra
Grupo de Baile
Marco Paulo
Paulo Alexandre
Terra a Terra
Táxi
CTT
Lena d’Água & Atlântida
António Mourão
Maria Armanda
Victor Espadinha


8. (06/02/1982)

Convidados:
Rita Ribeiro
Maranata
Eugénia Melo e Castro


9. (13/02/1982)

Convidados:
Lara Li
Carlos Quintas


10. (20/02/1982)

Convidados:
Delfina Cruz
Ouro Negro
Lena d’Água

Em Capitão Roby dos Bosques:
Leonor Poeira
Jorge Nery
João de Carvalho
João Rodrigo


11. (27/02/1982)

Convidados:
Teresa Tarouca
Rodrigo
Magda Cardoso
Joel Branco

Manuel Cavaco
Jorge Nery
João de Carvalho
João Rodrigo


12. Melhores momentos (27/03/1982)

César de Oliveira, criador de Sabadabadu, estivera já ligado a algumas figuras de sucesso na televisão, como o Sr. Contente e o Sr. Feliz (Nicolau no País das Maravilhas) e a Tia Eva (Eu Show Nico).

César de Oliveira

Sabadabadu juntou dois dos nomes mais sonantes do humor português: Ivone Silva e Camilo de Oliveira, que se encontrava afastado da televisão há 20 anos.

César de Oliveira não escondia que Ivone Silva era a sua atriz de eleição e que tinham um entrosamento perfeito. Em televisão, tinham já trabalhado juntos nos programas A Feira e Auto-retratos.

Ivone Silva em depoimento sobre César de Oliveira, no programa Artistas (1982)

No primeiro programa, Camilo de Oliveira personificou Eça de Queirós, aparecendo a aplaudir a peça A Tragédia da Rua das Flores, cujo elenco era encabeçado por Simone de Oliveira, no papel de Genoveva. Ivone Silva (como Clotilde) e o realizador, Nuno Teixeira, foram vistos entre a plateia.

Na semana seguinte, foi de destacar a presença da pequena Ana Lúcia (Lúcia Moniz), numa das suas primeiras aparições em televisão, mostrando que é de pequenino que se torce o pepino.

No terceiro programa, Francisco Nicholson interpretou um sketch vestido de negro e de baiana, em que foram citadas praticamente todas as telenovelas brasileiras que tínhamos visto até à altura.

Na passagem de 1981 para 1982, foi exibido um Sabadabadu especial de fim de ano, que teve como convidada principal a atriz Tônia Carrero.

No dia 09/01/1982, foi exibido um compacto com os quadros mais conseguidos deste especial.

Em seguida, o programa sofreu um interregno, por motivo de doença de César de Oliveira, regressando à antena da RTP em fevereiro. Nesta segunda fase, a realização ficou a cargo de Luís Andrade, em substituição de Nuno Teixeira, que fora destacado para a primeira telenovela portuguesa, Vila Faia.

A frase que era proferida no final do Comentário da semana, após Vítor de Sousa levar um estalo (“Foi você que pediu um estalo na cara?”), era uma sátira ao anúncio do vinho Porto Ferreira (“Foi você que pediu um Porto Ferreira?”).

No último programa, o apresentador vingou-se, sendo ele a dar o estalo na cara.

O último programa iniciou-se com um agradecimento de Camilo de Oliveira e César de Oliveira a toda a equipa que tornou possível o sucesso de Sabadabadu.

Ivone Silva e Camilo de Oliveira também apareceram “ao natural”, despedindo-se pessoalmente do público.

A última cena reuniu as principais figuras de Sabadabadu: o padre Pimentinha celebra o matrimónio de Clotilde e Máximo; os padrinhos são Zé Lusitano, Henriqueta dos Bigodis e os Agostinhos.

Os Agostinhos estiveram presentes no Festival RTP da Canção de 1982, transmitido a 06/03/1982 – uma semana após o último Sabadabadu – onde anunciaram as diversas canções concorrentes. O clássico refrão “isto é que vai uma crise” foi adaptado para “isto é que vai uma festa”!

A dupla Agostinho e Agostinha foi, talvez, o quadro de maior sucesso do programa, sendo dos mais recordados até hoje. Lamentavelmente, decorridos mais de 30 anos, as letras das suas canções continuam atualíssimas: “isto é que vai uma crise”…

Apesar da crise, os Agostinhos conseguiram lançar-se no mercado discográfico.

Foi feita uma montagem especial, intitulada Sabadabadu – About Women, reunindo dois momentos marcantes de SabadabaduMulher Fatal, com Rita Ribeiro; e A Severa, com Magda Cardoso e Joel Branco.

Embora nunca tenha sido visto na RTP, este programa recebeu uma menção honrosa no Festival Rose d’Or, em Montreux.

Em entrevista ao programa No Ar – A História da Rádio em Portugal, Isabel Wolmar contou que teve a oportunidade de representar a RTP no festival desse ano e que todos os elementos do júri se renderam aos encantos de Sabadabadu.

Uma das peças da montagem – Mulher Fatal – mereceu um comentário por parte de Luís Andrade, no programa Estórias da TV emitido em 29/10/2012, na RTP Memória. O realizador comentou que esta passagem foi escrita de última hora por César de Oliveira e gravada pela noite dentro, com uma grande dose de improviso.

Falou-se da possibilidade de realização de uma segunda série, mas tal não foi possível por indisponibilidade de Ivone Silva. Em contrapartida, foi gravado, em 1983, o programa Allegro, também da autoria de César de Oliveira, tendo como figuras centrais Camilo de Oliveira e Luísa Barbosa.

Em 1989, foram repostos 5 programas, entre 29/07 e 26/08.

Dos 12 programas produzidos, nem todos têm sido transmitidos na RTP Memória. Aparentemente, perderam-se os programas 4, 5 e 6.

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