Telhados de Vidro

Exibição:
22/02/1993 – 12/08/1993 (TVI)

Número de capítulos:
120

Novela de:
Rosa Lobato de Faria

Direção musical:
Luís Pedro Fonseca

Direção de atores:
Tozé Martinho

Produtor delegado:
Hermenegildo Ferreira

Realização:
Carlos Coelho da Silva

Produção:
Atlântida

Elenco:
Adriana Barral – Isabel
Alexandra Diogo – Cláudia
Alexandra Leite – Elena Sardi
Anabela Marcelo – Enfermeira de noite
Anabela Quental – Zilda
André Maia – Viriato Esteves
Brian Bowyer – Ben
Carla Cristina – Laurinha Duarte Santos
Carlos Coelho – Tio Max
Carlos Dias – Inspetor Leal
Carlos Pimenta – Cipriano Alves
Carlos Santos – Armando Lúcio
Carmen Santos – Henriqueta Vieira
David Marle – Afonso Silvã de Melo
Eugénia Bettencourt – Maria Clara Esteves
Fernando Soares – Alfredo
Filomena Gonçalves – Rosário Vieira
Gonçalo Nuno Durão – Júlio
Isabel Baleiras – Anabela
Isabel Quental – Rosa
Jacinto Ramos – António Cortesão Vaz
João Maria Ameal – Zana
João Ricardo – Faneca
João Rodrigo – Juvenal Vieira
Jorge Féria – Ricardo Laranjeiro
José Boavida – Jorge Malheiros
José Ochôa – Salvador Silvã de Melo
Luís Matta – Zé Maria Duarte Santos
Luís Zagallo – Xavier
Lurdes Lima – Suzete
Mané Ribeiro – Madalena Silvã de Melo
Manuel Castro e Silva – Arlindo
Manuela Carlos – Carolina Duarte Santos
Manuela Carona – Pilar Silvã de Melo
Manuela Marle – Eveline Santiago
Margarida Reis – Joana Simões
Maria João Miranda – Maria Silvã de Melo
Mariana Rebelo de Sousa – Teresa Silvã de Melo
Mário Jacques – Fábio Sardi
Marta Ribeiro e Castro – Francisca Alves
Miguel Sobral – Zé Paulo Duarte Santos
Natalina José – Tia Vitória
Nuno Figueira – João Simões
Pedro Barão – Valentim Romão Dias
Rita Alagão – Ana Sofia Silvã de Melo
Rosa Lobato de Faria – Suzana Sardi
Rui Luís Brás – Renato Sardi
Ruy Siqueira – Paulo Esteves
Sancha Costa Ramos – Estrela
Sofia Grillo – Luísa
Sofia Lukeni – Ana Maria
Sylvie Rocha – Lídia
Tareka – Marta
Teresa Miguel – Micaela Chaves
Teresa Negrão – Chinita
Tozé Martinho – Henrique Batalha
Vítor de Sousa – Jacinto

Em flashback:
Artur Salvador – Juvenal Vieira
Carla Lupi – Henriqueta Vieira
Carla Salgueiro – Suzana
Carlos Gomes – António Cortesão Vaz
Luís Moreira – Fábio Sardi
Manuel Costa – Viriato Esteves
Paulo Portela – Xavier
Rosarinho Dâmaso – Maria Clara Esteves

Participações especiais:
José Braz – Dono da loja onde Estrela se emprega
Augusto Leal – Técnico de laboratório
António Aldeia – Agente da PJ
Ana Maria Magalhães – Acompanhante de Madalena nas ações de caridade
Cláudia Negrão – Rececionista da Estalagem da Moura Branca
Rui Fernandes – Cliente da Vazotel

O início da trama remete-nos para a empresa Vazotel, um dos mais sólidos impérios da construção hoteleira do país. À frente da empresa está António Cortesão Vaz (Jacinto Ramos), empresário de velhos hábitos, sedutor compulsivo e autoritário, a quem os colaboradores apelidam de “Dragão Vaz”. À beira dos 78 anos, é acometido por uma pneumonia que inspira cuidados. Na ausência de uma enfermeira capaz de lidar com o seu feitio arrevesado, é chamada Carolina (Manuela Carlos), que aspira regressar à profissão após uma longa temporada como dona de casa. O primeiro encontro é insólito: impressionado pela beleza da enfermeira, o empresário faz-lhe um pedido extravagante e inconveniente: deseja contemplá-la em sua casa, durante não mais de uma hora. Carolina jura nunca mais voltar, mas, ainda assim, a sua presença – e a possibilidade de um reencontro – fazem-no ponderar alterar o testamento.

António Cortesão Vaz e Carolina

Maria Clara (Eugénia Bettencourt), secretária que outrora fez também as vezes de amante, suporta desprezos e humilhações porque acredita ser a única herdeira do vasto património do patrão. Conhece o testamento que lhe deixa a empresa e partilha as suas contas de cabeça com o irmão Viriato (André Maia), paralisado por um acidente de carro do qual saiu paraplégico. O interesseiro aponta o dedo da culpa a Maria Clara e cobra-lhe o fardo de ter agora a cadeira de rodas como parte integrante do corpo. Para abocanhar a herança, Viriato é capaz de tudo. Tendo Cortesão Vaz na mira, a dupla de irmãos decide antecipar-lhe a morte, fazendo-a parecer casual, fruto de um ataque cardíaco.

Maria Clara
Viriato

No dia em que a história começa, António recebe a visita inesperada de uma antiga governanta, Henriqueta (Carmen Santos). Da conversa secreta resulta a contratação de Juvenal (João Rodrigo) e de Rosário (Filomena Gonçalves), marido e filha de Henriqueta, para trabalharem na Vazotel.

Juvenal e Henriqueta

Após a morte de António, Maria Clara sente-se dona da empresa e comete abusos de poder, antes mesmo de o testamento ser oficialmente aberto. Entre eles, tenta despedir Rosário – que encontra em Jorge Malheiros (José Boavida) um protetor, movido por um carinho que ultrapassa o dever profissional –, sem imaginar que a nova rececionista é, na verdade, a filha ilegítima de Cortesão Vaz.

Jorge e Rosário

A abertura do testamento causa grandes perturbações. O documento é “salomónico” e, ao contrário do que se supunha, contempla a ex-mulher Suzana (Rosa Lobato de Faria), a enfermeira Carolina, a telefonista Rosário e alguns empregados, deixando a Maria Clara “apenas” uma casa de férias na Ericeira.

Começa aqui, então, a vingança sistemática de Viriato e Maria Clara, que vão, pontualmente, atingir as herdeiras e respetivas famílias nos seus pontos nevrálgicos, servindo-se, para tal, dos “telhados de vidro” de cada um.

Um dos alvos a abater será Suzana Sardi, que se divorciou de Cortesão Vaz há 30 anos, após se apaixonar por Paulo Esteves (Ruy Siqueira), sócio do marido e tio de Maria Clara e Viriato. Idealista de esquerda, Paulo foi denunciado por António à PIDE e enviado para o Tarrafal. Marcada por esse amor interrompido, Suzana casou depois com Fábio Sardi (Mário Jacques), de quem teve dois filhos: Elena (Alexandra Leite), pintora, e Renato (Rui Luís Brás), arquiteto que trabalha na Vazotel.

Suzana e Fábio
Elena e Renato

Na empresa destacam-se ainda Henrique Batalha (Tozé Martinho), arquiteto envolvido num eterno romance adiado com Joana Simões (Margarida Reis), diretora de relações públicas, e Jacinto (Vítor de Sousa), excêntrico decorador e amigo fiel de Elena.

Henrique e Joana
Jacinto

Carolina, por seu lado, enfrenta em casa o desmesurado ciúme do marido, Zé Maria (Luís Matta), que não aceita o regresso da mulher ao trabalho e muito menos a proximidade ao universo de Cortesão Vaz.

Carolina e Zé Maria

Longe destes holofotes, no pacato bairro da Graça, cruzam-se outras vidas. Ricardo (Jorge Féria), antigo namorado de Rosário, vive sob a sombra de negócios ilícitos com o comparsa Valentim (Pedro Barão). Após a morte da sua tia Felismina – que sempre fora conhecida pela atenção que dedicava a crianças sem lar – descobre-se que esta amealhara fortuna através do tráfico de menores para os Estados Unidos. Suzete (Lurdes Lima) e Arlindo (Manuel Castro e Silva), cúmplices do esquema, tentam continuar o negócio traficando Zana (João Maria Ameal), mas a operação corre para o torto.

Suzete e Arlindo

O menino é acolhido por Chinita (Teresa Negrão), órfã criada por Max (Carlos Coelho) e Vitória (Natalina José), donos de um snack-bar de bairro.

Zana e Chinita
Vitória e Max

A candura de Chinita conquista Renato, que abandona o namoro com Isabel (Adriana Barral), secretária da Vazotel, e se encanta pela jovem. Ricardo acabará por refazer a vida ao lado de Estrela (Sancha Costa Ramos), prima de Rosário. Pelo café circula também Ana Maria (Sofia Lukeni), com uma história de vida parecida com a de Chinita e a quem o destino parece querer apaziguar, entregando-lhe um futuro risonho.

Renato e Chinita
Estrela e Ricardo

No decorrer da história, surge a revelação de que Eveline Santiago (Manuela Marle), há muito a viver fora do país, detém uma boa parte das ações da Vazotel. E uma ferida do passado reabre-se quando regressa a Portugal e descobre que o filho que julgava morto está afinal vivo, levando-a a procurar a sua verdadeira identidade.

Eveline

Enfim, sob telhados de vidro acumulam-se segredos e enredos que uma vida tem; e os receios crescem à espera da pedra que lá vem, capaz de estilhaçar os frágeis enleios.

Vazotel

António Cortesão Vaz (Jacinto Ramos)
Milionário com 77 anos, dono e senhor da Vazotel. Os colaboradores apelidam-no de “Dragão Vaz”. Temperamental e misógino, encanta-se por qualquer rabo-de-saia. Tem uma relação enfadada com Maria Clara, que já foi mais do que sua simples secretária. Foi casado com Suzana Sardi. A braços com uma pneumonia, fica anestesiado com a beleza da enfermeira Carolina, a quem deseja contemplar demoradamente. Com a morte à porta e sem herdeiros diretos, decide alterar o testamento – uma decisão que leva Maria Clara à beira da loucura.

Henrique Batalha (Tozé Martinho)
Arquiteto e diretor na Vazotel. Divorciado, tem bem vincado o perfil do “eterno solteirão”. Vive um romance em banho-maria com Joana Simões.

Joana Simões (Margarida Reis)
Diretora de Relações Públicas da Vazotel. Amiga de Carolina. É a “eterna namorada” de Henrique, cujos passos vigia constantemente, fervilhando de ciúmes.

Jorge Malheiros (José Boavida)
Procurador e confidente de Cortesão Vaz. É o único a quem o velho conta a intenção de mudar o testamento. Será uma peça-chave na integração de Rosário na Vazotel, um apoio que rapidamente se transforma em paixão.

Jacinto (Vítor de Sousa)
Decorador excêntrico e exagerado. Tem uma língua afiada para destratar toda a gente e comentar a vida alheia. Adora uma boa fofoca e diz ser capaz de virar arara sempre que clientes embirram com ele, logo ele que acredita ser a crème de la crème da decoração. Tem adoração por Elena Sardi. Vive com a mãe.

Isabel (Adriana Barral)
Datilógrafa na Vazotel. Vive um romance com Renato, sendo sua cúmplice em pequenos golpes dados na empresa. Torna-se amiga de Rosário e sua secretária particular. Vai viver uma relação mais madura.

Cláudia (Alexandra Diogo)
Rececionista. Entra em licença de maternidade no início da novela, sendo temporariamente substituída por Rosário.

Anabela Nogueira (Isabel Baleiras)
Secretária no gabinete de projetos. Veio do terceiro andar para render Isabel. Depressa demonstra que ninguém lhe faz o ninho atrás da orelha e cria uma certa animosidade com Renato. Reivindicativa, leva muito a sério a ingestão constante de cafeína. Tem na ponta da língua uma máxima que a define: “Eu não sou casada, mas tenho a minha vida”.

Armando Lúcio (Carlos Santos)
É o tesoureiro do Grupo Desportivo da Vazotel e um fiel escudeiro de Maria Clara, sendo, aliás, a única pessoa com quem a secretária se dá.

Lídia (Sylvie Rocha)
Funcionária do bar. Com as mudanças na Vazotel, é promovida a rececionista.

Família Vieira

Rosário Vieira (Filomena Gonçalves)
Vinte anos, dona de uma beleza sem artifícios. Completou o 12.º ano e o trabalho chamou-a, impedindo-a de tirar um curso superior. Namora há algum tempo com Ricardo. Através de uma cunha da mãe a Cortesão Vaz, entra para a Vazotel como rececionista. Tem os pés assentes na terra, mas não se conforma com aquilo que a vida lhe oferece.

Henriqueta Vieira (Carmen Santos)
Foi governanta de Cortesão Vaz, por quem guarda afeto e carinho. Afirma que ele lhe deve alguns favores e, clamando por eles, consegue que o velho empregue Juvenal e Rosário na Vazotel, numa conversa mantida no mais profundo secretismo. É uma mulher sensível, simples e educada.

Juvenal Vieira (João Rodrigo)
Encarregado de uma tipografia. É mandado embora após a morte do patrão, numa altura em que alimentava a esperança de poder vir a ser promovido. Foi jardineiro na casa de António. Conhece bem o feitio de Maria Clara e de Viriato. Homem honrado e com uma honestidade à prova de bala, faz do escrúpulo bandeira.

Estrela Paiva (Sancha Costa Ramos)
Prima de Rosário. Vem de uma aldeia em Abrantes à procura de uma vida melhor na capital. Tem pouco de saloia e muito de espevitada. Emprega-se como vendedora de meias numa loja de roupa masculina e está sempre a arranjar forma de faltar ao trabalho. Adora cinema e sente o desejo de ser polícia.

Família Sardi

Suzana Sardi (Rosa Lobato de Faria)
Parece ser uma criança em corpo de adulto. É etérea, sonhadora e alheada da realidade. Foi casada em primeiras núpcias com Cortesão Vaz e, nesse período, viveu uma paixão avassaladora por Paulo Esteves, sócio do marido. Casou-se com Fábio Sardi logo após o divórcio. Tem pavor dos 50 anos e anseia fazer uma operação plástica. Está permanentemente em dieta, mas nunca a cumpre. Detesta que a tratem por “dona Suzana”. Às vezes, é Rosa, uma das empregadas, quem a chama de volta à realidade. Vai descobrir em si a vontade de ser escritora.

Fábio Sardi (Mário Jacques)
Cirurgião renomado de origem italiana. Marido de Suzana e pai de Renato e de Elena. Tem riso fácil e diverte-se com os devaneios da mulher.

Elena Sardi (Alexandra Leite)
Pintora em crise de inspiração. Tem o nome (sem H) que herdou da avó, bem como a franja. Teme tornar-se fútil como a mãe. Encanta-se com o menino Zana. Desabafa em conversas de rapapés com Jacinto, a quem pede recomendações e sugestões para a reforma do apartamento onde vive.

Renato Sardi (Rui Luís Brás)
Arquiteto, conseguiu o emprego na Vazotel por uma cunha de Cortesão Vaz. Se a vida lhe permitisse, o trabalho seria a última das suas prioridades. Encanta-se por Chinita, numa relação que desafia as convenções sociais.

Rosa (Isabel Quental)
Empregada e confidente de Suzana. Antes de trabalhar em casa dos Sardi, foi empregada num consulado.

Zilda (Anabela Quental)
Empregada da família Sardi. Com a passagem da cozinheira Estefânia à reforma, passa a acumular também essa função. Comenta com Rosa o dia-a-dia dos patrões e, embora mais contida do que a colega, parece gostar da patroa.

Júlio (Gonçalo Nuno Durão)
Era motorista de Cortesão Vaz. Com a sua morte, passa a guiar o carro da família Sardi. É namorado de Rosa, com quem pretende casar-se.

Família Esteves

Maria Clara Esteves (Eugénia Bettencourt)
Secretária e ex-amante de Cortesão Vaz, que a humilha constantemente, chamando-a de sonsa e mal-encarada. É uma espécie de cão de guarda da vida do patrão, acreditando piamente que ele ainda a estima e a tornará a sua única herdeira. Azeda, mandona e intolerante, coleciona inimizades entre os colegas, ao mesmo tempo que se deixa dominar por completo pelo irmão Viriato. Apesar do ar altivo e do nariz empinado, a sua inteligência parece curta, dando a ideia de que teme a sua própria sombra.

Viriato Esteves (André Maia)
Sádico, manipulador, é um estratega nato, um jogador de xadrez. Em miúdo, era um aluno brilhante, um “coca-bichinhos”, curioso por saber o porquê das coisas. Um acidente de carro atirou-o para cima de uma cadeira de rodas e, ressabiado, culpa a irmã pelo sucedido. Não esconde a vontade de mandar e desmandar em todos quantos se cruzam no seu caminho. Crápula, vai confessando para um gravador portátil as suas artimanhas e os esquemas para tornar Maria Clara na herdeira única de Cortesão Vaz.

Paulo Esteves (Ruy Siqueira)
Tio de Maria Clara e de Viriato, de quem não tem as melhores recordações. Comunista ferrenho, teve um caso com Suzana, o que lhe custou uma temporada no Tarrafal, numa cortesia enciumada de António. A PIDE prendeu-o na casa da Ericeira e pensou-se que morrera no desterro.

Família Duarte Santos

Carolina Duarte Santos (Manuela Carlos)
Enfermeira, está há alguns anos sem exercer a profissão, dedicando-se integralmente às atividades do lar, ao marido e aos dois filhos. Sente que a sua vida é vazia, o que a faz ter vontade de regressar ao trabalho. É amiga de Joana Simões. Um simples trabalho de aplicação de injeções em Cortesão Vaz vai mudar-lhe a vida.

Zé Maria Duarte Santos (Luís Matta)
É gráfico numa agência. Tem um ciúme doentio da mulher e irrita-se sempre que ela fala na possibilidade de trabalhar fora. Resmungão e de feitio azedo, é um homem tradicional e antiquado.

Zé Paulo Duarte Santos (Miguel Sobral)
Desenhador de banda desenhada. Namora com Ana Sofia. Vai criar uma personagem, a Alzira, que lhe vai dar enorme prazer profissional.

Laurinha Duarte Santos (Carla Cristina)
Aplicada nos estudos, ganha uma bolsa para estudar nos EUA. No entanto, vai ver-se em maus lençóis, como resultado de um plano arquitetado contra Carolina.

Família Silvã de Melo

Salvador Silvã de Melo (José Ochôa)
Médico anestesista, trabalha com Fábio Sardi.

Pilar Silvã de Melo (Manuela Carona)
Típica senhora do jet set. Mãe extremosa de cinco filhos, que trata com desvelo e a quem cedo ensinou os sacrifícios da vida, criando-os sem empregada.

Ana Sofia Silvã de Melo (Rita Alagão)
Namorada de Zé Paulo. Desencanta-se com os estudos, preferindo abandonar a faculdade e procurar um emprego, para se poder casar mais rapidamente.

Madalena Silvã de Melo (Mané Ribeiro)
Fez o 12.º ano e decidiu não prosseguir com os estudos, preferindo ficar em casa para ajudar os pais e os irmãos. É também voluntária em ações de cariz social e solidário. Sonha em trabalhar com a Madre Teresa de Calcutá.

Teresa Silvã de Melo (Mariana Rebelo de Sousa)
A filha do meio. Acha-se gorda, horrível e egoísta, fazendo questão de o cantar aos quatro ventos.

Afonso Silvã de Melo (David Marle)
Tem uma picardia saudável com Teresa, implicando com os seus “quilinhos a mais”. Adora animais.

Maria Silvã de Melo (Maria João Miranda)
A filha mais nova. Tem algumas dificuldades com a ortografia.

Café (Graça)

Chinita (Teresa Negrão)
Nome de batismo: Maria da Conceição. Foi abandonada pela mãe biológica e acolhida por Max e Vitória, que lhe deram um lar. De sorriso contagiante, ajuda no café dos pais adotivos. Vai conhecer o amor com Renato.

Tia Vitória (Natalina José)
Cozinheira aprumada e vivaça, tem um casamento feliz com Max.

Tio Max (Carlos Coelho)
Dono do café. É um poeta popular, soltando rimas de improviso que colocam os fregueses bem-dispostos.

Ricardo (Jorge Féria)
Namorado de Rosário no início da história. Vive de negócios pouco claros. Descobre que a sua falecida tia, Felismina, recolhia crianças abandonadas para as vender a uma organização criminosa. Tenta endireitar a vida abrindo uma pequena papelaria, num anexo que arrenda a Max.

Valentim (Pedro Barão)
Amigo e comparsa de Ricardo. Não é “flor que se cheire”. O interesse por Ana Maria oferece-lhe uma hipótese de regeneração, que ele parece querer desperdiçar.

Ana Maria (Sofia Lukeni)
Amiga de Chinita. Foi criada por Felismina e, por ser um pedaço de gente em bebé, ganhou o apelido de “bocadinho”. Vive resignada com a vida que tem, embora nem sempre consiga esconder a amargura por ter sido abandonada.

Alfredo (Fernando Soares)
Frequentador do café.

Outros

Zana (João Maria Ameal)
Miúdo de três anos que perdeu a mãe no parto. Foi deixado ao acaso em casa de vizinhos e esteve prestes a virar “mercadoria” nas mãos de Suzete e de Arlindo. A sua ternura encanta Chinita e Elena, acirrando a disputa pela sua guarda. Suzana insiste em chamar-lhe Bernardo.

Eveline Santiago (Manuela Marle)
Possidónia e emproada, encarna na perfeição o papel de “tia”. Viveu em inúmeros países, residindo atualmente na Suíça, onde mora a sua mãe, com quem tem sérios atritos. É casada com um magnata, Paulo, numa relação sem filhos. Hospeda-se em casa dos Sardi, embora não os conheça; compra guerras com os anfitriões e com a criadagem, pois todos a consideram insuportável. Sabe-se que foi mãe aos 17 anos. Os pais, católicos beatíficos, obrigaram-na a esconder a gravidez e disseram-lhe que a criança morrera no parto.

Xavier (Luís Zagallo)
Ex-motorista de António Cortesão Vaz. Pertence a uma rede internacional de tráfico de estupefacientes. Reaparece de forma assustadora na vida de Suzana, chantageando-a por algo de terrível que terá feito a seu mando. Alia-se a Viriato, de quem se torna cúmplice.

Micaela (Teresa Miguel)
É uma das agentes ao serviço de Xavier. Com ares de mulher-fatal, usa o seu charme como isco, provando ser ardilosa.

Suzete (Lurdes Lima)
Trabalha para a mesma organização criminosa que Xavier, sequestrando crianças que são traficadas para o estrangeiro. O seu visual exuberante e a sua pose de vilã de pacotilha dão-lhe um ar quase cómico, que encobre a gravidade dos seus crimes.

Arlindo (Manuel Castro e Silva)
Comparsa de Suzete. É um sujeito imoral, com um temperamento violento e perigoso.

Cipriano Alves (Carlos Pimenta)
Advogado responsável pelo testamento de Cortesão Vaz. Viúvo, corteja Isabel.

Francisca Alves (Marta Ribeiro e Castro)
Filha de Cipriano. Vive com a avó materna no Alentejo. Aproxima-se de Isabel, incentivando o seu casamento com o pai.

Marta (Tareka)
Avó de Francisca. Descobre-se que é prima direita de Suzana, com quem não tem uma relação fácil. É casada com Jerónimo, um latifundiário. Intromete-se de forma desmesurada na relação de Cipriano e Isabel.

João Simões (Nuno Figueira)
Hóspede regular da Estalagem da Moura Branca. A casualidade fá-lo conhecer Joana Simões, e os nomes em comum parecem aproximá-los, mas depressa se percebe que ela será apenas uma ponte para a sua verdadeira cara-metade.

Inspetor Leal (Carlos Dias)
Inspetor da PJ que tenta resolver os crimes da trama. Fica espantado com a destreza de Estrela.

Luísa (Sofia Grillo)
Enfermeira de dia na Clínica Sardi.

Faneca (João Ricardo)
Bandido contratado por Xavier para serviços sujos. O seu verdadeiro nome é Fernando Alves Casadinho.

Participações especiais

Ben (Brian Bowyer)
Chefe da quadrilha, supervisiona pessoalmente as movimentações no aeroporto. Garante que as crianças seguem para o estrangeiro e remunera os seus cúmplices, Suzete e Arlindo, após cada embarque bem-sucedido.

Nélio
Gatuno que, para escapar à polícia, encontra refúgio no café de Max e Vitória. Mais tarde, regenerado, é convidado a trabalhar no estabelecimento.

Putzi
Amiga de Suzana. Com a sua casa de Cascais em obras e sem condições para receber Eveline condignamente, pede-lhe que a hospede por uns dias.

Taló
Amiga de Suzana e de Putzi.

Agente (António Aldeia)
Procede aos interrogatórios quando Valentim, Ricardo e Estrela são detidos.

Rececionista (Cláudia Negrão)
Rececionista da Estalagem da Moura Branca. O seu posto é ocupado por Micaela.

Guilherme
Namorado de Elena no final da novela.

Cliente (Rui Fernandes)
Cliente da Vazotel atendido por Jacinto. Recebe com desconfiança as suas orientações.

Com Telhados de Vidro, a TVI dava o pontapé de saída na teledramaturgia do canal. Tratou-se, no entanto, uma experiência isolada: o arranque efetivo, com carácter de continuidade, dar-se-ia apenas em 1999, com Todo o Tempo do Mundo.

Esta foi a segunda e última novela de Rosa Lobato de Faria, que já havia escrito Passerelle – exibida pela RTP quatro anos antes –, a meias com Ana Zanatti. Desta feita, a escritora assumiu a autoria a solo.

O projeto tinha sido apresentado originalmente à RTP, onde aguardou um parecer favorável durante cerca de dois anos, acabando por ser negociado quando a “4” encomendou uma novela à autora.

Tanto Rosa Lobato de Faria quanto Tozé Martinho, responsável pela produtora Atlântida, garantiram não terem sido, de forma alguma, condicionados pela “cultura cristã” da TVI: “Recomendaram-nos que tivéssemos bom gosto, apenas isso”, sublinhou Tozé Martinho.

A novela começou por ser emitida às 20:00, em concorrência direta com o Telejornal, na RTP 1, e com a telenovela brasileira De Corpo e Alma, na SIC.

A partir da quinta semana, passou a ser transmitido um compacto aos domingos à tarde, reunindo os cinco episódios da semana.

Nessa altura, o horário de exibição foi também alterado, transitando para o final da tarde.

A pouca ou quase nenhuma repercussão de Telhados de Vidro nesta primeira exibição explica-se não só pela concorrência imbatível que sofria – num período em que a RTP usava todos os seus trunfos para fazer face ao aparecimento das privadas –, mas também pelo facto de o sinal da TVI não chegar a muitas regiões do país. A estação estava a implementar lentamente a sua rede própria de emissores e, com frequência, eram divulgados avisos nos intervalos sobre a instalação de novos retransmissores, apelando a que os espectadores informassem os familiares que residiam nas zonas recém-abrangidas.

Aquando da estreia de Telhados de Vidro, havia um número considerado excessivo de novelas em exibição. Só a RTP contava com sete títulos: as brasileiras Mico PretoPedra sobre PedraBarriga de AluguerFelicidade e Salomé; a portuguesa Cinzas; e a mexicana Carrossel. A SIC apresentava Gente Fina e De Corpo e Alma. Por fim, a TVI, para além de Telhados de Vidro, estreou a venezuelana Lágrimas.

Na semana que antecedeu a estreia, a revista Sábado publicou uma charge do cartoonista Pedro Metello que aludia a esta saturação do género.

Por forma a gerar maior receita com a novela, a TVI chegou a planear uma estratégia de product placement, divulgada junto das agências de publicidade e das centrais de compra de espaço. O plano previa todo o tipo de colocação de produtos: jogos eletrónicos, aparelhagens de vídeo e alta-fidelidade, uma loja de brinquedos, decoração de interiores, um supermercado, uma tabacaria, produtos alimentares e de cozinha, material de escritório, uma loja e marca de roupa de criança, uma bomba de gasolina, um café-restaurante de bairro, um banco, uma clínica, uma farmácia, um aeroporto com respetiva companhia de aviação, uma empresa de rent-a-car e produtos de cosmética para uma “personagem muito vaidosa”.

No entanto, o jornal Se7e denunciou esta forma de publicidade oculta ou dissimulada, que, à luz do Código da Publicidade de 1990, seria ilegal. Apesar de o diretor de relações exteriores da TVI, Comandante Monteiro Coelho, ter negado que houvesse qualquer tipo de ilegalidade, a verdade é que estas inserções não se vieram a verificar. Tal poderá ter representado uma perda significativa para a estação, que esperava amealhar um montante na ordem dos 178 mil contos.

Durante o primeiro terço da trama, o recurso ao flashback era frequente para contextualizar o passado das figuras centrais da história.

António Cortesão Vaz (Carlos Gomes)
Suzana (Carla Salgueiro)
Paulo Esteves (Ruy Siqueira)
Maria Clara (Rosarinho Dâmaso)
Viriato (Manuel Costa)
Xavier (Paulo Portela)
Henriqueta (Carla Lupi)
Juvenal (Artur Salvador)
Fábio Sardi (Luís Moreira)

Rosa Lobato de Faria reservou para si uma das melhores personagens da história, a lunática Suzana Sardi. Os seus diálogos com a empregada Rosa, interpretada por Isabel Quental, eram absolutamente impagáveis.

A sinopse previa que o personagem Renato, vivido por Rui Luís Brás, tivesse traços de vilão. Contudo, como o próprio ator revelou à revista Telenovelas, Rosa Lobato de Faria mudou de ideias e alterou o seu perfil:

Era suposto fazer o meu primeiro mau da fita e estava muito entusiasmado com a ideia, mas a Rosinha Lobato Faria, que era a autora da novela e desempenhava a personagem de minha mãe, por me considerar ‘um miúdo querido’, decidiu mudar a história e fazer com que o Renato, ao apaixonar-se pela Chinita (Teresa Negrão), se tornasse bom.

A então estreante Sofia Grillo foi a primeira escolha para o papel de Suzana Sardi em jovem. No entanto, ao saber que teria de aparecer nua em cena, a atriz desistiu do trabalho. Ainda assim, a produção insistiu em mantê-la no elenco, confiando-lhe a personagem da enfermeira Luísa. O papel de Suzana Sardi acabou por ser entregue a Carla Salgueiro.

Sofia Grillo

A ex-Doce Teresa Miguel deu vida à sedutora Micaela, revelando-se uma aposta bem-sucedida.

Teresa Miguel

Anabela Quental, a intérprete de Zilda, integrou o elenco pela mão de Rosa Lobato de Faria, após ter participado no concurso Tal Pai, Tal Filho, no qual a atriz/autora era jurada. Posteriormente, dedicou-se às ciências ocultas e ao esoterismo, tendo publicado cerca de 30 livros e assumido a direção da revista Boa Estrela.

Anabela com o filho Victor Quental

Mariana Rebelo de Sousa, neta da autora, teve a seu cargo uma personagem que abordava, de forma leve, a problemática da obesidade na adolescência. Do seu núcleo, fazia parte David Marle, o filho mais velho de Manuela Marle, que enveredou por outros caminhos profissionais, tornando-se piloto.

David Marle e Mariana Rebelo de Sousa

Ana Maria Magalhães – conhecida co-autora da coleção Uma Aventura, em parceria com Isabel Alçada, e irmã de Tozé Martinho – participou em algumas cenas como uma amiga de Madalena (Mané Ribeiro), acompanhando-a nas suas visitas aos bairros de lata.

Ana Maria Magalhães e Mané Ribeiro

O menino Zana foi vivido por João Maria Ameal, filho da escritora Thereza Ameal (meia-irmã de Tozé Martinho) e neto de Tareka.

João Maria Ameal

Gonçalo da Câmara Pereira fez uma participação especial, interpretando um fado no café do Tio Max.

Gonçalo da Câmara Pereira

Por sua vez, a jornalista Clara de Sousa – um dos primeiros rostos da informação na TVI – surgiu a apresentar um noticiário, onde dava a notícia do rapto de uma criança da maternidade.

Clara de Sousa

No que respeita às principais locações e planos de estabelecimento utilizados na novela:

– O café de Max e Vitória situava-se na Calçada da Graça.

– O edifício da Vazotel localizava-se na esquina da Avenida Marquês de Tomar com a Avenida Visconde de Valmor. Esta fachada viria a ser utilizada na novela Amar Demais (2020/2021).

– O prédio onde moravam Maria Clara e Viriato, em Campo de Ourique, situa-se na esquina da Rua Almeida e Sousa com a Rua Azedo Gneco.

– O apartamento de Carolina fica na Calçada do Monte. Trata-se de um edifício chamado Casa da Senhora do Monte, que apareceu também na novela Deixa-me Amar (2007/2008).

– A casa de Elena fica num prédio que faz esquina com a Travessa da Condessa do Rio e com a Rua dos Ferreiros a Santa Catarina.

– A “moradia do Restelo”, que António Cortesão Vaz deixa em testamento a Carolina, fica, na realidade, no Estoril. Curiosamente, esta foi também a casa de Ana Maria (Margarida Marinho) em A Grande Aposta (1997/1998).

– Não muito longe, no Monte Estoril, encontra-se a Casa do Outeiro, que serviu de locação para a residência dos Silvã de Melo.

– Outra propriedade deixada a Carolina era a Estalagem da Moura Branca, supostamente no Alentejo. Na realidade, as gravações decorreram no Hotel VIP Inn Miramonte, em Colares, unidade que encerrou em 2022.

Imagem: Google Maps (2023)

– As cenas da Clínica Sardi foram gravadas no Hospital Ortopédico de Sant’Ana, na Parede.

Ocasionalmente, houve ainda gravações em alguns hotéis:

– Carolina e Zé Maria passam uma noite no Hotel Praia-Mar, em Carcavelos;

– Eveline e Paulo Santiago hospedam-se no Hotel Estoril Sol, demolido em 2007;

– Xavier e Micaela encontram-se no Hotel Albatroz, em Cascais.

Dirigida por Luís Pedro Fonseca, a banda sonora incluiu quatro temas originais:

TELHADOS DE VIDRO – Dina (tema do genérico)
SÓ AGORA SEI – Karisma (tema de Joana e Henrique)
CORAÇÃO DE ESPUMA – Mafalda Sacchetti (tema de Chinita e Renato)
FOI A VALSA – Nucha (tema de Carolina e Zé Maria)

Apenas o tema do grupo Karisma foi editado discograficamente, no álbum Portugal 40°.

Mafalda Sacchetti, também neta de Rosa Lobato de Faria, interpretou o tema Coração de Espuma no programa Olha Que Dois!! dedicado ao seu pai, Paulo de Carvalho. Este programa foi exibido no dia 24/01/1993, cerca de um mês antes da estreia da novela.

Telhados de Vidro regressou à grelha de TVI no dia 04/05/1994, substituindo o concurso A Amiga Olga no horário das 12:50. No entanto, foram exibidos apenas os primeiros 12 episódios, acabando a novela por ser substituída pela série Cresce e Aparece (Baby Talk).

Uma nova reposição, desta vez exibida na íntegra, ocorreu no horário da manhã, entre 03/07/1995 e 07/12/1995.

Desde então, durante anos a fio, a TVI parecia ter varrido Telhados de Vidro “para debaixo do tapete”, sendo a obra frequentemente esquecida. A título de exemplo, um artigo do Jornal de Notícias de 26/09/2008 referia que “a primeira telenovela da TVI, que alavancou a produção em série de telenovelas da produtora NBP, surgiu em 1999 com Todo o Tempo do Mundo”.

Mesmo quando era recordada em ocasiões especiais, raramente eram vistas imagens da novela, o que chegou a levar a que se colocasse em causa a sua preservação no arquivo da TVI.

Tal aconteceu de forma flagrante a 19/02/2011, numa emissão do programa Você na TV dedicada ao 18.º aniversário da TVI.

Nessa ocasião, foram reunidos no estúdio nada menos do que dez atores de Telhados de Vidro. Contudo, e apesar da presença em peso do elenco, não foi exibida uma única cena da novela.

Tozé Martinho
Vítor de Sousa
Manuela Marle
Rita Alagão
Natalina José
Alexandra Leite
Filomena Gonçalves
José Boavida
Rui Luís Brás
Mané Ribeiro

Tozé Martinho revelou que a novela foi produzida por apenas um quinto do valor proposto pelas produtoras concorrentes, sublinhando o esforço financeiro e a contenção de custos que rodearam este primeiro projeto da TVI.

Manuela Marle, por sua vez, recordou que se ofereceu para assumir as funções de figurinista e aderecista, acumulando-as com o seu papel como atriz, após a equipa ter sofrido duas baixas inesperadas.

Inesperadamente, no início de 2026 – mais de 30 anos após a sua última exibição –, Telhados de Vidro foi disponibilizada no TVI Player. Contudo, nos últimos 30 episódios, a faixa de áudio correspondente à banda sonora foi suprimida, ouvindo-se apenas os diálogos.

Telhados de Vidro