Terra Mãe

Exibição:
09/03/1998 – 04/09/1998 (RTP 1)

Número de capítulos:
146

Autoria:
Rui Vilhena

Diálogos:
Rui Vilhena
Miguel Crespo

Direção de atores:
Virgílio Castelo

Direção musical:
José Cid

Produção:
Pedro Miranda

Realização de estúdio:
Álvaro Fugulin
Jorge Cardoso

Realização de exterior:
António Moura Mattos

Direção geral:
Nicolau Breyner

Elenco:
Alexandre Melo – Paulo
Anabela Teixeira – Carla
Anna Ludmilla – Fernanda
Antonino Solmer – Mário
Armando Cortez – Augusto
Carla Lupi – Cristina
Carlos Sampaio – Henrique
Cláudio Lins – Filipe
Diogo Morgado – Miguel
Eurico Lopes – Luís
Gabriel Leite – Marcelo
Glória de Matos – Maria do Carmo
Gonçalo Waddington – Gonçalo
João Lagarto – Tito
Joaquim Guerreiro – Jorge
Joel Branco – Tomás
Lídia Franco – Isabel
Lúcia Moniz – Ana
Manuela Maria – Milu
Márcio Ferreira – Ricardo
Margarida Cardeal – Olívia
Maria Emília Correia – Beatriz
Marques d’Arede – José Maria
Miguel Hurst – Hugo
Patrícia Bull – Inês
Patrícia Tavares – Lena
Paula Pedregal – Aparecida
Paulo Pires – Álvaro Cunha
Pedro Lima – Diogo
Sandra B. – Marina
Sandra Cóias – Kim
Teresa Madruga – Fátima
Vera Alves – Patrícia
Yolanda – Joana

Participações especiais:
António Aldeia – Aldeia
António Pedro Cerdeira
Carlos Santos – Joaquim Neto
Carmen Santos – Manuela
Cristina Cavalinhos – cliente da Vincenzo
Eduardo Gaspar – Alex
Fernanda Serrano
Fernando Tavares Marques – médico que atende Joana
Ivan Coletti – Morandi
Joaquim Nicolau – taxista
Jorge Estreia – agente imobiliário
Licínio França – Agente Portas
Luís Vicente – Gustavo Vilela
Mafalda Bessa – mulher que elogia o “vestido” de Patrícia
Manuel Castro e Silva – Raimundo
Manuel Cavaco – Agente Augusto Chaves
Nicolau Breyner – homem que bloqueia o carro de Marina
Octávio de Matos – rececionista da residencial
Paulo Ferreira – Antónia Mendonça
Rita Alagão – vidente
Rosa Villa – cartomante
Sebastião Ricou

Se fosse uma metáfora, Terra Mãe poderia ser esta: uma cidade que mandou os “filhos” em aventura pelo Mundo fora e que agora acolhe os “netos” afetuosamente em casa. A história de Milu Mendes (Manuela Maria) é quase igual: acolhe em sua casa três jovens oriundos de três países de expressão portuguesa – Hugo (Miguel Hurst), Kim (Sandra Cóias) e Filipe (Cláudio Lins) –, construindo com eles uma amizade nada reverente feita de cumplicidade. Num jantar, vendo-os moídos e cabisbaixos, larga-lhes, certeira, o vaticínio: “Vocês vão vencer na vida”!

Milu e os seus três hóspedes

Amofinada com a intenção da avó, fica a neta Carla (Anabela Teixeira): temendo que os hóspedes sobrecarreguem Milu com os seus problemas, passa um sermão à dona da casa. O zelo de Carla não abala nem faz a avó desistir da sina de ser uma avó para os hóspedes.

Foi o sonho de ser jornalista que chamou Hugo a Portugal. Com o mercado de trabalho saturado em Moçambique, decidido, rumou a Lisboa, à procura da reportagem da sua vida. Kim procura afirmar-se em Lisboa na área do estilismo, uma vez que a terra onde nasceu, Macau, tem o futuro adensado de nuvens assim que passar a ser administrado pelos chineses. Já Filipe, cheio de vacilações num passado agitado, deixando-o em frenesim de o querer esquecer, chega a Portugal com um passaporte falso na mão – com o nome de Gustavo Vilela inscrito – e com um futuro à mercê. As esperanças de tranquilidade dizimam-se ainda antes do desembarque em Lisboa, que é tudo menos fleumático. Os demónios parecem saltitar contra si: no avião, senta-se ao lado de um travesti, António Mendonça (Paulo Ferreira), vestido de senhora que, nervosa, solta em achaque o medo. Emotiva e tentando espantar de terror, para fugir da morte, que depois não conseguirá evitar, consegue sorrateiramente introduzir dentro da mochila de Filipe uma pequena chave azul com misteriosa inscrição de “Laika” gravada.

A chave "Laika"

As agitações não chegam a arrefecer e minutos depois, um carro funerário atropela-o. Em seu socorro, lança-se em encanto a mão de Ana (Lúcia Moniz), fazendo-lhe saltitar o coração. Emotivo, solta a paixão, esquecendo-se de Fernanda (Anna Ludmilla), com quem tivera caso. Sentimental, Ana também se embrulha no amor pelo desconhecido, mas coloca firme pé no chão para tentar não magoar o namorado, Henrique (Carlos Sampaio).

Ana é sobrinha-neta de Milu e pela tia desfaz-se em encanto, para desgosto da avó, Maria do Carmo (Glória de Matos). Não conseguindo controlar o desgosto, com a alma a ferver de furor, ordena que ninguém da família se dê com Milu e com Carla. Mais fácil é deixar a filha Beatriz (Maria Emília Correia) e o genro Paulo (Alexandre Melo) distantes, mas o neto Diogo (Pedro Lima) ainda tem o coração em aleijão: em adolescente namorara Carla, e no frémito da paixão Maria do Carmo cortou-lhe a corrente.

Carla e Diogo

O outro neto, Gonçalo (Gonçalo Waddington), está em vias de chumbar na cadeira de Sociologia que Carla dá na Faculdade; congemina um plano que aproxima Diogo de Carla, para que o irmão lhe consiga colocar diante dos olhos o enunciado do exame que está prestes a fazer. A tentativa sai frustrada: Diogo rouba um enunciado, mas o que examina Gonçalo tem perguntas diferentes – uma cabriola de Carla, que faz sempre dois enunciados e, na hora, decide qual entrega –, mas o encanto volta a provocar faísca, eletrizando a paixão secreta. Em curto-circuito fica, quando Gonçalo vê que reprovou. Soltando o desencanto, prepara a bomba atómica que coloca a relação de Diogo e de Carla no fio do arame: se a professora não mudar a nota, coloca a boca no trombone e solta aos quatro ventos a notícia da reaproximação do casal. Apavorado, Diogo tenta colocar um penso rápido na relação, mas o ardil de Gonçalo deixa-a em carne viva. Com a ajuda da avó, transforma a promessa de vingança em realidade, apresentando queixa contra Carla no conselho científico da Faculdade.

Por resolver, Maria do Carmo tem outro problema arrevesado: tivera uma filha em solteira e, temendo recriminações do vilarejo onde vivia, deixou-a aos cuidados de uma vizinha de uma tia, largando-a à sua sorte. Contrata um detetive (Manuel Castro e Silva) que, explorando-a, a aconselha a ir tentar obter mais informações junto da irmã. Milu fecha-se em copas, e Raimundo esfrega as mãos, apresentando uma falsa Manuela (Carmen Santos), com rocambolesca história para contar: crescera na miséria e no desemprego e, para dar a volta ao destino, foi para França limpar casas. Lança, sentimental, canto da sereia a Maria do Carmo, que, empolgada, lhe promete refazer a vida. Ao apresentar-se a Milu, a rábula vira embuste, deixando Manuela e Raimundo sem pinga de sangue. Milu denuncia a mentira e coloca os pontos nos is: a verdadeira Manuela morreu a dar à luz. E mais não diz. Agita-se o frenesim em Maria do Carmo em conhecer o neto de quem pouco ou nada sabe.

Maria do Carmo

Enquanto Ana e Filipe parecem jogarem à cabra-cega um com o outro, Fernanda enche-se de esperanças. Tenta reatar o que já começara do outro lado do oceano: o seu amor com Filipe. Chama-o para viver com ela e os dois rapazes que com ela partilham as minúsculas águas-furtadas da zona do Castelo – Luís (Eurico Lopes) e Marcelo (Gabriel Leite) – e tenta que o antigo namorado esqueça Ana. Mas em vão… Filipe sai de casa e vai morar no mesmo quarto de Hugo em casa de Milu.

Ana, Filipe e Fernanda

Por lá, um descuido de Filipe abre um dos segredos que lhe sustentavam o passado: descobre-se que o passaporte com a sua fotografia tem um outro nome: o de Gustavo Vilela. Pasmado, Hugo tenta decifrar o enredo e vai soltando, a custo, a ponta do novelo. Filipe não conta a história toda: evasivo, deixa saber apenas que Gustavo Vilela fora seu chefe no Brasil. Mais tarde, Filipe encará-lo-á no Periscópio, o bar de Tomás (Joel Branco), onde se empregara, e estremecido, sente o chão a fugir-lhe dos pés.

Já Hugo está a trabalhar nas lojas Vincenzo com Fernanda, quando um rumor de pânico o alerta para uma história que se vem a transformar na reportagem da sua vida. Fica com a pulga atrás da orelha ao perceber que a melhor amiga de Ana, Marina (Sandra B.), funcionária da agência de publicidade de Paulo, tem a alma a crepitar: não sabia do paradeiro do pai. Fica em desconchavo pela estreiteza de notícias, mas perante a fleuma das cartas e pelo pedido de secretismo, Hugo dá guita à ideia de vingar no jornalismo. Acompanha Marina no afã de encontrar o pai, Joaquim Neto (Carlos Santos), e joga importante cartada ao acompanhá-la até à Serra da Estrela, com intocada fé de que testemunhará o reencontro do pai e da filha. Mas Marina jamais voltaria a ver Joaquim… A presença de Gustavo Vilela ainda chega a dar-lhe largas ao sonho, mas Álvaro (Paulo Pires), na peugada de Marina, acaba por matar Gustavo e rapta Hugo e Marina, na expectativa de que Joaquim solte a localização exata do Quai, que faz brilhar os olhos e desperta a cobiça dos maltrapilhos para quem trabalha.

Antes de pôr fim à vida de Joaquim, Álvaro acalenta o sonho de ser o biólogo-chefe do Oceanário da Expo 98. Para o ser, recorre a todas as artimanhas armadilhando o caminho de Mário (Antonino Solmer). Desata a sabotar o Oceanário e, levado pelo cinismo, finge amizade com a mulher de Mário, Joana (Yolanda). Com o destino a fintá-lo, e cada vez mais pressionado pelo chefe, Tito (João Lagarto), tenta um elã romântico com Carla, para que esta lhe forneça informações comprometedoras sobre a família Sousa. Carla enlaça-se num chocho romance, sem muita história para contar. Num fogacho, Inês (Patrícia Bull), a filha de Mário, vai sentir-se atraída pelas falinhas mansas e pelo porte atlético, tentando atraí-lo para a cama.

Carla e Álvaro

É no réveillon que chega a pior notícia, em forma de tragédia: Marina morre! E entre o grosso número de suspeitos, que lhe agitavam o presente em pesadelo de ameaças veladas e cartas ameaçadoras, estavam Paulo, Diogo, Gonçalo, Álvaro, Filipe, José Maria (Marques d’Arede), Cristina (Carla Lupi), Henrique e Patrícia (Vera Alves), com a ilusão de que o Quai lhes abriria a porta da fortuna.

Terra Mãe também tem momentos a puxar pelo humor: ligado por amizade à família Castro está o núcleo Santos/Carvalho. O patriarca, Augusto (Armando Cortez), cortejará as irmãs Milu – que já nos tempos de atriz e com ele sentado na plateia cobiçava – e Maria do Carmo – acendendo outra flama na conflituosa relação entre as duas. O genro, José Maria (Marques d’Arede), caminha na areia movediça de ter que gerir duas famílias, a legítima e a ilegítima, onde Fátima (Teresa Madruga) se evade em sonhos de felicidade e a ingénua Lena (Patrícia Tavares) vai tentando procurar um pai. Por fim, a filha Isabel (Lídia Franco) vive um ardente conflito de personalidade.

José Maria e Isabel

Há também Marcelo, que às terças-feiras encarna o excêntrico D. Valentino, colocando em rebuliço as noites do Periscópio, onde o núcleo jovem se diverte.

D. Valentino

Passaremos ainda pela beleza postal de Óbidos e conheceremos melhor Lisboa, a terra-mãe desta novela e de muitas das suas personagens…

Milu Mendes (Manuela Maria)
Ex-atriz do teatro de revista, dona de um sorriso contagiante. Mora sozinha na popular e pacata Vila Berta, depois de a neta Carla ter saído de casa. Decide alugar os quartos que tem vagos em casa e afeiçoa-se aos hóspedes, tentando ser para eles a mãe que lhes falta no país que os acolhe. Tem a estranha mania de mudar o sítio às coisas, divertindo-se depois a encontrar os objetos espalhados pelos mais estapafúrdios locais. Toma muitas das suas decisões pelo coração, já que, como faz questão de afiançar, a razão por vezes atrapalha. A diferença de feitios já a havia afastado de Maria do Carmo, mas o amor da neta por Diogo estilhaçou por completo o contacto. Conserva um carinho especial por Ana. Esquiva-se sempre que alguém lhe pergunta pela mãe de Carla ou pelo grande amor da sua vida. As injustiças deixam-na histérica e, contra elas, agita-se em fervor.

Carla (Anabela Teixeira)
Neta de Milu. A avó criou-a com carinho e esmero. Tem um feitio azedo. Há anos, suspirou de amor arrebatado pelo primo Diogo. Por muito que se esforce, a paixão ainda deixou fogacho no coração de uma obsessão mal resolvida. Professora de Sociologia Aplicada, inquieta-se quando descobre que Gonçalo, o primo, está entre os seus alunos. Irrita-se de cada vez que lhe lembram da existência de Maria do Carmo e da família Castro. Abespinha-se de cada vez que alguém, incauto, lhe lembra as parecenças com a tia-avó Maria do Carmo. É dona de uma sensualidade natural, que às vezes a sua inconstante rabugice oculta. Tem um caso amoroso fugaz com Álvaro, incapaz que é de doar um coração que desde a adolescência já tem dono.

Maria do Carmo (Glória de Matos)
Irmã de Milu. O oposto da irmã. Vive com a filha, o genro e os netos numa luxuosa vivenda. Trata com desprezo a irmã e a sobrinha-neta, a quem não poupa insinuações e insultos. Foi dela o golpe fatal que condenou à solidão o namoro de Diogo e da prima. Autoritária, esfíngica, está habituada a mandar e a desmandar, não tolerando quem não siga obedientemente as suas ordens e os seus caprichos. Instiga Henrique a rapidamente casar com Ana e, por Gonçalo, perde-se em desvelos. Congemina com ele ardiloso plano contra Carla e Diogo, em golpes sorrateiros de astúcia. Zelosa da sua privacidade, guarda um segredo que lhe coloca nódoa na reputação imaculada que gosta de apregoar.

Paulo (Alexandre Melo)
Genro de Maria do Carmo, marido de Beatriz. É o dono da agência Zenith. Intolerante com os deslizes dos filhos, a quem exige que se apliquem nos estudos – sublinhando a Gonçalo que essa é a sua “única obrigação” –, subtilmente dá a entender que não acolitará uma vida de futilidade para eles. Gosta de manter as distâncias, separando aquilo que é a vida familiar da vida profissional. Não aplaude a ligação de Ana e de Filipe nem o amor de Diogo e de Carla, embora também não faça muito para vingar a sua posição. Vai sofrer achaques no coração.

Beatriz (Maria Emília Correia)
Filha de Maria do Carmo. Nunca se empregou nem fez nada na vida a não ser dar ordens às empregadas e esbanjar dinheiro em compras, spas e cabeleireiros. Gosta da estabilidade familiar e tudo faz para ser uma boa mãe, embora, frequentemente, sentimental, se desfaça em dúvidas existenciais sobre as suas capacidades enquanto guia e orientadora dos seus filhos. É amiga de Isabel, embora não aplauda todas as suas ações. Não toma iniciativas, foi a reboque da mãe no caso do filho com a sobrinha. Faz questão de subtilmente deixar firme a reprovação do amor entre Filipe e Ana.

Diogo (Pedro Lima)
Filho mais velho de Paulo e Beatriz. É publicitário na empresa do pai, onde parece trabalhar por obrigação e não por vocação. Parece ser impulsivo e inconsequente nos negócios, deixando que a vida pessoal lhe danifique a parte profissional. Facilmente permeável, não conseguindo resistir às pressões da mãe e da avó, desistiu de lutar por Carla, embora mantenha paixão arrebatada pela prima. É inseguro e volátil. Apaixona-se com facilidade, seguindo com atenção alguns “rabos de saias”.

Ana (Lúcia Moniz)
Jovial, alegre e simpática, tem especial afeição pela tia Milu. Parecia ter a vida arranjada: deixou-se levar em amores por Henrique e quase noiva estava quando o destino lhe fez estremecer o coração. Conhece Filipe de forma singular, quando este é atropelado pelo carro funerário que transportava uma prima afastada até ao cemitério. Fica atraída por ele, embora ame Henrique. Divide as angústias amorosas com a melhor amiga, Marina.

Gonçalo (Gonçalo Waddington)
O filho mais novo dos Castro. Malandro, cábula, preguiçoso, é a avó em ponto pequeno. Só faz o que lhe convém. Esfrega as mãos quando o destino faz com que a professora da cadeira de Sociologia seja Carla e, interesseiro, alicia o irmão a aproximar-se da prima, iludindo-se que encontrou a solução dos seus problemas. Racista e xenófobo, não tolera imigrantes, largando remoques a Filipe, deixando bem claro que não o quer nem na agência do pai nem na família. Não hesita em maltratar as pessoas por quem não tem consideração. Quando se sente ameaçado, corre para os braços da avó, que lhe serve de respaldo, encobre-o e arrima-lhe as manhas. Cogita com Maria do Carmo uma cilada para Carla.

Henrique (Carlos Sampaio)
Tem uma relação de longa data com Ana, que espera levar até ao altar. De sorriso fácil, torna-se ciumento com a aproximação de Filipe à namorada. Cerra os dentes e mostra-se capaz de tudo para não perder o seu amor.

Augusto (Armando Cortez)
É o patriarca da família Santos. Vive com a filha, o genro e o neto num espaçoso apartamento duplex nas Avenidas Novas. Fundou a cadeia de lojas finas Vincenzo, cuja loja principal é no Centro Comercial Colombo. Pessoa fina, decidiu reformar-se depois de uma vida de árido trabalho, deixando a gestão nas mãos do genro, José Maria. Pensa em aproveitar a vida. Dá pouca atenção à filha Isabel, aceitando de sorriso nos lábios as suas excentricidades. Enquanto era casado, deixa a ideia de ter sido um pinga-amor, tendo inclusivamente tido uma paixão não correspondida por Milu. Vai ser o vértice de um triângulo amoroso, disputado pelas irmãs Milu e Maria do Carmo.

Isabel (Lídia Franco)
Coquette e materialista, passa o dia num volteio: compras, massagens e cabeleireiro. Diz ser ela quem estabelece os padrões da beleza e da moda, acreditando que todas as amigas a querem copiar. Extravagante e fútil, quem sabe algo alienada, vive um casamento de fachada com José Maria, a quem tudo faz para reclamar a atenção. Quando este, seco, lhe larga que lhe falta um cérebro, sofre abalo sísmico no ego. Na verdade, Isabel, é uma pessoa muito só e cheia de carências. Uma viagem à Grécia muda-lhe a vida e deixa-a aberta a um melhor conhecimento de si mesma (fazendo-a incorporar quatro personalidades). É intolerante e ríspida com quem dela depende. Trata com desdém o filho, Ricardo.

José Maria (Marques d’Arede)
Faz questão de posar como um senhor de bem, acima de qualquer suspeita. Quem o conhece jamais iria suspeitar que mantém uma relação extraconjugal duradoura com Fátima, iniciada bem antes do casamento com Isabel, da qual nasceu Lena. Para todos é o gestor reputado das lojas Vincenzo e o marido fiel de Isabel. Na verdade, vive em sobressalto que se transforme em polichinelo o segredo que há mais de 20 anos se esforça por conseguir esconder. Apenas o bolso o prende a Isabel. Cansado das futilidades da mulher, vai tentar desfalcar a caixa registadora das lojas Vincenzo. Vai manietando docilmente, a conta de promessas, as crentes Fátima e Lena.

Ricardo (Márcio Ferreira)
É um tormento. Um rapaz enérgico que passa os dias a aprontar travessuras com todos. Egoísta, tenta chamar a atenção aos pais que não lhe ligam nenhuma. Carente, vai tendo a atenção de Augusto, enquanto põe a cabeça em água a Aparecida e a Jorge.

Miguel (Diogo Morgado)
Os pais morreram e ele foi viver para casa do avô e dos tios. Calmo e equilibrado, não dá trabalho nem é motivo de preocupação para ninguém. É estudante universitário e colega e amigo de Gonçalo. Vai descobrir o primeiro amor.

Fátima (Teresa Madruga)
José prometeu-lhe uma vida cor-de-rosa e ela, iludida, acreditou. Para ser feliz ao lado do homem a quem jurou fidelidade extrema, sacrificou-se sendo a “outra” numa história onde tem o papel principal. Cuidou de Lena, fazendo a filha acreditar que José não era o seu pai, mas sim o seu padrinho, ludibriando a filha com histórias evasivas. Mulher simples e sem instrução, sem muito que esperar da vida, palavra de José é para si ordem. A sua vida é vazia: fica retida em casa a olhar para as paredes, ou vai desabafar com Milu, com quem vai fazer compras à mercearia e ao supermercado. Vai amiúde ao Periscópio, onde se lhe rasgarão os horizontes para o amor…

Lena (Patrícia Tavares)
A mãe reprime-a, numa obsessão doentia, castrando-lhe os sonhos e os movimentos. Ela, que queria ser uma rapariga normal, a rebentar de problemas adolescentes, quase que não pode dar um passo sem ter que o justificar. Menina certinha, mas em idade de querer saber o porquê das coisas, enche de perguntas a mãe, achando excessiva a presença do padrinho na sua vida. Vai apaixonar-se. Tem uma certa obsessão por dietas.

Tomás (Joel Branco)
Vizinho de Milu e de Fátima. É o dono do Periscópio, um bar a arrebentar de atividade, nas redondezas do bairro onde mora e para o qual todos os dias tem uma atividade diferente para distrair os frequentadores. É divertido e espirituoso e o fiel carregador das compras das vizinhas. Suspeita-se que tenha tido uma filha.

Mário (Antonino Solmer)
É o biólogo chefe do Oceanário da Expo 98. Gosta muito da sua profissão, à qual é capaz de se dedicar sem cansar. Também tem imenso carinho pela mulher e pela filha. Nervoso, inseguro, chega quase a ser paranoico tendo uma suspeita de que alguém o anda a prejudicar no trabalho. Fica de atalaia com todos, menos com Álvaro a quem estima como um amigo. Fica algo enfarinhado com a sensualidade de Inês, aconselhando-a a ter cuidado com os namorados…

Joana (Yolanda)
Mulher de Mário. É a vitrinista das lojas Vincenzo, cujo trabalho é elogiado por Augusto e censurado por Isabel. É extremamente profissional e zelosa do que faz, não descurando qualquer pormenor nas montras. Em casa, é cozinheira esmerada e mãe presente e preocupada. Quando Álvaro a tenta chamar para o seu lado, não desconfia das intenções escondidas do biólogo, pronta a resmungar com o marido. Tem pavor a cobras. É a melhor amiga de Carla, a quem tenta desesperadamente fazer apaixonar-se por Álvaro.

Inês (Patrícia Bull)
É a típica adolescente lisboeta de classe média. Colega de curso de Lena, confidente desta, alegre e de coração livre. Fica em delírios por Álvaro.

Cristina (Carla Lupi)
Secretária da agência Zenith. Mora na outra banda e, para que o inferno do trânsito não a apoquente, revela-se capaz de tudo. Maria do Carmo e Gonçalo aliciam-na e, em troca de dinheiro, consegue ocupar um quarto em casa de Carla. Espia sem despudor a vida da sua anfitriã, indo, sorrateira, contá-la a quem urdiu maquiavélico plano.  Gulosa por dinheiro e descarada, chega a filmar cenas íntimas de Carla e Álvaro, para gáudio dos mentores do plano.

Patrícia (Vera Alves)
Os amigos chamam-lhe jocosamente a “miss simpatia”, e a designação assenta-lhe que nem uma luva. Vive com os tios e com pouco dinheiro. Delira com riqueza, prenunciando para si vida de final de novela. Está sempre com a carteira vazia, mendigando insistentemente dinheiro emprestado que não faz tenção de pagar. Diz-se alérgica a trabalho, que nasceu para Cinderela e não para gata borralheira. É balconista nas lojas Vincenzo, mas uma ida ao desfile Morandi, com convites roubados e vestido emprestado, atira-a para o desemprego. Deixa-se deslumbrar com a falsa promessa de um futuro arranjado nos salões de uma festa badalada em Sintra…

Luís (Eurico Lopes)
Três anos em Los Angeles retiraram-lhe as ilusões de viver o seu sonho americano. Regressou à terra-mãe e é o barman do Periscópio. Capricha nos cocktails e nas bebidas, sendo um entusiasta da profissão, um bom conversador e também um bom ouvinte. É um dos fundadores e o principal entusiasta da Vivograma, a empresa de telegramas ao vivo que tem com Fernanda e Marcelo. Vai apaixonar-se por Marina.

Fernanda (Anna Ludmilla)
No passado, foi a namorada de Filipe. Tem, aliás, ilusões de poder continuar em Portugal a história de amor que começou do outro lado do oceano. O amor por Filipe, ainda o tem bem vivo, a crepitar dentro de si. Vive com Luís e Marcelo num modesto T1, mantido a custo. Forte e extrovertida, de amizade fácil, Fernanda é uma lutadora. Nunca baixa os braços e faz da sinceridade seu argumento.

Marcelo (Gabriel Leite)
Engraçado e brincalhão, é um excêntrico descomplexado. Para vencer a pobreza, posa nu na Escola de Belas Artes. Quando Tomás o desafia para que sejam dele as noites de terça-feira no bar Periscópio, cria a personagem de D. Valentino. Para ajudar Kim a derrubar as suspeitas de Isabel, encarnará a pele do nobre Marcello Bragança de Alencar e Olivença, que surpreenderá tanto Isabel como Maria do Carmo. É homossexual assumido.

Filipe (Cláudio Lins)
A sua vida no Brasil estava desconjuntada. Sentia-se inseguro e, ao ouvir o chamamento de Fernanda, não hesitou e veio para Portugal, a terra-mãe dos pais, arrastando a ilusão de que, uma vez em Portugal, recomeçaria do zero. Na bagagem, traz mistérios e um passaporte falso, com um nome também falso. Depressa, mostra-se desarmado pela investida do destino, que lhe atraiçoa a esperança de Portugal representar para si uma vida nova. Explodirá dentro dele um ardente amor por Ana, mas o passado exige ratificação não só no amor por Fernanda, mas noutras decisões que afinal não ficaram no Brasil.

Hugo (Miguel Hurst)
Nasceu em Moçambique, cursou jornalismo na África do Sul e veio para Portugal à procura que algum jornal português chame por ele. Quando responde ao anúncio de Milu, trabalha num jornal inglês para turistas em Cascais. O desemprego bate-lhe à porta e vai trabalhar para as lojas de Isabel. Tem uma crónica antipatia por Carla.

Kim (Sandra Cóias)
Os pais fizeram-na e ela cresceu em Macau. Veio para Portugal cheia de incertezas relativamente ao futuro de Macau, após a soberania do território ser entregue à China. Vai alugar um quarto em casa de Milu. Cursa estilismo e, nas horas vagas, vai ser baby-sitter de Ricardo. É insegura e delicada. Vai apaixonar-se por Diogo.

Marina (Sandra B.)
É uma das produtoras da Zenith. Nasceu em Moçambique e mudou-se para Lisboa na leva propiciada pela Revolução. É “retornada”, rótulo com o qual não se identifica. Solteira, é a confidente de Ana. Apaixona-se por Luís e a vida leva um volte-face quando receber cartas estranhas do pai e começa a desconfiar da própria sombra. Luís vai encanta-la e Hugo será preciosa ajuda.

Aparecida (Paula Pedregal)
É a empregada dos Carvalho e, como toda a boa empregada, delicia-se a ouvir cochichos e conversas dos patrões. Sonha em ser como Isabel, a quem copia modos e frases e, quando a sorte vira para os seus lados, aceita regalada as roupas usadas da patroa. Reivindicativa, clama para si o título de “assistente do lar” e entredentes suspira por um aumento. Não assume que está apaixonada por Jorge, o inútil, como gosta de lhe chamar.

Jorge (Joaquim Guerreiro)
Motorista dos Carvalho. Tem uma paixão escancarada por Aparecida, a quem chama de Sissi, para falso desdém dela. Vai soltando flirt com Olívia, a quem carinhosamente trata por “azeitoninha”. Tem algum jeito para dançar e faz balançar o coração de Marcelo, com quem terá alguma cumplicidade.

Olívia (Margarida Cardeal)
Veio do Alentejo para trabalhar em casa da família Castro. Empregada tímida, tudo faz para cair nas boas graças de Aparecida, a quem desvela em cochichos telefónicos a vida dos patrões.

Álvaro (Paulo Pires)
Biólogo no Oceanário, passeia simpatia, eloquência e charme pelos corredores. É subordinado de Mário. Cai nas boas graças deste e faz da aparente boa relação com o chefe nesga suficiente para lhe dar largas ao sonho de lhe roubar o lugar. Fica íntimo da família e abusa da crendice de Mário e de Joana. Finge-se de grande amigo, quando pelas costas sabota as ações de Mário, colocando o Oceanário em pantanas e o lugar de biólogo chefe a um palmo de si. Por interesse, desenvolve uma relação com Carla, esperando que esta lhe forneça informações que comprometam a família Sousa. Inês vai sentir um fraquinho por ele.

Tito (João Lagarto)
É o patrão obscuro de Álvaro. Traiçoeiro e desconcertante, é o principal interessado no negócio do Quai. Tem sempre o sarcasmo como arma e julga-se mais esperto do que aquilo que realmente é.

António/Antónia Mendonça (Paulo Ferreira)
Viaja do Brasil para Portugal ao lado de Filipe, disfarçado de mulher prestável e de língua solta. Já em Portugal, temendo pelo futuro, consegue dissimuladamente introduzir a chave Laika na mochila de Filipe. Cai nas mãos de Tito e de Álvaro, que o torturam, retiram a peruca e, impacientes, lhe perguntam pelo chefe. Sabe-se que ele sabe mais do que soltou no pouco tempo que teve antes de cair estatelado…

Agente Augusto Chaves (Manuel Cavaco)
Agente da PJ. É chamado para resolver o estranho aparecimento de uma cobra no carro de Joana, na garagem do Centro Comercial Colombo. Desconfia das falinhas mansas de Álvaro, quando Mário lhe espicaça a curiosidade sobre os estranhos incidentes ocorridos no Oceanário.

Agente Portas (Licínio França)
Outro agente da Polícia Judiciária. Ajudará a resolver o caso da morte de Marina.

Raimundo (Manuel Castro e Silva)
Maria do Carmo contrata-o quase clandestinamente. Pede-lhe que descubra o paradeiro da filha que teve ainda adolescente e da qual nada sabe. Ao lançar-se no seu encalço, baila-lhe ideia no pensamento: armar trapaça com a cumplicidade da falsa Manuela. Atiram-se ávidos à fortuna que julgam que Maria do Carmo tem. Lança-lhe, manhoso, o isco: a filha desaparecida está perdida por França. Sem pestanejar, e ao ver considerável quantia de numerário parar-lhe nas mãos, propõe-se explorar ainda mais o filão. Escapa por um triz, com a roupa nas mãos, de um encontro que poderia acabar no fim da ilusão.

Manuela Brás (Carmen Santos)
Não se chama Manuela Brás, como clama chamar-se, nem é a filha desaparecida de Maria do Carmo, como repete convictamente, tentando apanhá-la na ratoeira que engenhosamente urdiu com Raimundo. É uma impostora, com jeito para dissimulações e para falsos sotaques, tentando fazer abrir os cordões à bolsa de Maria do Carmo. Em desespero, pela avareza de Maria do Carmo, procura o arrimo de Milu. Conta-lhe a história triste da vida desamparada que inventou para si, carregando no sentimentalismo. Inesperadamente para ela, a tia não morde o isco e desmascara-a e de frente para a campa onde jaz a verdadeira Manuela…

Rececionista da pensão (Octávio de Matos)
Rececionista da pensão onde Filipe passa os seus primeiros dias em Portugal. Puxa do brio para servir bem, embora resmungue a esmo com os clientes. Com a sua memória de passarinho, é incapaz de guardar recados.

Joaquim Neto (Carlos Santos)
Pai de Marina. Durante anos andou desaparecido e desespera a filha com falta de notícias. Lacónicas são as suas mensagens. Apenas se sabe que vive no Brasil. Não é tão santo quanto dele pensam. Negoceia com Tito e o seu gangue o chip que permitirá roubar o Quai que brilhará na Expo. Volta a Portugal para morrer.

Gustavo Vilela (Luís Vicente)
Furtivo, é um enigma. Aparece atrás de uma palmeira vigiando Marina, atento aos seus passos. Dias mais tarde, surge sentado numa das mesas do Periscópio, e o mundo de Filipe por pouco não desaba. É o homem de mão de Joaquim e, indo em pés de lã ao quarto do chalé de Marina na serra, aconselha-a a fugir dali, a toda a pressa. Acaba morto, enregelado pela neve.

Cartomante (Rosa Villa)
Participa numa noite mística no Periscópio. No fim da noite, larga certeza a Tomás: até ao final do ano, um dos presentes vai morrer (não revelando o nome do defunto).

Vidente (Rita Alagão)
Também participa na noite mística, tendo a mesma visão que a cartomante. Antes, inclina a vida dos frequentadores do bar com linhas mestras do que o futuro lhes reserva.

Alex (Eduardo Gaspar)
Colega de trabalho de Filipe no Brasil. Fica espantado quando Filipe lhe dá, de chofre, a novidade de que vai para Portugal. Meses depois, em trânsito, passa por Lisboa e ajuda a esclarecer as dúvidas de Fernanda sobre o passado nebuloso de Filipe, desvendando o mistério sobre a identidade de Gustavo Vilela.

Ao ser apresentada, Terra Mãe deixou todos em fumegante expectativa. Logo ao abrir da sinopse, lia-se: “aposta num novo tipo de linguagem para a telenovela portuguesa, misturando comédia, drama, ação e humor de uma forma dinâmica e descontraída”.

Para deixar os espetadores com água na boca, a RTP entregou a substituta de A Grande Aposta (cujos últimos capítulos foram exibidos em simultâneo com os primeiros de Terra Mãe) nas mãos de dois desconhecidos: Rui Vilhena e Miguel Crespo. E foi um tiro certeiro!

Inquietada pela concorrência brasileira, a quem quase mais não conseguia do que provocar cócegas nos pés, Terra Mãe conseguiu alavancar a audiência do “Canal 1” num período difícil de Campeonato do Mundo de Futebol e com a Expo 98 a agitar os portugueses.

Foi uma novela interessante, agradável de ver. A trama escorreita e bem urdida seduzia pela sua simplicidade. Por vezes, o enredo era de uma ingenuidade e puerilidade exacerbadas, mas isso acabava por realçar a vertente humorística. Como acreditar, por exemplo, que Cristina (Carla Lupi) conseguiria filmar Carla (Anabela Teixeira) e Álvaro (Paulo Pires) em pleno ato sexual, a escassos metros de distância?

A novela tinha nos guiões alguma leveza, conseguindo trazer personagens desempoeiradas, com um núcleo jovem mais numeroso do que era hábito.

Com grande carisma, os personagens foram sorrateiramente conquistando a simpatia do público. Um deles foi o espalhafatoso Marcelo (Gabriel Leite), que se destacou não apenas nos shows de D. Valentino, mas sobretudo na fase em que assume a identidade do nobre Marcello Bragança de Alencar e Olivença, tornando-se próximo de Isabel (Lídia Franco) e Maria do Carmo (Glória de Matos).

Márcio Ferreira, irmão de Patrícia Tavares na vida real, era também seu irmão na novela, embora os personagens desconhecessem esse facto.

Sem nunca ter atingido o céu no nível qualitativo, a novela acusou uma bem nutrida regularidade, embora tenha tido uma falsa partida. O início não foi uma delícia de se ver: aquele longo e fastidioso assalto, excessivamente pormenorizado, que durante 7 minutos invadiu o nosso ecrã, não foi o melhor cartão de apresentação.

No domínio da comédia, os exageros de Isabel revelaram-se por vezes tiros no pé, com algum exagero nas situações risíveis, como a ida ao Jardim Zoológico dos horrores.

Ainda assim, a personagem evidenciou-se pelas múltiplas personalidades que foi assumindo ao longo da novela, com destaque para a religiosa Fátima.

Isabel
Zizi
Bebé
Bella
Ivana
Fátima

Também a mania de Milu (Manuela Maria) em mudar os sítios às coisas, repetida até à exaustão, tornou-se algo cansativa.

A novela apostou na ação, com enfoque numa trama que abraçava o policial, com o negócio do Quai – por vezes mal sucedida por ser demasiado “empastelada”: era difícil de engolir a “amizade” de Álvaro com Mário (estaria este último a caminho da santidade?).

Destaque para as sequências gravadas na Serra da Estrela, quando Marina (Sandra B.) e Hugo (Miguel Hurst) são sequestrados por Álvaro, e este mata Gustavo Vilela (Luís Vicente) na neve.

A equipa nas gravações na Serra da Estrela

Apesar do azedume de Carla, o par romântico formado com o primo Diogo (Pedro Lima) fez desaguar litros de água aos mais sentimentais.

As casas de Milu e de Fátima situavam-se na Vila Berta, onde várias cenas foram gravadas.

Contrastando com este bairro tradicional, foram exploradas localizações da “nova” Lisboa, tais como o Centro Comercial Colombo (ainda sem as torres) e a Expo 98.

A casa dos Castro serviria de cenário a outra produção da RTP: a série Um Estranho em Casa, exibida em 2002.

O núcleo de universitários, composto por Lena (Patrícia Tavares), Inês (Patrícia Bull), Miguel (Diogo Morgado) e Gonçalo (Gonçalo Waddington), estudava na Universidade Moderna, onde também Carla era docente de Sociologia.

Esta instituição fechou portas a 31/12/2008.

Para além de ter estreado em Terra Mãe como atriz, Yolanda foi também consultora de moda da produção.

Yolanda com Antonino Solmer

O genérico simbolizava a diversidade cultural dos países de expressão portuguesa, juntando uma minhota, uma brasileira, uma africana e uma macaense. A modelo Nayma Mingas – que mais tarde ficámos a conhecer como apresentadora do programa Projecto Moda – surgia em representação do continente africano.

A banda sonora original, que teve direito a um espetáculo de apresentação no Colombo, foi dirigida por José Cid. Os principais temas foram lançados em CD.

SE EU TE PUDESSE ABRAÇAR – José Cid
Ó TERRA MÃE – José Cid
CÉU – Cristina Castro Pereira
CANTARIA TODA A NOITE – Lúcia Moniz / Cláudio Lins
NÃO ÉS O QUE PARECES – João Paulo Pereira
NOSTALGIA – José Cid
SEM TI – Cristina Castro Pereira
A TUA MARGINALIDADE – João Paulo Pereira
VARINHA DE CONDÃO – António Gaudêncio
JÁ SE FAZ TARDE – José Cid
GENÉRICO

Outras músicas tocadas na novela:

E POR VEZES – José Cid
ROMANTICO MA NON TROPPO – José Cid
COLOMBO – José Cid
URBANIDADES – José Cid
RIO / SOMEWHERE IN LISBON – José Cid
LOBOS E ANDORINHAS – José Cid
SOSSEGA CORAÇÃO – Margarida Bessa
JARDINS PROIBIDOS – Paulo Gonzo / Olavo Bilac
SERÁS TU – Paulo Brissos

Pelo Periscópio, o bar de Tomás (Joel Branco), passaram algumas figuras conhecidas do público, destacando-se: António Pedro Cerdeira, recitando poesia; os Excesso, dando um show; Cristina Castro Pereira, intérprete de duas canções da banda sonora; e Fernanda Serrano.

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Terra Mãe