Um Solar Alfacinha

Exibição:
11/02/1990 – 17/03/1990 (RTP 2)

Número de episódios:
06

Um programa de:
Rui Luís
Pedro Pinheiro

Texto e música:
Pedro Pinheiro

Arranjos musicais:
Fernando Correia Martins

Cenografia, encenação e direção de actores:
Rui Luís

Produção e realização:
TV 5 Mhz

Elenco:
Deolinda Rodrigues – Baronesa
Rui Luís – Hipólito
Pedro Pinheiro – Barão Pinto
Natalina José – Pantera Delicada
Carlos Cabral – Milorde Rufião
João Baião – Quincas Barão
Paula Cruz – Maria Severa
Eva Cabral – Lencastre Cantadeira
Natália de Sousa – Rosa Maria
Margarida Mascarenhas
Ladislau Ferreira
Fernanda Esmeralda
Alberto Alexandre
Paulo Oliveira
Branco Alves
Edgar Souto
Noémia Costa
Henrique José
Maria José Valério

Vozes de:
Elsa Coimbra
Lourdes César
Manuel Lourenço

O fado é o tema central desta série que, ao longo de seis episódios, satiriza a forma como determinadas classes sociais encaram o mundo fadista. O cenário é um típico solar alfacinha onde vivem os barões do Bairro Alto.

Tudo começa assim: o Barão Pinto (Pedro Pinheiro), que não desdenhou misturar o seu sangue azul com o de uma plebeia, casa com uma fadista e tem um filho. Anos depois, o rapaz, Quincas Barão (João Baião), é detentor de duas personalidades distintas. Por um lado, é um aristocrata perfeito quando está perto do pai e, por outro, é um preguiçoso bairrista que apenas sabe cantar o fado quando em presença da mãe.

Quincas é disputado por Maria Severa (Paula Cruz) e Lencastre Cantadeira (Eva Cabral), duas fadistas que frequentam a casa dos pais e que são, respetivamente, representantes do Fado Tradicional e do Fado Fidalgo. Para não ofender ninguém, a Baronesa (Deolinda Rodrigues) lança um desafio: ganha a mão do herdeiro aquela que cantar melhor…

Barão Pinto (Pedro Pinheiro)
Embora descendente de uma família nobre, o Barão é perito em cometer gaffes nos seus discursos. Encontra-se em situação financeira bastante adversa.

Baronesa (Deolinda Rodrigues)
De origem humilde, foi costureira antes de se tornar a Baronesa do Bairro Alto. Apesar disso, continuou a ser uma pessoa bastante simples e popular.

Quincas Barão (João Baião)
Nunca gostou de estudar nem de trabalhar. Como tem jeito para as cantorias, os pais tentam arranjar-lhe um lugar no mundo do fado.

Maria Severa (Paula Cruz)
Uma das pretendentes de Quincas. Pertence ao grupo de fadistas populares.

Lencastre Cantadeira (Eva Cabral)
É a rival de Maria Severa. Fadista metida a sofisticada. Não gosta das conversas das fadistas populares, pelo que evita misturar-se com elas.

Hipólito (Rui Luís)
Mordomo dos Barões. É louco por Rosa Maria.

Rosa Maria (Natália de Sousa)
A sensual criada dos Barões, que deixa os homens de olhos em bico com as suas saias curtas.

Pantera Delicada (Natalina José)
Em tempos foi uma fadista muito famosa. Está reformada, mas continua a achar-se melhor que todas as outras. É amiga de longa data da Baronesa.

Milorde Rufião (Carlos Cabral)
Amigo do Barão Pinto.

1. (11/02/1990)
No salão do solar decorre a festa de apresentação à sociedade de Quincas, o filho dos barões do Bairro Alto. Entre os convidados estão a falange de apoio da Baronesa, liderada por Pantera Delicada, sua antiga colega nas lides fadistas e amiga de sempre. A claque do Barão é formada por gente de outro estrato social, mas igualmente apaixonada pelo fado e que o castiço Milorde Rufião comanda. Dos convidados mais jovens destaca-se a presença de Maria Severa – protegida da Baronesa – e de Lencastre Cantadeira – da simpatia do Barão – que não escondem quanto se detestam; ambas gostam do Quincas…


2. (17/02/1990)
No dia seguinte à festa do Quincas, vão aparecendo convidados que, sem que alguém tenha dado por isso, ficaram de noite no solar a divertir-se. Quincas aparece com o fato roto e a cara arranhada: Maria Severa e a Lencastre Cantadeira brigaram por sua causa e ele meteu-se no meio para proclamar a paz entre as duas. Todos se surpreendem com o aparecimento do fadista João Braza, que veio de Évora para assistir à festa e é apresentado pelo Barão, que tem um jeito peculiar de dizer disparates com um ar solene e convencido.


3. (24/02/1990)
Rosa Maria, a criada, é perseguida primeiro pelo mordomo e depois por Quincas, que não perde a oportunidade de se candidatar aos favores da rapariga. Mas esta não se mostra inclinada a ceder a qualquer um deles. O Barão Pinto, acompanhado pelo seu inseparável amigo Milorde Rufião, prepara-se para dar a mão do filho a Lencastre Cantadeira, uma rapariga de estirpe, enquanto a Baronesa prepara tudo para casar o seu Quincas com a Maria Severa, rapariga do povo como ela já foi. Esta situação gera um “duelo” muito especial…


4. (03/03/1990)
No salão do solar há grande azáfama devido aos preparativos para o duelo. Pantera Delicada, sempre brejeira, dá uma ajuda ao mordomo para que o seu namoro com Rosa Maria resulte. Os jornais, cada um à sua maneira, só falam do duelo. A Baronesa está cansada de dar entrevistas a todas as emissoras de rádio. O Barão, mais subtil, tenta uma reportagem na televisão. Lisboa inteira não fala de outra coisa…


5. (10/03/1990)
O salão do solar assemelha-se, agora, a um retiro de fados. Os amigos do Barão lamentam, mas vão comendo e bebendo de graça, e as amigas da Baronesa sentem-se mais integradas no ambiente. Para evitar qualquer eventual mau resultado do duelo, Quincas leva um amigo – Domingos da Câmara Pereira – e as fadistas reformadas não param de se beliscar, encantadas com a sua presença. A Baronesa manda começar o duelo. A luta vai ser dura…


6. (17/03/1990)
A Baronesa sente-se feliz com o seu plano, que está a resultar em cheio. O Barão não se apercebe dos rombos que a despensa sofre por altura das festas no solar, o mesmo não acontecendo com a esperta Baronesa. Quando as duas apaixonadas se batem num “duelo” fadista, ela arranja maneira de as deixar empatadas. Anuncia, então, que vai transformar o solar numa casa típica, onde as vencedoras e o filho continuarão a cantar na presença dos amigos, que serão obrigados a pagar consumo obrigatório…

Um Solar Alfacinha foi produzida para a RTP pela produtora TV 5 MHz, a mesma da série Cobardias, exibida em 1988.

Foi exibida aos sábados, por volta das 13:30, na RTP 2. Excecionalmente, o primeiro episódio passou num domingo.

A série contou com a participação de vários fadistas, tais como Chico Madureira, João Braza, Esmeralda Amoedo, Domingos (Mico) da Câmara Pereira e Maria José Valério.

João Braza cantou um fado intitulado Improviso, com menções a vários atores do elenco. Improviso foi incluída no álbum de João Braza intitulado Vida Fadista (2006), embora com outra letra.

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