Júlia (Maria do Céu Guerra) é uma mitómana compulsiva, cuja teia de mentiras e invenções constantes leva ao desespero todos os que a rodeiam, especialmente o seu marido, Carlos (Armando Cortez).
Na véspera de Natal, o casal prepara-se para jantar num hotel em Sintra, tendo como convidado o amigo Lourenço (Raul Solnado). Porém, uma avaria no carro obriga-os a permanecer em casa. Os homens vão comprar comida para a ceia, enquanto Júlia vai a casa da vizinha, D. Rosa (Teresa Faria), buscar um bolo-rei.
A empregada Elisa (Lídia Franco), que contava com a ausência dos patrões, aproveita a oportunidade para pôr em prática um roubo, facilitando, para isso, a entrada do gatuno João (Vítor Norte). Porém, o plano não corre como previam: depois de amarrar e de amordaçar Elisa, para que os patrões não desconfiem do seu envolvimento no plano, João tira-lhe a vida acidentalmente, com uma pancada.
Júlia regressa antes dos homens e encontra a cena aterradora. É ameaçada pelo ladrão para que ele possa fugir da residência com os objetos roubados, sem que ninguém repare na sua presença e na de um outro cúmplice (Camacho Costa), que aparece vestido de padre.
Confrontada com um cadáver escondido debaixo do sofá e sob o olhar desconfiado de um marido já incrédulo, Júlia terá de usar toda a sua imaginação para transformar a terrível realidade numa das suas invenções.