Verão Quente

Exibição:
11/10/1993 – 08/04/1994 (RTP 1)

Número de capítulos:
130

Uma novela de:
Manuel Arouca
Nicolau Breyner

Direção musical:
Thilo Krasmann

Direção de produção:
Rosário Feliciano

Realização:
Régis Cardoso

Produtora:
NBP

Elenco:
Alexandre Veiga – Filipe Queiroz
Ana Bastos – Isilda
Ana Wilson – Ana Paula
Ana Zanatti – Maria Cunha Franco
António Aldeia
António Assunção – Carlinhos
António Feio – Lúcio Oliveira (Engenhocas)
António Rocha
Armando Cortez – Tio Chico
Armando Venâncio – Padre Belmiro
Bárbara Trofa Real
Beto
Betty Faria – Simone Arruda
Carla Salgueiro – Sofia
Cremilda Gil – Aida
Cristina Gomes
Fernando Mendes – Tó Mané
Filipe Ferrer – Fernando Franco
Filomena Gonçalves – Joana Carvalhosa
Helena Isabel – Isabel Alves
Helena Laureano – Carmo Cabral Monteiro
Inês Rebelo de Andrade – Ritinha
Isabel Mota – Celeste
João Grosso – Sérgio Vale
Jorge Silva – Vasco Correia
José Boavida – Lopes da Silva
José Pedro Gomes – Miguel Carvalhosa
José Raposo – Américo
Linda Silva – Carminda
Luís Pavão – Moreira
Luís Zagallo – juiz
Maria João Luís – Alice Arruda
Maria José Brás
Manuel Cavaco – Alberto
Manuel Wiborg – Zé Castro
Manuela Maria – Alda Pereira
Márcia Breia – Teresa
Maria João Baginha – Susana
Maria de Lima – Virgínia
Mariana Rey Monteiro – Margareth Gordon
Mila Ferreira – Fátima
Morais e Castro – Joel Pereira
Nicolau Breyner – Luís Arruda
Paula Cruz – Madalena Pimenta
Paulo Oom – João
Ricardo Carriço – António Pedro Pereira (Tó Pê)
Rita Loureiro – Mónica Queiroz
Rui Luís Brás – Duarte
Rui Luís – Mestre Artur
Rui Mendes – Alfredo Queiroz
Sofia Sá da Bandeira – Vera Franco
Teresa Côrte-Real – Cristina Pereira
Tozé Martinho – César Nunes
Vanessa Williams – Fernanda

Luís Arruda (Nicolau Breyner) é um emigrante português que, como muitos compatriotas, um dia decidiu fazer a trouxa e abalar para fora do País, à procura da sorte e da fortuna. No Brasil, para onde cedo embarcou, acabou por reunir uma incalculável fortuna, grande parte dela conseguida à custa de negócios com os países de expressão portuguesa.

Quando resolve voltar a Portugal, Luís Arruda vem decidido a criar uma fundação no Norte do País, que visa divulgar ao Mundo as culturas que a Língua Portuguesa representa. E, para isso, abre um concurso público que irá agitar o mundo da construção civil.

Em competição cerrada pela adjudicação das obras da Fundação Arruda estão duas empresas do ramo: a Queiroz e a Paisagem. E é esta luta, que envolve muitos milhares de contos, que leva os empresários a envolverem-se numa complicada teia de influências e corrupção.

Luís Arruda – um empresário das arábias, umas vezes terno e apaixonado, outras capaz de deitar tudo a perder, com as mais inesperadas guerras e tramas entre interesses diferentes que gravitam em seu redor – tem um passo cheio de “más ações” que, agora, começam a ser exploradas.

Joel (Morais e Castro), um antigo mestre de pescas, agora alcoólico, conheceu o magnata português no Brasil há já uns anos e jura que sabe de alguns dos “podres” de Luís Arruda. Estes conhecimentos passam a ser disputados por diversas pessoas e, quando se dispõe a contar toda a verdade, é raptado.

Entretanto, o empresário português revive a sua velha paixão por Maria Franco (Ana Zanatti), atual esposa do arquiteto Franco (Filipe Ferrer), dono da empresa Paisagem. Tudo se irá complicar com a chegada a Portugal de Simone (Betty Faria), mulher de Luís, que lhe interpôs uma ação de divórcio. Ela vem em representação de um importante consórcio de empresas de construção civil que pretende concorrer às obras da fundação.

Perante a perspetiva de mais um concorrente, a Queiroz e a Paisagem decidem unir esforços e concorrer conjuntamente. Luís Arruda vê-se igualmente obrigado a afastar-se de Maria, face à chegada da mulher e para não prejudicar a ação de divórcio que corre nos tribunais brasileiros.

Contudo, quando o casal chega a um acordo, o divórcio pela empreitada da fundação, o empresário descobre que tem um filho de Maria, fruto da antiga relação. Perante este facto, Luís Arruda resolve assumir a relação com Maria e a existência do filho, o que vai provocar um enorme escândalo.

Mais tarde, quando se dá conta das manobras que se desenvolvem nos bastidores do concurso, Arruda considera a hipótese de o anular e proceder ele mesmo à construção da fundação. Só que os seus planos são subitamente interrompidos por uma tentativa de assassínio, que o deixa em estado de coma.

A partir de então, Alice (Maria João Luís), advogada e filha do magnata português, vai encetar investigações que a levarão à descoberta dos culpados e, paralelamente, revisitar o passado do pai.

Paralelamente à história principal, desenvolve-se uma outra. O cenário é uma zona piscatória nos arredores de Lisboa e envolve Mónica (Rita Loureiro), filha do engenheiro Queiroz (Rui Mendes), e Zé Castro (Manuel Wiborg), filho de uma humilde viúva que faz comida para fora e sofre de insuficiência renal. Entre os dois nasce uma profunda relação sentimental, só que o romance é sistematicamente boicotado, de forma cínica, por Queiroz. E Mónica, que tem uma enorme adoração pelo pai, não se apercebe disso.

Zé Castro, por seu lado, não consegue resistir aos encantos da sociedade de consumo e, pressionado pela necessidade de se fazer valer em casa, vê-se obrigado a enveredar pelos tortuosos caminhos da criminalidade. Acaba por ir parar à prisão, facto que o modificará profundamente. Mais tarde, Mónica retomará esta sua grande paixão e, contra tudo e todos, resolve assumi-la publicamente.

Luís Arruda (Nicolau Breyner)
Aos 55 anos, é um homem de ferro, aventureiro, cruel, extremamente inteligente e intuitivo. Tem a ambição de criar uma fundação que dê a conhecer as culturas ligadas pela Língua Portuguesa e de reconquistar o amor da sua vida, Maria Franco. Provém de uma família aristocrática arruinada e possui uma incalculável fortuna.

Simone Arruda (Betty Faria)
Uma mulher de 48 anos, extremamente vistosa. Brasileira, oriunda de uma família de fazendeiros, é mulher de Luís Arruda, mas tem o processo de divórcio a correr nos tribunais. Administra negócios de família e, além de fazendas, possui um complexo hoteleiro. Charmosa, competitiva, ciumenta e possessiva, pretende dominar a fundação do marido.

Alice Arruda (Maria João Luís)
Uma jovem de 28 anos, expressiva, interessante, de sorriso franco e cativante. Filha de Luís Arruda, com quem “choca” constantemente, tendo mesmo prescindido da sua fortuna. Licenciada em Direito, é através dela que descobriremos quem é o verdadeiro Arruda.

César (Tozé Martinho)
Antigo namorado de Alice, de quem se afastou por imposição de Arruda. Dez anos depois, tenta reaproximar-se dela, embora arraste a asa para Simone. É um mau-caráter.

Américo (José Raposo)
Afilhado e secretário de Luís Arruda. É o seu braço-direito. Não vive sem o seu computador, onde regista tudo.

Fernando Franco (Filipe Ferrer)
O administrador e maior acionista da empresa Paisagem. Gosta da vida social, vive para as aparências, é preguiçoso e egoísta, preconceituoso, conservador, reacionário, snob e arrogante. Eternamente descontente com o país e a sociedade, acha que tudo está “entregue à bicharada”. Tem como ambição ganhar o concurso para as obras da fundação. Viciado no jogo, coloca em risco o património da família.

Maria Cunha Franco (Ana Zanatti)
Mulher de Franco, é oriunda de uma família tradicional e conservadora. Doméstica, tem uma personalidade reservada, tímida, deprimida, insegura e séria. Passa o dia em casa, a ver televisão. Com a evolução da história e com a paixão por Arruda, vem ao de cima o seu espírito aventureiro, alegre e apaixonado.

Vera Franco (Sofia Sá da Bandeira)
Filha de Maria Franco, é finalista do curso de História Intelectual. Gosta muito de ler. Ambiciona trabalhar na fundação. Tem 24 anos, é bonita e doce, qualidades que conjuga com uma expressão interessante.

Sofia Franco (Carla Salgueiro)
Filha mais nova de Maria. Estuda design de moda e trabalha como modelo. O que tem de fútil, tem de pouco esperta. Para ela, tudo é “o máximo”. Namora com Filipe.

Vasco Correia (Jorge Silva)
Namorado de Vera. Candidato à Presidência da Câmara do concelho nortenho de Vieira do Mar, onde possivelmente Arruda irá instalar a sua fundação. É fraco e permeável a pressões.

Celeste Feijão (Isabel Mota)
A espevitada empregada da família Franco. Apoiará a reaproximação entre Arruda e Maria. É viciada em telenovelas, que gosta de ver na companhia da patroa. Tem um noivo em França.

Ana Paula (Ana Wilson)
Natural de Moçambique, é a secretária de Franco. Fria e racional, é uma espécie de conselheira do patrão. Encontra-se sigilosamente com Américo e esconde algum mistério que a liga a Arruda.

Alfredo Queiroz (Rui Mendes)
De origem humilde, subiu a pulso a trabalhar e a estudar ao mesmo tempo. Tem o curso de engenharia, é administrador e o maior acionista da empresa Queiroz. É viúvo, simpático, mas cínico, ambicioso, sem escrúpulos e corrupto. Tem como ambições ganhar o concurso da empreitada da fundação, dominá-la através de Sérgio, casar a filha com este e casar com Isabel, a sua amante fixa.

Isabel Alves (Helena Isabel)
Ruiva, sensual, excelente figura. Uma secretária executiva distante, fria, eficiente e criativa, oriunda de uma família de classe média. O seu pai era funcionário de uma empresa de pedras preciosas, e julga que foi Luís Arruda quem o assassinou. É o cérebro das tramoias levadas a cabo por Queiroz.

Mónica Queiroz (Rita Loureiro)
Tem 22 anos, é bonita, sensual, transmite romantismo e ingenuidade. Filha de Queiroz, tem uma personalidade alegre, viva, espontânea, romântica, teimosa e trabalhadora. A sua grande paixão é Zé Castro.

Filipe Queiroz (Alexandre Veiga)
Filho de Queiroz. É funcionário da Queiroz S.A., mas raramente põe lá os pés. Não quer nada da vida a não ser namorar e fazer surf.

Alberto (Manuel Cavaco)
Motorista de Queiroz. Para além de conduzir o seu automóvel, executa também outro tipo de serviços, sobretudo os mais sujos. A sua paixão por Fátima fá-lo equacionar mudar de vida.

Zé Castro (Manuel Wiborg)
Filho de Teresa Castro, tem 25 anos e vários empregos, embora esteja atualmente desempregado. Instável, sonhador, não esconde que gosta de se mover nos melhores ambientes. Deseja casar-se com Mónica e ter uma boa vida económica.

Teresa Castro (Márcia Breia)
Mãe de Zé. Enviuvou recentemente. Apesar dos seus problemas de saúde – sofre de insuficiência renal –, trabalha muito, cozinhando para fora.

Joel Pereira (Morais e Castro)
Foi mestre de pescas no Brasil e deixou-se envolver pelo álcool. Fala-barato, tudo está mal para ele. Vive com um sentimento de culpa que o atormenta, e a solução passa por denunciar algumas atividades menos lícitas de Arruda.

Alda Pereira (Manuela Maria)
Intriguista, supersticiosa, pessimista e ignorante. Sonha com um milagre que elimine toda a lama que vai pelo Mundo e a ajude a recuperar o seu marido. Faz limpezas na casa de verão de Queiroz. Desculpa todas as traições e agressões do marido, porque para ela “a culpa é do vinho”.

Tó Pê (Ricardo Carriço)
Filho de Alda e Joel. Terá um caso com Isabel, de quem se aproxima como forma de se vingar de Queiroz. Trabalha para Carlinhos, roubando carros, e convence Zé a fazer o mesmo.

Cristina (Teresa Côrte-Real)
Filha de Alda e Joel. Está a tirar um curso de secretariado. É apaixonada por Zé, mas este apenas a vê como amiga. Apesar do estilo “matrafona”, acredita ter chances de vir a conquistar o seu grande amor.

Duarte (Rui Luís Brás)
Amigo de Zé, tenta fazer com que ele siga o caminho da honestidade. É muito inseguro em relação ao sexo oposto. Trabalha numa sociedade corretora.

Sérgio Vale (João Grosso)
Irmão de Duarte, com quem tem uma relação estremecida. Anseia casar-se com Mónica, tendo para isso o total apoio de Queiroz. Por orientação deste, torna-se administrador da fundação.

Carmo Cabral Monteiro (Helena Laureano)
Colega de Duarte. Divide-se entre ele e Sérgio. Vai revelar-se uma mulher ambiciosa e oportunista.

João Fonseca (Paulo Oom)
Dono do bar frequentado pelo elenco jovem da novela. A sua vida é marcada pelo drama de viver afastado da filha.

Ritinha (Inês Rebelo de Andrade)
Filha de João, órfã de mãe. Vive no Norte com a família materna. Gosta muito do pai, embora sejam raras as vezes em que estão juntos.

Margareth Gordon (Mariana Rey Monteiro)
Avó materna de Ritinha. Oriunda de uma abastada família inglesa, com negócios ligados ao vinho do Porto. Não hesita em fazer uso do dinheiro e de influências para comprar quem quer que seja, de modo a satisfazer os seus interesses. Almeja impedir que João recupere a guarda de Ritinha.

Virgínia (Maria de Lima)
Foi ama de Ritinha quando ela era bebé. Deixou-se subornar por Margareth para depor contra João e encontra-se, atualmente, em parte incerta.

Aida (Cremilda Gil)
Mãe de João. Vive num lar, onde vai trocando frequentemente de namorado.

Madalena Pimenta (Paula Cruz)
Professora de Educação Física de Ritinha. Será uma importante aliada de João na luta pela guarda da filha.

Miguel Carvalhosa (José Pedro Gomes)
Advogado, trabalha no mesmo escritório que Alice. Defende João no caso da guarda de Ritinha. Acima de tudo, preza a honestidade, da qual não abdica, por maior que seja a oferta.

Joana Carvalhosa (Filomena Gonçalves)
Mulher de Miguel. É infeliz no casamento, devido à falta de atenção que o marido lhe devota. Tem uma filha com um grave problema de saúde e, por esse motivo, incomoda-a que Miguel abra mão de honorários para ajudar clientes desfavorecidos.

Tio Chico (Armando Cortez)
Tripeiro e adepto do Futebol Clube do Porto. Dono de uma tasca na Ericeira.

Tó Mané (Fernando Mendes)
Filho de Tio Chico. Por oposição ao pai, é benfiquista ferrenho. É apaixonado pela irmã de criação, Isilda.

Isilda (Ana Bastos)
Filha adotiva de Tio Chico. Trabalha num cabeleireiro e, por vezes, como acompanhante. Depois de uma deceção amorosa, decide prostituir-se.

Carminda (Linda Silva)
Prostituta, mãe biológica de Isilda. Entregou a filha para adoção por não ter condições de a criar. No entanto, procurou sempre manter-se informada sobre ela. Teme que a filha lhe siga as pegadas.

Fátima (Mila Ferreira)
Trabalha no mesmo cabeleireiro que Isilda e também vai fazendo umas horinhas nos cafés de Tio Chico e Tó Mané. Tem um caso com Alberto, o que não impede que de vez em quando este a “ceda” ao engenheiro Queiroz. O seu grande sonho é ser cantora e gravar um disco.

Carlinhos (António Assunção)
Tem uma oficina que serve de fachada a um negócio de roubo e desmantelamento de carros, que conduzirá Zé e Tó Pé à prisão. Ficará noivo de Isilda, por quem terá uma verdadeira obsessão.

Padre Belmiro (Armando Venâncio)
Padre da Ericeira.

Engenhocas (António Feio)
Recluso, torna-se amigo de Zé enquanto este está preso. Está detido por um crime passional. Sonhador, dedica-se à construção de maquinetas com as diversas (in)utilidades.

Mestre Artur (Rui Luís)
Mestre de pescas. Chefe de Joel. Afasta-o do serviço devido às suas bebedeiras.

Fernanda (Vanessa Williams)
Secretária do escritório de Alice e Miguel. Filha de emigrantes, morou em Londres. Terá um pequeno flirt com Miguel.

Marina
Secretária adjunta na Queiroz S.A. Namora com um jornalista ambicioso que, de vez em quando, presta alguns favores a Queiroz e Isabel.

Gabriela
Substitui Ana Paula como secretária de Franco, quando ela vai trabalhar na fundação.

Juiz (Luís Zagallo)
Juiz responsável pelo julgamento de Zé e Tó Pê.

Lopes da Silva (José Boavida)
Cúmplice de Sérgio no negócio que faz Zé perder todo o seu dinheiro em ações.

Verão Quente foi a segunda telenovela produzida pela NBP. A primeira fora Cinzas, da qual foi herdada grande parte do elenco.

Sucedendo a A Banqueira do Povo na programação da RTP, Verão Quente não conquistou o sucesso esperado e caiu, mais tarde, no quase completo esquecimento. É das novelas que menos reposições teve na RTP Memória.

Entre os fatores que contribuíram para o insucesso da novela, terão estado o argumento mal desenvolvido, fragilidades no texto, elenco jovem pouco seguro na interpretação e um excesso de triângulos e quartetos amorosos.

O casal protagonista acabou por não ter grande peso na trama. Luís Arruda (Nicolau Breyner) era um personagem sem carisma, inexpressivo, praticamente robótico, e Maria Franco (Ana Zanatti) uma figura fraca, mortiça e apática.

Já a antagonista, Simone Arruda (Betty Faria), foi um dos pontos fortes da novela.

A presença da atriz brasileira, cujo nome encabeçava o elenco no genérico, foi a grande atração na promoção da novela, e talvez um dos únicos motivos que faz com que hoje em dia ainda seja lembrada.

Betty Faria com Nicolau Breyner, na apresentação da novela (20/07/1993)

Lamenta-se, no entanto, que a personagem tenha sido tão mal aproveitada – apenas esteve em cena entre os capítulos 40 e 106, ou seja, em metade da novela. A sua saída, aliás, é um exemplo das muitas inverosimilhanças verificadas no argumento: Simone volta para o Brasil após Arruda sofrer um atentado e ficar entre a vida e a morte; poucos capítulos antes, Simone declarava-se apaixonadíssima pelo marido, mas não se coíbe de abandonar o país com ele moribundo. Nesta altura, também Maria Franco, que pedira à filha Vera (Sofia Sá da Bandeira) para não lhe “roubar” Arruda, que descrevia como a única coisa boa que tivera na vida, parte com o marido Luís (Filipe Ferrer) em segunda lua-de-mel…

Algumas cenas de exterior foram gravadas na Ericeira, onde se localizava um dos pólos da novela.

Apesar de Helena Isabel usar o cabelo ruivo, a primeira palavra que aparece na TV Guia para descrever o perfil da sua personagem é… “Loura”. Talvez tenha existido uma mudança de visual para marcar a diferença em relação ao seu trabalho anterior, a Mariana de Cinzas, que era igualmente secretária. Isabel foi também um dos destaques da novela, relevando-se, aos poucos, uma terrível vilã.

Filipe Ferrer, Manuela Maria, Rui Mendes e Mariana Rey Monteiro foram outros dos atores veteranos que, dentro das limitações do guião, conseguiram destacar-se com os seus papéis.

Filipe Ferrer
Manuela Maria
Mariana Rey Monteiro
Rui Mendes

Inês Rebelo de Andrade – creditada apenas como “Inês” –, filha de Sofia Sá da Bandeira, teve uma participação na novela.

A semelhança entre as duas foi aproveitada na trama, num parentesco que só perto do final seria revelado.

Verão Quente abordou o tema da homossexualidade com o personagem Duarte (Rui Luís Brás), que, depois de muita repressão, decide assumir a sua orientação sexual.

Betty Faria foi entrevistada no programa A Entrevista de Maria Elisa no dia 07/01/1994, onde falou sobre as diferenças entre fazer televisão em Portugal e no Brasil e sobre a aceitação das novelas portuguesas em Portugal.

Referiu ainda que os colegas com quem mais gostou de trabalhar em Verão Quente foram Maria João Luís e Nicolau Breyner.

Betty Faria em cena com Maria João Luís

Num livro da coleção Aplauso, lançado no Brasil em 2006, a atriz relatou que sofreu algumas represálias por parte da Rede Globo, por ter aceitado fazer este trabalho:

Em 1993 fui convidada pelo Nicolau Breyner para fazer uma novela portuguesa, Verão quente, com direção do Régis Cardoso. Seria uma novela pequena, de três meses, realizada por uma produtora independente, e seria exibida na RTP. Conversei com o advogado da Globo, que me disse que não havia problema algum, que meu contrato era nacional.

O Manoel Martins me alertou quando falei com ele depois de conversar com o advogado: “pode ser legal, mas o Boni não vai gostar”. Eu que estava engasgada desde Pedra sobre pedra resolvi aceitar. O Boni estava em Nova York e dois dias antes de começarem as gravações ele me ligou mandando eu voltar. Bati pé que meu contrato era nacional, mas ele contestava dizendo que “não era ético”. E ameaçou não renovar o meu contrato, caso fizesse a novela – a Globo havia fechado parceria com outra rede de televisão, a SIC, talvez por isso.

Eu simplesmente disse: “então, não renova”. O Boni tinha um jeito tirânico de dizer as coisas e eu sempre acabava batendo de frente com ele, rebelde por natureza. Quando voltei da temporada em Portugal e meu contrato com a Globo acabou, o Boni realmente não o renovou.

Pela primeira vez, depois de tantos anos, estava fora da televisão. Fiquei brigada de morte com o Boni, nem nos falávamos mais. Hoje em dia, com certeza, teria feito diferente.

Mila Ferreira, que na novela era cantora, interpretou um dos temas que fizeram parte da banda sonora (lamentavelmente, nunca lançada):

VERÃO QUENTE – Dulce Pontes / Luís Filipe
DE SAUDADE EM SAUDADE – Lara Li
NOTAS SOLTAS – Luís Filipe
TODOS – Mila Ferreira
ÉS A VIAGEM
QUANDO OS AMIGOS ESTÃO LONGE – Paco Bandeira
A BARCA – Luar de Janeiro
NÃO VÁS AO MAR, TOINO – Dulce Guimarães

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Verão Quente