Vila Faia (1982)

Exibição:
10/05/1982 – 28/09/1982 (RTP 1)

Número de capítulos:
100

Argumento:
Nicolau Breyner
Thilo Krasmann

Adaptações e diálogos:
Francisco Nicholson
João Alves da Costa

Produção musical:
Pedro Osório

Direção de produção:
Thilo Krasmann
Vítor Mamede

Realização:
Nuno Teixeira

Elenco:
Adelaide João – Ercília
Ana Luísa Reis – Ana (secretária nova)
Ana Filipe Nogueira – Clarisse
Ana Pereira – Teresa Gomes
Ana Rita – Dulce
Ana Rita Costa – colega de Cristina
Aníbal Coelho – Fernando
Anna Paula – Alice Diniz
Ana Zanatti – Madalena Andrade
António Feio – 
António Montez – Zé Balhão
Asdrúbal Teles Pereira – administrador 1
Baptista Fernandes – Eurico Laskaris
Carlos Areia – colega de Zé
Carlos César – Mariano Valente
Clarice Belo – Arminda Gomes
Cláudia Cadima – Marília
Cremilda Gil – Aurora
Cristina Oliveira – empregada da tasca
Cristina Trovão – Fátima
Cunha Marques – Eduardo (guarda noturno) 
Curado Ribeiro – Dr. Salema
David Silva – Padre Sebastião
Dorel Iacobescu – Doreli
Eduardo Viana – Dimas
Fernanda Coimbra
Fernando Soares
Filipa Trigo – Ana Marinhais
Francisco Nicholson – Inspetor Serôdio
Gil António – Nunes (agente 2)
Glória de Matos – Luísa Marinhais
Gonçalo Zanartu – Rui
Helena Isabel – Inês Brisar
Isabel Mota – Lina Faria
Isabel Franqueira – Gigi
João Brandão
João de Carvalho – Rafael
João Perry – Diogo
Jorge Nery – Camacho
José de Carvalho – administrador 2
José Eduardo – notário
José Luís Peres – António Canaveiro
Luís Esparteiro – Manuel Marinhais
Luísa Barbosa – Ermelinda
Luísa Freitas – Joana Marques Vila
Luísa Roubaud – 2.ª rapariga da leitaria
Mafalda Drummond – Rita
Magda Cardoso – Anabela
Manuel Ferreira Gomes – Filipe Marinhais
Manuela Marle – Cristina Andrade
Margarida Carpinteiro – Mariette
Maria Beatriz – Maria
Maria Muñoz – Fernanda
Maria Salomé Guerreiro – Lúcia
Mariana Rey Monteiro – Ifigénia Marques Vila
Miguel Wahnon – Miguel Andrade
Nicolau Breyner – João Gudunha
Nuno Homem de Sá – Pedro Marques Vila
Paula Ferreira – enfermeira
Paula Guedes – Laura
Paula Street – Mariana Marques Vila
Philippe Marle – Robert
Pinheiro da Silva – Agente A
Ricardo Ferraz – Ferraz
Rita Oliveira – Celeste
Rodrigo G. da Silva – Hugo Marinhais
Rosa Lobato de Faria – Beatriz Marques Vila
Ruy de Carvalho – Gonçalo Marques Vila
Saul Santos – Ricardo
Tozé Martinho – Silveira (agente 1)
Varela Silva – Nuno Marinhais
Vieira de Almeida – Lino (agente 3)
Virgílio Castelo – Silvestre
Vítor Norte – Zé Diniz
Vítor de Sousa – Bruno Brisar

Gonçalo Marques Vila (Ruy de Carvalho), dono da empresa que comercializa o vinho “Vila Faia”, dedica-se totalmente aos negócios e dá pouca atenção à esposa, Beatriz (Rosa Lobato de Faria), bem como aos seus três filhos: Pedro (Nuno Homem de Sá), Joana (Luísa Freitas) e Mariana (Paula Street). Enquanto Joana é tida como a neurótica da família, Pedro é constantemente acusado de ser um grande irresponsável, por negligenciar os estudos e por chegar a casa a horas tardias. Para além disso, a certa altura envolve-se emocionalmente com a médica Madalena (Ana Zanatti), que mantém um casamento fracassado com o engenheiro Miguel Andrade (Miguel Wahnon). Os desentendimentos entre os dois culminam quando Miguel foge para o Brasil com Mariana, a filha mais velha de Gonçalo, o que surpreende todos aqueles que a consideravam como o elemento menos problemático da família Marques Vila.

No meio de todos estes problemas, Beatriz revela-se uma mulher fútil e frívola, sendo dona Ifigénia (Mariana Rey Monteiro), mãe de Gonçalo, quem supre a sua falta em casa.

Após a chegada de Nuno (Varela Silva) e Luísa Marinhais (Glória de Matos), fornecedores e amigos de longa data dos Marques Vila, começam a suceder-se acontecimentos muito estranhos nas instalações da empresa. Primeiro é o desaparecimento de uma pasta, depois o assassinato de um dos guardas durante a noite. Quando Balhão (António Montez), um dos empregados mais antigos da empresa, também aparece morto, ficamos a saber que existe uma rede criminosa que falsifica o vinho que é exportado para o Brasil, de maneira a que o original seja vendido num mercado paralelo. As pessoas assassinadas teriam desaparecido por saberem demais.

Vila Faia conta também a história de amor entre João Gudunha (Nicolau Breyner), motorista da empresa vinícola, e Mariette (Margarida Carpinteiro), uma ex-prostituta que está insatisfeita com a vida que leva. Os dois tencionam casar-se, mas Mariette encontra-se gravemente doente.

Entretanto, quando é divulgada a notícia da falsificação dos vinhos, a empresa de Gonçalo entra em crise e este é obrigado a vender a casa a Eurico Laskaris (Baptista Fernandes), um negociante de jóias e obras de arte que pretende adquirir os armazéns dos Marques Vila. Paralelamente, Mariano (Carlos César), o homem de confiança de Gonçalo, identificado como principal suspeito da rede criminosa, é detido pela polícia. O mesmo acontece com Manuel Marinhais (Luís Esparteiro), filho de Luísa e Nuno, que se envolveu no negócio da falsificação dos vinhos devido a dívidas de jogo. Pressionado pela polícia, Manuel acaba por confessar ter morto Balhão, sendo Mariano colocado provisoriamente em liberdade. Porém, ao abrir a porta de um táxi que o levaria para casa, é atingido mortalmente pelo condutor, deixando em pânico a sua esposa, Lúcia (Maria Salomé Guerreiro). Esta acusa Gonçalo do sucedido e revela que Mariano era seu meio-irmão, fruto de uma relação extra-conjugal do pai de Gonçalo com a empregada.

No dia em que Mariette morre, após o casamento com João Gudunha, Gonçalo tem um grave acidente de viação e, apesar de sobreviver, terá de passar o resto da vida numa cadeira de rodas. É neste estado que assiste ao desmantelamento da organização criminosa encabeçada por Eurico Laskaris, que se dedicava ao contrabando de objetos valiosos e que utilizava as embalagens do vinho “Vila Faia” para ocultar a sua mercadoria. Mariano teria sido seu colaborador, até se aperceber que o “negócio” da falsificação dos vinhos era um meio muito mais eficaz para destruir Gonçalo. Desvendados os mistérios, e graças ao não cumprimento, por parte de Eurico, de uma cláusula inserida no contrato da compra e venda da casa, a família Marques Vila tem a possibilidade de recuperar a sua antiga moradia, aonde todos regressam na última cena da telenovela.

Família Marques Vila

Gonçalo Marques Vila (Ruy de Carvalho)
É o presidente da Sociedade Vinícola Marques Vila, onde é produzido o vinho Vila Faia. Empresário dedicado, aceita a custo a modernização que a entrada na CEE implica. Com a família é intransigente, conservador e inflexível. Não tolera atrasos nem vê com muitos bons olhos a tolerância de Beatriz e de Ifigénia para os achaques e paranoias de Joana e para a rebeldia de Pedro. A saúde do seu coração vai ser posta à prova algumas vezes ao longo da novela.

Beatriz Marques Vila (Rosa Lobato Faria)
Mulher de Gonçalo. A típica dona de casa passiva. Sempre viveu exclusivamente para a família, que quase que a reduz a um papel decorativo. É frágil e insegura.

Ifigénia Marques Vila (Mariana Rey Monteiro)
Mãe de Gonçalo. É a matriarca e a presidente do Conselho de Administração da Marques Vila. Mulher de armas, nunca se deixou vencer pelos preconceitos da sociedade. É uma avó afetuosa e dona de uma lucidez de fazer inveja.

Mariana Marques Vila (Paula Street)
Filha mais velha de Gonçalo e de Beatriz. É tradutora e intérprete. É considerada a mais “certinha” da família. A sua vida é rotineira: casa-trabalho, trabalho-casa. Não se lhe conhecem grandes distrações. O pai acalenta a esperança de que em breve trabalhará na empresa, por ser parecida com ele. Vai sentir o coração a fumegar e vai libertar-se…

Pedro Marques Vila (Nuno Homem de Sá)
O filho homem dos Marques Vila. Com 20 anos feitos, continua um adolescente e não leva nada a sério. A sua falta de objetivos inquieta o pai, que o imagina um ladrão ou um toxicodependente. A mãe e a avó protegem-no. O pai quer passar-lhe o testemunho, por ele ser o seu único filho homem, mas ele foge dessa responsabilidade a sete pés. Vai apaixonar-se pelo boxe e, mais tarde, balançará entre dois amores…

Joana Marques Vila (Luísa Freitas)
A filha mais nova dos Marques Vila. Crê-se um patinho feio desajeitado e desconchavado. Tem uma gritante carência de amor-próprio e alimenta a mania da perseguição. O quarto é o seu refúgio: é onde se recolhe com o seu urso de peluche, sempre que algo a incomoda. Precisa de alguém que a perceba ou de perceber qual o seu papel.

Padre Sebastião (David Silva)
Irmão de Ifigénia. Vive no interior, onde dá aulas num colégio.

Ercília (Adelaide João)
Empregada de longa data dos Marques Vila, por quem tem muito carinho e estima. Estrebucha contra as liberdades de Lina e de Rita, a quem chama de “galdérias”, e ameaça constantemente fazer queixa delas aos patrões.

Lina (Isabel Mota)
Espevitada, é uma das empregadas da família Marques Vila. Zombeteira, comenta e lança ferroadas à vida dos patrões.

Rita (Mafalda Drummond)
Empregada dos Marques Vila. Põe, juntamente com Lina, a cabeça em água à Ti Ercília com as suas graçolas. Flirta com Rafael.

Sociedade Vinícola Marques Vila

João Gudunha (Nicolau Breyner)
Chauffeur, conduz os camions da empresa Marques Vila. Vive sozinho com um papagaio chamado Crispim. Em miúdo, perdeu a mãe. Foi para a América com o pai, que era estivador, mas que não aguentou a carga de trabalho e morreu. A sua condição física fê-lo boxeur. Conheceu a fama, mas rapidamente mascou o acre matando um adversário. Não aguentando, fugiu para África. 14 anos depois, volta a Portugal com a vida num tormento, sem nenhum tostão e com paludismo. Apaixona-se por Mariette.

Zé Balhão (António Montez)
Chefe de Gudunha, que lhe chama “lambe-botas” desdenhosamente, por vê-lo sempre de conchavo com Mariano. Em desconchavo fica com Gudunha e, com fel, tenta vingar-se em Mariette. Ao morrer como morre, abre lugar para o mistério.

Mariano Valente (Carlos César)
O braço-direito de Gonçalo. Trabalha na Marques Vila desde muito jovem. Passa a si mesmo um certificado de fidelidade – de origem duvidosa –, tentando tirar proveito da posição que ocupa. Implica especialmente com Gudunha, a quem tenta incriminar.

Maria Inês Brisar (Helena Isabel)
Secretária de Gonçalo há muitos anos. Refugia-se no trabalho. Casada com Bruno.

Bruno Brisar (Vítor de Sousa)
Marido de Inês. Tem ciúmes da excessiva abnegação que a mulher devota aos patrões. É crítico de arte.

Rafael (João de Carvalho)
Ajudante de Gudunha na distribuição dos vinhos pelos revendedores.

Eduardo (Cunha Marques)
Guarda noturno da Marques Vila. É misteriosamente assassinado.

Silvestre (Virgílio Castelo)
Substitui Eduardo na função de guarda noturno da Marques Vila, mas permanece no emprego por pouco tempo: Mariano despede-o por trazer a mulherada para o local de trabalho.

Camacho (Jorge Nery)
Ajudante de camionista da Marques Vila. Será uma peça chave para solucionar o mistério do vinho falsificado.

Lúcia (Maria Salomé Guerreiro)
Esposa de Mariano. É uma mulher sem instrução e envergonha o marido com as suas constantes gaffes.

Fernanda (Maria Muñoz)
Nova administrativa da Marques Vila. Engraça com Zé Diniz.

Família Andrade

Madalena Andrade (Ana Zanatti)
Médica, mãe de Cristina. Nos tempos livres, gosta de desenhar e pintar. Tem um casamento estafado com Miguel, com quem divide as despesas e poucas vezes a cama.

Miguel Andrade (Miguel Wahnon)
Marido de Madalena, engenheiro, passa muito tempo fora de casa. Presta pouca atenção à filha e à mulher, culpando o trabalho.

Cristina Andrade (Manuela Marle)
Filha de Madalena e Miguel. Tem um namoro com Pedro que é incapaz de segurar. Aponta o dedo à mãe quando o pai sai de casa e dá o seu grito do Ipiranga, passando a ter com ela uma relação conflituosa.

Diogo Pais (João Perry)
Colega e grande amigo da Dr.ª Andrade. Vai ajudá-la a enxugar as lágrimas depois da separação de Miguel.

Família Marinhais

Luísa Marinhais (Glória de Matos)
Mulher de Nuno. Ardilosa, astuta e manhosa. Gosta de ter os filhos nas mãos, sendo ela a distribuir as cartas. Ambiciona a ligação com os Marques Vila, de quem é amiga de longa data. Estimula a ligação entre Manuel e Joana. É um dos espinhos no namoro entre Ana e Zé Diniz.

Nuno Marinhais (Varela Silva)
Marido de Luísa, com quem vive um casamento de aparências. Regressa com a família de Espanha, depois de uma estadia de 6 anos. Sempre foi uma pessoa pacata e avessa a preocupações, mas algo o fará mudar repentinamente de atitude.

Manuel Marinhais (Luís Esparteiro)
Filho mais velho dos Marinhais. Foi o único a permanecer em Portugal durante o exílio da família e, apesar da vida boémia que leva, foi cuidando dos negócios. É o responsável pelo fornecimento das uvas da família para a empresa Marques Vila. É um dândi que se envolve com Joana por interesse.

Ana Marinhais (Filipa Trigo)
Rebelde, gosta do perigo e de boxe. Espicaça a mãe, batendo o pé firmemente ao destino que ela lhe reservara.

Filipe Marinhais (Manuel Ferreira Gomes)
Cuida dos negócios da família em Espanha, onde tem vida estabelecida.

Hugo Marinhais (Rodrigo G. da Silva)
Pai de Nuno.

Aurora (Cremilda Gil)
Caseira da quinta dos Marinhais no Ribatejo. Luísa considera-a uma “parola”, mas um episódio dramático criará uma aproximação entre as duas.

Leitaria

Mariette (Margarida Carpinteiro)
Ao filho conta uma enxurrada de mentiras, dizendo que trabalha num hospital, mas o seu trabalho é outro: vende o corpo – mas não a alma – para o poder sustentar. Tem poiso na leitaria da Ti Ermelinda, de quem é cúmplice e amiga. Gudunha vai desmistificar-lhe a vida e as aflições.

Rui (Gonçalo Zanartu)
Filho de Mariette. Vive num colégio interno. Um menino de ouro, que torce pelo amor da mãe e gosta do amparo de Gudunha.

Ermelinda (Luísa Barbosa)
Dona de uma leitaria frequentada por raparigas de vida alternada e outros clientes sem alternativa. Tem esmero no negócio e um ombro amigo para dispensar a quem dele precisar. Trata Mariette como uma filha.

Fernando (Aníbal Coelho)
Empregado da leitaria. Um pouco afetado.

 (António Feio)
O sobrinho contestatário de Ermelinda. Quer roubar dinheiro à caixa da leitaria e transformar o estabelecimento num snack-bar. Frustrado, vinga-se em Mariette, acabando por lhe precipitar o fim.

Laura (Paula Guedes)
Prostituta, frequenta a leitaria à cata de clientela. Antipatiza com Mariette, com quem tem uma espécie de rivalidade.

Rapariga da leitaria (Luísa Roubaud)
Também frequenta a leitaria, onde é companhia constante de Laura e Tó.

Cacém

Zé Diniz (Vítor Norte)
O melhor amigo de Pedro. De condição humilde, vive modestamente com a mãe no Cacém. De dia é mecânico de automóveis, à noite estuda engenharia e, nos tempos livres, é boxeur.

Alice Diniz (Anna Paula)
Mãe de Zé Diniz, viúva. Por vezes, um pouco controladora. Tem um quiosque no Cacém.

Arminda (Clarice Belo)
Amiga e vizinha de Alice. É a modista das famílias Marques Vila e Marinhais. Como tem a máquina de costura avariada, usa a de Alice para costurar as fardas das criadas da mansão Marques Vila. Tem orgulho na filha Teresa e tenta empurrá-la para os braços de Zé Diniz.

Teresa (Ana Pereira)
Filha de Arminda. Mora com os tios em Londres, onde está a tirar um curso de Secretariado e Línguas.

Polícia Judiciária

Agente Silveira (Tozé Martinho)
Um dos agentes que a vaga de crimes chama à Marques Vila e à trama. Sarcástico, desconfia de tudo e de todos, até mesmo das capacidades do inspetor Serôdio.

Agente Nunes (Gil António)
Outro dos agentes com a mesma singularidade dos restantes membros da brigada: é cínico.

Agente Lino (Carlos Vieira de Almeida)
Agente da PJ. Colabora na investigação de alguns casos, entre os quais o roubo do crucifixo de Ifigénia.

Inspetor Serôdio (Francisco Nicholson)
Vem para tentar colocar um ponto final nas investigações dos crimes, embora os seus métodos sejam pontos de interrogação. Usa insistentemente um bordão que lhe marca as falas: “não há pachorra”. Desenvolverá uma cumplicidade com Gudunha.

Agente A (Pinheiro da Silva)
Agente da PJ.

Outros personagens

Ferraz (Ricardo Ferraz)
Treinador de boxe de Pedro. É procurado por Gonçalo, que lhe pede que convença Pedro a abandonar o desporto.

Clarisse (Ana Filipe Nogueira)
Amiga de Cristina, um pouco hippie. Recebe-a no seu apartamento quando ela decide sair de casa, tornando-se sua conselheira.

Eurico Laskaris (Baptista Fernandes)
Negociador de obras de arte. Tem alguma proximidade com Bruno Brisar, que o apresenta aos Marques Vila. Compra-lhes a casa e quer ficar-lhes com o nome e reputação.

Robert (Philippe Marle)
Assistente de Eurico Laskaris. Executa todo o tipo de trabalhos, desde a confeção da comida até aos serviços mais sujos…

Doreli (Dorel Iacobescu)
Apresenta-se a Gonçalo como um cliente venezuelano interessado em transacionar os vinhos da Marques Vila. Aparece em várias situações subsequentes, agindo de forma bastante suspeita.

Dr. Henrique Salema (Curado Ribeiro)
Advogado e amigo de longa data da família Marques Vila. Presta igualmente apoio jurídico à família Marinhais.

Dr. Dimas (Eduardo Viana)
Advogado de Mariano. Esgrime argumentos com Serôdio, que lhe dá voz de prisão, depois de o ter avisado.

Anabela de Castro (Magda Cardoso)
Dona de uma rede internacional de institutos de beleza. Conhece Mariana durante a sua viagem de regresso do Brasil e torna-se sua amiga e confidente.

Marília (Cláudia Cadima)
Funcionária do instituto de Anabela. É competente, mas bastante insegura.

Vila Faia foi a primeira telenovela produzida em Portugal. Estreou no dia 10/05/1982 e terminou a 28/09, dia em que foi exibido o 100.º capítulo.

Inicialmente, a novela iria ter o título de João Gudunha. O nome do personagem é explicado na novela: João (Nicolau Breyner) vivera nos Estados Unidos, onde lutava boxe. Por ser “bom de unha”, puseram-lhe o apelido de Gudunha (Good + Unha).

Baseada numa ideia original de Odette de Saint-Maurice, Vila Faia foi adaptada para a televisão por Francisco Nicholson e por João Alves da Costa (jornalista do desportivo A Bola). Foi produzida pela Edipim, produtora de Thilo Krasmann e Nicolau Breyner, que assegurou também a direção de atores. A realização ficou a cargo de Nuno Teixeira.

Odette de Saint-Maurice foi afastada da novela antes mesmo de esta entrar em produção. Na origem deste afastamento, terá estado um desentendimento com Nicolau Breyner, por quem foi acusada de escrever coisas “bonitinhas demais”. A escritora deu uma polémica entrevista ao jornal Se7e, onde demonstrou um grande sentimento de revolta em relação ao “senhor Breyner”.

A reação do público foi diferenciada nas diversas fases da obra. Nas palavras de Francisco Nicholson, “houve uma certa expectativa da parte do público, em especial na primeira semana. Um certo ceticismo, pode mesmo dizer-se uma nítida má vontade. Depois, à medida que a sequência da história foi avançando e a ação crescendo, passou-se para um segundo estádio muito normal entre nós que foi o de se considerar a telenovela como “não tão má como isso”. Finalmente, agora já se diz que é muito boa”.

À semelhança do que já acontecera com algumas novelas brasileiras exibidas no nosso país, Vila Faia teve direito a uma revista semanal inteiramente dedicada a ela. Nestes 17 fascículos, para além de resumos detalhados dos capítulos, era possível conhecer melhor o elenco e a equipa da novela, através de entrevistas, bem como algumas curiosidades dos bastidores.

As gravações ocorreram nos estúdios da Edipim na Abrunheira, localidade do concelho de Sintra. Tal era o alarido com a produção da primeira telenovela portuguesa que a alguns telespectadores foi dada a oportunidade, através da revista, de conhecer os estúdios e confraternizar com os atores.

Miguel Wahnon, o intérprete de Miguel Andrade, surgiu na novela por acaso, quando ofereceu boleia a uma amiga que ia efetuar testes para o elenco de Vila Faia, acabando também ele por prestar provas. Apesar de nunca ter reconhecido em si, até esse dia, qualquer propensão para ser ator, Miguel Wahnon foi selecionado, mas viu o seu personagem sair prematuramente da trama. Segundo os responsáveis pela novela, esta saída estava já prevista, tendo apenas sido antecipada devido a outros compromissos profissionais do “ator”, cuja principal ocupação era a de comissário de bordo. A explicação oficial dada por Thilo Krasmann referia que “o Miguel Wahnon é funcionário da TAP e como tal tem determinados compromissos que não pode falhar. Como comissário de bordo, ele já sabia que nesta altura teria de regressar com maior assiduidade ao seu local de trabalho e avisou-nos disso logo de princípio”. No entanto, o comissário declarou ao jornal Se7e que o motivo da sua saída foi o facto de a sua noiva não gostar de o ver em cena…

Paula Street também ficou ausente da telenovela por um longo período, curiosamente quando a sua personagem, Mariana Marques Vila, desaparece de cena para viver intensamente uma paixão por Miguel Andrade. Após concluir a sua participação em Vila Faia, Paula Street voltou a dedicar-se integralmente aos exames da sua licenciatura em Direito, curso que se encontrava a frequentar em 1982.

Fruto do acaso foi também a participação de Manuela Marle na telenovela. Tudo começou quando estava no Brasil a assistir à peça Viva o Gordo e Abaixo o Regime, com Jô Soares. Abordada pelo humorista, foi encarregue pelo mesmo de trazer um recado para Nicolau Breyner, mesmo não o conhecendo. Por ocasião da entrega do recado, foi convidada a fazer alguns testes, acabando, inesperadamente, por ficar com o papel de Cristina Andrade.

Mais tarde, também o seu marido, Philippe Marle, se juntou ao elenco.

O treinador de boxe de Pedro Marques Vila (Nuno Homem de Sá) foi vivido pelo famoso Ricardo Ferraz, um dos nomes mais sonantes no panorama da modalidade em Portugal.

Ainda desconhecido do grande público, Rogério Samora surgiu numa pequena participação, como repórter do Correio da Manhã.

Foi lançado um LP contendo as canções e os temas instrumentais de Vila Faia. Todas as músicas foram compostas por Vítor Mamede e Thilo Krasmann. Algumas letras eram da autoria de Rosa Lobato de Faria.

VILA FAIA – Samuel
VILA FAIA – Instrumental
VILA FAIA – Instrumental
TEMA DE JOÃO GUDUNHA – Instrumental
TEMA DE JOÃO GUDUNHA – Instrumental
PORQUÊ (MEU AMOR PORQUÊ) (Tema de Mariette) – Miguel Santiago
PORQUÊ (MEU AMOR PORQUÊ) (Tema de Mariette) – Instrumental
PORQUÊ (MEU AMOR PORQUÊ) (Tema de Mariette) – Instrumental
PORQUÊ (MEU AMOR PORQUÊ) (Tema de Mariette) – Instrumental
PORQUÊ (MEU AMOR PORQUÊ) (Tema de Mariette) – Instrumental
AQUI ESTOU (Tema de Joana) – Dina
AQUI ESTOU (Tema de Joana) – Instrumental
AQUI ESTOU (Tema de Joana) – Instrumental
TEMA DE RUI – Samuel
TEMA DE RUI – Instrumental
TEMA DE RUI – Instrumental

Para além deste disco, foram ainda lançados três singles, contendo os temas interpretados por Samuel, Dina e Miguel Santiago.

O tema Porquê (Meu Amor Porquê) havia sido interpretado por José Cid no Festival RTP da Canção de 1978.

O jornal A Capital colaborou com a produção, preparando uma edição reduzida em que a capa e a última página davam destaque ao caso dos vinhos Vila Faia, para que este jornal pudesse aparecer na novela.

Já a morte de Mariano (Carlos César) foi noticiada pelo Correio da Manhã.

O drama de Mariette comoveu de tal forma o público que a sua morte revoltou a tudo e a todos.

Francisco Nicholson, em entrevista ao programa Os Dias Úteis de 15/11/1995, apresentado por Margarida Mercês de Mello, revelou que a sua empregada se demitiu quando soube do trágico destino da prostituta. Apesar de todos os apelos por parte do público e do elenco, acabou mesmo por se confirmar a anunciada morte da personagem de Margarida Carpinteiro – que, aliás, também estava presente no programa.

Outro programa que contou com a presença de Margarida Carpinteiro foi o Com Peso e Medida exibido em 05/04/1995, em que foi a convidada central.

Falou-se de vários aspetos da sua vida, mas grande parte das memórias evocadas por Nicolau Breyner, pela atriz e pelos convidados – Francisco Nicholson, Thilo Krasmann, Luísa Barbosa e Carlos César – foi relativa a Vila Faia.

Após algumas críticas levantadas ao facto de D. Ifigénia (Mariana Rey Monteiro) andar permanentemente apoiada numa bengala (provavelmente consideravam que a atriz tinha ainda um ar bastante jovial e não aparentava tamanha dificuldade de locomoção), os responsáveis pela novela rapidamente trataram de arranjar uma justificação: num passeio a cavalo na quinta, D. Ifigénia sofreu uma queda que lhe originou um problema de articulação, obrigando ao uso da bengala.

Apesar de estarmos perante a primeira telenovela portuguesa, já se notava a existência do chamado merchandising, embora em dimensões bem menores se compararmos com as produções atuais. Assim, no decorrer da telenovela, era feita publicidade a diversas marcas, cujos produtos apareciam de forma escancarada na leitaria da Ti Ermelinda (Luísa Barbosa) ou na cozinha da Ti Ercília (Adelaide João).

Lucas Pires, na época Ministro da Cultura, teceu grandes elogios à novela, devidamente documentados numa carta escrita a Nicolau Breyner.

Na novela, Ana Marinhais era loucamente apaixonada por Zé Diniz (Vítor Norte). Porém, a sua intérprete, Filipa Trigo, parecia não partilhar os gostos da sua personagem em relação aos mecânicos: “Um homem de fato-macaco… com óleo… Em princípio espero uma pessoa com outro nível cultural”.

Aproveitando o sucesso da novela (e parecendo não se importar com o escândalo que envolveu os vinhos da vinícola dos Marques Vila), a empresa J. M. Fonseca Internacional – Vinhos, Lda. criou uma marca de vinhos denominada “Vila Faia”. A empresa ainda existe, mas o vinho já não é comercializado. Pela sua raridade, uma garrafa de “Vila Faia” deve estar bastante bem cotada no mercado enológico.

O ator brasileiro José Lewgoy, durante uma visita a Portugal, foi convidado a fazer uma participação especial na novela. Contudo, devido a outros compromissos profissionais, viu-se obrigado a recusar. Apesar disso, considerou que a imagem da nossa televisão era de qualidade bastante superior à brasileira, bem como os meios técnicos utilizados para a produção da novela.

Para os exteriores da mansão da família Marques Vila, foi cedida, por uma pessoa amiga de Nicolau Breyner, a Quinta de São Cristóvão, situada na Estrada Nacional 9, no Linhó.

Já as sequências passadas nas caves da Marques Vila foram rodadas nas Adegas do Banzão, em Colares, pertencentes à empresa vinícola Visconde de Salreu.

As cenas do colégio de Rui foram gravadas no Colégio de São José, no Restelo.

Nos primeiros capítulos, Gudunha é hospitalizado com uma súbita crise de paludismo, sendo atendido pela Dr.ª Andrade (Ana Zanatti). Quando tem alta, vemo-lo sair pelo pórtico sul do Hospital de São José, na Rua do Arco da Graça.

Seguindo o modelo das novelas brasileiras, antes do encerramento eram exibidas as “cenas do próximo episódio”. Estas eram anunciadas com a voz de Thilo Krasmann.

No dia 16/09, alguns dias antes da exibição do último capítulo, o final da novela foi festejado num animado convívio onde, para além do elenco, estiveram presentes o Dr. Proença de Carvalho, na época Presidente do Conselho de Administração da RTP, e Maria Elisa Domingues, que assumia a função de diretora-coordenadora de programas. De salientar também a presença neste encontro de Simone de Oliveira, que acompanhava o marido, Varela Silva. Simone veio a participar no remake da novela, fazendo o papel de Ifigénia.

Quase um mês depois do final, os portugueses puderam rever os dois últimos capítulos, que foram repostos no dia 22/10, às 20:30.

A novela foi reposta pela primeira vez em 1985, tendo estreado a 06/05 e terminado a 24/09. A sua exibição no horário das 13:00, para além de marcar a reabertura da televisão à hora do almoço, depois de um interregno, coincide com o início das emissões diárias a partir da RTP Porto. Com efeito, só a partir desta altura os estúdios de Vila Nova de Gaia passaram a emitir de segunda a sexta-feira, ao fim da manhã e inícios de tarde, situação que se mantém até aos dias de hoje. O magazine diário chamava-se Espaço 12/13, vindo a ser substituído no ano seguinte pelo Espaço 11/13. Data também desta altura a primeira emissão do espaço informativo designado por Jornal da Tarde.

A segunda reposição data de 1990, vindo a telenovela a ocupar o horário das 13:30 na RTP 1, entre 12/02 e 26/04.

A terceira reposição foi ao ar na RTP 2, no ano 2000, às 13 horas.

Na RTP Memória, tem sido reposta frequentemente.

Pouco tempo depois de ter ido ao ar o último capítulo de Vila Faia, a imprensa portuguesa começou a noticiar a possibilidade desta telenovela ser exportada para o Brasil. No segundo semestre de 1983, a revista TV Guia divulgou estar em discussão uma parceria com a Rede Bandeirantes. Nos termos de um acordo que estava a ser ultimado, esta rede de televisão brasileira ia adquirir Vila Faia e, em contrapartida, a RTP comprava os direitos de exibição da telenovela Os Imigrantes, um dos êxitos mais significativos da emissora. Com o passar do tempo, os órgãos de comunicação social foram confirmando que as negociações pareciam estar definitivamente concluídas. Assim, Os Imigrantes foi agendada para substituir Cabocla, também da autoria de Benedito Ruy Barbosa, que ocupava, com grande sucesso, o horário das 22 horas na RTP 2. A TV Guia chegou mesmo a colocar Os Imigrantes na programação, mas à última hora, ficámos a saber que, devido a problemas internos que nunca foram especificados, ficava adiada a estreia desta telenovela. Os Imigrantes só seria vista em Portugal em 1987, também na RTP 2, mas num horário diferente. Em compensação, Vila Faia só seria transmitida para o Brasil em meados da década de 90, através das emissões da RTP Internacional.

A novela foi exibida na TPA (Televisão Pública Angolana) em 1988.

Antes disso, em 1986, Vila Faia fora também vendida à Europa TV. No entanto, as emissões do canal foram abruptamente interrompidas em novembro desse ano, devido a dificuldades económicas, pelo que a novela não chegou a ser transmitida.

Procurando repetir o sucesso alcançado pela primeira novela portuguesa, a RTP decidiu fazer um remake de Vila Faia em 2008.

No dia 24/02/2008, próximo à estreia da segunda versão, Margarida Carpinteiro foi a entrevistada do Só Visto, que naturalmente foi recheado de referências à primeira Mariette. Para além de depoimentos de Nicolau Breyner, Francisco Nicholson e Inês Castel-Branco, foram mostradas imagens de arquivo em que Margarida Mercês de Mello entrevistava Nicolau Breyner e Margarida Carpinteiro, após o final da novela.

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Vila Faia (1982)