Zás Trás

Exibição:
16/09/1991 – 12/06/1992 (RTP 2)

Número de episódios:
40

Argumento:
Jayme Camargo
Duca Rachid

Bonecos:
Luciano Ottani

Manipulação:
Alexandre Montenegro
Jane Rose
Herberto Figueiredo
Susana Vasconcelos
Pedro Morgado

Vozes:
Ana Sofia Martins – Dudy
Cristina Bettencourt – Lupe
José Manuel Correia
Nuno Carlos
Paulo Coelho

Direção de produção:
Soraya Pinto

Direção técnica:
Carlos Rodrigues

Direção geral:
Teledifusão

Realização:
Henrique Sousa Martins

Produtora:
Septimis

Imigrado do Japão, Ho-Fukuda vive sozinho num quarto em casa da D. Felismina, na esperança de juntar algum dinheiro e conseguir reunir a família. Enquanto esse tempo não chega, Ho-Fukuda, que se sente só, resolve exercitar as artes mágicas nos bonecos antigos dos filhos da D. Felismina, através do livro de magia de um velho mestre – o mago do Oriente, Lao Iamamoto.

Ho-Fukuda e Iamamoto

De um momento para outro, a magia toma conta do quarto de Ho-Fukuda e dá vida aos bonecos que ali se encontravam esquecidos. É desta forma que Paff, Dudy, Lupe, Xisto e Manu passam a encher os dias de Ho-Fukuda de companheirismo, alegria e, muito especialmente, de trapalhadas. É que o japonês não domina ainda as artes mágicas que o livro concede. Na verdade, todas as vezes que os bonecos invocam os ensinamentos de Lao Iamamoto, por curiosidade ou para tentarem solucionar os seus próprios problemas quotidianos, os resultados são desastrosos, colocando os nossos heróis em incríveis e hilariantes aventuras.

Ho-Fukuda com os bonecos

Ho-Fukuda
Hofu para os amigos. Na casa dos trinta, veio do Japão em busca de melhores condições de vida, alimentando o sonho de trazer a família para perto de si. Aluga um quarto em casa da D. Felismina, onde encontra os bonecos dos seus filhos, que serão os seus grandes companheiros. Arranja emprego num restaurante, como cozinheiro.

Lao Iamamoto
Mago do Oriente e conselheiro espiritual de Ho-Fukuda. É através do seu antigo livro de magia que os bonecos ganham vida. Ancião japonês de sabedoria profunda, encara com bom humor os disparates do seu aprendiz. Surge em flashback ou sempre que Hofu comete grandes asneiras.

Paff
Panfredo, de seu verdadeiro nome, é um São Bernardo inteligente e dócil, embora despassarado. No seu currículo, traz a participação em operações de salvamento na neve. Fazendo jus à sua linhagem, é um fervoroso devoto de São Bernardo.

Dudy
Detesta o nome de batismo, Eduína, preferindo ser tratada por Dudy. É uma crocodila que nasceu em África e, desde criança, sempre teve vocação para o estrelato – pelo menos, assim o diz. O seu grande drama é a ausência de cabelo, razão pela qual usa e abusa de perucas. Nada, porém, a impede de se sentir uma verdadeira estrela: é apaixonada por moda, jóias, cinema e cosméticos.

Lupe
Guadalupe é uma vaquinha com graves problemas de audição. Interpreta as conversas de forma distorcida, trocando alhos por bugalhos e transformando qualquer diálogo num momento de confusão e humor.

Xisto
Pelixisto é um pelicano vindo de uma ilha no Atlântico e grande admirador de Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Para curar um desgosto de amor, repetiu a façanha dos seus ídolos em sentido contrário, atravessando o Atlântico a partir do Brasil. Fala pelo nariz, está sempre a dormir e é extremamente distraído. Mete-se nas conversas a propósito e a despropósito, ou não fosse dono de um enorme nariz (ou bico).

Manu
Macaco que vem ocupar o lugar deixado por Xisto, quando este decide regressar à sua ilha.

D. Felismina
É a senhoria de Ho-Fukuda. Apenas se ouve a sua voz e se vê a sua sombra. Os bonecos, que agora acompanham Ho-Fukuda, pertenciam aos seus filhos.

Concebida originalmente em episódios de 25 minutos, Zás Trás acabou por ser segmentada em blocos de cinco minutos, exibidos diariamente antes do Jornal das Nove, na RTP 2. A série tinha como público-alvo crianças dos sete aos nove anos.

A equipa de criação era composta, em grande parte, por profissionais brasileiros, a começar pelo autor titular, Jayme Camargo, que escrevera A Pandilha do Tomé, exibida no ano anterior. As séries tinham a mesma premissa: um grupo de bonecos que ganhavam vida pelas mãos de um humano.

A seu lado esteve Duca Rachid, que mais tarde consolidou a sua carreira como autora de novelas no Brasil.

Zás Trás, sucederam-se trabalhos outros trabalhos da dupla, como a série infantil O Cantinho da Bebé (1992/1993), a sitcom Cupido Electrónico (1993) e a série O Grande Irã (1994).

Alexandre Montenegro, manipulador de Ho-Fukuda, veio expressamente do Brasil para formar profissionais que pudessem constituir uma equipa capaz de assegurar programas com este tipo de fantoches. Montenegro iniciara-se no teatro, até surgir uma oportunidade na publicidade que envolvia bonecos; foi nesse contexto que conheceu Luciano Ottani, o criador dos fantoches, que também se deslocou ao nosso país para participar neste projeto.

Entre 1994 e 1997, Ottani viria a ser um dos manipuladores de Castelo Rá-Tim-Bum, um título de referência na produção infantil brasileira, dando vida à gralha Adelaide.

A gralha Adelaide de Castelo Rá-Tim-Bum

Jane Mamede, a manipuladora de Dudy, encontrava-se também no Brasil a fazer o programa Glub Glub, na TV Cultura, tendo abdicado do projeto para aceitar o convite de integrar a equipa do Zás Trás.

Jane Mamede

Embora os manipuladores estivessem habituados a dar também voz aos bonecos, neste caso tiveram de coordenar os movimentos com vozes pré-gravadas, de forma a garantir que as personagens não tivessem sotaque brasileiro. Sobre esta adaptação, Alexandre Montenegro confessou que, nas primeiras semanas em Portugal, “não entendia o sotaque e o que as pessoas falavam”.

Quanto às restantes personagens:

– Paff foi manipulado por Susana Vasconcelos, atriz e integrante do grupo Valdez e as suas Piranhas Douradas.

Paff

– Lupe era manipulada por Herberto Figueiredo, que exercia funções técnicas em trabalhos para a televisão quando aceitou “safar um dia” em que alguém faltou. No fim das filmagens, foi convidado a permanecer na equipa.

Lupe

– Xisto era comandado por Hermes, um “desenrasca” que detestava tudo o que era monótono e rotineiro, fazendo todo o tipo de serviços.

Xisto

No 14.º episódio (o primeiro da segunda temporada), assistimos à partida de Xisto e à sua substituição pelo macaco Manu.

Manu

Nesta altura, o genérico foi também alterado, sendo encurtado em cerca de 40 segundos.

A personagem Lupe, com voz de Cristina Bettencourt, era responsável por alguns dos momentos mais cómicos de Zás Trás, e foi provavelmente decalcada do Gangas, o burro surdo de A Pandilha do Tomé, cujas intervenções eram muito semelhantes.

O burro Gangas de A Pandilha do Tomé

Cada programa demorava aproximadamente dois dias e meio a ser gravado, tendo algumas cenas sido gravadas em exteriores.

O realizador Henrique Sousa Martins

Para além dos 39 episódios regulares, foi também produzido um especial de Natal, exibido no dia 25/12/1992, na RTP 1.

O enredo parte de uma cena passada no edifício da RTP, na Avenida 5 de Outubro. Teresa Paixão e Maria Emília Brederode Santos, responsáveis pela programação infantil e juvenil, têm um sério problema em mãos: os Marretas, cuja presença era aguardada para o especial natalício da estação, adoeceram e não poderão comparecer.

Teresa Paixão
Maria Emília Brederode Santos

Ho-Fukuda, ao entregar uma pizza no gabinete, ouve a conversa e sugere que convidem os seus bonecos. É assim que os companheiros de Hofu se tornam as estrelas de um musical em grande estilo.

Os temas musicais deste especial foram interpretados por cantores profissionais:

Badaró (Ho-Fukuda)
Daniel Antunes (Iamamoto)
Fátima Padinha (Lupe)
Gustavo Sequeira (Manu)
Nucha (Dudy)
Tó Leal (Paff)

Zás Trás teve duas reposições nos anos seguintes à sua exibição original:

– Entre 27/12/1993 e 17/06/1994, em episódios de cinco minutos, na RTP 1;

– Entre 16/03/1995 e 05/10/1995, em episódios compactos, na RTP 2.

Contudo, a RTP não deixou cair a série no esquecimento, repetindo-a esporadicamente durante os anos 2000.

Entre 2006 e 2007, foi também exibida na RTP Memória.

Paralelamente às suas exibições nacionais, Zás Trás fez também as delícias da pequenada um pouco por todo o mundo, ao ser um dos principais programas infantis em exibição regular na RTP Internacional, onde estreou durante o ano de 1993.

A série encontra-se disponível para visualização no portal RTP Arquivos.

Zás Trás